RetroReview: Castlevania – Nes


Meu primeiro contato com Castlevania foi de inveja, muita inveja. Eram tempos difíceis, onde ainda não tinha uma locadora no meu bairro e eu dependia de uma mais afastada e meia boca. Em um triste final de semana, fui até essa locadora e não tinha nada para alugar que prestava, nada mesmo, tipo só aqueles games para Atari como Donkey Kong ou Popeye e eu preferia passar o fim de semana inteiro desenhando fases de Mega Man do que jogar aquilo. E para piorar, saindo da locadora eu encontro meu primo voltando do mercado, e ele todo sorridente me falando que tinha alugado o Castlevania…. A inveja tomou conta de mim.


Então ele começou a me contar como era o game, que começava dentro do castelo, onde aparecem zumbis saindo do chão, panteras correndo e que você, jogando com um caçador de vampiros, deve enfrentá-los usando um chicote que possui power-ups e também armas como facas, machados e água benta, e que o primeiro inimigo é um Morcego Gigante… Meu Deus do céu! Sério? E eu tenho que escolher entre Donkey Kong ou Popeye, duas drogas de Atari? Eu já estava piscando e contorcendo minhas mãos, mas ele continuou.

Na segunda fase vem cavaleiros com lanças, cabeças de medusa voadoras, e o inimigo é a própria Medusa! Ok, aqui eu já estava passando mal de verdade. Entendam que era bem o início da vida do Nes para nós, era o início das locadoras, a gente estava acostumado com os games mais “simpáticos” vamos dizer, e de repente ouvir sobre um game de um caçador de vampiros usando água benta e um chicote para enfrentar zumbis, morcegos gigantes e a própria Medusa! Isso era demais, uma temática incrível!

Minha sorte é que até então, meu primo anida não tinha conseguido passar da Medusa, ou eu teria chegado a ter uma convulsão de inveja ou algo assim. Mas voltei para casa, e passei a imaginar aquele game. Como era possível aquilo? Como será que se parecia a Medusa, como era usada a água benta ou o machado? Era um universo incrível de possibilidades. E olha que uma coisa ele não tinha me falado, muito menos eu poderia imaginar: as músicas… Ainda bem…

Mas felizmente a Smart Video veio me salvar duas semanas depois! Lá eu, na primeira semana, já aluguei a tão sonhada Tartarugas Ninjas como eu já contei, Double Dragon II, Contra, Ninja Gaiden 2, Mega Man 3 e muitos outros. Não dependia mais daquela locadora meia boca da System Video. Agora era só amanhecer no sábado na frente da Smart antes dela abrir e escolher o game. E um dia apareceu o Castlevania! Pior que nesse dia tinha outro moleque lá esperando a Smart abrir, mas eu vi a fita primeiro, apontei o dedo primeiro para o cartucho, passei meu código de carteirinha e assinei! Morra de inveja seu moleque babaca! Morram de Inveja mortais!

Em casa, coloquei o cartucho no meu Bit System e pela primeira vez, vi aquela tela de início com aquele nome escrito de forma tão linda em seu majestoso símbolo enquanto um morcego bate asas. E ao apertar Start, ouvi pela primeira vez a clássica música de introdução de fase (que vocês devem estar cantarolando agora) enquanto o caçador de vampiros caminha em direção a entrada do castelo com sua clássica caminhada manca, marca registrada dos Belmonts.

E o que falar de quado o jogo começa? Com aquela música, que está entre as mais clássicas músicas da história dos video games, a famosa Vampire Killer! Se eu já estava animado só com o que tinha ouvido do meu primo, imagina então descobrir que até o que ele não falou era muito bom! E como bom jogador de video game, lógico que logo percebi que dava para quebrar as fogueiras com o chicote e de lá caiam upgrades que deixavam meu chicote maior e mais forte, e também corações, que até então achei que me davam energia.

Finalmente entrei no castelo, com aquele barulhinho clássico de quando você chega na porta do castelo e o caçador de vampiros, que eu só fui conhecer pelo nome de Simon Belmont muito tempo depois, começa a andar sozinho, e então os tão imaginados zumbis saíram do chão assim como meu primo disse, vieram atrás de mim e facilmente foram destruídos pelo meu chicote, assim como as panteras, espreitando nas escadas. Ao tomar o primeiro golpe de uma delas por ainda não saber o seu padrão de ataque, percebi que a energia era bastante similar a do Ninja Gaiden 2, onde estranhamente a energia do inimigo aparece desde o começo da fase, coisa que até hoje me incomoda em ambos os jogos. Mas o que achava mais estranho era o fato de pegar coração e não me encher a energia…

Depois vi que tinha uma parte no HUD reservada para os corações e que eles não eram responsáveis por encher a energia, só faltava agora descobrir para o que servia. E foi quando achei a faquinha, e como já tinha jogado Ninja Gaiden, e apertar os dois botões juntos não soltou a faquinha, então logo o comando seria para cima e o botão de ataque… Bons tempos, dá vontade de chorar ao lembrar dessas simplicidades, desse aprendizado intuitivo que os games proporcionavam. Aí tudo ficou claro, usar os itens gasta coração, agora faltava saber o que então recuperava energia.

Pois bem, estranhamente lembro que foi logo na minha primeira jogada que achei o famoso frango de parede. Ao tentar acertar um maldito morcego (ainda não conhecia a cabeça de medusa, então o morcego eu já achava maldito, o que me faz pensar o quão inocente eu era), eu acidentalmente acertei a parede daquela parte clássica logo antes de descer a escada e ir para a parte da água. Então caiu um frango e ao pegar minha energia foi recuperada. Claro, o game quis ser realista, um frango para recuperar energia, eu nunca tinha visto isso em um game e acho que foi a primeira vez que usaram comida para dar energia. O frango é muito importante nesse game, pois é bem escaço e portanto deve-se sempre memorizar o lugar quando achar um. E é por isso que todo mundo que joga sai dando chicotada nas paredes, quem não conhece o game e ver isso, vai achar que a pessoa está com algum problema…

Se é que faz sentido coração representar energia de arma, talvez represente a estamina do Belmont para usar a arma ou talvez o amor do Belmont pela arma… vishi, que viajem, como era boa aquela época, onde a gente não questionava nada e tudo fazia sentido ou não precisava fazer, o que é melhor ainda.

E falando em escada, mais um elemento clássico Belmont é como eles sobem escadas: ao colocar para cima ele “entra” na escada e aí não é possível pular, e se a caminhada dele já é mancando, a subida e descida da escada então é pior ainda, e dependendo do inimigo que vier enquanto você sobre uma escada, é dano (ou morte) na certa, pois fica muito difícil acertar qualquer coisa com o chicote.

Depois da parte clássica da água onde vem os inimigos peixe pulando do rio e atirando fogo, parte essa replicada em vários outros games da franquia, como Symphony of The Night e Dracula XSimon sobe uma escada e aparece do outro lado do local onde o frango de parede foi encontrado, do lado da escada que o Belmont desceu, e eu sempre adorei essa parte, pois isso não se repete em mais nenhuma outro local do game, e talvez por isso tenha se tornado clássica.

Então destruindo uma lamparina, o Machado caiu no chão e eu imediatamente o troquei pela faquinha, e alguns passos mancos a frente, logo percebi o por que desta arma ter aparecido: era a hora de enfrentar o tão imaginado Morcego Gigante, com aquela música clássica e repetitiva de chefe de fase. O machado é uma arma que é arremessada para cima, e felizmente com ele (ou sem agora) foi fácil derrotá-lo, e pela primeira vez testemunhei mais um aspecto clássico de Castlevania: ao derrotar o inimigo um orbe cai dele, e ao pegá-lo começa aquela coisa clássica da era 8/16 bits, onde o tempo, energia, etc é convertido em pontos.

Um outro item que peguei foi um símbolo com o número 2 em algarismo romano, não fazia ideia do que fazia e só descobri depois de velho, na fase da emulação, e não foi porque li alguém explicando, e sim porque vi um pdf do manual, o que mostra o quanto um manual fazia a diferença naquela época. Nós não tínhamos internet, e quando alugávamos jogos, os manuais não vinham junto, e descobrir na raça o que esse simbolo fazia era muito difícil associar. Esse item permite que o Belmont lance duas armas especias por vez e não uma só como é o normal, e mais para frente existe o número 3 também, o que agora não preciso de uma manual para associar o que faz.

Antes de passar de fase, é apresentado uma cena muito clássica, onde um mapa do Castelo muito bem retratado aparece e Simon cruza a tela com sua famosa andada manca, cena tão clássica que é representada até no Castlevania Lords of Shadow!

A segunda fase começa com outra música épica, e ao invés de Zumbi, aquele cavaleiro com lança tão imaginado por mim estava lá logo de cara e pela primeira vez tive que dar mais de um golpe para matar um inimigo comum. Estava percebendo que o negócio ficava difícil rapidamente, mas eu não fazia ideia ainda, não até encontrá-las, as cabeças de medusa. Lá estava eu pela primeira vez frente a frente com um dos inimigos mais desgraçados de todos os tempos da história dos video games. Eu sinceramente não sei responder o que é pior, o diabinho safado do Ghosts ‘n Goblin, ou a maldita cabeça de medusa

Veja só, o diabinho safado é mais difícil e como eu já disse no RetroReview Gosths ‘n Goblins, ele parece que lê nossos pensamentos antes mesmo da gente apertar o botão, além de tirar um barato de nossa cara, mas é possível derrotá-lo, ou seja matar o desgraçado e pronto, tomando cuidado ele não volta mais por muito tempo. Agora as cabeças de Medusa não adianta matar pois elas continuam reaparecendo dos cantos da tela e podem vir de qualquer direção naquele maldito padrão zigue-zague, e dependendo da parte que elas vem dá o desespero de soltar o controle e desistir antes mesmo de tentar.

E eu ainda estava na parte em que elas vem junto com os cavaleiros mas sem muitos buracos, e já estava achando um inferno. Não, o inferno era mais pra frente, quando cheguei na parte em que é necessário dar uma volta indo por baixo andando para direita, subir uma escada e então ir para a esquerda, e o caminho de baixo feito de plataformas e grandes buracos, e a parte de cima com plataformas giratórias que, quando Simon pula em cima, rodam e o fazem cair: aqui sim era a casa do capeta, pois durante todo esse maldito caminho dos infernos a gente é perseguido pelas malditas cabeças de medusa vindo das duas direções!

Foi aí que eu senti pela primeira vez o peso, a dificuldade que o pulo Belmont nos proporciona. Um pulo sem volta. Pulou com o Belmont, se vira, pois não é mais possível controlá-lo com o direcional, se pulou reto, o personagem sobe e desce e pronto, seco, e se pulou para frente ele vai para frente até encostar no chão novamente, na mesma altura, na mesma velocidade, no mesmo ângulo, e essa regra vale para qualquer tipo de pulo: de lugar baixo, de lugar alto, de lugar em movimento, torto… o que torna essas partes dez vezes mais difíceis, ou mais. O pulo Belmont é tão ruim que se não tiver buraco e nem inimigo na tela, mesmo assim você não pula com medo de morrer…

Outro elemento Belmont é como eles (sim, eles, pois são vários os Belmonts mancos) sofrem dano: o herói dá um pulinho para trás soltando um pequeno gemido, uma coisa muito realista e legal de se ver, mas que acaba deixando qualquer parte com buracos e inimigos de deixar o coração na boca, pois se algum inimigo encostar no Belmont e ele estiver na beirada de uma plataforma ou no meio do maldito pulo Belmont, é buraco na certa. Então ficar com mãos suadas e o coração batendo forte nessas partes é a coisa mais normal em um Castlevania.

O negócio é decorar o padrão inicial e não errar, errou, o padrão acaba e você está perdido. Tem que ter paciência, habilidade e destreza, coisas que já não precisamos mais ter para jogar os games de hoje em dia, a não ser paciência para aguentar horas e horas seguidas de cada merda…

Bom, já falei demais sobre isso e eu nem tinha visto ainda a famosa fase do relógio do Castlevania III… Santa ingenuidade.

Finalmente passei a parte das Medusas, passei também os pilares que esmagam e matam só de encostar, o que a primeira vez que acontece logo após você passar com tanto sacrifício as medusas e tomar um Game Over na cara e voltar tudo não era nada fácil de superar. Mas então cheguei na tão imaginada Medusa e com a água benta! Tinha imaginado essa batalha milhares de vezes. Assim como o morcego, ela não é muito difícil se você estiver com a arma certa, como no caso dela, é a água benta, que ao cair no chão e explodir a paralisa e fica dando bastante dano enquanto o Belmont ainda fica livre para chicotear, mas sem a água benta ela não é tão fácil quanto o morcego, pois ela fica voando fora de alcance e jogando cobras no chão que as vezes ficam impossíveis de pular.

Depois de mais um orbe e bastante plipliplim clássico, mais uma fase e uma música épica. Uma fase que nem imaginava, pois meu primo não tinha chegado nela ainda quando me contou, então daqui para frente seria tudo novidade.

E logo no começo dessa fase já fui apresentado a outro inimigo desgraçado, o maldito gremillin, que fica pulando feito um fdp, muito rápido e pequeno, muito difícil de acertar, e que se não tomar cuidado pode tirar sua vida inteira sozinho. Hoje eu sei que ele é na verdade a representação de Igor, o corcunda do Frankstein, mas como eu odeio esse pequeno fdp! Mas felizmente só vem um e logo no começo e depois fui apresentado a outro inimigo clássico, as caveiras que jogam ossos, e que felizmente são suicidas. Só dão trabalho em partes com escadas, principalmente as em zigue-zague, pois o Belmont fica tão devagar e mancando nas escadas que se deixar uma caveira dessas vivas antes de subir, elas podem acabar com sua vida. O problema maior é a fase em si, cheia de buracos e o maior problema de todos, o inimigo final.

Aqui o chefe é a múmia, ou melhor, as múmias. Que ficam atirando o que parecem ser ataduras voadoras, e foi aqui que fui vencido da primeira vez que aluguei Castlevania. E eu não poderia estar mais feliz, pois imaginar o game que meu primo tinha me contado e depois ir além daquilo e ver que a qualidade e a temática ainda não mudara, vindo mais um inimigo clássico como a múmia e mais uma música épica, era de ficar muito animado, e morria de vontade de ver as outras fases e seus inimigos. Então o jeito era passar mais uma semana imaginando Castlevania e o que me aguardava mais a frente, eu sabia que tinha o Drácula e que eu jogava com um caçador de vampiros, pois eu tinha a Revista Video Game do Castlevania 3, então só imaginava como poderia ser o vampirão, quantas fases ainda faltavam. Coisas que a gente fica pensando na escola ao invés de prestar atenção nos professores.

Então é lógico que aluguei mais vezes esse incrível jogo, e dessa vez meu primo estava na minha casa junto com minha prima e pela primeira vez o fator Facebook de hoje apareceu para mim. Enquanto eu jogava e progredia no jogo, meus primos e meu irmão começaram a jogar Stop… Sim, Stop. Enquanto eu estava enfrentando a horda do inferno de Drácula e salvando o mundo, eles ficavam escolhendo temas e palavras com a letra X para aquele jogo idiota e gritando Stop…

E nesse processo eu finalmente derrotei as múmias, soquei o ar, gritei de emoção, eles pararam na hora para ver a nova fase que então apareceria pela primeira vez para todos nós. Toma essa, Stop estúpido! A fase começa de modo muito diferente, onde o Belmont cai em um abismo no que parece ser uma espécie de prisão. Logo a temática fica cada vez mais interessante, onde um esqueleto de Dragão preso a uma parede cospe fogo em direção ao Belmont, e aguenta muitas chicotas antes de morrer e deixar vários corações.

Um enorme buraco com uma plataforma flutuante que vem da esquerda para direita aparece, e apesar de não ser nada de outro mundo, com o pulo Belmont até a plataforma fica difícil de pular em cima, e adicionando morcegos desgraçados vindo para cima em um pequeno mas suficiente zigui-zague, a tarefa já fica bastante complicada. Mas a parte mais difícil foi quando ao subir uma enorme escada e chegar ao que parece ser o topo de um telhado (pois o céu é muito bem retratado), uma enorme ave aparece dos cantos da tela e joga aqueles malditos gremlins, sim aqueles mesmos que eu falei que um só já era suficiente para tirar toda sua vida. Então imagina o inferno que é essa parte quando a tela fica infestada dessa porcaria de bicho!

Depois de morrer umas 289 vezes nessa parte e já estar espumando pela boca e falando os palavrões que me eram permitido falar naquela época perto da família, meus primos e meu irmão já tinham voltado para o Stop. E agora vou explicar o fator FaceBook: isso é mais ou menos o que acontece hoje, quando você está jogando alguma coisa, e seus amigos, irmãos, etc. estão do lado com a droga do celular olhando o maldito face. E pior, já naquela época eu era o errado, pois não estava me socializando… Minha mãe vinha toda brava para eu para de jogar video game e ir brincar com eles… Meu Deus, já naquela época, tinha essa de largar videogame e ir socializar, não dá para acreditar.

E não adiantava falar para minha mãe que eu estava tentando matar o Drácula por que ela não iria dar bola, até hoje ela não liga… Quando falei que terminei o Battletoads no ano passado ela nem ligou… Nenhuma mãe liga na verdade…

Além disso, senti como se tivessem perdido a fé em mim. Mas eu ia mostrar a eles!

Peguei a manha daquela parte infernal, e passei a matar os gremlins desgraçados assim que eles tocavam o chão. Tem que ter muita paciência aqui, pois o caminho é longo e eu tinha a esperança que talvez o inimigo fosse fácil para compensar a fase extremamente cumprida. Mas não, o inimigo é o monstro de Frankestein, ou simplesmente Frankestein como eu e todos deviam e devem ainda chamar. Ele não é difícil, o problema é que ele vem com seu mascote no seu ombro, um maldito Gremmlin que logo começa a saltar igual um FDP sem padrão nenhum na tela e acaba por tirar sua vida inteira.

Foram mais 126 vidas para finalmente passar a fase toda, não perder a água benta e finalmente derrotar o Frankstein, pois morrer nele tendo três vidas era o mesmo que morrer tendo uma, pois se perder a arma, esquece, na chicotada fica difícil demais derrotar o maldito. Mais um soco no ar, mais uma grande vitória, e não foi porque eu tinha conseguido escrever mais nomes de comida com a letra D, e sim porque eu tinha derrotado caveiras de dragões, atravessado um lago envenenado desviando de morcegos vampiros, passado por um telhado infestado de malditos Gremmlins, e no final, vencido o maldito mostro de Frankestein!

E então cheguei na fase que é o meu algoz até hoje, a fase de blocos azuis, caveiras vermelhas que não morrem e se levantam depois de um tempo, com caixões espalhados, ossos e esqueletos inteiros pendurados por todos os cantos, mas ao mesmo tempo um cenário com estilo e quadros enormes e muito bem ornamentada, tudo isso para representar a entidade que representa o fim, a Morte.

E realmente representou o fim para mim.

Tudo no cenário é para nos lembrar que estamos em seu domínio, não só o cenário, mas como os inimigos são meticulosamente colocados de forma a até um simples caveira dar uma enorme dor de cabeça. As caveiras vermelhas que não morrem junto com as caveiras que atiram ossos dão um trabalho incrível, mas que não se compara ao trabalho que o novo inimigo que começa a aparecer na metade da fase dá: os malditos cavaleiros com escudo e machado.

Lembro como fiquei feliz quando os vi, afinal ver inimigos muito bem desenhados e com essa temática era muito bom, era esse tipo de coisa que fazia a gente continuar jogando os games de Nes. Mas logo a felicidade virou pesadelo.

Eles não são apenas fortes, onde são necessárias várias chicotadas para derrotá-los, mas são uns grandes fdps! Eles mantêm uma distancia segura do Simon enquanto atiram seus machados que podem vir por cima ou por baixo. Quando você começa a persegui-los, o nervoso é tanto que só de lembrar eu mordo os dentes.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar, depois de muito sacrifício, você alcança a parte onde junto deles começam a vir as filha de uma puta das cabeças de Medusa!!!! Aqui você perde as esperanças em Cristo.

Se você não chegar aqui com uma arma como a água benta ou pelo menos a Cruz, esquece, solta o controle e entrega ao Drácula. Com o chicote é impossível, pelo menos não naquela época, pois ao morrer era começo de fase, era enfrentar todos os Cavaleiros novamente, os perseguindo, enquanto ele recua e Gremilins pulam em todo o cenário, subir aquele zigue e zague de escadas malditos tudo de novo, e com certeza isso era motivo de chorar. Eu chorei muito de raiva nessa parte, gritei, torci o controle na esperança dele quebrar, sim, o Castelo de Drácula tinha quebrado minha alma.

Mas ainda faltava me matar. E quem melhor para a tarefa que a própria Morte!?! Sim, em uma das milhares de tentativas, cheguei no inimigo da fase. E a minha alegria em ver mais um inimigo dessa temática maravilhosa, e com certeza a mais legal de todas já representada foi incrível. Todos pararam de jogar aquele jogo idiota – se bem que nem lembrava mais que eles estavam ali na sala – para ver a Morte.

Mas não foi por muito tempo, e a morte veio rápido para mim. Simplesmente não tive a menor chance contra ela. Pois a Morte fica voando fora de alcance e invocando foices de onde a maldita e filha de uma puta quiser e que vem atrás de mim não importa onde o desgraçado do Belmont esteja. Muitas vezes são quatro foices na tela e você ainda precisa desviar das investidas da Morte e tentar golpeá-la. Chega a ser ridículo.

E o pior é que, esse tipo de coisa, como ver que o inimigo é a Morte, acabam recuperando nossa vontade de continuar tentando!

Talvez os planos do Drácula tenham saído pela culatra! Então voltei a tentar, e comecei a chegar com mais frequência na Morte, até descobrir que a arma perfeita para ela é água benta pois a paralisa, o que me faz pensar que é a melhor arma do jogo disparado, mas infelizmente, eu sempre chegava com pouca vida nela, pois o maldito cavaleiro do Machado e as cabeças de Medusa que vinham antes da Morte acabavam me tirando quase a vida toda. Firmeza é o Dr. Wily, que nos respeita e coloca uma portinha antes do inimigo…

Ou seja, Drácula estava só brincando um pouco mais comigo, ele sabia que eu não era o bastante para vencer a Morte, e até hoje é assim, nunca a venci. A minha última tentativa foi em Jundiaí no Encontro Mega Drive, jogando em um Nes, e foi lá que mais uma vez fui derrotado por ela.

Não cheguei na famosa fase do relógio, onde está enfestado daqueles malditos pássaros que jogam os fdps dos Gremmilins. Mas não antes de ter de passar por cinco primeiros inimigos em sequência, sim o Morcego Gigante. Com certeza tem que passar correndo nessa parte, pois tentar matar todos eles é insano.

E o mais triste, não cheguei na famosa escada para a sala do Dracula, escada essa que está presente em quase todos os Castlevanias, como em Symphony of the Night e até mesmo em Lords of Shadow, é uma paisagem linda. E por último não cheguei na sala do Drácula, onde reside o seu caixão aberto com grandes janelas. E não enfrentei o Drácula e seu famoso  padrão de teleporte e ataque com três bolas de fogo que dizem ser mais difícil que a Morte e que sinceramente eu não consigo imaginar, mesmo ele tendo a sua famosa transformação em monstro.

Mas fico muito feliz por ter chegado tão longe, pois o game é realmente muito difícil, seja pelo level designer, seja pelos atributos Belmonts. Não é um game para qualquer um, mas sua temática é muito chamativa, e comparado com o Ghosts’n Goblins do Nes e até mesmo do Arcade, ganha de lavada em todos os aspectos, menos na dificuldade onde por incrível que pareça, o game da Capcom consegue ser mais difícil ainda. Suas músicas são lindas, todas são clássicas e ganham remixes até hoje em jogos da franquia Castlevania e por fãs. Os gráficos não são tão bons, mas passam a atmosfera que o jogo quer e como foi um dos primeiros games do console e o primeiro game da franquia, acabou sofrendo nesse aspecto, o que foi perfeitamente melhorado no excelente Castlevania III: Dracula’s Curse!

E marquem minhas palavras, um dia eu vencerei a Morte!

Fim


Sobre TH

Contador de histórias apaixonado por games antigos, o cara não poupa palavras para descrever as suas aventuras gamísticas e os grandes jogos que fizeram parte da sua infância e adolescência. Não fale mau da CAPCOM perto dele!
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