RetroReview: Zillion II – Tri Formation (Master System)


Olá caros amigos retroaventureiros, como estão? Eu nem vou fazer mais a piada de que só falo de jogos das plataformas SEGA por aqui que até ela já ficou clichê, né? Não tenho culpa, cresci jogando estes jogos, e se tem alguém que é culpado nessa história, esse alguém é o jogo do qual falarei neste post.

Até onde minha memória já desgastada pelo tempo consegue me fornecer informações, o Master System foi o terceiro console que tive o prazer de jogar nessa carreira gamística de tantos anos. Isso porque já conhecia o Atari e tinha jogado um jogo de um cara bigodudo que pegava moeda e pulava em tartarugas e bichos estranhos, num videogame que eu desconhecia que até achei legal, mas não mexeu tanto comigo. Não sei explicar bem a razão disso, eu estava diante do clássico dos clássicos, mas sabem como é cabeça de criança. Que fique claro que eu disse tudo isso sem querer fazer comparações entre os consoles rivais de 8 bits. Não me entendam errado!

No fatídico dia em que conheci o Master, um certo jogo estava plugado nele, um tal de Zillion II. Opa, peraí, Zillion II? Como assim? Seria um jogo baseado naquele desenho que eu gostava tanto? Pra minha felicidade era sim, descobri isso quando o videogame foi ligado. Quanta felicidade, daquele dia em diante eu passei a desejar muito um Master System, e felizmente mais pra frente meus pais tiveram condições de me dar um. Adivinham com qual jogo? É, meus caros, Zillion II!

Desde então vim acompanhando tudo que era da SEGA e que nos era trazido pela TecToy, pelo menos durante as eras de 8 e 16 bits. Foi aí que me apaixonei por Sonic, Alex Kidd, Shinobi, Fantasy Zone, Phantasy Star e tantos outros clássicos bacanas que joguei ao longo da vida. Mas chega de relembrar o passado e vamos ao que realmente interessa, falar sobre o jogo!

Eu não vou falar sobre o desenho (tá, eu sei que é animê, mas eu não consigo pronunciar esse termo!), já que falei dele no post sobreFantasy Zone do Game Gear, e ficaria repetitivo. Mas recomendo fortemente que, caso vocês não conheçam essa obra, deem uma olhadinha no post simplesmente porque Zillion é um desen… ANIMÊ MUITO BOM e que vale a pena conhecer, sem contar que evitará possíveis dúvidas aqui no review! Então, vamos começar por sua história.

Na última aventura dos White Knights no primeiro Zillion do Master System, J.J. se infiltrou com sua pistola alienígena no labirinto do império Noza situado no Planeta X para resgatar seus companheiros Apple e Champ (eu avisei pra vocês lerem o review do Fantasy Zone…) Quando reunidos, os três heróis foram capazes de programar a auto-destruição da base e sair de lá com vida. Entretanto, algum tempo após esta última aventura, um pedido de socorro pouco compreensível foi recebido no quartel general dos White Knights. A mensagem foi enviada de um lugar longínquo do sistema planetário informando sobre uma gigantesca fortaleza do império Noza surgindo na galáxia. Apple e Champ imediatamente partem para investigar a fortaleza, mas acabam desaparecendo. As últimas palavras que foram ouvidas de ambos foram “Salve-nos, JJ! O Barão Ricks…”.

E assim começa o jogo, com o valente herói equipando sua Zillion e partindo em mais uma aventura para, mais uma vez, salvar seus companheiros e frustrar os planos do maléfico Ricks e do império Noza.

Lançado em 1987 no Japão pela SEGA também em parceria com a Tatsunoko, Zillion II é um sidescroller de ação que possui fases que alternam entre dois tipos de jogabilidade, onde em um deles JJ percorre longos corredores com um triciclo que se transforma em robô chamado de Tri-Formation (no anime, o veículo é conhecido como Tricharger); no outro tipo, o herói encara a fase a pé. Como disse, o jogo alterna entre estes dois tipos de fases, sendo quatro para cada estilo, totalizando oito fases.

Exemplo de jogatina no modo Tri Formation

Nas fases ímpares, onde controlamos o Tri-Formation, a jogabilidade é bastante similar à de um shmup horizontal, ou seja, a tela se movimenta sozinha e o jogador poderá atirar, saltar com a moto, se abaixar para atirar rente ao chão e movimentar o Tri-Formation pela tela.

O objetivo das fases é basicamente atirar em tudo que aparece e chegar vivo no final. Nelas surgem diversos inimigos, como guerreiros da tropa Noza que aparecem a pé ou com Jetpacks, canhões e outras máquinas e dispositivos de segurança das bases inimigas.

Nestas fases é possível aumentar o poder da arma coletando os itens “Z” que aparecem na tela. O máximo que o jogador pode acumular são três e nada acontece se o jogador pegar mais desse item. Ao atingir o nível máximo, os tiros ficam um pouco maiores e mais poderosos, podendo atravessar os inimigos e, consequentemente, derrotando vários de uma vez. Com nenhum, um ou dois “Z” acumulados, o tiro permanece com o mesmo poder. Ao perder uma vida, o contador volta para zero, ou seja, só vai fazer diferença o “Z”se o jogador coletar 3 deles e permanecer vivo para poder usar!

Dentro destas fases existem outros itens que podem ser obtidos. O item “L” serve para recuperar o Life do personagem completamente. Já o item “A” serve para transformar o Triformation no Armorater, um mecha que serve de armadura para o personagem e que é capaz de voar. Aí sim é que o jogo acaba se tornando um shmup. Nas fases cinco e sete do jogo, aliás, o jogador já começa com o “A”, e ele é obrigado a se transformar logo de cara, pois o chão possui uma armadilha de alta voltagem contínua que vai tirando aos poucos o life do personagem se ele teimar em não voar.

Mesmo que estas fases sejam parecidas com jogos de navinha, a dificuldade é muito menos acentuada que outros games deste gênero, mas as últimas duas dão algum certo trabalho ao jogador, especialmente a última fase, onde em alguns momentos a tela fica bem carregada de tiros. Bullet Hell? Não, não vamos exagerar também. Se fosse assim, dificilmente eu estaria falando do jogo aqui, ainda mais ruim do jeito que sou nesse gênero. Provavelmente o texto seria do Sabat ou do Jeff, que são feras no assunto e estão debulhando os jogos do sucessor do Master.

Nestas fases, é possível também selecionar os outros heróis do anime (Consegui falar anime!), que são resgatados nas fases dois e quatro do jogo (falarei disso mais pra frente). O engraçado é que conheci algumas pessoas que não sabiam disto, já que para fazer, era necessário apertar qualquer botão no segundo controle ligado no Master System. E quem nunca tinha visto a cor do manual ia adivinhar isso como? Fazer isso ajudava a “recuperar” todo o life do personagem. O problema é que cada um dos outros heróis podem ser utilizados apenas uma vez, mesmo que terminem a fase intactos. Por esta razão é bom que o jogador utilize este recurso com sabedoria.

Salvar os companheiros é algo que pouca gente sabe para quê serve no jogo!

Já nas fases pares, como foi dito, JJ terá de encarar seu trajeto a pé, enfrentando soldados Noza que podem vir também a pé ou com jetpack. Eles podem surgir andando, de plataformas altas ou mesmo pular de um buraco para surpreender o herói. O jogo se transforma num shooter sidescroller onde o personagem pode pular, atirar e se abaixar. A dificuldade dessas fases não é tão alta também, talvez traga alguma dificuldade na primeira vez que for jogada cada uma delas, mas depois de decorado fica relativamente fácil.

Nas duas primeiras fases deste tipo de jogabilidade, ou seja, na segunda e na quarta do jogo, JJ poderá resgatar seus companheiros Apple e Champ (nesta ordem), e ao contrário do que acontece nas fases ímpares, eles não podem ser utilizados nas fases a pé. Outra coisa ausente nestas fases é o aumento de poder da Zillion: JJ terá disponível apenas o poder mais fraco da arma.

No final de cada uma das fases há uma porta que leva direto ao chefão… ou líder, como queiram. Ao todo são quatro (não diga!): o capitão do pelotão Oblivion, o líder de defesa Radajian, o comandante supremo Alleevian e, por último, Barão Ricks, o Noza mais poderoso do exército invasor e arqui-inimigo de JJ.

Zillion II não é um jogo de dificuldade moderada pra uma primeira jogada, mas tranquilo de se vencer depois que você pega o jeito. Além disso, ele é bastante curto. Já consegui terminar ele em menos de meia hora. E se eu consigo, qualquer um consegue tranquilamente.

Apesar de ser totalmente linear (diferentemente do primeiro jogo da série que possui mais exploração), é um jogo divertido e que vale a pena ser conhecido. Pra mim está entre os jogos mais divertidos do console não só pela nostalgia ou pelo anime em si, mas por sua jogabilidade mais descompromissada e sem grandes fatores complicantes.

Graficamente ele é bem bacana para um console de 8 bits, sendo muito mais bonito que seu antecessor. Já a parte sonora agrada bastante, apesar da repetição de músicas. Elas são baseadas nas do próprio anime, brilhantemente reconstruídas no console 8 bits da SEGA.

A emoção de derrotar pela primeira vez o Barão Ricks está viva até hoje na minha memória. Inclusive relembrei isso nos comentários de um RetroFast que rolou por aqui antes que eu fizesse parte da equipe. A pergunta era “qual o primeiro jogo terminado por cada um dos membros da equipe do blog e pelos leitores”. Quando respondi aquilo, parece que acabei vivendo mais uma vez aquela emoção de derrotar o ser mais poderoso do desenho, que ninguém conseguia atingir com as Zillion, mesmo ela tendo um tiro extremamente veloz.

Para finalizar o post, uma curiosidade que gostaria de contar é que na parte de trás da caixa tinha uma imagem que mostrava uma das fases a pé, só que na parte de cima da tela mostrava a potência da Zillion além do life do JJ, como se as mesmas características existentes nas fases com o triciclo existissem no outro tipo de fase. Já a foto da fase de tricilo possui um indicador de combustível, que não aparece em momento algum do jogo. Eu fiquei maluco com essas coisas quando criança, procurei em revistas, tentava sequências malucas de botões em diversas telas do jogo, achava que era algo escondido nele. Sério, eu tentei de tudo! Até mesmo (muitos) anos mais tarde com o recurso de Internet mais presente em nossas vidas, tentei pesquisar a respeito, mas nada encontrei. Provavelmente tiraram alguma foto da versão beta do jogo que talvez tivesse esta informação, mas que na versão final removeram. Alguém sabe algo sobre isso?

O que faz o poder da arma lá em cima na fase a pé? E esse “FUEL” na fase de triciclo?

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Nota final: este texto todo é uma adaptação do primeiro review que fiz na vida no meu blog pessoal, tentei adicionar uma “dose de Retroplayers” pra ficar mais a cara do site e, claro, agradar o líder Sabat que eu sei que também é grande fã não só do anime como de sua produtora, a Tatsunoko. Não, eu não sou puxa-saco, só estou tentando recuperar o vale coxinha que ele cortou do meu humilde salário. Eu acho que assim eu recupero, hein?

Espero que tenham gostado.

Obrigado a todos pela leitura e até o próximo post!

FIM


Sobre Cadu

Velho caduco, fã de Sonic e seus jogos (menos o Boom, credo), viúvo da SEGA assumido e mestre absoluto das piadas ruins. Tem esperança de que algum dia surgirá um Final Fantasy Tactics novo tão bom quanto o primeiro.
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