RetroReview especial Dia das Crianças: Little Nemo: the Dream Master


É dia das quiança êêê! E as quiança góta de vidugâime, dos joguinho de bixinhu, é divesão gaiantida êêê! E o que as quiança vai joga no Retoprêie heim tiu Sabati? Heim? Heim? Fala logo tiu Sabati! Fala!
Eu respondo sim, criançada mais velha da blogesfera mundial, aqui no Retroplayers a criançada vai jogar de pijama, na cama, com um bastão mágico, e um saco de balas pra distribuir pros bicho ficar mais esperto!

Finalmente chegou o Dia das Crianças, e tem post comemorativo no seu site predileto de velharias gamers sim senhor, a final de contas, videogames foram criados a princípio para quem? Para as crianças do mundo todo, é claro, e nós todos fomos crianças um dia, felizes e serelepes com nossos aparelhos mágicos ligados às TVs de tubo da sala!

E agora somos um bando de marmanjos saudosistas cheios de preocupações e responsabilidades, mas adoramos nos lembrar daquilo que jogávamos quando ainda éramos pirralhos inconseqüentes. É certo que essas lembranças dos games vem à mente de maneira meio que aleatória, mas quando o assunto é associar um determinado jogo a uma data comemorativa do ano, arrisco a dizer que todo mundo deve ter aquela aventura especial que o faz lembrar-se da ocasião festejada.

No caso do Dia das crianças, só vem um único jogo a minha mente, e ele apesar das aparências, não é lá uma aventura que eu recomende para pequenos não!

O Mestre dos Sonhos

Pois é, não recomendo não, a não ser que vocês queiram que suas crianças cresçam revoltadas e com calvície precoce… O problema é que o jogo é extremamente chamativo para a gurizada. O personagem principal do jogo, o pequeno Nemo, é nada mais que um garoto que sonha mais do que o normal, e nestes sonhos, o rapazinho não se dá nem o trabalho de tirar o pijama para se aventurar nos mais inusitados e viajantes mundos.

A história de Nemo é antiga, o personagem nasceu no início do século passado em uma história em quadrinhos que aparecia nas páginas de alguns jornais de Nova York, ou seja, o moleque é mais velho que o seu avô, caro amigo retroaventureiro! E o negócio continuou bem regionalizado, onde por mais de um século, pouco se viu desta obra literária fora dos States, até que em 1989, um filme de animação baseado em um dos capítulos da obra original foi concebido no Japão pelo estúdio TMS Entertainement (Tokyo Movie Shinsha), que fez um sucesso grande o suficiente para ser exibido nos cinemas do mundo todo. O filme, Little Nemo: Adventures in Slumberland, foi o ponto de partida para que a Capcom criasse, no ano seguinte, um jogo para NES baseado nele: Little Nemo: The Dream Master.

Assim como no filme, o apelo do game é totalmente infantil, com o protagonista se aventurando de pijama por mundos fantásticos e coloridos, cheios de insetos gigantes e animais falantes, tudo muito bonitinho e com uma trilha sonora que lembra parquinho de diversões. Tudo feito para agradar a criançada e para ser altamente chamativo a esta fatia sempre crescente de consumidores, mas na hora do vamo vê, a coisa não funcionou tão bem assim não…

Little Nemo: The Dream Master, ou simplesmente Pajama Hero Nemo no Japão, se revelava um ótimo game! O sucesso do filme no Japão fez com que a criançada caísse matando em cima do game, que sumia das prateleiras nipônicas com uma rapidez digna dos grandes títulos do aparelhinho da Nintendo. Foi um game que felizmente pude jogar em uma data muito próxima de seu lançamento, época em que o título começava a pipocar cheio de elogios nas publicações gamísticas nacionais, e que eu, no auge dos meus 15 aninhos, aluguei no intuito de terminá-lo rapidinho para poder jogar algum dos outros 3 ou 4 cartuchos que eu havia levado junto.

Sim, caros amigos retroaventureiros, eu havia sido enganado pela carinha inocente do encarte da caixinha, pois aquele simpático jogo com cara de infantil era na verdade, tão ou mais difícil do que muitos games casca-grossas da época, digno de figurar entre os títulos mais pauleiras e irritantes do NES.

Little Nemo é o típico game de aventura em plataforma, aquele tipo de jogo onde mais vale a exploração e a intuição do que a ação desmedida em busca do final da fase. Isso acontece graças à necessidade de se recolher um determinado número de chaves escondidas pelos cenários, pois sem elas, torna-se impossível abrir a porta que leva ao próximo sonho do garoto. O design de fases genial trata de escondê-las muito bem, obrigando o jogador a fuxicar os belos e variados ambientes todinhos em busca de passagens secretas e locais não acessíveis pelas vias normais, e é aí que entra o saquinho de balas do garoto!

A princípio, Nemo por si só não faz muita coisa a não ser pular e arremessar balas que não fazem mais do que atordoar os bichos inimigos por alguns poucos segundos, mas existem criaturas que estão muito interessadas em degustar as balinhas do garoto em troca de uma ajudinha muito bem vinda!

São muitos os bichos que auxiliam nosso herói em tarefas como entrar em passagens estreitas, cavar pra dentro da terra, afundar em locais submersos, subir em árvores e coisas do tipo, uma variedade de possibilidades muito rara de se ver no consolinho da Nintendo que me fascinou logo de cara e me fez esquecer o resto dos games que eu havia alugado junto deste… Quais eram mesmo??

Bom, deixa pra lá… O negócio é que tudo corria as mil maravilhas até que eu comecei a enfrentar problemas que fariam as criancinhas do mundo chorarem e terem raiva dos pais que lhes presentearam com o jogo naquele Dia das crianças de 1990.

Inimigos que se repetiam à exaustão, que reapareciam na tela com um simples passo seu para trás, que caíam na sua cabeça sem aviso, que caíam de novo na sua cabeça sem aviso por que você andou para trás e para frente enquanto levava dano, que apareciam do nada no meio do seu pulo, que apareciam em duplas no meio do seu pulo… Bom, são inúmeras combinações macabras, e todas elas diabolicamente feitas para que você tenha que agir por reflexo ou por meio de decoreba de tanto apanhar para o mesmo bicho. Some-se a isso o fato de que o personagem tem um pulinho de nada, que a grande maioria dos bichos que se vendem pelas balinhas tem mais fraquezas do que qualidades, que o HP de todos eles se resume a poucos encontrões, e que a área de colisão do personagem e de suas transformações parecem ser maiores do que eles próprios, e está criada uma verdadeira cilada para criancinhas desavisadas.

O game se torna extremamente difícil, e a pedreira pode ser notada já na segunda fase do jogo, onde o pessoal começa a morrer uma cacetada de vezes e das mais variadas formas. Por exemplo, o gorilão que nos ajuda logo no início dela permite atacar os inimigos com socos, mas o tamanho exagerado do bicho, a forma desengonçada de se locomover e de se pendurar nas paredes, a freqüência doentia com que os inimigos aparecem e o minúsculo, porém fatal, lag que existe ao se executar comandos no jogo, o tornam um alvo muito mais vulnerável do que deveria ser, causando mortes uma atrás da outra em uma situação que se repete a cada etapa da fase.

E logo após este perreio, vem a terceira fase do negócio, e é aqui que muita gente desiste de jogar Little Nemo. Nela, o herói de pijama deve se manter vivo e recolher as chaves que vão aparecendo enquanto um trem de brinquedo o leva em direção ao final da fase em meio a uma tempestade de aviõezinhos que caem aleatoriamente, balões que tentam nos acertar com bombas, esquilos voadores que obviamente não gostam de balas, túneis cheios de espetos assassinos e paredes que caem, tentam com muito sucesso detonar com as nossas vidinhas restantes. Eu por acaso falei do flicker, que é tão enorme que as vezes deixa os inimigos e projéteis praticamente invisíveis? Pois é, tem isso também.

Pelo menos o jogo possui continues infinitos, o mínimo que se poderia exigir para que se torne possível vencer as 7 primeiras etapas do game… O problema é que ele tem 10!

Exatamente, senhores, são propriamente 10 fases, e os continues terminam na oitava. Isso por que a oitava fase possui 3 etapas do tamanho de fases normais, sendo a diferença destas três para as sete passadas, os fatos de que agora não é mais necessário juntar chaves perdidas, torna-se possível utilizar para ataque o cetro que o garoto carrega desde o início (mas por quê só agora?), e cada uma destas etapas conta com um chefe a ser derrotado em seu final. Game Over em qualquer uma delas, volta para o início da oitava.

Depois que eu falo que naquele tempo os programadores de jogos eram pessoas frustradas sexualmente que só queriam descontar sua raiva em nós, pobres jogadores, vocês pensam que eu estou brincando…

Morrendo à exaustão, perseverando a cada fase, me encantando com aquela aventura fantástica, e desistindo na nona etapa: foi assim que eu joguei Little Nemo: The Dream Master em minha época áurea. Pois é, caros amigos retroaventureiros, este foi um game que eu não consegui terminar, e que eu tentei de novo agora marmanjo só para comprovar que realmente o negócio é brabo.

Mas continuarei tentando, pois não me conformo de jeito nenhum em não conseguir terminar um jogo onde o protagonista é um garotinho de pijama que passeia pelo mundo dos sonhos. Pensando bem, talvez seja por isso que o garoto é conhecido pelo apelido de Mestre dos sonhos: temos que ser mestres também, por que senão, nem sonhando!

Quando eu terminar eu aviso, e por enquanto, vamos caminhando ^^

Fim


Sobre Sabat

Editor Chefe do RetroPlayers, Redator e Editor nos Livros e Revistas WarpZone, Podcaster e editor de áudio, Saudosista, e Analista de Informática porque algo tem que dar dinheiro né!
Adicionar a favoritos link permanente.
  • Rapaz, s

    • kkkkkkkkk estilo Xuxa foi fogo kkkkkkk

      Mas esse game

  • Pingback: Retrodia das Crian()

  • Pingback: Tweets that mention RetroReview especial Retro Dia das Crian()

  • Jeff

    Bacana o seu dilema Sabat. Como sempre, bem humorado.
    Voc

  • Pingback: Meme Retrodia das Crian()

  • Pingback: Retrodia das Crian()

    • Sem contar que hoje em dia esse check point geralmante est

      • Jo

        Do lado de fora do

  • JamesR
    • Eu ainda vou terminar essa parada, mas com aquele save state amiguinho: um no final de cada fase, sendo o

  • GLStoque

    Putz!
    Eu joguei Little Nemo no velho Turbo Game. Depois de alguns anos cheguei a assistir o filme jogar tudo denovo.

    • Pra mim, na PIOR das hip

  • Pingback: Retrodia das Crian()

  • P.A.

    Roubei sua imagem de Retrodia das Crian

  • vou atualizar a lista XD At

  • N

  • Pingback: NZ Games - Canal de jogos do Nota Zer0!()

  • Anônimo

    Esse eu n

  • Solo Player

    Complentando o seu post, o Nemo s

    • Por isso que eu estou procurando o filme pra baixar XD

  • Jo

    Meu jogo para dia das crian

  • Hely

    Adorei o texto Sabat….ficou bem legal o estilo que voc

    • Valeu Hely XD acho que nessa altura do campeonato, n

  • Mestre Ryu

    Eu fiz quest

    • Mestre, eu baxei o filme esses dias (ali

      • Hely

        Sabat, eu achei o link do filme dublado, s

        • Rapaz, vou tentar fazer isso… conhe

  • Joana_015

    h

  • Thiago_belchior

    este jogo

  • Pingback: Passagem Secreta » Retrodia das Crianças: Vídeo-análise de World of Illusion()

  • Adilson

    Esse game é otimo,me lembro quando o terminei em 95,e ate hj eu sempre jogo ele,ate comprei a fita para a minha coleção,muito da hora seu revie

    • Obrigado Adilson ^^ Cara, na época eu não consegui terminar esse game, e jogando agora, cheguei na segunda forma do último lider. Um dia termino XD

  • Carolina

    olá estou a procura deste game para o meu computador. gostaria de saber se ha deste game para computadores..

    se vvoces poderem-me responder eu agradecia muito.

    • Tudo bem Carolina? ^^
      Seguinte: estes games antigos não são comercializados já a muit tempo, e este nõ tem versão para PC, foi lançado somente para videogames do sistema Nintendo/Famicom.
      No entando, você pode jogá-lo via emulador (que é um programa para PCs que simula o videogame antigo), e neste caso, o GOOGLE é o seu grande amigo ^^ Procure por tutoriais de EMULADORES DE NES ok?

      Espero ter ajudado!

  • Vagner

    esse game eh dificil de zera mas eu concegui
    faz anos ja
    mas eu fiqei de manha até de noite
    eu achei lgl um dos chefes quase la no fim
    um pinguin XD

  • Vagner

    eu comprei um cartucho pro meu poly
    veio esse game com outro nome e outro personagem
    pocketsilver o personagem era um pokemon
    foi daí q eu conheci esse game emu irmaum masi vlh zerou
    meu outro irmaum tb
    depois eu zerei =)

  • Pingback: Retrodia das Crianças: Vídeo-análise de World of Illusion |()

  • Patrick Mendonça

    Cara, cara, cara, cara! Você não sabe eu tinha 6 anos quando joguei esse jogo alugado pelo meu pai, ele devolveu o jogo na locadora e eu não decorei o nome, procurei por tanto tempo alguma informação sobre esse titulo e hoje vejo aki alguem que tambem conheceu ele. Obrigado mesmo por reviver essa lembrança vou baixar um emulador aqui pra jogar ele huahuahuahuahuahuauhaahuahua vlw mano vlw

    • Eu adoro essas desenterradas XD

      Beleza Patrick? Rapaz, você está longe de ser o único cara que conhece e venera esse jogo, pois ele é um GRANDE CLÁSSICO da Capcom XD Inclusive o RetroScore dele está errado: não é 77, é 87!! Vou corrigir já ^^

  • Guest

    Quando eu tinha o cartucho e jogava no meu saudoso Turbogame eu fiz exatamente como no posto e desisti na fase do trem, uns dias depois quando quis retornar e ficar um pouco mais careca o console queimou… ah se eu soubesse hoje que era um mero fusivel não tinha deixado meu padrasto levar embora meu Turbo :'( . Esse post me inspirou tanto que depois de virar Ren & Stimpy e Jurassic park 2 dias atrás vou achar a rom e também sem save state com nos 2 anteriores vou ver até onde chego!! Vlw Sabat vou lá ficar calvo novamente :p

    ass:Renato Mello (não sei como editar o avatar e não mostra meu nome rs)

    • Guest

      Post**** Fazem algumas horas que comecei a jogar e após uns 15 continues ainda estou empacado no maldito trem. Caramba eu lembrava que era difícil, mas não tanto!! Estou jogando emulador e sem joy, no teclado mesmo mas mesmo assim não há desculpa!! Vou passar esse maldito trem custe o que custar!! ,,/

    • Renato Mello

      Passei do maldito trem!!!!! Só faltam 6 fases mas já estou meio careca :3!!

    • Renato Mello

      Depois de um dia e milhares de fios de cabelo a menos cheguei na oitava fase. O sistema de colisão desse jogo é “fantárdigo” eu morro ao entrar no mínimo contato com a aura ou o bafo dos bichos. A 5° foi a que mais deu trabalho e treino e a que mas demorou por causa do sistema -volta, dá boa noite cinderella no sapo, vai em frente, desce, desce mais, passa pelos bate estacas dopa o lagarto, volta os bate estacas, tudo isso pra subir uma mera parede e dopar a abelha, pra subir 2 niveis e pegar um rato para quebrar uma barreira de tijolos minuscula e dopar outra abelha…. etc etc- A 6° e 7° foram de boa mas agora to empacado no pinguim tempestade… :S

  • Manfredini Junior

    Quando adolescente joguei e não terminei o jogo. Depois quando adulto joguei novamente e fiz questão de terminar… É um dos jogos mais FODA para se terminar. mas consegui.

    • Como vc pode ver, eu desisti na última fase, mas ainda terminarei viu, só deixar a hora chegar!! E elaVAI chegar kk