RetroReview Especial: Chuva de Tiros no Mega Drive #18 – Gynoug (Wings of Wor)


Chefes de fases avantajados, bizarros e assustadores é o que mais chama a atenção em Gynoug. Enquanto passeia por cenários escuros e enfrenta algumas aberrações, sua tarefa neste obscuro shmup lateral é guiar um tipo de anjo justiceiro rumo a restauração de seu planeta natal. Mais detalhes desta peleja podem ser conferidos em mais um retro review de nossa empreitada sobre “games de navinha” para o Mega Drive.

Após duas décadas, só agora eu toquei novamente nesse game. Não tive como guardar muitas recordações da antiga jogatina, já que foram poucas as horas que o cartucho ficou cravado em meu Mega Drive. Fazer o quê, game emprestado de um pobre estudante adolescente como eu na época, logo vai embora não é? Mas este especial acabou servindo para me fazer relembrar o pouco avanço que tive e dos vários continues que utilizei sem ao menos chegar na terceira fase do negócio. Mas podem ficar tranquilos caros amigos, a dificuldade do game até que é generosa em vista de outros que já detonamos neste especial, eu é que não havia pegado o jeito da coisa lá no passado.

Gynoug, lançado nos States como Wings of Wor (na Europa se manteve o nome original Gynoug), é mais um título que se destaca dentre a grande biblioteca de shmups disponível para o Mega Drive / Genesis. Ele não teve a mesma notoriedade de franquias como Thunder Force, por exemplo, mas não deixa de ser um bom game e no mínimo curioso. O título traz um monte de bichos estranhos pra você destruir, sendo esta uma das características que mais guardei da jogatina no passado. O game foi produzido pelos mesmos criadores de Cho Aniki, aquela franquia que reúne jogos doidões, cheios de personagens masculinos bombados e que perdurou algumas gerações de videogames, desde o PC Engine até o Playstation 2. Foi em Cho Aniki que a coisa desandou de vez para o psicodélico mundo da esquisitice, mas se você não curti as aberrações que existem por lá, pode ficar aliviado que em Gynoug os japas malucos da Masiya ainda não haviam pirado totalmente e por isso a jogatina corre mais dentro do normal e sem muita pimenta por aqui.

Versão Européia Versão americana

Segundo consta no manual ocidental do game, você está em Iccus, o planeta onde os homens podem voar. Suas atribuições são as de anjo pacificador que precisa trazer de volta a alegria e a beleza do paraíso onde vive. O local foi tomado por uma praga, trazendo trevas e causando mutações nos seres locais, transformando-os em um monte de bichos feios. É seu dever impedir a proliferação deste mal, liderado pela aberração conhecida como Destroyer, obviamente o vilão do game. Outros tentaram antes de você e falharam, mas você não pode cometer o mesmo erro.

O game segue a mesma linha da maioria dos shmups tradicionais de scroll lateral que você pode ter jogado. Como mencionado, a tarefa é realizada pelas mãos de Wor, um ser angelical e não uma navinha ou coisa parecida. Seus tiros são fonte de poderes místicos, pequenos projéteis que podem ser multiplicados e mudados de direção através dos famosos Power Ups.

Conforme voa pelo cenário Wor deve coletar orbs de poder que precisam ser acumuladas para melhorar suas habilidades, incluindo a velocidade de seus movimentos. Não há barra de life, cada hit tomado te arranca instantaneamente “uma vida”. Com isso as orbs serão também gradativamente subtraídas de seu medidor e você vai perdendo o nível de power até voltar como era antes. Há também a possibilidade de acumular tiros especiais que podem ajudar em momentos mais críticos. Eles não duram a fase inteira, vem em pouca quantidade, mas você só os utiliza se pressionar um botão especifico, podendo assim guardá-los para o momento oportuno.

A área de colisão é justa e só haverá impacto se realmente encostar em algum obstáculo, inimigo ou projétil, o que favorece aqueles que ainda não trabalharam os reflexos. Se ainda assim a coisa estiver azeda pro seu lado, poderá obviamente ajustar a dificuldade e aumentar o número de vidas para até cinco, indo lá nas opções. Não incomum, a versão japonesa do game não traz o nível Easy. Para dar aquele incremento no calor da jogatina, você pode querer experimentar níveis mais altos de dificuldade, já que a jogabilidade muda consideravelmente. Não se trata apenas de mais inimigos pra destruir, muitos deles passam a se movimentar e atacar de formas diferentes do habitual. Seja como for, haverão quatro continues esperando por você, caso a morte seja inevitável.

As seis fases do game trazem longos cenários, cada um deles com um sub-chefe que aparece na metade do percurso. Os gráficos são bons e o nível de paralax está legal. O som é que não chama muito a atenção, sendo até alegres para um game com tema tão macabro. Penso que poderia ser melhor, já que foi produzido por um dos caras que compôs para Gley Lancer, outro shmup da Masaya que possui uma das melhores trilhas sonoras que conheço no Mega Drive.
Alguns inimigos comuns deixam a desejar. São em sua maioria, formas de vida que não casam muito bem com a proposta dark oferecida pelo game e, a exemplo da parte sonora, acredito que mereciam melhor dedicação dos desenvolvedores. Muitos desses inimigos só estão lá para aumentarem o seu score e podem ser totalmente evitados se assim desejar. Em compensação os sub-chefes são mais interessantes e, juntamente com os boss levels, melhoram a experiência de sua jogatina. As batalhas ao final de cada fase ficam mais impactantes porque os monstrengos são bem grandinhos, além de esquisitos. Em geral são uma mistura de máquinas com cabeças de monstros, algo que costumo chamar de fusão biologicamente mecânica.

 

 

O level design passa por cavernas secas e molhadas e templos que de uma hora pra outra adotam o estilo steampunk. Alguns dos locais visitados são escuros, em outros momentos, inimigos e projéteis se misturam com o ambiente, atrapalhando um pouco a sua decisão de movimento. As últimas fases sugerem que estamos adentrando um organismo vivo, fato também contado no manual do usuário. A dificuldade do game é gradativa e aumenta consideravelmente com o passar de fases, contribuindo para que a tranquilidade desse passeio assombrado comece a ir embora. Há também trechos em que a velocidade de ataque dos inimigos e a rolagem da tela se tornam super acelerados, ótimo para aumentar a adrenalina e testar sua habilidade no direcional.

Tendo em vista que existem muitos outros shmups disponíveis para o Mega, Gynoug pode não ser a sua primeira escolha. Se está procurando games mais difíceis e explosivos guarde este para depois. Mas o game é bom e de forma geral o conjunto da obra não faz feio. Além de tudo, sua jogabilidade é simples, os comandos não são complicados e respondem bem, algo que é muito importante em shmups. Se estiver cansado de viajar por céus e planetas distantes, enfrentando e destruindo inimigos cibernéticos e naves futurísticas, pode ser interessante pra você guiar um personagem com asas. Ainda que Gynoug não seja um título top em sua categoria, certamente podemos considerá-lo acima da média e há nele elementos interessantes que todos os jogadores de “games de navinha” vão curtir, seja o tema, o visual, ou a jogabilidade.

Dito estas coisas, desejo-lhes boa jogatina!

Confira todas as partes deste especial:

#1 – Thunder Force II

#2 – Gley Lancer

#3 – Musha

#4 – Elemental Master

#5 – Battle Mania

#6 – Arrow Flash

#7 – Battle Mania Daiginjou

#8 – Thunder Force III

#9 – Eliminate Down

#10 – Air Buster

#11 – Burning Force

#12 – The Steel Empire

#13 – Gaiares

#14 – Sol-Deace/Feace

#15 – Truxton

#16 – Hellfire

#17 – Gadget Twins

#18 – Gynoug (este review)

 

Continua…


Sobre Jeff

O Jeff é veterano que começou a jogar games com um Bit System. Ele ama jogos 2D. Criterioso e saudosista, adora os jogos de Nintendinho. Atualmente sua plataforma principal é um PCgamer, Mas jogar é com ele, não importa se num console da Sega, Sony e assim vai!

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  • Ivo

    Grande Jeff!. Esse foi um dos poucos Shmups que joguei de Mega. Jogava ele com o Phalanx de Snes (até comentei ontem da capinha dele bizarra). Sempre achei esse jogo com um “KI” de Heavy Metal. Parabéns pelo texto Jeff! =)

    • Obrigado pelo comentário Ivo.

      A capinha do game na versão ocidental é uma aberração, estilo Megaman do NES. Onde já se viu, o personagem é portador de uma arma de fogo…quanta discrepância!!!
      Veja:

      http://www.middian.net/Galerie3/slides/Boris%20Vallejo%20-%20Wings%20of%20Wor.jpg

      • Diogo Farias

        essa arte de capa ta tensa! xD
        Só não ganha de Bomberman pra Turbografx 16!

        • Então tá empate Diogo. Essa do Bomberman é tão feia quanto, rsrs!1

      • Diogo Farias

        😀

      • elcioch

        o mais engraçado é que o cara esta atirando pro lado errado e querendo acertar um murro no bicho!
        então pra que a arma?

        • Outro detalhe nada a ver em Elcio?
          Ohh no!!

  • aki é rock

    Jogo bem interessantes viu vou dar uma conferida.

    • Mais um pra lista Rock. Manda ver!

  • Diogo Farias

    Po Jeff, legal a Review!
    Não conhecia esse jogo… Me lembrou Lords of Thunder pra Sega CD/Turbografx 16. Mas assim como você falou, a trilha sonora deixa um pouco a desejar, não que seja ruim, mas não rima com o clima do jogo xD

    E… Cara, o nome da empresa é Masiya, e não Masaya… Hehe. Mals aí, é que sou fã dessa empresa desde que conheci a série Kaizou Choujin Shubibinman.

    Abraços!

    • Fala Diego, beleza?
      Cara, Lords of Thunder é muuuito melhor, claro!
      Sobre o nome da companhia, pra mim e para um montão de gente sempre foi Masaya. Acho que a pronuncia em inglês levou ao erro. Curiosamente existem informações de ambos os nomes pela web.

      • Diogo Farias

        E a trilha sonora de Lords of Thunder é inigualavel! xD
        Depois que eu vi sua Review, fiquei pensando se o correto não é Masaya… Porque quando você vê o logo, realmente, é igual ao primeiro A do nome… Fica realmente um espaço pra dupla interpretação… Heh

        Mas acho que o certo é Masiya porque se você procurar direto por Masaya no google vai encontrar mais informações sobre uma cidade com esse nome, se procurar Masiya já vai encontrar sobre a empresa de jogos.

        Mas realmente, acho que pode ser que você esteja correto… Só mesmo encontrando algum antigo membro da empresa e perguntando pra ele! xD

  • Jean Carlos

    Não conheço o jogo. Deu vontade jogar. Parece ser legal.
    Nunca gostei muito de jogos de nave, mas… Esse não tem nave. Vou conferir.
    Abraços!

    • Sem naves Carlos, Voe meu filho, voe!

      • Jean Carlos

        I´am Flyyyyyyy!

  • Rapaz, tá ai um jogo que eu não encostei na época, não tinha na locadora e nem eu me interessei em pegá-lo em outro lugar ou trocá-lo nas barraquinhas simplesmente por que não existia informações sobre o título em lugar nenhum, não pelo menos que eu tivesse visto kkkkkk!

    Mas depois que conheci o jogo por meio das fotos grotescas dos chefes de fase, fiquei com vontade de jogar essa coisa mano, mas pqp, difícil demais esse jogo e eu não estava com muita paciência pra testar a eficiência dos tiros e poderes especiais do anjo…. Ta doido…

    Quem sabe algum outro dia XD

    • Declarações, cuidado com elas Sabat kkkk!
      Esses monstros no game hem???

  • elcioch

    joguinho difícil! só sei como é o final porque vi um longplay no YouTube .
    mas curti o game pela qualidade artística, muito bem trabalhado.
    acho estranho que o herói seja um cara de assas!
    quer disser que este game foi feito pela mesma de chou aniki.
    chou aniki tem uns personagem bem interessantes loucos mas interessantes.
    na versão para play a coisa ficou muito gay de mais com chefes que te atacam com algo que te lembra um negocio masculino!

    • kkkkkkkkkkk
      Nem quis comentar esses detalhes Elcio.
      kkkk!

  • Johnny

    Quem quiser adquirir o cartucho original desse jogo, ele está a venda em estado impecável e a um preço módico no link abaixo:

    http://www.retrogamesbr.com/index.php/mega-drive-genesis/games/gynoug-tec-toy-detail

    • Tudo bom Johnny?

      Quer colocar propaganda no Retroplayers? Eu cobro R$500,00 no semestral, R$100,00 no mensal ^^ Banner igual ao do Ancião Games, ali na lateral da página. 40 mil visitas mensais.

      Links de propagandas nos posts não são permitidos, ok? ^^

  • Wanderson Tranquilino

    Só lembrei de uma coisa quando vi a capa do jogo:Hooooooomen Pássarôôôôô!!!!^
    Vou jogá-lo depois que meu velho controle chegar do concerto(ele caiu no chão quebrou).

  • Cadu

    Errr… por um acaso aquilo ali é um… vc sabe… um… err… bem, vamos falar do resto do jogo, vai.

    Deixa eu ver se entendi outra coisa: o cara é o anjo bonitão do mundo dos bonitões onde a beleza deve ser restaurada pq todo mundo tá ficando feio? Temática um tanto quanto elitista, no sentido de beleza… kkkkkkkk

    Mas engraçado, eu acho que já joguei sim esse jogo, vendo as imagens. Não me lembro muito bem dele, mas cheguei a jogá-lo. Provavelmente desisti logo.

    Versão japa sem Easy… sempre assim, né?

    E gostei de fusão biologicamente mecânica! hahaha! Faz todo sentido pra mim!

    Depois vou ver se jogo com calma pra ver se relembro, tem coisas nessas imagens que realmente não me são estranhas. E eu não tô falando daquele chefe… digamos… nú! ahuhauuahauhahuahuauh

    Ótimo texto, Jeff!

  • William Mendes

    ADORO SHMUP NO MEGÃO!