RetroReview: Psychic World – Game Gear


Quando eu tinha algo em torno de 13 ou 14 anos e me via já com um Mega Drive em casa, comecei a sentir falta de um console que havia sido muito importante para mim nos anos anteriores, o Master System, que havia sido trocado pelo console de 16 bits. Sim, meus caros, logo novo eu já sentia o arrependimento da troca, mesmo que eu considere o Mega o melhor videogame que tive na minha vida toda.
Naquele tempo já existia há alguns anos um certo portátil, chamado Game Gear, que era considerado o Master System portátil e o grande rival do Game Boy da Nintendo (que hoje sabemos que deu uma surra no console da SEGA, mesmo com hardware muito inferior). Desde que soube de sua existência através das famosas revistas da época, fiquei pilhado para ter um.

Em determinado momento da minha vida acabei ganhando ele de presente dos meus pais, junto com 6 cartuchos. Calma, não venho de família rica nem nada, acontece que compramos o portátil usado que foi encontrado em um anúncio de jornal (existe isso ainda?). Lembro bem que naquela época foi a melhor forma mesmo, pois um  novo era caro demais. Junto com o aparelho e os cartuchos ainda veio a fonte original, que fez uma diferença incrível na minha vida, já que o Game Gear come pilha adoidado. Então para onde eu ia, levava a fonte e estava sempre plugado em alguma tomada, não tinha outro jeito. Até porque as pilhas eram caras demais naquela época e nem me lembro se existiam pilhas recarregáveis… Se existiam, não eram nada comuns.

E no último Carnaval, enquanto jogava meus jogos antigos dos sistemas que tenho em casa (Master, Mega e o próprio Game Gear), um deles foi jogado até o final, no auge da minha empolgação: Psychic World, um game que joguei demais na minha infância e adolescência e sempre me divertiu, não me cansava de finalizá-lo.

Bem, vou descrever melhor o texto antes que vocês fiquem bravos comigo. Espero que gostem e não me xinguem (muito) pela minha longa introdução.

O jogo foi desenvolvido pela Hertz Company Ltd. e publicado pela SEGA em 1988 com o nome de Psycho World para o MSX. Três anos mais tarde a mesma SEGA publicou duas versões desenvolvidas pela Sanritsu, uma para Master System e outra para o Game Gear, já com o nome Psychic World. Como não cheguei a conhecer a versão de MSX, não falarei dela, mas sim das outras duas, mais especificamente da lançada para o portátil, que é a que joguei mais e conheço melhor.

 

 

As duas versões possuem algumas diferenças bem significativas, até mesmo pelo tamanho da tela do portátil comparado aos televisores. A personagem principal ocupa proporcionalmente mais espaço na telinha do Game Gear que na versão do console de mesa, o design de fases é bem diferente entre as versões, e alguns chefes também mudam, sem falar que no Master o display com as informações do jogo (armas, vida, etc) é evidentemente bem maior que no portátil. Vale a pena citar também que há diferenças entre as cutscenes do final do jogo, ou seja, apesar da mesma estória e enredo (que falarei a seguir), são praticamente dois jogos distintos, e não dá pra compará-los ou fazer um único review para ambos! Então vamos nos centrar agora somente na versão de Game Gear, e quem sabe mais pra frente, não pinta um review exclusivo da versão Master com detalhes da versão MSX?

A estória se passa no ano de 19XX e é iniciada em um laboratório distante, onde um cientista chamado Dr. Knavik e suas duas assistentes Cecile e Lucia, que são irmãs gêmeas. Os três estudam Percepção Extrassensorial (ESP), tanto seu funcionamento como sua utilização. Certo dia, enquanto Lucia chegava ao laboratório para iniciar o trabalho, ela vê uma grande explosão. Ao chegar lá encontra apenas Knavik, mas não sua irmã. O cientista explica que os monstros que eram usados como experimentos se rebelaram e fugiram, levando com eles Cecile. Lucia decide salvar sua irmã e ganha do Dr. Knavik um dispositivo chamado ESP Booster, capaz de prover poderes psíquicos à quem utilizá-lo. E cabe a você, jogador, assumir o papel de Lucia para a missão de salvamento.
Sim, o jogo possui uma protagonista mulher, mas não pense que você vai se deparar com uma garota de seios avantajados e shorts curtos, ou ausência quase que completa de roupa ou quaisquer outras coisas que possam ser consideradas como apelo sexual… Um ponto positivo para os criadores do jogo, na minha opinião. Sempre tive a curiosidade de se em algum dia isso foi um ponto que acabou atraindo as jogadoras para conhecer o game ou se isso não tem nada a ver.

 

Psychic World é um jogo de ação sidescrolling 2D em que a protagonista pode disparar diversas armas contra seus inimigos, armas estas que são obtidas conforme o jogo vai se desenrolando. Inicialmente ela conta apenas com o Psionic Blast, tiro padrão do jogo. As demais armas são: Ice Blast (gelo), Fire Shot (fogo) e Sonic Wave (vento, não atira ouriços azuis). Todas estas armas podem ser atualizadas quando um item equivalente delas é obtido, objetos estes que normalmente caem de inimigos derrotados. Na atualização, o tiro projetado pela arma fica maior ou a quantidade de tiros dados ao mesmo tempo (verticalmente) aumenta, chegando no máximo a três tiros simultâneos.

No display o jogador pode observar duas barras, uma vermelha e uma verde. A primeira refere-se à vida da personagem e a segunda refere-se ao ESP que ela tem disponível para usar. As armas descritas acima não gastam ESP.

 

Além das armas, Lucia pode contar com outras habilidades que são adquiridas ao longo do jogo e que ao serem usadas, consomem a barra de ESP. São elas a Restoration, que dá invencibilidade temporária e restaura uma pequena porção de HP; Explosion, que destrói tudo que tem na tela; Flight, que permite que ela voe por um tempo enquanto pressionado o botão de pulo; e Restart, que reinicia a fase mas recupera todo o ESP e HP. Obter itens adicionais referentes a estas habilidades fazem com que elas durem mais tempo (no caso da Restoration ou da Flight) ou fiquem mais poderosas (as demais).

Além disso, há também o Paralyzer, que é uma habilidade e tiro ao mesmo tempo, já que apenas serve para paralizar os inimigos, mas não os destrói.

 

O jogo possui cinco fases, cada uma com sua ambientação e um chefe para ser derrotado no final. Ao começar a fase seguinte, os dados de HP e ESP não são recuperados, você continua da mesma forma que na fase anterior. Se morrer, uma tela de Game Over é apresentada, possibilitando o Continue.

Mesmo assim, o jogo está longe de ser difícil. Aliás, dá pra dizer que ele é bem fácil. Se você é daqueles(as) jogadores(as) que só curtem jogos complicados seja por qual motivo for, não recomendo o jogo. Mas na minha opinião, isso não estraga a diversão de Psychc World, que é bem gostoso de se jogar. Passei bons momentos jogando no Carnaval deste ano e finalizei morrendo apenas uma vez por um descuido bem bobo. A julgar que não sou lá o melhor dos jogadores, dá pra se ter uma noção de como é fácil se terminar este título!

Sim, é possível apelar no jogo, usar a Restoration toda vez que o caldo engrossar e terminar ele bocejando. Mas aí é você que está apelando e deixando o jogo sem graça, mesmo que esteja utilizando um recurso que o mesmo permite. Por isso não vou te chamar de cheater, apenas de apelão. Ou apelona.

Tecnicamente o jogo agrada bastante, os controles respondem bem, a jogabilidade é bem divertida, os gráficos são bonitos levando em conta que estamos falando de um jogo de 8 bits e não só as músicas, mas os efeitos sonoros dele são muito bons.

Evitando spoilers maiores, posso garantir que a batalha final do jogo é em um gameplay diferenciado do restante dele, mas nada que assuste os jogadores, é bem tranquila e bem bacana também. Não se preocupem que as suas habilidades são testadas mais no chefe anterior, mas nada de outro mundo também. Além disso, o final do jogo acaba sendo bem interessante para quem liga para estórias, o que não é pouca gente.

Basicamente, Psychic World não é um jogo que vai te dar dor de cabeça ou te fazer xingar o console, a televisão e todo mundo que estiver perto. É um jogo mais pra relaxar depois de um dia difícil no trabalho ou entre uma tarefa ou outra da escola ou faculdade. Mas não usem Restoration o tempo todo, ou vão tirar a graça do jogo, hein? Só vão acabar sobrando os belos gráficos para o portátil e a trilha sonora bacana.

 

E vocês? Conheciam o jogo? Jogaram nos anos 90 ou depois em emuladores? Contem a experiência de vocês também nos comentários!

Grande abraço para todos.

FIM


Sobre Cadu

Velho caduco, fã de Sonic e seus jogos (menos o Boom, credo), viúvo da SEGA assumido e mestre absoluto das piadas ruins. Tem esperança de que algum dia surgirá um Final Fantasy Tactics novo tão bom quanto o primeiro.
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