RetroEspecial: Star Wars e Nintendo – de Nes a N64


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Quem não conhece Star Wars? Pergunta difícil essa! A genial franquia de filmes criada (e para muitos, recentemente assassinada) por George Lucas é uma das coisas mais conhecidas da galáxia. É virtualmente impossível encontrar um ser vivo pensante que nuca tenha ouvido falar de Star Wars. Difícil também é encontrar alguém em sã consciência que nunca tenha jogado pelo menos um dos trocentos jogos eletrônicos que a franquia gerou nos consoles caseiros, portáteis, PCs e arcades pelo mundo a fora!

Star Wars constituiu uma das séries cinematográficas mais rentáveis da história do cinema, e nos games não foi diferente: provavelmente é a franquia baseada em filmes de maior sucesso da história dos jogos eletrônicos, é uma das primeiras séries a desembarcar com sucesso no mundo dos games e sempre deixou papai George com o sorrisão aberto de orelha a orelha e cheio de grana extra no bolso. E é certo também dizer que nenhuma outra fabricante de consoles ao longo dos anos recebeu tantos títulos dessa franquia como a Nintendo.

Desde os primórdios dos videogames, os consoles da Big N recebem regularmente vários games baseados no gigantesco universo Star Wars, e estamos prestes a tratar aqui destes jogos que nos fizeram usar a força, a reza, a macumba, e qualquer outra apelação astral possível que pudesse nos ajudar a terminá-los, ou pelo menos a grande maioria deles (maldito nintendinho).

Comecemos então a falar de

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Nintendo Entertainment System (NES)

Star WarsNamco – 1987

O primeiro game da série a desembarcar em um console Nintendo foi lançado apenas no Japão, e nunca se quer foi cogitado uma conversão para o ocidente. Explicações não faltavam: o jogo até que não era ruim, mas era tãããão viajante e fugia taaaaaanto da história do filme que era capaz de a primeira aventura de Luke Skywalker para o consolinho ocidental se tornar uma grande piada e um fiasco de vendas.
Anos mais tarde foi lançado outro jogo para NES com o mesmo nome, Star Wars, e não existiu reclamação nenhuma quanto a isso. Também, se alguém reclamasse que esse lançamento estava substituindo um game que tinha uma estátua de FARAÓ na parede da sala do Darth Vader…
Vale citar que todos os chefes do game eram Darth Vader versão mutante meta-morfo: cada hora com uma forma diferente, e uma mais bizarra que a outra. E Luke era mais-que-Jedi, seus poderes iam muito além do que ele foi capaz de fazer em toda a série, como congelar o tempo, emitir raios pelo sabre de luz, assoviar e chupar cana ao mesmo tempo… PELO AMOR DE DEUS, USE THE FORCE LUKE!!

ababa

Star WarsBean Software – 1991

Esse tal Star Wars que pintou no ocidente apareceu somente 4 anos depois. Desenvolvido pela Bean Software (podem acreditar, a  competente Namco nunca mais se atreveu a fazer um novo jogo da franquia Star Wars) e publicado pela JVC Digital Studios, Star Wars (pois é, resolveram manter o mesmo nome do jogo oriental bizarrão, mas também pra quê trocar, né?) trazia uma aventura muito mais fiel ao primeiro filme da trilogia clássica, com direito a voos de Millenium Falcon e de X-Wing, e passagens por vários cenários clássicos do primeiro filme. O jogo logo depois foi lançado também no Japão, apagando de vez os rastros do seu antecessor nas terras nipônicas, e Luke nunca mais pode chupar cana e assoviar ao mesmo tempo.

O jogo é fraco, difícil e de jogabilidade travada, os gráficos são legaizinhos e só. No geral, se forem comparados como games que são e não como adaptações de franquias, posso assegurar que o game bizarro da Namco é até melhor que este.

ababa

Star Wars The Empire Strikes BackLucasfilm Games – 1993

O jogo que representava o 2º filme da trilogia clássica foi o melhor da saga a ser lançado para o 8bits da Nintendo, e também o último para ele.

Seu lançamento se deu tão no final da geração que nem foi viável para a Lucasfilm desenvolver o terceiro game da saga, Star Wars Return of the Jedi, coisa que poderia ser dada como certa se The Empire Strikes Back fosse lançado um pouco antes.

Fora o fato de que a cor do Sabre de Luz de Luke estava trocado com o de Darth Vader (o vermelho é do Vader, LucasFilm noob), o jogo era muito superior aos até então lançados. Recontava muito bem os eventos do segundo filme clássico, com direito a pilotar Snowspeeder’s para derrubar os enormes AT-AT naquele esquema manjado de amarrar os cadarços deles, e a fuga da caverna de gelo onde o Sasquatch queria fazer um lanchinho com o Luke.

ababa

Super Nintendo Entertainment System (SNES)

Super Star WarsSculptured Software – 1992

Esse eu joguei bastante! Super Star Wars era um game magnífico: bonito, variado, com excelente jogabilidade, difícil na medida certa e com uma excelente utilização do chip Mode7 que proporcionava fases aéreas sem igual na época. Dá pra considerar ainda hoje esse título como um dos melhores games de ação do SNES, e possui méritos para tal! Foi o primeiro game da franquia a desembarcar na geração 16 bits, e provavelmente foi o melhor dela no console da Nintendo.

O jogo era bem extenso, e o jogador, no comando de Luke, começava só com a pistolinha laser para ir adquirindo novas armas (vide Sabre de Luz) e novos personagens jogáveis, como Solo e Chewie, no decorrer da aventura. A jogabilidade também mudava a medida que se pegava novas armas e personagens, pois novos movimentos e habilidades eram acrescentados à jogatina, que deixavam o game supimpa!

Obrigatório para qualquer retroaventureiro que goste da franquia Star Wars, e que não goste também!

abababa

Super Star Wars The Empire Strikes BackSculptured Software – 1993

Esse bendito veio ao mundo só um aninho depois do Super Star Wars pra já chegar aproveitando o vácuo do sucesso do primeiro, e veio com as devidas melhorias, algumas não tão bem vindas. Chewie e Solo ainda continuaram como personagens selecionáveis, mas agora com fases pré-determinadas e sem a opção de escolha, e a dificuldade agora estava muito acima do primeiro, muito MESMO. Pelo menos agora o game tinha a opção de a gente poder anotar uns Passwords aqui e acolá… mas nada que diminuía a frustração de morrer dezenas de vezes seguidas na mesma fase. Luke realmente não estava Jedi nesse game.
Ainda assim o jogo era muito bom, mas não no mesmo nível do primeiro, nem de longe.

abababa

Super Star Wars Return of the Jedi Sculptured Software – 1995

Esse fechou a passagem dos games da franquia Star Wars pelo SNES com chave de ouro! The Return of the Jedi pegava o que os seus 2 antecessores tinham de melhor e juntava nesta aventura soberba contra o Império de Palpatine e Darth Vader.

Leya e Wicket (aquele Ewok do filme Caravana da Coragem que estrelou um desenho fuleiro que passava no show da Xuxa) juntam-se ao leque de personagens selecionáveis, onde novamente temos direito à escolha de acordo com nossa vontade, assim como era no primeiro jogo. Foram mantidos também os salvadores passwords adotados no game anterior para o console, e a dificuldade já não era assim de fazer o rim parar de funcionar como era em The Empire Strikes Back.

No geral, o primeiro game era mais balanceado e divertido, e por isso é considerado o melhor da franquia neste console, mas Return of the Jedi era naturalmente mais bonito e possuía um acabamento mais moderno…  Finalizando, esse também era um jogaço, e fim de papo no SNES.

abababa

Nintendo 64

Star Wars: Shadows of the EmpireLucas Arts – 1996

Tá aí um jogo considerado pela crítica como um game mediano, mas que eu considero um BAITA JOGO. Shadows of the Empire foi um dos primeiros jogos de N64, e trazia à tona todo um obscuro lado B da saga Star Wars. O game foi baseado em histórias paralelas originarias de livros e quadrinhos oficiais da franquia, situa-se entre o 2º e 3º capítulos da trilogia clássica, e quem está no comando da ação nesta aventura é o mercenário pau pra toda obra Dash Rendar, que tem a missão de auxiliar Luke a resgatar a princesa Leia, raptada pelo Príncipe Xizor, um poderoso aliado do Império que está financiando a construção de uma poderosa estação de batalha, tão ou mais poderosa que a Estrela da Morte.

Muitos reclamaram da jogabilidade do game, que em 3º pessoa realmente irritava de tão ruim que era a jogabilidade, mas quando jogado em 1ª pessoa (esse é o único game que eu tinha visto até então que permitia escolher em qual visão jogar) ai sim o game demonstrava o seu potencial, revelando-se um daqueles games FPS de aventura cheio de missões e fases muito extensas para se atravessar. E a jogabilidade variava muito, hora controlando Snowspeeder’s, passando por perseguições em Speeder Bike’s (aquelas de O Retorno de Jedi, das perseguições nas florestas de Endor) no deserto em velocidades extremas, jet-packs, e finalmente, travando batalhas espaciais e destruindo meteoros descontrolados pilotando uma nave própria de Dash Rendar muito similar a Millenium Falcon. Não falei que o cara é pau pra toda obra?

Mas o que mais chama a atenção neste game é a sensação de realmente estar em uma história paralela aos acontecimentos dos 2º e 3º filmes. Por exemplo, logo no inicio, após derrubar os Snowspeeder’s, a base é evacuada assim como acontece nos filmes, pois ela foi descoberta e será destruída pelo Império, mas Dash Rendar tem coisas para fazer lá ainda, e assim a gente assiste a todo mundo ir embora enquanto nos adentramos nas cavernas congeladas para completar missões fundamentais para a sobrevivência da Resistência.

Tem uma parte em que Dash chega no momento exato em que Bubba Feet foge em sua nave levando Han Solo congelado em carbonite, e por ai vai!!
Realmente Shadows of the Empire não é um primor de jogo. Sofre dos defeitos comuns que todo game de inicio de vida de um console sofre, como quedas constantes de frames e gráficos que poderiam ter sido bem melhores, mas ainda assim merece ser jogado principalmente pelos fãs da série.

abababa

Star Wars: Rogue SquadronFactor-5 – 1998

Surge a Factor 5, aquela que viria a ser a detentora dos melhores títulos da franquia Star Wars a serem lançados em um futuro próximo para os consoles da Nintendo, e com ela, o Expansion Pak do N64 começa a mostrar a que veio. No comando de Luke Skywalker, o objetivo do game era comandar uma esquadrilha de pilotos em missões que iam desde pedidos de socorro à escolta de cargueiros e naves levando rebeldes.

Graças a utilização do Cartucho de Expansão, foi possível criar gráficos muito acima da média da época, atingindo uma resolução visual superior a de qualquer videogame concorrente. Porém, a sensação de velocidade proporcionada pelo game não era muito convincente não, dava a impressão de que as velozes espaçonaves da resistência estavam com o freio de mão puxado. Era possível pilotar uma pancada de naves, dentre elas as X-wing, A-wing, Y-wing, V-wing e os queridões Snowspeeder’s, que eram desbloqueadas com o passar das missões. Excelente game, mas totalmente sem comparação ao seu sucessor, que viria na próxima geração.

abababa

Star Wars Episode I: RacerLucas Arts – 1999

Baseado na corrida de pod’s do fraquíssimo filme Star Wars: The Phanton Menace, Star Wars Episode I: Racer fez uso do cartucho de expansão do N64 para se sagrar um dos melhores jogos de corrida da época. Desenvolvido pela LucasArts, o game parecia bastante com F-Zero e Wipe-out, seguindo a mesma linha de velocidade absurda e muito reflexo, só que o joguete possuía gráficos lisos e nítidos enquanto rodava a impressionantes 60fps! É frame pra cacete se considerarmos a época!!

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Da pra escolher qualquer um dos muitos pilotos esquisitões do filme, cada um com sua nave de característica própria naquele velho esquema de “essa é mais veloz mas faz menos curva” e “aquela  tem turbo mais duradouro mas é mais lenta” para correr em 25 pistas espalhadas por diversos mundos.
Vale citar que o cartucho de expansão não era obrigatório, mas a qualidade gráfica caia absurdamente se ele não fosse usado.

Jogo super divertido, mas enjoativo. O multiplayer ajuda na longevidade do título, mas os personagens genéricos demais, a mesmice, e os cenários desérticos acabam afugentando a galera.

abababa

Star Wars: Episode I Battle for NabooFactor-5 – 2000

starwarsnabooEste foi outro lançamento da Factor 5 que aproveitou a boa engine de Star Wars Rogue Squadron para criar mais um jogo baseado em The Phantom Menace, só que a qualidade caiu bastante se comparado ao Rogue Squadron: gráficos piores, slowdown a toda hora, neblina irritante, missões chatas e sem emoção… No resumo, um jogo ruim que ficou pra escanteio. Nem a adição de vários veículos e naves novas salvaram o game, que caiu rapidamente no esquecimento, sendo talvez o pior game de toda a franquia para qualquer console. Sem mais, e bora pro Game Cube.

abababa

Menção honrosa: Nintendo Game Cube

É isso ai, menção honrosa pois só vou citar 1 game do console roxo (que por sinal, é disparado o videogame da Nintendo que mais recebeu títulos da franquia) por que esse game merece, e muito. Não existe game de Star Wars em console Nintendo nenhum melhor do que ele, e até hoje nos demais consoles é difícil achar páreo também. O impressionante é que este foi um dos primeiros títulos a serem lançados para o console, onde geralmente não aparece muita coisa boa, mas desta vez foi plenamente diferente. Portanto, de todos os outros bons jogos desta geração, só vou citar este, pois o Game Cube ainda é um console meio recente né?

Star Wars Rogue Squadron II: Rogue LeaderFactor-5 – 2001

Resurge a Factor-5 com um game de primeiríssima linha para o recém-lançado  forninho da Nintendo, o Game Cube. Star Wars Rogue Squadron II: Rogue Leader é um game que na minha modesta opinião de RetroPlayer, é o melhor de todos os games da franquia Star Wars já lançado para videogames. O sucessor de Rogue Squadron contava com um filtro de som Dolby Surround Pro Logic II que fazia os lasers  te acertarem no sofá,  efeitos de luz, sombra e texturas como nunca havia se visto em lugar nenhum até então.  Dava quase para sentir as explosões das dezenas de naves que infestavam a sua tela ao mesmo tempo, cada uma delas utilizando em sua detalhada estrutura, mais de 5 vezes o número de polígonos que haviam sido utilizados para se montar os carros de Gran Turismo 3 para PS2. O resultado: um dos melhores games aeroespaciais já feitos na história dos games.

A treta rola durante a trilogia clássica, onde no comando do até então aspirante a Jedi Luke Skywalker ou do experiente piloto Wedge Antilles, o jogador deverá atravessar 10 difíceis missões no comando de sua esquadrilha, passando por locais muito bem conhecidos e situações que vão desde a destruição da 1º Estrela da Morte, no 1º filme, até a investida suicida contra a 2º estrela ainda em construção mas já operante do 3º filme clássico. O game é extremamente fiel aos filmes, os detalhes das naves, cruzadores espaciais, lasers e tudo mais que existe na película foi excepcionalmente bem transportado para o jogo, que ainda conta com cenas em FMV retiradas dos rolos originais para fazer as entre cenas.  Tem quem diga que é melhor que o filme! Jogabilidade excepcional, total comando das outras 3 naves que compõem a sua esquadrilha, ambientes lindos e sem queda de frames, vários modelos de naves para se pilotar, um monte de objetivos secundários para se completar, em fim, um game espetacular! Se você não jogou, compre um Game Cube AGORA e jogue!

abababa

Fim de papo neste que foi mais um RetroEspecial aqui do seu site predileto de velharias gamers! Certamente, muitos mais virão, e quem sabe eu não faça uma matéria completa de alguns destes jogos citados? Merecer, vários deles merecem ^^ .

Fim


Sobre Sabat

Dono, Chefe, Gerente, Cara da Xérox e Tia do Café do RetroPlayers! Meu negócio? Falar sobre games. Como? Escrevendo meus trabalhos, gravando minha voz horrível, ou filmando minhas humildes proezas! Onde? Aqui, ali, ou onde quer que me chamem!
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