Retro Review: Castlevania: Symphony of the Night


Sempre adorei Castlevania. E esse era um dos games que eu achava que tinha sumido da era 16 para 32 bits, pois eu não tinha um Playstation, e não fazia idéia de que existia um Castlevania para ele. Eu estava na casa de um amigo mexendo nos CDs dele para achar um outro game pois não aguentava mais jogar Street Fighter EX (que ele era viciado), e me deparei com uma caixinha de capa interessante… Parecia um game meio medieval de espada ou algo assim. Capa muito bonita… Coloquei no Play e então vi o nome Castlevania! Quase caí para trás. Que alegria! Há muito tempo não sentia aquilo, pois já achava naquela época que Castlevania era um nome que já havia sido esquecido.

Comecei o jogo e já no início, antes mesmo do game começar, já tinha ficado impressionado com a qualidade dos gráficos e música. Era realmente algo que nunca tinha visto. E quando o jogo começou então foi impressionante. Aquela música, o Richter Belmont com aquele gráfico, o cenário todo detalhado e quase sem repetições de tiles! Meu Deus, era assim que o Play também deveria ter sido utilizado e não só com aqueles gráfico poligonais horríveis dos outros games! Assim me era apresentado Castlevania: Symphony of the Night, um dos melhores games que tive o prazer de jogar no Play Station.

Não lembro de ter ficado tão impressionado com a qualidade de um jogo em nenhum outro momento de minha vida gamística. Estava muito feliz de estar jogando com meu querido Belmont em mais um Castlevania! E logo de início dei de cara com o Drácula. A coisa já começou a sair do padrão e saiu ainda mais quando eles começaram a conversar com vozes de uma qualidade de filme.

Não entendia nada pois estavam falando em japonês, mais em algum momento o Belmont deve ter xingado a mãe do Dracula, porque este joga sua taça de vinho e se levanta enquanto fala alguma coisa do tipo “como é que é?” e vem para a briga. Que emoção para um início de game! Meu Deus!

Imaginem vocês: eu naquela época já achando que a minha fase de games tinha acabado, pois não gostava daquela jogabilidade 3D com aqueles horríveis polígonos, um rapaz que já sentia saudade de sua época mágica e que achava que os games estavam regredindo em todos os aspectos. Saí de minha casa para apenas tirar mais uns contras em um game que eu já estava de saco cheio, e acabei me deparando com uma de minhas franquias prediletas, com gráficos e músicas impressionantes, controlando um de meus personagens preferidos e já enfrentando um dos últimos inimigos mais clássicos de minha querida época… Era muita emoção, meu amigo não entendia muito bem o porque daquele meu sorriso de felicidade em jogar um game que ele, depois de jogar 2 minutos, tinha encostado em um canto. Mas eu não ligava, sorria mesmo.

Acabei por derrotar o Dracula em um luta que achei para lá de esquisita, pois venci de primeira o terrível vampiro que estava acostumado a me dar surras e mais surras. E foi sem maiores problemas, até porque fui salvo por uma menina que deixou o caçador de vampiros mais forte que qualquer outro personagem que já tinha controlado, e para piorar, era invencível. A nova geração “sem dificuldade” já começava a aparecer na era 32 bits. Claro que entendo que seria injusto morrer logo no início do game, ainda mais por ter sido jogado contra o Dracula antes mesmo de uma fase sequer, mas nós somos da era 8 bits não é mesmo? Estamos acostumados a ser normal morrer na primeira tela de um game.

Então, se eu já estava achando o game um pouco esquisito, logo depois de um texto enorme aparecer na tela com uma música digna de um filme AAA o game se transforma em algo que eu não estava preparado ainda para entender. Um cara de longos cabelos brancos vem correndo em uma floresta e se adentra para um castelo onde aparacem inimigos maiores que qualquer inimigo que eu já tinha enfrentado na era 8 bits. E o pior, sucumbiam com apenas uma espada daquele personagem que passei a controlar. É isso mesmo, uma espada em um game do Castlevania! Cadê o chicote? Cadê o Belmont? Por que estava agora jogando com aquele cara que parecia ter saído do filme entrevista com o vampiro? Por que ele era tão forte ao ponto de não ter nenhum desafio? Eu vou para de fazer perguntas?

E fica mais entranho ainda… Dei de cara com a Morte… Meu Deus, a Morte! Esse ou essa, pois eu nunca sei como devo me referir a ele, era o personagem que mais me deu trabalho, pois nunca tinha conseguido derrotá-lo no primeiro Castlevania, tomei muitas e muitas e muitas surras dele. E que gráfico, era simplesmente incrível a sua Sprite, incrível mesmo, aqui já dava para perceber que seria um game épico. E já estava me preparando para ter que me esquivar de uma tela inteira de foices em gráficos 32 bits quando ele roubou meus itens. É, não tava fácil para ninguém, os personagens mais incríveis da era 8/16 bits passaram a roubar para poder sobreviver. Ele vai embora com meus itens e nem me dá o gostinho de uma bela luta.

Mais uma coisa melhorou e muito, aquele cara de cabelos brancos já não era tão forte e o game começou a tomar forma. Uma música linda começou a tocar, com uma qualidade que nunca tinha ouvido antes, e apesar de ter qualidade de filme, tinha uma raiz bem forte na era 16 bits, há muito tempo não ouvia uma melodia tão maravilhosa. Depois de ser roubado pela Morte, tinha agora que matar os inimigos com socos, e ao detonar uma caveirinha vermelha, esta deixa cair um espada. Já pensei, deve ser igual aos castlevanias onde tem que ir aumentando o tamanho do chicote, mas dessa vez deve ser aumentando o alcance através de armas. Mas ao pegar a espada nada aconteceu, nenhum brilho de tela para mostrar que tinha pegado um poderoso item e o cabeludo ainda estava dando socos.

Mas em algum momento eu apertei start e um menu aparaceu, coisa que não existe em Castlevania e por isso eu nem tinha pensado em fazer. Equipei a espada e assim comecei a derrotar os inimigos com mais facilidade. Começava então a entender o jogo. E ficou mais fácil de entender ainda quando ao matar um esqueleto a palavra Level Up apareceu na tela. Era como se uma lâmpada surgisse em minha cabeça. Então passei a entender que se tratava de um game completamente diferente dos Castlevanias que estava acostumado a jogar, e começava a ficar muito triste com isso, pois o que eu queria mesmo era o meu game clássico do jeitinho que ele foi feito para ser. Não queria mais um game de fazer experiência, queria um game com desafios que exigissem habilidade e destreza e não paciência.

Mas felizmente comecei a pegar gosto pelo game assim que eu peguei a direção errada no castelo e caí direto contra um cavaleiro enorme segurando uma corrente com uma bola gigante na ponta, gráfico este que eu nunca tinha visto tão lindo. Nem imaginava que dava para fazer um inimigo tão detalhado, tão bem animado, tão grande e com voz e tudo. Aquilo me ganhou! Era apenas um inimigo comum, não se tratava de um inimigo de fase, e quando tentei derrotá-lo ele me massacrou com dois golpes. Um grande Game Over apareceu na tela e nem opção de continue eu tive.

Não senti raiva, senti gosto! Então passei a entender a proposta do game. Eu estava hipnotizado com aquelas músicas e com aqueles gráficos quando uma voz surgiu dizendo “Vamos jogar Street?”. Caramba, tinha me esquecido dele, nem lembrava que meu amigo ainda estava no recinto. Tomei um susto! A minha resposta foi “posso pegar emprestado esse game?” Quando ele falou que eu podia, debochando daquele CD, eu não queria demonstrar mas acho que até levantei minhas mãos de alegria. Joguei um pouquinho de Street e de repente… fiquei com uma “dor de cabeça” inexplicável, nossa, estava me matando! Me desculpei com meu amigo, pois tinha que ir correndo pra casa tomar um remédio antes que eu morresse, e foi assim que cheguei rapidamente na… casa do meu primo!

Eu tinha que mostrar aquele game para ele… Meu primo também sempre foi muito fã de Castlevania. Ao chegar na casa dele logo falei que tinha Castlevania para o play dele, e ele também não fazia ideia de que nossa séria tão querida já tinha sido portada para o 32 bits. Comecei a mostrar para ele o game e ele ficou muito empolgado quando viu o Belmont e o Dracula, mas quando mudou para o Alucard

Meu primo, o JC, não gostou nem um pouco, não que ele achasse ruim eu acho, e sim pelo que fizeram com a série, pois mudaram tudo. Ele torceu o nariz para o game na hora. Parecia até ódio. Apesar de tentar convencê-lo a dar uma chance para o game, eu consegui entendê-lo, pois ele tinha razão quanto a algumas coisas que ele dizia e na verdade foi até um profeta, pois esse game matou o Castlevania como era. A partir desse, todos os outros que sairam para gba, DS, etc, seguiram esse mesmo estilo de exploração e foram poucos os que mantiveram o verdadeiro estilo do Catlevania de fase após fase.

Existia um game que logo eu me lembrei ao sacar a proposta desse Castlevania, um game que tinha jogado muito e adorado: Super Metroid. A idéia de exploração em um game plataforma, onde é necessário coletar itens e armas para abrir passagem para áreas de um mapa sempre me faz lembrar de Metroid. A influência da franquia da heroína Samus nos Castlevanias vindouros foi tão grande que esse estilo de exploração hoje é conhecido como Metrovania, mas ainda naquela época, eu achava que o estrago não iria ser tão grande para a série, não achava que iriam abandonar o estilo clássico, achava que poderia manter os dois estilos e tinha gostado tanto da ideia que não conseguia parar de jogar aquele game na casa dele. Só tinha um problema: não tinha memory card…

Já que eu estava reclamando que a dificuldade do jogo estava muito baixa, este resolveu então passar a ser o Castlevania mais difícil que já joguei, pois a cada morte era Game Over e como o game não dava opção de continuar, tinha que começar tudo novamente. E morrer porque simplesmente tomou a direção errada no castelo era muito comum. E como sempre tinha que começar do início a cada morte, passei a perceber várias coisas, como por exemplo, se derrotasse o Dracula sem precisar da menina lhe salvar, sua energia com o Alucard começava maior. E conforme morria e lutava contra o Dracula seguidas vezes comecei a derrotá-lo sem ser atingido nenhuma vez por ele, o que me fez perceber que a energia aumentava ainda mais.

Em falar em energia, isso era outra coisa muito diferente, pois o game começa com a energia de forma clássica, com uma barra e depois fica em números. Mas é facíl de entender em se tratando de um game que envolve aumento de nível.

O que dizer dos inimigos. Logo se percebe ser o fator mais importante no game, a diversidade de inimigos e capricho em cada um deles. Eles são incríveis e passam a ser o aspecto principal do game. Eles são todos muito bem feitos, cada um com seu ponto fraco e forte. Alguns difíceis por habilidade, outros por causa de nível. Aquele inimigo que tem uma mina no rabo é incrível, muito bem pensado e bem feito, as moças dentro da rosa são inacreditáveis de bem feitas, passam a impressão do game ter levado anos para ser feito. Nunca tinha visto gráficos tão lindos.

E quando chegamos então no primeiro chefe do game é para empolgar de vez. Dois inimigos juntos e um esquema muito interessante para derrotá-los, onde é necessário o uso do escudo, outra grande novidade em Castlevania. E aquela música de inimigo era realmente eletrizante, perfeita para uma grande batalha.

O chefe vencido e a habilidade adquirida abriam novas áreas, e essas áreas tinham muitos novos inimigos. Eles não paravam de aparecer, não existia aquela repetição que estava acostumado em outros games da série. Acho até que esse é o game que mais tem inimigos diferentes. São muitos. Até dicionário deles tem, e em falar nisso, existe um bibliotecário que vende itens e com ele é possível verificar aspectos do game. Consultar o dicionário dos inimigos é muito importante, pois ele traz informações dos itens que eles podem derrubar e se você já conseguiu ou não.

Alguns elementos clássicos de Castlevania ficaram intactos, como os coraçõezinhos e os itens como o famoso machado e a faquinha. Mas existia muito mais novidades do que elementos clássicos nesse game. Existiam as transformações: Névoas, lobo, morcego (igual ao III), etc. E isso me fez perceber que o Alucard era um vampiro. Assim logo lembrei do Kid Dracula, e até hoje ainda acho que são os mesmos. Uma coisa muito legal no nome Alucard é que quando lido ao contrário, temos então o nome Dracula. Sempre adorei esse negócio, e isso mostra o carinho que tiveram com o game e com esse personagem. Como por exemplo a asa do morcego ficar da cor da capa do Alucard. Detalhes e mais detalhes. Como dar load em um caixão, ganhar vida com sangue, etc. Castlevania sempre foi muito conhecido por suas músicas incríveis e esse game manteve essa maestria com louvor. São todas lindas e com uma qualidade incrível.

Mas é claro que nunca consegui chegar muito longe nesse nível Super Hard (sem ter memory card). Eu era derrotado logo depois de derrotar o Dubleganger na primeira vez que ele vem, em uma luta muito legal de Alucard contra Alucard que só havia visto algo parecido na séria Mega Man. Lutar contra ele usando escudo e faquinha era muito legal! O local que me derrotava era exatamente ao tentar subir o relógio e aí que me lembrou a sérei clássica mesmo, pois sempre era a fase mais difícil do jogo. E foi lá onde encontrei o inimigo mais filho da puta que existe na franquia Castlevania: as malditas cabeças de medusa, que mesmo em um game de fazer nível, conseguia me arrancar gritos de raiva quando elas jogavam Alucard nos espinhos que me arrancavam quase a vida inteira do vampiro.

Quando finalmente meu primo Jonathan, irmão do JC, comprou um memory card (ele também gostava muito do game, ainda mais depois que eu consegui uma cópia em inglês) passei a entender melhor a história, e gostei muito do que estava acontecendo, pois fazia muita referência aos personagens clássicos, e saber que o Richter ainda tinha um papel tão importante na trama foi incrível. Logo na segunda parte do game ao chegar até um relógio, Alucard encontra uma loira vestida de verde chamada Maria, logo percebi que se tratava da Maria salva no Castlevania X do Snes, jogo que eu simplesmente adoro e que para mim é o melhor da série. Durante o game você encontra ela em vários lugares, mas o mais interessante é na parte da Medusa, pois ela ao conversar com você cita o nome Belmont, e aparece um balãozinho com a imagem em sprite do Richter, mas automaticamente o Alucard lembra do Trevor, aparecendo a sprite 8 bits dele em balãozinho. Que maravilha ver aquela referência! Aquele sprite 8 bits naquele game, foi muito bom ver isso.

O Alucard lembra do Trevor porque este foi o Belmont que o acompanhou durante a aventura de Castlevania 3, e eu não tinha associado o vampiro ao personagem deste game porque sua sprite não tem nada a ver com a do Symphony of the Night. Esse game reformulou muitos personagens e deixou eles como conhecemos hoje. O próprio Dracula era sempre um cara de cabelos negros, sem nada demais, nunca tinha achado ele interessante como personagem na era 8 bits, apesar de ter batalhas incríveis contra ele. Aqui ele foi reformulado e realmente emplaca como o respeitável senhor das trevas. E a partir desse game ele continua a ser retratado assim.

Outra novidade são os familiares, que eu não gostei nada, para mim é modinha pokemon. Outra novidade eram itens de invocação, que traziam  lindas imagems que com um efeito de luz fazia algum estrago nos inimigos ou curava o vampiro. Mas eram todas muito lindas. Se desse para imprimir em grande resolução seriam facilmente quadros para ser pendurado em qualquer parede de bom gosto.

A primeira vez que você encontra o Richter, ele está sentado em um trono como se fosse o Dracula que a família Belmont derrota a cada 100 anos. E para mostrar como ele está maléfico, ele invoca os três amigos de Alucard do Castlevania 3 em forma de zumbi para enfrentá-lo. Sempre achei muito sádico isso. Você enfrenta de uma vez: a maga, o pirata e o próprio Trevor Belmont, mas percebendo estar em corpos já em decomposição. Esse game é meio forte mesmo.

Outra parte que mostra essa ousadia no game, é quando Alucard enfrenta a demônia Sucubus que faz ele lembrar da Mãe dele que morreu crucificada pelos humanos em praça pública. Quem sabe ele vendo isso ele não se voltaria contra os humanos, mas esse é também o motivo do ódio pelo Pai, que não levantou um dedo para ajudá-la. Essa demônia ruiva vem lhe enfrentar com uma música incrível, e em sua sprite ela está com seus seios a mostra, coisa que nem imaginávamos que um dia poderia acontecer em video game. essa batalha sempre me faz lembrar de um dos aspectos que considero o pior defeito desse game: ter nível.

Essa luta com a Sucubus tinha tudo para ser um batalha incrível, cheia de esquemas para fugir se seus ataques e hora certa para atacar. Mas dependendo do nível que o Aucard está, ela fica muito fácil e isso acontece no game inteiro. E ao contrário de muita gente, eu fazia de tudo para ficar com nível baixo para enfrentar os inimigos e ter uma bela luta no estilo 8/16 bits. Mas isso também causava problemas, já que as vezes eu estava com nível muito baixo para enfrentar certos inimigos, o que fazia demorar muito para poder derrotálos com aquela merreca de energia que meus golpes tiravam. Isso se transforma em um inferno, onde é necessário ficar calibrando o nível do personagem, e eu nunca sabia se estava apanhando do inimigo por falta de nível ou por falta de habilidade. Eu sou contra a ter nível em Metrovania. O próprio Metroid não tinha nível, e as lutas contra os inimigos eram sempre incríveis e memoráveis, algo que eu entendo que se tivesse sido utilizado em SOTN, deixaria o game muito mais atraente e envolvente.

Ao finalmente chegar no topo do castelo, o mesmo local que o game começa, ao chegar no trono, não é o Dracula que está lá e sim o Richter. E o que ele diz faz muito sentido e até passa a impressão de que ele não está sendo controlado que era a explicação que eu tinha e é o que ele realmente está fazendo por ele mesmo. Ele diz que está tentando ressuscitar o Dracula, pois ele apenas ressuscita em 100 em 100 anos e como ele já o derrotou, a vida dele não tem mais sentido, mas se ele conseguir ressuscitá-lo então poderão ficar lutando durante toda a eternidade. Faz muito sentido. A história desse game é realmente muito boa.  Depois de derrotá-lo em uma luta incrível ao som de uma música maravilhosa que faz referência a primeira música de Castlevania X, ele diz, “então minha vida chegou ao fim, para que serve o pastor se não existe o lobo”.

Mas é claro que assim que você o derrota e o game acaba, dá para perceber que ainda tem coisa pra fazer, pois é inconcebível matar um Belmont. E logo saí procurando alguma forma de salvá-lo, pois apesar do game já ter sido bem longo, ainda haviam várias parte do mapa que eu não tinha ido, e depois de muita coisa ser feita, juntei os anés necessários para conseguir ver o Bruxo que está controlando o Richter. Dessa vez basta fugir dos ataques do Richter e atacar somente o bruxo, e assim o herói é salvo. Só que para minha surpresa, realmente ainda tinha muita coisa a ser feita.

Eu pensava que ao salvá-lo, o game iria apenas ter um final diferente e pronto, mas não foi isso que aconteceu, pois um marcador mostra que apenas 50% do game foi completado, e aquela teórica última sala do game se torna o ponto de entrada para um novo castelo inteiro para ser derrotado, só que dessa vez de ponta cabeça, um reflexo perfeito do castelo inicial. Essa foi uma forma muito interessante e bem inventada de reaproveitar a programação do game e criar muito mais conteúdo, e isso foi muito bom, pois assim deu para enfrentar muitos dos inimigos clássicos que não podiam ficar fora do game. Realmente não fazia sentido ver a morte no início do game e não enfrentá-la.

O castelo de ponta cabeça ou espelhado não tem a mesma qualidade que o castelo normal, mas é bem interessante. Nele enfrentamos a morte, e é bem legal, pois tem as foices clássicas em uma batalha bem sofisticada. E os inimigos de tela ficam cada vez mais impressionantes, como um inimigo nojento que é o cadáver de um gigante pendurado por ganchos, cheio de moscas gigantes voando ao seu redor para matar, um inimigo que se transformaria em um chefe clássico, que é uma bola cheia de tentáculos coberta de corpos, e um inimigo muito difícil e gigante que era o chefe final de Castlevania Kid. Ele lembra os Weapons do Final Fantasy 7, pois é mais difícil que o Dracula.

O Dracula no final não me empolgou muito, ficou muito diferente das lutas clássicas e desde o início já vem em forma de monstro, isso além de sofrer o mesmo problema que todos os outros: ele fica muito fácil dependo do seu nível. Acho que os inimigos principais deveriam se ajustar ao seu nível e ficar sempre relevantes… Acredito que seria a única forma de compensar o fato de ter nível em um game assim.

Eu daria 100% para esse game, pois apesar de gostar mais do estilo clássico do Castlevania, gostar mais de desafios de habilidade e destreza, eu não posso deixar de encarar a verdade de que se não tivesse surgido SOTN, talvez Castlevania seria mais um dos nossos queridos games largados e esquecidos no tempo. Essa remodelação era necessária para a sobrevivência da franquia, pois na época 32 bits o estilo de games por fases já tinha sido deixado para trás. E também porque tirando o meu primo JC, não conheço ninguém que não tenha gostado desse game e gastado horas e mais horas nele com muito gosto.

SOTN é tão vasto e cheio de coisas para fazer que o meu irmão Fernando e meu primo Bruno jogavam juntos viciadamente para fazer tudo o que era possível se realizar no game, o que envolve muita paciência e muito tempo, pois é preciso pegar todos os itens dos inimigos, e alguns deles são muito difíceis de “cair” deles. Eles revezavam os controles, e uma vez conseguiram pegar um item super raro, mas ao irem para a próxima sala salvar o jogo foram mortos por um daqueles cavaleiros super fortes que tem no relógio. Hilário (pra mim, é claro)! Meu outro irmão, o Felipe, e meu amigo AleHelsink também já depenaram SOTN inteiro, e meu amigo Cadu termina ele uma vez por ano ou mais (sim, ele é exagerado)! O game tem muita coisa para ser feita, eu mesmo nunca tive a paciência de fazer tudo.

Após terminar o game, é possível jogar com o Richter, mas é apenas um bônus já que dá para perceber que não foi feito para realmente fazer parte do jogo, mas é bem divertido e ele é muito poderoso. Mais forte que o Alucard. Esse game também saiu para o Sega Saturn onde dava para jogar com o Alucard, Richter e Maria. Tem partes do castelo novos como a prisão por exemplo e mais músicas. E essa versão foi portado também para o Castlevania: The Dracula X Chronicles do PSP que contém a história completa, já que tem o Castlevania X (versão original e a versão refeita em 2.5) e o SOTN. Os gráficos desse jogo impressionam não só em suas sprites e cenários, mas na arte do manual, do menu com os personagens, adoro esse tipo de mangá. E para mim possui uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos com certeza.

Eu joguei e terminei todos os outros MetroVanias que saíram depois de Symphony of the Night e nenhum deles conseguiu chegar perto deste em diversão, música, gráficos, tamanho, história e principalmente qualidade, e estamos falando de games que vieram até 10 anos depois! E Castlevania Symphony of the Night foi uma continuação direta de um dos melhores games clássicos da franquia, Akumajou Dracula X Chi no Rondo, conhecido também por Castlevania Rondo of Blood, para PC Engine CD, e está recheado de referências à série clássica. Sem dúvida nenhuma, é um dos 5 melhores games de Playstation, e tenho dito!

Fim


Sobre TH

Contador de histórias apaixonado por games antigos, o cara não poupa palavras para descrever as suas aventuras gamísticas e os grandes jogos que fizeram parte da sua infância e adolescência. Não fale mau da CAPCOM perto dele!
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