RetroReview Especial: The Dark Side of the SNES #06: Run Saber


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Olá novamente, caros amigos e amantes da velharia eletrônica! Como vocês devem imaginar, as coisas continuam uma correria louca com o pessoal do Retroplayers, coisa pra deixar o Sonic com inveja. Nossos Retro-Reviews deram uma diminuída por conta da vida corriqueira dos marmanjos daqui. Mas a gente precisa ir adiante, e por isso estamos trazendo mais um review escolhido por vocês, daquele especial de jogos obscuros de SNES, lembram? E o semi-desconhecido da vez é Run Saber.

EU PENSEI NAQUELE GAME DA SEGA…

Galera, esse eu também não tinha jogado até escrever tal review. Eu até sabia da existência de Run Saber, mas somente por imagens na internet e não lembrava o nome dele de jeito nenhum. Também não me recordo de tê-lo visto em qualquer revista antiga de video games, se é que isso aconteceu. Simplesmente li em algum lugar que havia por aí um primo próximo de Strider no console da Nintendo, exatamente quando eu escrevia o review do clássico da Capcom no Mega Drive. Apesar de existir algumas semelhanças entre ambos, Run Saber não tem qualquer ligação com Strider. Sua produtora é uma tal Horisoft, que por sinal não produziu outro título que se tenha notícia. A publicação do game ficou por conta da Atlus e o mesmo foi lançado em 1993 tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. Pouquíssimas diferenças relacionadas à censura é o que difere uma versão da outra. Segundo rumores, uma versão nipônica chegou a ser cogitada, porém nunca foi lançada, pelo menos não oficialmente.

UM FUTURO SUFOCANTE

Run Saber é um game de ação com visão e rolagem lateral e tema futurista, que narra os feitos maléficos do cientista Gordon Bruford e os esforços da dupla Join Allen e Sheena, dois guerreiros ciborgues que utilizam sabres especiais como armas e que tentam impedir a completa destruição da raça humana. No ano de 2998, os níveis de poluição tóxica em nosso planeta tornou-se insustentável. Com o intuito de trazer uma solução definitiva e evitar um futuro catastrófico, Dr. Gordon decidiu por em prática seu ambicioso projeto, chamado Renascimento da Terra. A ideia do cientista era limpar a atmosfera do planeta e ao mesmo tempo aproveitar o processo para gerar energia alternativa. Para tal, a humanidade precisaria deixar o planeta por um ano, passando a viver em colônias espaciais ou mesmo em sono criogênico. Como parte do programa Renascimento, altas cargas de elementos radioativos foram lançadas na estratosfera. Mas o Dr. Gordon tinha outros planos e secretamente não deixou o planeta. Através de processo de clonagem, ele começou a criar um exército de seres mutantes e, devido às suas maracutaias e à constante exposição ao material radioativo presente, o cientista tornou-se uma poderosa criatura mutante, passando a ter o controle de nosso planeta.

SOLUÇÃO ROBÓTICA

Após uma série de estudos, os maiores cientistas do mundo decidiram que a melhor forma de tentar acabar com os feitos do Dr. Gordon seria colocar em prática o programa Run Saber. O programa consiste em enviar à Terra guerreiros ciborgues, capazes de suportar a radiação, e infiltrá-los no esconderijo de Gordon. Com isso, foram enviados três protótipos. Um deles, chamado Kurts, possuía um defeito no sistema de defesa e acabou sendo dominado e usado pelo malvado cientista contra os outros guerreiros. Agora, a esperança da raça humana depende do sucesso de nossos heróis cibernéticos.

A diferença entre os guerreiros é apenas visualE já que falamos dos protagonistas desta arriscada missão, olha eles aí do lado comemorando a conclusão de mais uma etapa. Devo dizer que eles são diferentes apenas no aspecto visual, onde Allen é “o cara” e Sheena é “a mina“. Ambos possuem as mesmas habilidades e forma de ataque. Porém a confecção de seus sabres são diferentes. Enquanto a arma de Allen tosta os inimigos com plasma, a de Sheena os congela explodindo-os em seguida. Jogando sozinho você poderá optar por qualquer um deles, mas se solidão for um problema sério para você, convide alguém para enfrentar este desafio em modo cooperativo. Dica: Se quiser variar um pouco as cores dos personagens, basta pressionar Select com o game pausado.

FALTOU ALGO…

A narrativa é clichê, claro. Afinal, quer encontrar assunto rapidinho para um game, basta usar como inspiração a destruição de nosso planeta natal e usar a imaginação para completar o trabalho. E se me lembro bem, a estória nos jogos 16 bits nunca foram um fator limitante para mim. Não me recordo de ter desistido de qualquer jogatina por conta disso, portanto, é uma verdade que continua irrelevante nesse review. No entanto, deixar de explorar melhor um tema já manjado como este pode somar pontos negativos numa análise mais minuciosa, principalmente se o conteúdo de jogo não representar razoavelmente o enredo escolhido. Tecnicamente falando, o game poderia ter utilizado melhor as capacidades do console, ainda mais se levarmos em conta o ano em que foi lançado. A parte visual e sonora está apenas dentro do aceitável e o level design pouco chama a atenção.

Segure-se a ataque, isso pode! Golpe meio desajeitado, mas funciona.

A jogabilidade, item que considero importantíssimo em um game, é também uma das falhas em Run Saber, denunciando a falta de atenção ou inexperiência dos desenvolvedores. Dentre as habilidades básicas dos nossos heróis, estão o pulo e o ataque. Um terceiro botão é responsável por liberar um ataque especial, daqueles que acerta todos os inimigos na tela. Com os botões L ou R você faz o personagem deslizar, útil como ataque e serve também para passar por locais apertados. Até aqui nada de novo, mas o jogador vai precisar se acostumar com o pulo do personagem. Experimente jogar algumas horinhas de Hagane e depois volte para Run Saber e você vai entender o que estou querendo dizer. Aqui, com uma maior pressão no botão de pulo, este movimento torna-se longo e lento, tanto na subida quanto na descida.

Tem voadora mano!Acredito que para um game desse tipo, um pulo rápido, seguido de “pulo secundário” seria muito mais eficiente. Arrisco a dizer que isso acabou contribuindo com a dificuldade do game, porém do jeito errado, pois diminui consideravelmente a precisão dos movimentos.

Ainda sobre o pulo, durante a subida, ao colocar o direcional para cima, aciona-se um ataque giratório, algo semelhante ao Screw Attack da Samus de Metroid. Já na decida, colocar o direcional para baixo faz o personagem desferir uma especie de voadora ou pisão, dependendo do ângulo da queda. Os personagens podem ainda realizar uma corrida estranha com dois toques no direcional, além de poderem se agarrar e se locomoverem pelas paredes e plataformas. É um número considerável de movimentos, sem dúvida. Talvez devido a este conjunto de habilidades tenha surgido entre os jogadores a comparação com o game Strider, porém, no quesito agilidade, os heróis de Run Saber ficaram devendo.

JÁ ACABEI?

O desenrolar da jogatina se dá em apenas 5 fases divididas em curtíssimas etapas, cada uma delas em continentes diferentes, e o confronto final é dado na base não tão secreta do Dr. Gordon em algum lugar do mapa. Alguns sub-chefes aparecerão em partes específicas dos cenários e o ciborgue Kurts também costuma dar as caras em alguns momentos para tentar frustrar as ações de nossos heróis. Ele não é grande coisa contudo… As fases variam conforme o local e procuram representar a geografia e vegetação presente na região, o que influencia também no tipo de inimigo presente em cada uma delas.

Escorregar pra não se ferrar. Um chefe de fase até grandinho, mas sem muito trabalho pra você,

O game é bem linear. Locais secretos são raros e você chegará mais facilmente ao final de cada fase se seguir a indicação da seta no topo da tela. Não há uma grande variedade de inimigos e não considero justificável por conta da extensão de cada um dos estágios. Faltou capricho, só isso. Algumas das aberrações nem atacam, apenas passeiam pra lá e pra cá, esperando uma possível falha do jogador, e podem ser completamente ignorados. Em alguns momentos destruí-los pode ser necessário se o jogador quiser aumentar o life e colher o power up, que é único: aumenta apenas uma vez o raio de alcance de seu sabre, ao passo que dá ao personagem a habilidade de esbravejar o mesmo som a cada golpe desferido. Me lembro que vozes nos jogos antigos eram raras e consideradas inovação, mas sem uma devida variação, estas podem se tornar um pouco irritantes para os dias de hoje (será que tô ficando velho por me importar com isso?).

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Caros amigos do Retroplayers, as impressões sobre um game podem variar com o passar dos anos e você vai perceber que as opiniões sobre este game são bem mistas. De forma alguma queremos compará-lo a outros títulos. Ao analisarmos Run Saber achamos que ele está apenas entre os games medianos do Super Nintendo. O enredo, apesar de manjado poderia ser melhor empregado. Seria ótimo se incluíssem algumas cutscenes, fases melhor desenhadas e inimigos mais criativos. A ideia de utilizar dois personagens é bacana, mas bem que eles poderiam ser diferentes em ação. Embora exista a comparação com Strider, há uma grande diferença na jogabilidade que é a característica mais notável no game do ninja Hiryu. Imagino que, se desenvolvido por mãos mais talentosas, como as da própria Capcom, por exemplo, provavelmente estaríamos diante de um grande clássico. Confesso que jogá-lo não me trouxe tanta diversão como eu esperava. A pouca diversidade e uma jogabilidade imprecisa impediram a experiência de brilhar. Se você é colecionador, e pretende adquirir o título, vá em frente. Se confia na avaliação do Retroplayers, no máximo vai experimentar um game sem muitos atrativos. Veja bem, Run Saber não é ruim. Porém, ao jogá-lo você provavelmente o fará pensando em outros jogos. Se já conhece o título, conte pra gente suas experiências e nos diga como é jogar Run Saber pra você. Comente!

Fim

Confira as partes anteriores:

#01 – Metal Warriors
#02 – Legend
#03 – Congo’s Caper
#04 – Rival Turf
#05 – Magic Sword

 

Continua…


Sobre Jeff

O Jeff é veterano que começou a jogar games com um Bit System. Ele ama jogos 2D. Criterioso e saudosista, adora os jogos de Nintendinho. Atualmente sua plataforma principal é um PCgamer, Mas jogar é com ele, não importa se num console da Sega, Sony e assim vai!
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