RetroReview: Mega Man 9


Quantos anos se passaram desde aquela tarde de sábado no SNES onde terminei junto com um amigo, o diabólico Mega Man 7? Pois é, isso já faz uns 14 anos, e era a lembrança mais recente que eu tinha de ter jogado um game da série clássica do robozinho maroto. Tive que esperar muito para que essas lembranças se tornassem mais recentes… Recentes assim, com alguns dias só de idade!
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É claro que eu terminei Mega Man 8 para PSx, mas fora aquela abertura com trilha sonora sensacional, não me lembro de mais nada deste jogo! Não sei explicar o motivo de ele não ter sido tão marcante pra mim como foi Mega Man 7, mas sei que esse mesmo motivo se aplica também ao jogo Mega Man & Bass. Só sei que tinha o Bass e o Treble (eu adoro esses trocadilhos japas com palavras americanas), e que eu joguei e terminei em algum dia perdido de minha vida gamer.

É, fazia muito tempo mesmo que eu não jogava um Mega Man de verdade, do tipo nostálgico, crú e difícil, sem um X ou outra coisa na frente do título.

Ô Capcom, tá maluca?

Não me entendam mal, caros amigos retroaventureiros, eu gosto muito da série Mega Man X, aquela mesma que nasceu no SNES e se consolidou no PSx com seu melhor capítulo, o excepcional Mega Man X4, mas daí pra frente a franquia se perdeu em jogos medianos e sem carisma, e seguiu desta maneira até o seu 8º capítulo para PS2. O robozinho estava carente de um jogo decente para consoles principais, e uma legião de fãs aguardava já não tão ansiosamente por uma aventura que pudesse levantar a moral do carinha.

Eis então que a Capcom resolve chacoalhar os ânimos dos fãs, anunciando a um tempinho atrás, a produção do jogo Mega Man 9, uma continuação direta do ultimo game da franquia clássica, e o Sabat começava a ter um colapso nervoso. E eis que a Capcom chuta o balde de vez e resolve quebrar todas as regras e paradigmas existentes para continuações diretas de grandes franquias, e anuncia que o jogo não seguiria as tendências atuais de gráficos 3D HD e sim, que seria feito nos moldes dos primeiros jogos da série, para NES… O Sabat aqui quase enfartava de emoção enquanto grande parte do mundo se perguntava desesperado se os executivos da Capcom haviam enlouquecido.

E não é que mesmo com os milhões de narizes torcidos, chororô e chiliques vindos de todas as facções do mercado gamer, da imprensa e dos jogadores, o game foi lançado mesmo como prometido? Mega Man 9 chegava ao mercado em 2008 via download nas plataformas Online dos consoles atuais, com cara de 8bits, jogabilidade nos moldes dos primeiros jogos da série, e aquela dificuldade característica da velha guarda que a garotada de hoje em dia nunca precisou enfrentar.

Já faz mais de um ano que este game foi lançado, mas só agora pude colocar as mãos nessa maravilha retrô de gosto duvidoso entre a juventude gamer. Mas não teve problema: se a série esperou mais de 10 anos para receber uma continuação, por que eu não poderia esperar mais uns 2 pra poder jogar?

Mega Man 9, daquele jeito!

Só que, contrariando todas as expectativas e previsões dos profissionais do mercado, parece que não foi apenas eu e mais meia dúzia de idosos pelo mundo que adorou a idéia da Capcom: Mega Man 9 liderou as listas de downloads dos consoles desta geração por vários dias, e continuou perto do topo por meses. Foi um sucesso, e o número de downloads do jogo foi maior do que o de vendagem da maioria dos títulos em DVD/BlueRay da época.

Também pudera, o jogo é bom e barato! Nostálgico para a velharada, revelador para a molecada que não sabia como eram os jogos do passado, e não pesava no bolso nem de um, nem de outro: 10 dolares apenas! É um Mega Man para Nintendo 8bits, com todo o charme da série clássica praticamente intacto.

Na abertura já temos a idéia da simplicidade proposital do título: robôs até então pacíficos começam a se rebelar e causar destruição na cidade, e Dr Wily com sua careca invocada, vem a público dizer que a culpa é toda do Dr Light, que acaba sendo perseguido e preso! Claro, Mega Man vai a luta para provar a inocência de seu criador, e assim começa a nova aventura do Blue Bomber.

Obviamente que, logo após uma breve passada pelos menus do game, que por sinal, não tem nada de muito especial a não ser uma lista de conquistas (coisa comum nos jogos atuais) e uma opção de ativar ou desativar o flicker no jogo (aquelas situações em que os personagens, projéteis, inimigos e afins começavam a piscar em meio ao slowdown provocado pelo excesso de coisas na tela), nos deparamos com aquelas 8 caretas de inimigos que deverão ser derrotados em uma sequência a ser descoberta antes que seus cabelos se acabem por completo! Sim senhor, o negócio é difícil pra caramba, e de início, as tentativas frustradas nos fazem repetir as etapas muitas vezes em busca daquele inimigo mais vulnerável ao X-Buster (a arma padrão do Mega). Isso sem contar o desafio que as etapas do jogo propõe: eu desconfio que Mega Man 9 tenha as fases mais difíceis de todos os games da série, pois apenas chegar na sala do líder já é, por muitas vezes, uma tarefa bem cabeluda.

Vocês se lembram daquelas plataformas quadradas que aparecem e somem, daquele monte de plataformas móveis que te derrubam das mais diferentes maneiras, daqueles inimigos que aparecem no momento exato em que você tenta pular um buraco só pra fazer você cair nele, daqueles lasers assassinos que atravessam a tela e te matam de primeira… Começou a se contorcer de dor ai meu amigo? Então saiba que Mega Man 9 tem tudo isso, e tudo devidamente colocado nos locais mais %$#@&# que é pra te $#$&*# mesmo, e como se não bastasse, a gente ainda sempre tromba um mini boss bem desgraçado que nos aplica uma surra e nos faz voltar a fase inteirinha.

O perreio só melhora mesmo quando, depois de muitos óbitos, conseguimos matar alguém para roubar sua arma. Nestes momentos, o jogo da uma equilibrada considerável em sua dificuldade, pois ao contrário de muitos capítulos da série, as armas são todas extremamente úteis! Isso foi um ponto que me deixou muito feliz enquanto jogava, pois eu tinha aquela velha impressão de que o Mega Man iria juntar um monte de armas inúteis na qual eu só utilizaria uma ou duas no máximo, e isso não aconteceu! As armas tem é muita utilidade e foram muito bem pensadas! Outra coisa que ajuda é juntar uma quantidade boa de parafusos (que caem dos inimigos) para trocar por itens na lojinha da Roll! Sim senhor, tem uma lojinha no jogo, onde da pra comprar umas vidinhas extras salvadoras e alguns tanques de energia. Claro que Rush, o inseparável cão robô transformer do herói, está presente para ajudá-lo neste retorno a sua forma mais clássica, mas mesmo assim, eu arrisco dizer que se a lojinha não existisse, Mega Man 9 seria o capítulo mais difícil da série.

Bonito como um 8 bits deve ser

Acho que o título deste parágrafo define bem o que é Mega Mn 9: um título de 8 bits, bonito e convincente como eram os outros títulos de 8 bits da época, detalhado e colorido dentro das limitações que existiam mas que não incomodavam tanto em nossa juventude.

Visualmente, é um retorno promissor às origens da série, com o mesmo padrão de gráficos feitos em sprites coloridos e animados com efeitos simples de brilho e luz, mas que podem levar ao delírio uma legião de jogadores das antigas com mais eficiência do que um game NextGen HD. A trilha sonora também contribui muito bem para este sentimento, com melodias plenamente assoviáveis do mesmo patamar dos antigos games da série. Nada é exagerado, nada é simples demais, é como se fosse um game de 15 anos atrás mas que eu só descobri que existia agora!

Os inimigos são um show a parte, com sprites muito legais e animados, e com direito ao primeiro robô fêmea da série, a SplashWoman! Wily continua criando aberrações robóticas em seu castelo, com direito a uma forma mutante de um robô da família Devil (alguém se lembra de Yellow Devil?) e suas Wily Machines (aqueles tanques de combate que a gente sempre enfrenta no fim das aventuras do azulado) estão mais mortais do que nunca.

Escorrega filho!

Claro que alguns pontos não me agradaram, como foi o caso da escolha da jogabilidade do game. Megaman é um tipo de jogo que requer treino, concentração e, principalmente, paciência. É comum você passar a fase inteira sem morrer e pertinho do final, errar um pulo e cair em um buraco besta. A jogabilidade não é ruim, mas dentro da própria série, tem melhores! O game foi feito nos moldes de Mega Man 2, aquele que eu considero o melhor título da série, e o que definiu os padrões de como seriam os games vindouros do robozinho, mas nos jogos subsequentes, algumas melhorias muito bem vindas foram acrescentadas a série, e inexplicavelmente não estão presentes em Mega Man 9. É claro que eu me refiro ao ESCORREGÃO e ao X-BUSTER CARREGADO.

Eram necessários? Não, mas poderiam estar presentes. Estes movimentos se tornaram característica marcante da série, e se presentes, tornariam o game mais técnico e dinâmico. Realmente não entendi o motivo para que a Capcom os excluísse, e de minha parte fica uma ponta de decepção neste quesito. Melhoraria bastante algo que já está ótimo.

Jogar Mega Man 9 é voltar a época em que a gente saia da escola primária doido para chegar logo em casa pra ligar o Nintendinho na TV de tubão redondo de 21″, aquela época em que nós não nos importávamos tanto com detalhes gráficos e sonoros em prol da vontade enlouquecida de vencer aqueles japas malditos que haviam programado o jogo no intuito de acabar com nossa vida social.

E para quem não tem essa lembrança nostálgica devido a idade, Mega Man 9 é uma oportunidade de ouro de se conhecer os jogos parrudos da velha guarda. O 10º capítulo já foi lançado, e em breve eu detono ele também!

Fim


Sobre Sabat

Dono, Chefe, Gerente, Cara da Xérox e Tia do Café do RetroPlayers! Meu negócio? Falar sobre games. Como? Escrevendo meus trabalhos, gravando minha voz horrível, ou filmando minhas humildes proezas! Onde? Aqui, ali, ou onde quer que me chamem!
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