RetroReview Especial: The Dark Side of the SNES – #04 Rival Turf


Olá, Retroaventureiros! Voltamos com mais um RetroReview Especial: The Dark Side of Super Nintendo – Rival Turf. Antes de começar a comentar sobre o jogo tenho que contar a minha história sobre como conheci esse game e tenho certeza que muitos aqui vão se identificar. E antes, um aviso: sim a capa da matéria foi de propósito! Mas venha comigo que ainda vou falar muito dessa capa e claro, desse game que fez história.

A minha história começa obviamente como a de muitos por aqui: em uma locadora de videogames nos anos 90. A minha família sempre teve uma parte financeira modesta, e isso incluía não comprar jogos de SNES com muita frequência e só alugar um jogo no fim de semana na clássica locação sábado+domingo+devolve na segunda-feira. Como muitos devem saber,alugar jogos aos sábados nas locadoras era uma tarefa difícil. Difícil porque se você não chegasse à locadora até as 10 horas (quando elas geralmente abriam) a probabilidade de todos os jogos terem sido alugados às 10:05 era de 99,9%. Afinal, todos seus amigos, colegas, familiares, extraterrestres e quem mais gostasse de videogames já estava amontoado em frente à locadora antes que ela abrisse as portas. O pior é que mesmo se você chegasse bem antes, lá pelas 9 horas e entrasse correndo para pegar o seu jogo do final de semana, existia outro fator que dificultava tudo: os espertos que alugavam os jogos na sexta-feira e só os devolviam na segunda (pagavam duas locações sexta+ sábado e sábado+domingo), o que só piorava para quem quisesse ou só pudesse alugar aos sábados.

E num desses sábados em que fui à locadora e cheguei atrasado (o maldito despertador não tocou!), me deparei com o que era uma das maiores “dificuldades” da minha vida nessa idade maravilhosa. O que eu alugaria? Não tinha praticamente mais nada lá, todos os jogos mais legais de corrida, aventura, luta, tiro etc já estavam alugados e até mesmo aqueles jogos de esportes olímpicos que ninguém alugava estavam com a etiqueta – “ALUGADO”. Era um terror!

Mas existia uma peculiaridade boa nessa época, que vocês devem se lembrar. Diferente dos dias de hoje, onde todos têm informações facilmente sobre os jogos, como características, produtoras, críticas, notas, dia do lançamento, quanto custou para ser produzido etc, naquela época praticamente não ficávamos sabendo de nada (não existiam tantos meios de comunicação como hoje) e isso acabava resultando na peculiaridade que citei: DE ALUGARMOS UM JOGO SÓ PELA CAPA NA LOCADORA sem nunca ter ouvido falar dele.  Vai dizer que você nunca alugou um jogo que não conhecia só por causa da capa? Que atire a primeira pedra quem nunca fez isso nos anos 90!

E foi devido a essa peculiaridade que naquele dia, ninguém tinha alugado ainda um certo jogo chamado RIVAL TURF. Óbvio que ele só estava na prateleira ainda por causa da capa horrível (clique na imagem ao lado para ver) e essa é minha teoria até os dias atuais, mas cite outras teorias nos comentários se você tiver! Agora vamos ser sinceros: o que um garoto magricela com um casaco vermelho feio, junto de outro garoto com uma faixa na cabeça ao melhor estilo Sidney Magal e um prédio ao fundo teriam de interessante a oferecer? Um jogo dos BackStreet Boys? Jogo do namorado da Barbie (sem pegadinhas com o Ken Masters, por favor)? Não galera, para minha surpresa eu havia encontrado um bom game.

É pessoal, aluguei esse jogo com uma capa estranha e como diz o velho ditado: “Não julgue o livro pela capa.” Um game ao melhor estilo Final Fight (beat em’ up) que se tornou uma das minhas franquias prediletas de SNES e do qual tenho ótimas lembranças até hoje. Mas nunca me vestirei que nem esses caras nem que me paguem para isso! Olha lá, hein!!!

Beat em’ up era uma das grandes febres nos anos 90, um gênero que foi impulsionado principalmente devido ao grande sucesso do arcade Final Fight, lançado em 1989 e que se tornou a representação máxima do estilo. Apesar de Final Fight ter sido lançado para Super Nintendo, ele não chegou nem perto do grau de perfeição do original de Arcade, o que acabou descontentado muitos fãs. Eis que Rival Turf é lançado em dezembro de 1992 para SNES nos EUA pela extinta JALECO (alguém se lembra do clássico JAAAAAAAAAAAALECOOOOque era dito antes dos games quando aparecia o logo da empresa?) tentando fazer uma tarefa difícil: ter sucesso onde Final Fight falhou, que era trazer ao videogame um game de pancadaria com a possibilidade de dois jogadores simultâneos.

Pois bem, agora a história se divide: existe também a versão japonesa do jogo que se chama Rushing Beat, lançada um pouquinho antes, em março de 1992. Como todos nós sabemos, naquela época era muito comum um mesmo jogo ter diferenças entre a versão americana e a japonesa, o que não foi diferente com Rival Turf. Além de a história ser diferente, os nomes dos personagens foram trocados, créditos finais foram retirados, capas modificadas, algumas cenas retiradas, o nome da cidade principal modificada para Los Angeles, o número de continues foi diminuído e até alguns vilões foram removidos.

Rival Turf faz parte de uma trilogia que possui os nomes “Rival Turf” (Rushing Beat 1 em japonês), Brawl Brothers (Rushing Beat 2 em japonês) e Peace Keepers(Rushing Beat 3 Shura na versão japonesa). Nem preciso dizer que as versões americanas são inferiores às japonesas, então, se você tiver a oportunidade de jogar a versão oriental, recomendo muito. A minha versão predileta é a Rushing Beat 3  Shura, com escolha de cinco personagens, caminhos alternativos para escolher e uma ótima história. Com certeza falarei sobre ela em breve aqui no Retroplayers. E se você não conhece, tire teu Super Nintendo da prateleira e vá jogar!

Aqui vou seguir a história da versão americana. A namorada de Jack Flak foi raptada pela gangue Kings Street em Los Angeles. Jack convida seu amigo, o policial Oswald Oozie Nelson para resgatar sua namorada, além de socar e chutar toda gangue para fora da cidade, e ambos seguem para um estádio onde ficam sabendo de informações sobre o esconderijo da gangue. Nossos heróis lutarão e muito contra inimigos com diversas técnicas de lutas. Entre eles temos: punks, grandalhões, ninjas e tudo que se pode imaginar. O game possui seis estágios, várias subfases e um chefão no final em cada uma delas. Os cenários incluem na grande maioria áreas comuns da cidade como armazéns, praças, interiores de ônibus, ruas, prédios etc. Existem armas e itens pelo cenário como espadas, facas e tacos de basebol que te auxiliam na porrada, e os comandos são clássicos: um botão para pulo, um para soco, um para corrida e um para o especial. Além do modo tradicional, o jogo inclui o modo “Raiva”, onde os heróis ficam poderosos e imunes a qualquer ataque inimigo. Outro modo é o “Versus”, ao melhor estilo Street Fighter.

Rival Turf é um bom jogo. Claro que passa longe de ser um Final Fight de arcade ou um Streets Of Rage, mas posso dizer que ele é uma boa surpresa até os dias de hoje, principalmente para quem vive buscando jogos desconhecidos de Super Nintendo. Ele entra com maestria no “hall de jogos obscuros de SNES”, é um game bem ao estilo anos 90, com policiais bombados, herói com casaco de couro, inimigos punks, maloqueiros, motoqueiros, negão de jeans rosa, ninjas da Bahia e um chefão final que luta karatê. Eu GARANTO que vocês vão ter ótimas horas de risadas com os vilões desse jogo.

E até sua trágica capa que deveria ser motivo de críticas pesadas se tornou algo cult entre a galera gamer, que costumava dizer que o povo que queria vender o jogo não entendia muito de marketing.

A jogabilidade é boa e os controles respondem bem, jogadores que quiserem experimentar o título não terão maiores problemas com ele tanto por que o jogo é bem fácil e não exige muito dos controles. Tecnicamente o jogo é bem modesto: a trilha sonora não atrapalha mas passa batido e os efeitos sonoros são bem pobres, e graficamente o game fica abaixo ainda do padrão alcançado pela versão Final Fight de SNES que já não era lá grande coisa, mas o seu maior problema mesmo é que a modificação para a versão americana deixou o game bem capado. A história japonesa obviamente é melhor e mais séria, e além de na americana terem retirado as cenas de introdução, cortaram também os créditos e diminuíram o tamanho da animação final para ficar condizente com a história adaptada. Se quiser melhorar a experiência ao jogá-lo, prefira a versão japonesa.

O grande ponto positivo do jogo é justamente ser um Beat em’ Up: a cagada teria que ser muito grande para que um game deste gênero não seja divertido, e não foi o caso de Rival Turf. Dá pra se divertir por horas tanto sozinho quanto com os amigos, e esta segunda opção já não existe em Final Fight. Ponto para a Jaleco!
rival-turf-score

Aconselho–o então a se vestir igual aos garotos da capa, colocar seu casaco de couro dos anos 90, fazer uma cara de “BAD BOY” e chamar aquele seu amigo de longa data para jogar RIVAL TURF. Nada melhor do que incorporar a época né? E não se esqueça de mandar uma foto para nós, claroooo! Ps: A galera do  Retroplayers já nomeou o Sabat como Nelson do Rival Turf e em breve ele vai tirar foto com uma jaqueta vermelha igualzinha a dele! Hahahahaha XD.

OK, Clique na imagem acima antes de qualquer comentário rs.

  • Mude o nome de qualquer personagem do jogo: – Jogue e faça um recorde, e na tela de high score escreva CHRCONF. Logo em seguida vai aparecer uma tela que permite mudar o nome dos personagens. Mude para SABAT ou NELSON >.<
  • Warp Zone: – Veja como lutar direto com o chefe da fase 4. Para o lance funcionar é preciso eliminar antes 30 inimigos. Isso você controla pelo número de carinhas que aparecem a direita de sua barra de energia. Chegando a primeira porta que encontrar no cenário da fase 4, pressione para cima. Uma tela muito estranha de Warp Zone vai aparecer e, logo depois, você vai dar de cara com o chefe da fase.

 

Fico por aqui pessoal! Espero que tenham gostado da matéria e não deixem de comentar. Um grande abraço.

Ps: Cheguei atrasado um pouquinho.

Gostaria de agradecer muito a Cris que corrigiu todo o texto, mesmo estando toda atarefada. Muito obrigado mesmo Cris.
Você uma excelente revisora. Obrigado de coração. Kis

Ivo Ornelas.

Comentem!

Confira as partes anteriores:

#01 – Metal Warriors
#02 – Legend
#03 – Congo’s Caper

Continua…


Sobre Ivo da Locadora

"Amante de Mario Kart, retrogamer assumido, contador de histórias gamers e sonha ter uma lojinha de Games e Retrogames."
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