RetroReview: Mega Bomberman


Todo mundo que frequenta este humilde site sabe que ele é movido a boas lembranças, confere? E quem no mundo não possui boas lembranças de um certo robozinho ninja que adora explodir as coisas ao seu redor? Pois é, caro amigo retroaventureiro, é impossível não gostar de Bomberman, é impossível não ter explodido um inimigo chato ao menos uma vez na vida, e é impossível esquecer a experiência de prender seu amigo player 2 naquela esquina sem saída e ficar observando ele se remoer por dentro à espera da explosão que transformará seu personagem em paçoca. Ô sensação boa… pra quem ficou vivo, claro!

A franquia Bomberman, criada pela extinta Hudson Soft em 1983, tem inúmeros jogos para um zilhão de consoles, mas em algum momento a admiração pelo game que cada jogador veterano do mundo possui teve que começar, e no meu caso foi no Nes, ou melhor, no meu Phantom System, em meados de 1989: joguei como louco aquele game repetitivo e viciante de 50 fases e não sosseguei até conseguir terminá-lo. Lembro que era um cartucho daqueles japas com um monte de jogos e… voltando um pouco atrás no assunto, você sabia que Bomberman é um robô? Os Bombermans são robozinhos escravos que criam bombas no subsolo de uma indústria gigantesca lá no seu planetinha natal, e um dia, um deles fica sabendo que a superfície do planeta possuía substâncias capazes se transformar robôs em seres biológicos. Por isso o Bomberman White resolve subir até lá explodindo tudo e todos em seu caminho tanto porque o negócio é ser menino de verdade, né Pinóquio? E já que você não vai ter saco de vencer as 50 etapas do primeiro Bomberman no NES só pra ver o que acontece, então eu conto: ele se transforma no protagonista do game Lode Runner. Chique! Adoro a falta de lógica dos games antigos… Mas acho que esta história nem vale mais para os games vindouros da franquia, foi mais um devaneio febril de algum produtor maluco da Hudson do que qualquer outra coisa.

Terminando Bomberman, ele se transforma nesse bonequinho azul e vermelho (img 1) que é o protagonista do game Lode Runner (img 2), jogo onde temos que nos esquivar dos bombermans enquanto recolhemos o ouro!

.

Voltando ao assunto, Bomberman do Nes não foi o game do baixinho explosivo que eu mais joguei, não senhor. Este prêmio vai para um titulo que só conheci mesmo naquele que foi meu próximo console, o Mega Drive, e que por sinal, é sem dúvida um dos games mais desafiadores de todos os da franquia: Mega Bomberman.

Não sei por quê cargas d’água eu jurava que o nome do jogo era “Super” Mega Bomberman. Deus, de onde eu tirei esse Super? Esse maledido complemento que eu inventei (talvez por ter jogado alguns dos títulos de SNES também) me impediu de achar este game por muitos anos, pois eu teimava que o tal do Mega Bomberman sem o “Super” não era o game que havia me feito chorar igual criancinha no passado de tanto apanhar de líderes de fase malvados… Muito malvados… Bem, pra vocês terem ideia do pânico, a única lembrança 100% concreta que eu tinha do game era da musiquinha da tela de password, o famoso “continue amanhã” do game, e era isso o que eu mais fazia: levar um game over na cara e continuar depois. Isso se repetiu tanto que eu simplesmente não tenho como numerar o monte de vezes que eu me peguei assoviando aquela melodia oriental grudenta ao longo de minha vida!

Foi durante uma dessas assoviadas que eu decidi procurar o jogo. E cadê o maldito jogo??? Procurei em vários pacotes de roms de diversas nacionalidades, e só encontrava o tal Mega Bomberman… Tanto que uma hora eu pensei: se só tem tu, vai tu mesmo! Eu tinha convicção de que aquele não era o jogo, mas fazer o quê?

Comecei a jogar e estranhei os gráficos… Achei-os fracos, não estavam tão bonitos quanto eu me lembrava, mas o planeta se dividindo igual a uma pizza fatiada me trouxe recordações… Cheguei a pensar ainda descrente “será que é esse mesmo o jogo?”. A primeira fase rolava fácil como um tutorial, com blocos explodindo e power ups aparecendo, o de praxe de qualquer game da franquia, e quando aquele ovo apareceu e dele saiu aquele coelho gigante, minha cabeça se confundiu toda, pois eu só lembrava daquilo nos jogos de SNES… E agora? Era ou não era? A dúvida durou até o momento que eu enfrentei o primeiro chefe: GAME OVER. Apertei a opção de Password e… lá estava ela, a melodia oriental grudenta que se agarrou no meu cérebro por mais de duas décadas, linda, preenchendo meus ouvidos enquanto um sorriso enorme brotava em meu rosto. Achei o jogo, é ele mesmo, Mega Bomberman!

O game foi lançado no Mega Drive em 1994, e é uma adaptação do jogo Bomberman ’94, aventura original do PC Engine (adoro esse console) lançado pouco menos de 1 ano antes somente no Japão. E sabem por quê eu adoro o PC Engine? Porque com menos potência gráfica que o Mega e que o SNES, ele fazia muitos jogos melhores e mais completos que seus irmãos mais potentes! E olha que eu nem estou falando da sua unidade de CD, estou falando só dos HU-Cards mesmo, uma mídia em cartão que o console utilizava para armazenar seus games. E o game do Megão é mostra disso: Mega Bomberman e Bomberman ’94 em suma são os mesmos games, com as mesmas fases, mesmos chefes, mas é só colocar um jogo do lado do outro para que a diferença de qualidade geral entre eles transborde a favor do jogo de Pc Engine. Bomberman ’94 tem gráficos muito mais bonitos e detalhados, cores mais vivas, trilha sonora mais condizente com o jogo, elementos de cenário animados, e mais algumas perfumarias que fazem a conversão para Mega Drive parecer um port inacabado, mas só que eu não sabia de nada disso né… Joguei Mega Bomberman como se fosse o game mais bonito do mundo, pois a característica principal da franquia veio intacta do Pc Engine: a diversão, enorme, que vicia qualquer um.

De qualquer maneira, confiram esta comparação entre as duas versões:

Na esquerda temos a versão de PC Engine, na direita a de Mega Drive. São imagens semelhantes, onde dá pra ver como o cuidado com os detalhes gráficos, cores e degradês são muito mais trabalhados no jogo de Pc Engine. Vale citar também que no Mega, os cenários são estáticos, e não apresentam animações, enquanto no PC Engine existem vários detalhes em movimento, como a água deste riacho das imagens de baixo.

.

O jogo possui 6 etapas, cada uma delas dividida em 4 sub-fases e sempre com um chefe no final. Cinco destas etapas correspondem ao planeta dos Bombermans, que se partiu em pedaços (ou fatias) quando as pedras místicas que guardavam o poder dos espíritos protetores do planeta foram quebradas por tropas invasoras vindas do espaço lideradas pelo vilão Bagular. Esse é o cara que você deve chutar a nádega, mas para isso você terá que alcançar a 6ª etapa do jogo e é aí que mora o grande problema de Mega Bomberman: a tarefa é difícil pra caramba!! Ainda bem que a jogabilidade e a diversão ajudam, e muito!

Não existe muito o que falar, o game quase não foge do de sempre: exploda seus inimigos e avance! Power ups e vidas extras estão escondidos nos blocos, e o destaque aqui fica por conta das montarias, os coelhos cangurus coloridos conhecidos por Louies, que nos ajudam a vencer as etapas com suas habilidades únicas que vão de chutar bombas e blocos, a pular por cima de explosões. É bem verdade que quando aprendemos a usá-los direito, eles ajudam pacas além de servirem como uma “vidinha extra” já que a próxima pancada que levarmos, vai matar o pobre coelho mutante e não nosso homem-bomba. Foi aqui, ou melhor, em Bomberman ’94, que os Louies apareceram pela primeira vez para então se tornarem parte integral da franquia, e foram muito, mas muito bem vindos.

Inimigos variados povoam os cenários tentando atropelar a gente com seus esbarrões mortais, e se isso acontecer, uma vidinha vai para o vinagre levando seu arsenal todo exceto a quantidade de bombas: isso só some quando levamos um Game Over. Existe um objetivo primário nas fases: destruir todas as torres do cenário, que são a fonte de energia do escudo que mantém inacessível o  “pedaço de pedra espiritual” que Bomberman está atrás. Pegou o pedaço, termina a fase, e quando a pedra espiritual estiver completa, um chefe parrudo virá sugar suas vidas. E bota sugar nisso! A verdade é que as etapas em si não representam tantos problemas, a dificuldade é crescente mas segue uma curva leve, onde o nosso aprendizado passado ajuda demais na hora de vencer a etapa seguinte, e os inimigos de cenário só complicam até o momento em que a gente não sabe como evitá-los ou quando aparecem de grupinho: tem vários deles que são bem chatos, pois eles passam por cima dos blocos encurralando nosso personagem e ai é morte certa; outros empurram ou mesmo destróem as coisas que a gente iria recolher… Dá uma raiva lascada! Mas o caldo engrossa mesmo de verdade é quando aparecem os chefes.

Os chefes são definitivamente o obstáculo mais difícil do game

.

Quando vencemos as quatro etapas de uma fase, a pedra espiritual se completa e o cenário se transforma em uma arena. Depois disso, um bicho enorme aparece pra te arrebentar com ataques que abrangem uma área enorme, muitas vezes com mais de uma forma pra se derrotar! Na maioria das vezes, morremos tão rápido que acaba demorando pra conseguirmos aprender os padrões de ataque deles, e é ai que a musiquinha de Password entra em cena: é comum demais o jogador desistir pra esfriar a cabeça e pensar um pouco na vida para só continuar o jogo horas depois ou mesmo no dia seguinte, quando vai escutar a melodia enquanto aciona o password, um ritual que pode se repetir inúmeras vezes até que o líder final do game seja derrotado. Por sinal, esse líder é um dos mais difíceis que eu já tive o prazer de vencer!

Sim, eu consegui vencer o jogo, coisa que não havia conseguido antes e a dificuldade foi tanta que eu até pensei em desistir. Chega a ser sacanagem: a última etapa não tem password, se der GAME OVER temos que fazê-la inteira de novo antes de enfrentar o último líder, e para um jogo de encostou morreu, isso é terrível! O jeito foi juntar uma cacetada de vidas repetindo as primeiras etapas para só então, partir para a briga, e eu ainda tive que fazer isso duas vezes… Maldito Bagular apelão!!

retroscore-mega-bomberman

Sim, os chefes poderiam ser um pouco mais fáceis pra ficarem condizentes com a dificuldade das etapas, mas isso não estraga a diversão do título. Não joguei multiplayer desta vez, mas Bomberman é Bomberman, e todo mundo sabe como é explodir o amigo nesse jogo, não é mesmo?

Mega Bomberman é inferior ao original de PC Engine, mas ainda assim é um game muito bom e divertido, desafiador e capaz de nos manter jogando por dias seguidos, como todo bom jogo da franquia. Eu por sinal, fiz isso duas vezes: joguei viciadamente no passado e agora, quase 20 anos depois, e com a mesma gana por chegar ao fim da aventura. Bomberman é isso: diversão, desafio, vicio, frustração e conquista, e Mega Bomberman segue essa regra à risca.

Comentem!


Sobre Sabat

Dono, Chefe, Gerente, Cara da Xérox e Tia do Café do RetroPlayers! Meu negócio? Falar sobre games. Como? Escrevendo meus trabalhos, gravando minha voz horrível, ou filmando minhas humildes proezas! Onde? Aqui, ali, ou onde quer que me chamem!
Adicionar a favoritos link permanente.