RetroReview Especial: The Dark Side of the SNES #05: Magic Sword


No aniversário de 4 anos do Retroplayers vocês nos ajudaram a escolher alguns títulos obscuros de Super Nintendo que queriam ver por aqui. Alguém se lembra disso? Pois é, o tempo tem sido tão curto entre a galera, que este especial já estava se tornando obscuro também. Vamos tentar na medida do possível continuá-lo, ok?

Bom, o que dizer do Super Nintendo? Ahhh, tenho muitas saudades dele, seja pelo que nele joguei, ou pelo que não consegui jogar ainda. Afinal, este foi um dos consoles antigos que pouco aproveitei na vida, acreditam nisso? É verdade, tive poucos jogos dele, aluguei poucos também e o pessoal que dividia a jogatina comigo começou a se espalhar por esse mundão afora quando finalmente pus as mãos num lindo SNES modelo Super Set. Na medida do possível, eu consegui desfrutar alguns de seus melhores títulos, mas não demorou muito e as imagens poligonais começaram a infestar as nossas telas. Como muitos na época fizeram, cometi um pecado gamístico ao me desfazer do console entre 1995 e 1996, pouco mais de um ano após adquiri-lo. Vez ou outra recorro aos emuladores para conhecer e relembrar o melhor que esta plataforma tem a oferecer e isso, obviamente, não é suficiente para dar conta de sua gigantesca lista de títulos. Este especial acabou trazendo à turma do Retroplayers a oportunidade de experimentar algumas das pérolas dos 16 bits que só conhecíamos de ouvir falar. Assim, o próximo da fila é esse tal Magic Sword.

Capa tosca americana

Magic Sword é da Capcom, não é? Uma das coisas que sempre admirei na Capcom, são os seus beat’em ups e games de ação, dois estilos que fizeram história nos arcades, desde a temática medieval à futurista. Em minha opinião os melhores games nestes dois estilos são desta que já foi uma das mais conceituadas produtoras de jogos de todos os tempos. Infelizmente as coisas parecem estar um pouco bagunçada por lá e isso tem deixado muita gente brava, principalmente entre os gamers mais antigos, mas, como diria o Cadu, a culpa é do capitalismo…
Herança da época de ouro nos “fliperamas” dos anos 90, Magic Sword é um game de ação e aventura que lembra muito outros títulos da empresa. Cheguei a confundi-lo com Black Tiger, King of Dragons ou Knights of the Round e até pensei se tratar de jogos de uma mesma franquia. Todos esses clássicos foram lançados bem próximos uns dos outros, mostrando que o gênero estava no auge e a Capcom soube explorá-lo como nenhuma outra o fez. Alguns desses sucessos foram portados para o SNES e podemos considerar a maioria deles tecnicamente bem sucedidos, respeitando obviamente as limitações do console. Isso de alguma forma ajudou a reforçar a ideia de que nem só de Golden Axe vivem os belos clássicos medievais, embora o título da SEGA seja uma das melhores representações do gênero, um autêntico beat’em up medieval que, mesmo sendo três anos mais velho, consegue ser melhor, nos arcades e nos consoles (minha opinião).

Apesar de todas as características positivas que envolvem as criações da Capcom, Magic Sword não fez muito alarde nos consoles e tornou-se melhor conhecido apenas nos arcades. Segundo a opinião de muitos, incluindo a minha e a sua, este game é considerado obscuro dentro de nossas casas, não se sabe exatamente o motivo. Eu confesso que nunca o havia experimentado antes, nem mesmo nas máquinas, lembro apenas de ter passado os olhos nele algumas vezes num point de fliperama aqui em Santo Amaro-SP, há uns vinte e poucos anos atrás. Me recordo de ter visto o nome desse game enquanto vasculhava os emuladores e roms, mas nunca me propus a jogá-lo definitivamente. Juntamente com centenas de outros títulos para o Super Nintendo, fui deixando Magic Sword de lado, pois acreditava que algum dia me sobraria tempo para dar conta do recado. A oportunidade as vezes demora aparecer e somente agora pude encarar de vez esta peleja. Vamos conhecê-lo melhor agora?

Lançado em 1990 para os arcades e no final de 1992 para o Super Nintendo, Magic Sword veio aumentar a lista de títulos que fazem uso da clássica jogabilidade 2D em side-scrolling. Bem típico de um game vindo dos arcades, a história de Magic Sword é contada em pouquíssimas palavras e resume-se da seguinte forma: Você e poucas pessoas do bem se uniram contra o mal existente e dominante. Em um mundo paralelo, seu guerreiro sem nome tem de enfrentar a Drokmar, um cara malvado, possuidor de um poderoso cristal mágico, que obviamente nas mãos de uma cara mau, vai servir pra fazer maldade suficiente para dominar o mundo… O resto fica por conta de sua imaginação, coragem e destreza para trazer de volta a paz.

A jogabilidade é bem simples e os controles respondem de forma satisfatória. Nenhum comando complicado, nenhum menu especial e apenas três botões do controle são utilizados, sendo que, pressionando dois deles (pulo+ataque) faz a função do terceiro que é liberar magias. Apesar de existir um único plano pra se locomover, foi minha frustração não poder desferir algumas voadorazinhas na cara da bandidagem (tudo bem, acho que estou pedindo demais…). O personagem pode contudo, pular e atacar em seguida, mas só vai acertar aqueles que estiverem em plataformas acima de você. É possível também abaixar-se e desta posição defender-se de alguns projéteis por meios dos escudos que sempre carrega o nosso herói. O melhor ataque continua sendo a lâmina de sua espada, mas com a barra de power cheia, um projétil de longa distância é liberado ao desferir golpes. Tal barra de power é automaticamente preenchida se você ficar alguns segundos sem atacar. Espadas cada vez mais fortes podem ser adquiridas vencendo os chefes de fase.

O game se passa inteiramente em uma torre onde subir e destruir inimigos é a sua tarefa. A construção é bem alta, cerca de 51 andares, porém cada etapa é extremamente curta e algumas delas podem ser terminadas em menos de 1 minuto. Não há caminhos alternativos, tudo é muito linear, o que muda às vezes é a direção onde fica a porta de saída que pode estar do lado direito ou esquerdo da área a ser explorada. Existe uma variedade considerável de inimigos, desde moscas a múmias que mostram-se mais fortes conforme avançamos. Durante todo o percurso, temos várias celas pra abrir, sendo opcional esta tarefa. No trajeto, coletar itens dentro de baús vão facilitar sua vida, já que aumentam significativamente seus poderes e os de seus aliados. Alguns destes baús podem estar escondidos, mas é possível encontrá-los se você estiver carregando o item bola de cristal, se o seu aliado for um ladrão ou se você desferir um golpe no local exato onde se escondem tais baús.

Não é minha intenção fazer aqui um comparativo entre versões. Mas como eu não havia jogado nem mesmo a versão arcade antes deste review, resolvi experimentar ambas, começando por esta de Super Nintendo. Fiz isso apenas para que eu tivesse uma melhor avaliação do título, já que trata-se de um port. Alguém poderia dizer que eu estou exagerando mas, visualmente falando, a versão caseira poderia ser melhor elaborada, acredito. Eu não sei ao certo as limitações enfrentadas pelos programadores, mas quem jogar a versão arcade poderá sentir um pouco de desleixo por parte da Capcom. Algumas coisas foram retiradas do cenário nesta conversão, principalmente os itens ao fundo da tela, assim como alguns inimigos. O som em compensação ficou legal, mas por serem poucas as músicas disponíveis estas se repetem muitas vezes no decorrer da jornada, afinal são 51 andares pra percorrer. Já a inteligência dos inimigos é fraca e posso dizer seguramente se tratar de um dos pontos mais deficientes nesse port, sendo possível avançar facilmente no game fazendo pressão sobre os inimigos. O maior desafio fica por conta dos chefes de fase, porém não demora muito e você consegue aprender seus poucos padrões de ataque. Pra completar de vez a mamata, os continues são infinitos (na versão arcade não vi esta possibilidade) e ao utilizá-los todas as melhorias suas e de seu aliado voltam com você. Além disso, você ainda tem a opção de escolher em qual nível começar, estando disponíveis os andares 5, 9, 13, 22, 26, 30, e 33. Ao começar de qualquer nível adiante, seus poderes e os de seus aliados já virão acumulados, como se fosse um save de uma jogada bem feita.

Falando sobre os aliados, são classes distintas de pessoas que podem lhe ajudar em sua jornada, desde que você os ajude primeiro, pois foram todos aprisionados nas diversas celas espalhadas pelos cenários. Cada um possui seu próprio estilo de ataque e vai de seu interesse manter qualquer um deles contigo ou trocá-lo por outro quando abrir uma nova cela. Os aliados são: Arqueira, Ladrão, Cavaleiro, Ninja, Mago, Bárbaro, um Padre e um tal Mutante Lagarto. Este último é um dos melhores em minha opinião mas só será seu aliado se você estiver portando um anel de diamante especial no momento do resgate, do contrário, o bicho será um de seus inimigos. As celas são abertas colocando-se o direcional para cima quando se está em frente a cada uma delas, desde que você possua o tipo de chave correspondente, sendo que estas chaves podem ser facilmente acumuladas vasculhando os baús. Ao libertar cada indivíduo, eles passam a te seguir e a atacar juntamente com seu personagem. Estes caras só podem atacar na mesma direção que você (efeito sombra) portanto, é seu dever cuidar de sua retaguarda, ou serão facilmente destruídos. Somente um aliado de cada vez poderá segui-lo e será seu companheiro de batalha até ao final do game, caso nenhum outro seja liberto e aceito por você.

 

Assim como ocorre com o clássico Final Fight, Magic Sword no Super Nintendo é uma experiência pra um só jogador. A versão arcade permite uma partida multi-player para até dois jogadores, onde o segundo assume o controle de um cara com machado e quando entram os aliados, formam um trio ou um quarteto de heróis bem equilibrado. Não tenho dúvidas que esta opção foi eliminada por limitações do hardware do console. Ainda assim, em determinados pontos, a versão de SNES sofre com momentos de slowdowns, em especial quando o número de inimigos aumentam. Podemos dizer então que a melhor experiência em todos os sentidos, fica por conta da versão original que você poderá desfrutar no seu emulador de arcade preferido ou nos consoles da era pós Playstation onde o port foi lançado. Vale lembrar que jogando em dupla a coisa fica ainda mais desafiadora e empolgante, visto que o número de inimigos na tela é praticamente o dobro. 

magic-sword-score

Bem pessoal, Magic Sword no Super Nintendo peca por ser um port muito fácil, que pode ser terminado em menos de uma hora. Como dito, as fases são muitas, porém curtas. O número de celas e baús é consideravelmente grande dentro destas pequenas áreas e, mesmo não sendo obrigatório abrir todos eles, fazer isso várias vezes acaba tornando a jogatina um tanto maçante e repetitiva. As poucas cutscenes ocorrem apenas com o seu herói subindo uma escada entre um andar e outro e na hora de enfrentar alguns dos chefes quando estes fazem um pequeno cometário pra tentar te intimidar. Não há muito o que dizer, visto ser um port de arcade para um sistema bem inferior. Mas penso também que a Capcom poderia ter feito alterações mais interessantes mesmo considerando as limitações de hardware. Resta a você, caro amigo Retroplayer, realizar a melhor avaliação, ou seja, a sua própria. Jogue e nos conte o que achou!

FIM 

Confira as partes anteriores:

#01 – Metal Warriors
#02 – Legend
#03 – Congo’s Caper
#04 – Rival Turf

Continua…


Sobre Jeff

O Jeff é veterano que começou a jogar games com um Bit System. Ele ama jogos 2D. Criterioso e saudosista, adora os jogos de Nintendinho. Atualmente sua plataforma principal é um PCgamer, Mas jogar é com ele, não importa se num console da Sega, Sony e assim vai!

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  • Excelente post! Diferente do Jeff, eu não sabia da existência desse jogo, nunca esbarrei com ele em flippers antigos ou em locadoras, mas confesso que fiquei tentado em jogá-lo. Sou grande fã de King of Dragons e Knights of the Round, e porque não jogar Magic Sword? (só acho que jogarei em emulador arcade rs).

    Grande abraço!

    • Dan, eu concordo com a sua escolha. Sem o desafio presente na versão do Super Nintendo, é melhor ficar com a versão arcade, sem dúvida!

  • Cadu

    Cara… eu não me lembro desse jogo! Sério! Sério mesmo! Nem da versão de Arcade. Se eu tivesse visto, com certeza teria feito a associação que fiz ao ver as imagens: “é o jogo do He-Man”… kkkkkkk… herói loiro bombado de tanguinha com uma espada, é o He-Man e pronto, não me convença do contrário!
    Triste que a versão de console tenha ficado fácil. Poderiam ter limitado Continues, embora a de Arcade deva ter Continues infinitos pra quem tem dinheiro, não? hehehe
    Bom, retirada de coisas do cenário fica um tanto quanto evidente com esse lance dos slowdowns. Pelo visto o SNES não aguenta tanto quanto parece, se fosse no Mega Drive as coisas seriam bem diferentes… kkkkkkkkkkkkkkk… sacanagem, zueira gratuita seguista só pra manter o costume.
    Mas se o jogo diverte isso que importa, pena que peca no desafio, grande chamariz das gerações de 8 e 16 bits, a Era de Ouro dos Games!
    Isso tudo é sim culpa do capitalismo, é claro! Inclusive, se não fosse o capitalismo eu já teria lançado meus textos do Especial, mas por culpa do capitalismo não lancei! O capitalismo não é obscuro! Maldito capitalismo! Falei muito “capitalismo”, né? Chega antes que ele apareça aqui e tire o dinheiro que eu não tenho! kkkkk
    Mas quem falou sobre isso não foi o Visionnaire no último texto dele? Ou vc tá falando o que digo sobre a Capcom? hehehe… se for isso, é só pra irritar o TH de graça mesmo! huahuahuahuaahuah
    Ótimo texto, Jeff! Quando eu começar a jogar SNES pra valer, vou dar uma conferida no jogo, deu vontade de conhecer!

    • Ei Cadu, com certeza se fosse no Mega, provavelmente seria melhor, sem puxar sardinha pro lado Sega da Força.
      Então, pelo menos nas versões arcade testadas aqui eu não pude continuar o game, mesmo inserindo créditos (fichas). Se for assim mesmo, o cara tem de ser muito bom pra continuar sem perder…
      E o capitalismo??

  • Felipe

    conheci esse jogo já na era do ps3, quando esse foi lançado num combo com final fight. O jogo é bem bacana e divertido, tendo agora o adicional dos troféus para ajudar a dar uma vida maior a jogatina. Tenho certeza que se tivesse jogado na época do snes teria me divertido muito também.

    • E aí Felipe, beleza?
      O pessoal que pode jogar a versão arcade do game nos consoles devem mais é aproveitar,game muito bom. Me diga, como funciona o esquema de Save nos consoles? No Arcade não vi nem opção de continuar o jogo injetando créditos com fichas…

  • Ivo

    Cara, eu não conhecia esse jogo! Terminei ele no emulador algumas semanas atrás. E vou dizer que era bem difícil hein! Um jogo feito para fechar com no mínimo de 15 fichas. Mas o jogo é muito bom mesmo, gostei de jogar ele. Agora eu nem sabia que ele tinha no SNES (obscuro mesmo!). Gostei muito do seu review Jeff. Parabéns.

    • Isso, Ivo, a versão acade é bem superior, inclusive no fator dificuldade, além de não poder continuar, pelo menos eu não vi isso.
      Valeu pelo comentário Ivo!

  • Rubens

    Engraçado como são as coisas…sempre pensei que esses jogo fosse mega conhecido. Eu e meus amigos sempre jogávamos nos botecos da vida. Quando a versão snes saiu, foi bem comentada nas revistas da época. E o jogo foi relançado várias vezes, junto com seu antecessor Black Tiger, à partir da era 128-bits. Por isso achava que todo mundo conhecia rsrsrsrs. Legal ver como esse universo retrô é vasto e algo que pra vc é normal, pra outros é obscuro, e vice-versa. Ótimo texto!

    • Exatamente assim Rubens…Por mais que fosse divulgado, poucas são as pessoas que o conhecem fora do arcade.
      Obrigado pela sua presença e comentário.

  • Sir Kao

    Bacana Jeff! Finalmente um review completo sobre esse jogo “semi-obscuro” (dá pra chamar assim?) do SNES.

    Realmente, a questão de simplificar o jogo em muitos pontos era habitual da Capcom ao fazer o ports para consoles. Eu tenho um Knights of the Round de SNES e também posso confirmar isso.

    O Magic Sword sempre tive curiosidade de jogar, mas sempre me aparece outro jogo na minha lista de prioridades, daí vou deixando o pobre coitado de lado. Acho que isso que os torna obscuros, sempre colocamos jogos mais populares na frente, e eles vão ficando esquecidos.

    Ah, e belo review mesmo. Inté!

    • Bem assim Kao.
      Talvez Knight seja melhor. Vou experimentá-lo!!

  • Anton

    Caramba, você disse que é facil? Minha nossa, era um dos jogos mais dificeis que eu ja joguei, huauhahua, não sei se é exagero meu, mas puts, era muito foda, auhhauhua

    • Anton, será que você não jogou a versão de arcade em algum console mais recente? Ele Realmente é fácil cara…

  • Daniel Batista

    joguei pelo MAME , muito bom mesmo

    • Certamente, a versão arcade é superior Daniel. Costumo usar o emulador FinalBurn Evo para games que utilizam placas CPS1 e CPS2 e Neo Geo apenas.