RetroReview Especial Rygar: The Legendary Warrior


Mitologia grega…palco de muitas historias,e a maioria já utilizada e re-utilizada em várias mídias diferente…mas em 1987 ainda era uma novidade nos games, e foi onde surgiu Argus, o guerreiro lendário da Tecmo.

Muitos anos se passaram, desde que joguei esse game pela primeira vez,em um flipper num butequinho pertinho de casa, e é com muita satisfação que faço esse especial,sendo que a versão arcade eu jogo até hoje.

FU! FU! HAAA! HÁAAA! Efeitos sonoros que não me saem da memória, e além de ecoarem na minha mente, ecoavam também nos flippers da época. Muitos ficavam curiosos pela altura que era o som padrão do arcade e quando chegavam perto viam um guerreiro empunhando um escudo , e o viam lançá-lo como uma “arma-yoyo” , dilacerando monstros e demônios, ao passo que babavam pelos visual e paisagens maravilhosas… Esse game é RYGAR, lançado inicialmente pra arcade, em meados de 1986. Rygar esbanja estilo, beleza, jogabilidade e como uma das marcas registradas da TECMO, a dificuldade.

A lenda…

O game conta a história de um reinado que surgiu após cerca de 4 bilhões de anos da criação da Terra… onde vários reinos já nasceram e sucumbiram por causa do próprio tempo… Mas este último era o mais sombrio e maléfico de todos: o reinado de RYGAR.

Sua maldade assolava os corações de todos, até que pela vontade dos Deuses, ARGUS, o GUERREIRO LENDÁRIO de outras épocas ressurge das cinzas com a missão de destruir o mal que assola a terra em tempos tão terríveis. Mas além de sua coragem, os Deuses o presentearam com uma das mais porosas armas místicas, a DiskArmor, um Escudo simbiótico com sua armadura, que se estende ao longo de uma corrente indestrutível quando lançada, e que pode ter as mais variadas formas além de fortalecer o usuário em todos os sentidos.

AS FACES DE ARGUS

Originalmente para arcade, Rygar desfilou em varias plataformas mas as principais e mais disntintas foram a Arcade, Nes e PS2.

Arcade

A versão Arcade é uma das melhores, por isso é a minha preferida! Desde os gráficos, jogabilidade e sons, tudo é ótimo. Mesmo havendo só uma música, ela é muito bem trabalhada e devido ao ritmo do jogo, você acaba não ligando muito de estar sempre ouvindo a mesma melodia, já que também sofre algumas alterações, por exemplo, quando está acabando o tempo da fase.

O game mostra a Tecmo fazendo escola, e com uma jogabilidade perfeita, Rygar supera até games que seriam lançados posteriormente, como o próprio Ninja Gaiden (Arcade). É muito fácil e intuitivo controlar Argus, e com o tempo você irá “masterizar” os movimentos… coisa que aliás é imprescindível pra progredir no game, pode ter certeza disso. E falando em dificuldade…

O game faz você passar muito nervoso MESMO, que alias é outra marca registrada da TECMO… Às vezes me pergunto o porquê dos games da produtora sempre serem tão insanos, principalmente os títulos de ação.

O ponto ruim da versão arcade é o fato dela ser um puro coin eater no mais puro sentido do termo, e pra piorar, tem a insanidade da Tecmo. O game é divido em 27 fases (rounds) ao longo desse reino que lembra a grécia antiga. Porém, a a partir da 20ª fase, você fica IMPOSSIBILITADO de usar continues!!! Tudo bem, já vimos alguns games de arcade da época em que você não pode usar continues na última fase, e Shinobi é um exemplo… mas caramba… faltam ainta 7 fases para completar o game fora o último chefe! Eu só terminei o game UMA VEZ emulando no meu Xbox, no easy e alterando a quantidade de vidas do padrão (duas) para 5.

Apesar disso ser um pouco broxante, o fator diversão do game é altíssimo, e se você conheceu a versão Ps2 está mais que na hora de conhecer sua origem, além de presenciar um game que contém muitas peculiaridades que perdurariam por anos na cena gamer, e por games feitos pela sua produtora.

Nintendo Entertainment System

Como de praxe também na época, os consoles de mesa não suportariam conversões perfeitas, e principalmente no Nintendo 8 bits, as produtoras sempre arriscavam uma mudança brusca no sistema de jogo já que o console não suportaria um port 1:1, afim de que o game ficasse bem melhor para a plataforma, usando suas potencialidades naturais, e inovando.

No Nes, RYGAR segue a mesma história, mas contada mais profundamente, virando um “semi” action-rpg, mais ou menos como veríamos em Castlevania 2, Metroid (que alias saiu na mesma época) ou até mesmo em Super Metroid, dadas as devidas proporções óbvimente.

Os gráficos ficaram muito bons para os padrões do NES, ainda mais levando-se em conta o ano de 1987, ou seja, fazia pouco tempo desde o lançamento do hardware, e ainda havia muito a ser descoberto e explorado.

Já as músicas são boas mas inconstantes, variando de soberbas a horríveis. A música inicial parece um tema de “super-homem” e da pra ver que não tem nada a ver com o ambiente mitológico, mas avançando no game aparecem músicas ótimas. Os efeitos sonoros são básicos… Diria até pobres.

A jogabilidade mantém algumas funções da versão arcade, como no ataque e no pulo, mas pára por aí. Logo você percebe a dificuldade inicial, e como todo RPG, com o tempo você ira evoluir, e ficará tudo mais fácil.

No geral, a Versão NES é boa, mas pessoalmente não gostei. Avaliando tecnicamente e imparcialmente é um bom jogo para a época, e talvez se não tivesse jogado a versão arcade tão intensamente, teria outra reação ao jogá-lo.

O Renascimento.

Ok, o foco é retrô, mas como o negócio aqui é um especial, é mais do que necessário ver como é que era e como é que tá, como diria Milton Neves.

Na versão PS2, A história teve algumas alterações como, por exemplo, o Nome do guerreiro se tornando verdadeiramente RYGAR, que antes era o nome do vilão, e o país onde mora se tornou ARGUS. E também existe o fato de ele não ser mais um guerreiro ressuscitado.

Conta a história que Rygar estava prestes a receber condecorações diretamente das mãos da Rainha Harmonia, quando os malignos Titãs e sua líder seqüestram a princesa, tragando-a pela terra, e Rygar jura com toda a sua força, que irá resgatá-la e trazer de volta a paz para Argus.

Apesar de a história ser bem menos interessante que a original, é muito, mas muito bem contada e desenvolvida, truques da tecnologia moderna e crescimento na arte de fazer games. Existem dezenas de cutscenes maravilhosas, gráfico extremamente bom para a época, músicas estupendas (que de longe é a melhor das 3 versões) com cantigas que te levam a uma “Grécia mitológica” só de fechar os olhos. Sem falar da jogabilidade, que mesmo hoje em meio a tantos títulos de ação 3D, continua muito boa e cativante. Mas o melhor do game sem dúvida é o Level Design.

O Level Design do game é um espetáculo a parte. Mesmo com todo o carisma de Rygar, que aliás, ele carrega desde seu nascimento em 86, Os cenários desse jogo são “OS” cenários. Muito bem desenvolvidos, não enjoam, são lindos de se ver, e a câmera, “megavilã” dos games 3D, por incrível que pareça, PRATICAMENTE NÃO ATRAPALHA e não graças a ela própria, mas sim aos estágios que facilitam muito o funcionamento dela. De longe o jogo tem um dos Level Designer’s mais bem trabalhados em games 3D de todos os tempos. Só vi algo do nível em games recentes como GOW (God of War, e não em todos), e em Dante’s Inferno.


O ponto ruim fica na AUSÊNCIA de dificuldade, que era um mal que assolava os games de ação 3D até a vinda de outro game da TECMO para esse ambiente… Claro que me refiro ao lançamento de Ninja Gaiden, para Xbox. No começo pode até ser difícil, mas depois, com os poderes adquiridos e com a habilidade nos controles, nada te impedirá de resgatar Harmonia, e salvar o planeta.

A versão PS2 ganha a maior nota, não por ser um game recente e ter mais apelo devido a isso, mas sim pelo conjunto da obra, sendo um game tão bom que vale a pena ser jogado até hoje, que é considerado semi-retrô (afinal o ps2 tem 10 anos e 2 meses de vida…) ou até retrô pelos xiitas da Nova Geração, que nao aceitam games que não sejam 454135256234ooP.

Pra você que nunca jogou, ou adquiriu o Ps2 a pouco tempo (né Fara?!) jogue, e veja o renascimento de um antigo herói da Tecmo que espero rever em breve, quem sabe em 2D… Que tal um remake da versão arcade?!

Curiosidades:

  1. Sempre houve muita confusão, tanto na pronúncia do nome do jogo (o correto é “RUÁIGÁER” ), como na dúvida se esse nome era do guerreiro ou do seu inimigo mortal. Mas como já mostrado no artigo, na versao original dos arcades, os japoneses nomearam Rygar como o inimigo do herói (o último chefe), e o heróis recebia o nome de Argus. Só depois, nas versões posteriores, Rygar tornou-se o nome oficial do guerreiro.
  2. Rygar aparece como um “monstro” na série da Tecmo de colecionadores de monstros, Monster Rancher.
  3. Pode ser coincidência, mas nos fliperamas aqui do Brasil na época, coisa que durou até cerca de 1995, as máquinas que hospedavam Rygar vinham sempre com o volume MUITO ALTO! Era uma coisa muito incomum, ocasionada talvez por uma config no próprio “DipSwitches” das placas do game, mas era muito engraçado e o som quase que cobria o fliperama todo se estivesse com pouca gente.
  4. Você encontra versões de todos os games citados para Nintendo Wii, sendo a versão Arcade e NES no Virtual Console, e um port da versão PS2 com algumas adaptações para os controles de movimento do console, chamado Rygar: The battle of Argus.

FIM


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