RetroReview: Sonic the Hedgehog – Master System e Game Gear


Eu ainda tinha um Master System quando o famoso Sonic the Hedgehog foi lançado para seu sucessor, o Mega Drive, e por mais que eu quisesse de qualquer jeito um console de 16 bits da SEGA, ainda ficaria mais algum tempo com o Master. E não demorou muito para eu saber da existência da versão de 8 bits do jogo do ouriço, vendo as revistas na época. Fiquei ouriçado Enlouqueci, queria o jogo de qualquer maneira!

Lembro que quase um ano após seu lançamento acabei ganhando de presente dos meus pais. Muita alegria na certa, eu finalmente poderia jogar Sonic em casa, sem ter que ficar visitando os amigos que tinham Mega Drive. Afinal de contas, na casa deles não dava pra terminar o jogo em paz.

Pois é, além de lançar para o seu principal console da época, o Mega Drive, a SEGA resolveu lançar também para seus aparelhos de 8 bits (Master e Game Gear) o primeiro jogo daquele que viria a se tornar seu principal mascote.

O videogame ainda fazia sucesso na Europa e em alguns outros países como, é claro, o Brasil. Para o desenvolvimento do jogo eles contrataram o serviço de uma empresa chamada Ancient, controlada pela família Koshiro. O nome soa familiar? Sim, a empresa era controlada pela família de Yuzo Koshiro, compositor de trilhas sonoras de muito sucesso no mundo dos games, como as da série Streets of Rage. Dispensa mais apresentações, não? Então vamos em frente. O game foi lançado no final de 1991, com dois meses de diferença entre a versão do console de mesa e a do portátil.

O desenvolvimento foi feito em paralelo com a versão do Mega Drive e acredito que isso deve ter feito com que a empresa tomasse a decisão de criar um jogo original, ao invés de um demake da versão de 16 bits. Por conta disso, temos um jogo quase completamente diferente, e eu digo quase porque temos três fases que possuem os mesmos nomes em ambas versões: Green Hill Zone, Labyrinth Zone e Scrap Brain Zone. Porém, o level design destas fases é totalmente diferente do que vemos no Mega. Além destas fases, três novas surgiram: Bridge Zone, Jungle Zone e Sky Base Zone.

02-Sonic-the-Hegehog-Master-System-Game-Gear-Review-TITLE-SCREEN 03-Sonic-the-Hegehog-Master-System-Game-Gear-Review-MAP

04-Sonic-the-Hegehog-Master-System-Game-Gear-Review-GREEN-HILL-ZONE 05-Sonic-the-Hegehog-Master-System-Game-Gear-Review-GREEN-HILL-ZONE

As diferenças não param por aí: na versão de 8 bits, as Chaos Emeralds não são obtidas através de Special Stages, mas sim devem ser localizadas ao longo das fases. Uma Esmeralda pra cada uma delas, escondida em um dos Acts. As fases bônus possuem outra finalidade, mas já falo sobre isso. Um ponto importante é que obter todas as Esmeraldas do Caos muda o final do jogo, como também acontece no Mega Drive.

14-Sonic-the-Hegehog-Master-System-Game-Gear-Review-GOOD-ENDING

Mais diferenças estão no gameplay. Este é o único jogo da franquia que possui uma fase em que a tela se movimenta sozinha, no caso o Act 2 da Bridge Zone. Além disso, há uma fase com progressão vertical ao invés de horizontal, que é a Jungle Zone Act 2. Lembro de ter visto uma desse jeito somente no ótimo Sonic & Knuckles, a Sky Sanctuary Zone, mas na Jungle Zone, meus caros, precisamos tomar um baita de um cuidado, porque encostou na parte de baixo da tela, mórreu perdeu uma vida. Fora isso tudo, os terceiros Acts das fases quase sempre são sem Rings (exceto a Scrap Brain Zone) e basicamente são compostas por um caminho que leva até a batalha contra o algoz do ouriço, Dr. Robotnik.

Outra diferença que pode ser notada desde o começo do jogo é que, ao ser atingido, Sonic não pode recuperar as argolas que perdeu. Quando isto acontece, apenas uma argola aparece caindo e ela não pode ser recuperada. Isso adiciona um pouco mais de dificuldade em relação à versão de 16 bits por razões óbvias. E por falar nas argolas, quando o jogador consegue 100 delas durante a fase, o contador é zerado e o jogador ganha uma vida, diferentemente do que vemos no Mega Drive (o contador continua somando Rings até 999). Acaba dando chance do jogador conseguir uma vida extra e perdê-la no segundo seguinte, o que quase sempre é engraçado (apesar de frustrante).

Os Special Stages, como já adiantei, são diferentes também. Eles são todos compostos apenas por molas e rebatedores. Além disso, são fases cheias de Rings. Servem mais para o jogador acumular vidas e encontrar o monitor que possui a palavra CONT, que dá um Continue ao jogador caso ele perca todas as vidas. É quase um Sonic Spinball, só que com boa física e divertido. Para acessar os estágios especiais, basta terminar as fases com o número de Rings entre 50 e 99. Um ponto de exclamação aparecerá na placa do final da fase após Sonic passar por ela.

12-Sonic-the-Hegehog-Master-System-Game-Gear-Review-BONUS-STAGE 13-Sonic-the-Hegehog-Master-System-Game-Gear-Review-BONUS-STAGE

Estes detalhes não tornam o jogo pior ou melhor que o lançado para o Mega Drive, apenas diferente. Cada versão tem seus prós e contras quando comparadas. Eu diria até que é uma sacanagem fazer este tipo de comparação. Gostar mais de uma ou de outra é algo que envolve muito do gosto pessoal de cada jogador.

Quanto às diferenças entre a versão para o Master System e o Game Gear, pude perceber algumas: o personagem parece pouca coisa mais rápido e os sprites utilizados tanto dele quanto do Dr. Robotnik (e alguns Badnicks) estão maiores na tela do que na versão do console de mesa, creio eu que tudo isso pelo fato da resolução do portátil ser menor. Isso acaba trazendo algumas diferenças na jogabilidade também, como por exemplo o primeiro chefe que pode ser atingido quando ainda está no alto, diferente da versão do Master. Ou algumas lanças da Labyrinth Zone que vc precisa esperar baixar completamente pra passar no Game Gear. No Master ela pode ser pulada até mesmo quando está pra cima, há espaço para isso.

Outro detalhe é que o jogo no Game Gear tem muitos slowdowns e isso atrapalha um bocado em alguns momentos. No Master também acontecem alguns, mas são poucos. Não interfere tanto na jogatina.

As duas versões de 8 bits possuem alguns problemas com a questão da velocidade, dependendo da fase. É possível sair da tela e aparecer em um lugar bem mais avançado do estágio, enquanto a câmera tenta localizar o Sonic. Mesmo assim, são pontos específicos (eu me lembro mais no primeiro Act da Green Hill Zone). No geral a física do jogo é muito boa e torna o gameplay bem agradável.

06-Sonic-the-Hegehog-Master-System-Game-Gear-Review-BRIDGE-ZONE 08-Sonic-the-Hegehog-Master-System-Game-Gear-Review-JUNGLE-ZONE

O level design das fases é muito bem feito. Localizar as Esmeraldas do Caos é algo bem divertido tanto para quem tá jogando o jogo pela primeira vez quanto para quem está tentando relembrar onde elas ficam escondidas. E algumas ficam em lugares não tão na cara assim, é preciso dar uma leve explorada.

A trilha sonora é sensacional! Como mencionei anteriormente, ela foi construída por ninguém menos que Yuzo Koshiro. Isso já basta para convencê-los de que as músicas são no mínimo excelentes, não é mesmo? Salvo as músicas da Green Hill Zone, da tela inicial e de invencibilidade, que possuem as mesmas melodias das lançadas para Mega Drive, todas as outras são completamente originais. A da Bridge Zone eu estufo o peito pra dizer que é uma das melhores músicas de toda franquia, considerando até Spin Offs! E olha que eu considero as trilhas sonoras de quase todos os jogos do Sonic espetaculares.

E graficamente não temos o que reclamar do game, ele usa muito bem o hardware dos consoles de 8 bits, tem um ótimo equilíbrio de cores e faz com que este seja um dos jogos mais bonitos tanto do Master quanto do Game Gear.

17-Sonic-the-Hegehog-Master-System-Game-Gear-Review-CHECKPOINT 10-Sonic-the-Hegehog-Master-System-Game-Gear-Review-DR-ROBOTNIK

Vou confessar algo para vocês: minha impressão inicial do jogo na época foi ruim. Não era pra menos, eu queria curtir aquela explosão de cores, aquela velocidade alucinante, argolas voando pra todo lado quando o “porco-espinho” era atingido, pular na argola gigante no final da fase pra conseguir esmeraldas, entre outras coisas. E cadê tudo isso? Cadê a velocidade do jogo? Foi uma grande decepção pra mim.

Felizmente eu não deixei que isso me afastasse do título e joguei mais vezes. É claro, é o que eu tinha para jogar naquela hora, não adiantava resmungar. E digo a vocês, meus caros amigos retroaventureiros, que foi paixão à segunda vista! Depois de começar a curtir o jogo, passei a terminá-lo incansavelmente, até trocar o console por um Mega Drive, mas essa é outra história. Mas saibam vocês que este foi o último jogo que eu tive pro velho e querido Master.

Depois de muitos anos fui perceber que gosto muito mais deste jogo do que do primeiro Sonic do Mega. Podem me chamar de maluco se quiserem, mas é a verdade. Se tem a ver com nostalgia? Com certeza tem, mas não podemos descartar a qualidade do jogo. Digo com toda certeza do mundo que este é o segundo melhor jogo lançado para Master System, perdendo apenas para Phantasy Star, que é um jogo fantástico!

retroscore-master-system-sonic

Sonic the Hedgehog em 8 bits é um jogaço, imperdível. Não a toa foi escolhido um dos melhores jogos da franquia aqui pela equipe do Retroplayers, todos que a jogaram relembraram ela com muito carinho quando foi mencionada. Não é pra menos, o jogo foi muito bem desenvolvido e proporciona uma baita experiência divertida e de certa forma desafiadora. Se é esse tipo de coisa que você busca em um jogo, já deve tê-lo jogado. Não? Tá esperando o que então? Vai lá estragar mais uma vez os planos do Dr. Robotnik, certamente será uma aventura muito bacana. Vocês não vão se arrepender.

Grande abraço a todos vocês e até o próximo post!

15-Sonic-the-Hegehog-Master-System-Game-Gear-Review-ENDING


Sobre Cadu

Velho caduco, fã de Sonic e seus jogos (menos o Boom, credo), viúvo da SEGA assumido e mestre absoluto das piadas ruins. Tem esperança de que algum dia surgirá um Final Fantasy Tactics novo tão bom quanto o primeiro.
Adicionar a favoritos link permanente.