RetroReview: Alex Kidd in Miracle World


Muito antes que um certo ouriço azul chamado Sonic nascesse em 1991, a SEGA já possuía sua própria mascote que, na opinião da crítica da época, era até melhor que o tal do Mario. Mas como o nintendinho foi um sucesso incrível, a pequena mascote da SEGA não vingou como desejado assim como o Master System, que virou mania apenas aqui no nosso pequeno país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, e em alguns paises do velho continente, a Europa. Mesmo diante desse fato, Alex Kidd in Miracle World foi uma das verdadeiras obras-primas do sistema 8 bits da SEGA.

Miracle World foi lançado em 1986 em formato cartucho, mas depois de seu sucesso e de algumas revisões, ele foi lançado na memória do sistema, ou seja, vinha embutido no console sem necessidade de inserção de um cartucho no melhor estilo ligue e jogue. Aqui no Brasil ele vinha junto com o Master System 2 até Sonic ocupar seu posto de mascote oficial em meados de 1992/1993. As diferenças entre a versão em cartucho e a versão da memória estão nas trocas dos comandos do botão 1 e 2, e na tela do mapa das fases Alex aparece comendo um hambúrguer ao invés do original bolinho de arroz, mudança quase que imperceptível para aqueles que não se atentam a estes detalhes, e monstruosa para quem é purista.

A história do jogo é bem elaborada para um jogo de plataforma. Claro que ela não é apresentada claramente no jogo. Na verdade, se você nem tomará conhecimento do enredo do jogo emquanto se aventura. Eu mesmo só tive a oportunidade de conhecer a história do jogo graças ao manual do mesmo, que conta exatamente assim:

Setecentos anos atrás, no planeta Aries, um garoto conhecido por Alex Kidd vivia na Montanha Eternal. Após Alex ter treinado a técnica conhecida por shellcore (a qual permite que a pessoa quebre rochas com os próprios punhos), Janken o Grande, capturou o príncipe Egle e sua noiva, a princesa Lora, para que pudesse dominar o reino de Radaxian após o desaparecimento do rei Sander.

Um dia Alex se deparou com um homem que estava morrendo que lhe contou sobre o grande perigo que Radaxian corria. Durante a viagem, Alex é informado de que faz parte da família real de Radaxian. Alex então sai em uma aventura para salvar seu irmão Egle, derrotar Janken e descobrir o paradeiro de seu pai, o rei Sander.”

A dificuldade do jogo é algo que chama a atenção. O jogo possui um nível de dificuldade impressionante, especialmente quando jogado por uma criança, que foi o meu caso na época. Diferente do que acontece com os heróis nos jogos populares de plataforma da época como os do encanador bigogudo da Nintendo ou até mesmo os do Sonic, Alex não tinha segunda chance, um esbarrão errado e a morte era certa. O que era possível pra amenizar essa dificuldade toda era garantir alguma vida extra, coisa um pouco escassa no jogo.

O que deixava o jogo difícil também, principalmente para as primeiras partidas, eram os perigos que estavam guardados dentro de alguns blocos de pedra, depois de algumas jogadas você já grava quais blocos não devem ser destruídos e assim evita uma morte prematura. Fora isso o jogo era “fácil”, saiba desviar dos inimigos e acerte-os na hora certa e assim você não irá se transformar num fantasminha voando para o céu.

A jogabilidade é bastante interessante, diferente dos demais mascotes já citados, Alex não pula em cima dos inimigos para derrota-los. Ao invés disso, ele precisa dar socos certeiros neles, que viram pó ou imediatamente, ou após alguns golpes. Você joga de diversas maneiras com o Alex. A padrão é a comum a todos os jogos de plataforma: ande, pule e soque. Também existem algumas fases aquáticas onde está uma das coisas mais interessantes que já vi em um jogo com uma fase aquática, que é o ato de boiar! Já parou para pensar que na maioria dos games com fazes aquáticas, o herói afunda quando não o controlamos? Aqui,  se você deixar de nadar e largar o controle, o personagem irá começar a subir pra superfície, como a lei da física funciona em nosso universo.

A outra maneira de se jogar Miracle World que está além da jobalididade normal e aquática, está no manuseio de veículos que você compra com o dinheiro encontrado nos blocos de pedra. Com a moto é possível atravessar as fases de uma maneira mais rápida, além de que Alex torna-se invencível para os inimigos que estiverem na sua frente, pois a motocicleta quebra os blocos de pedra e atropela os safados. O único problema é que a moto fica desgovernada e não é possível voltar, então é preciso prestar atenção para não cair nos vãos e coletar o máximo de itens que for possível. Também existe uma lancha, que funciona da mesma forma da moto, só que óbviamente na água, e finalmente o veículo que é uma espécie de girocóptero. Esse veículo, que parece mais uma invenção de Leonardo DaVinci, é usado pra planar em uma das fases. Nesse veículo mais uma vez vimos como a física do jogo é boa.

Apesar de ser bem linear, o jogo possui um mapa do mundo miraculoso. Não é possível, diferente de alguns jogos, escolher qual caminho você quer seguir na aventura, o mapa esta apenas para ajudar na narratória do jogo, mostrando que Alex esta cada vez mais perto de seu destino final. Miracle World é mais um daqueles casos de jogos que você só desfruta totalmente dele com um manual ao lado pois só assim é possível saber o nome de todas as 11 localidades do mapa.

Falando nas localidades, as fases são muito interessantes. A começar com a primeira que, diferente de qualquer jogo da época – que segue no eixo horizontal com início na esquerda e termino na direita – começa no alto de uma montanha, o monte Eternal, e vai descendo até entrar no fundo de um rio até a segunda fase, ou seja, ela até a metade é no eixo vertical e depois muda para o eixo horizontal. É nesse ponto aonde se encaixa o que eu disse a pouco, onde só é possível tirar total proveito da narrativa dele com o manual, pois a etapa corrente se encaixa na etapa seguinte brilhantemente, e eu prezo muito esse aspecto de aprofundamento no jogo.

Nem todas as fases possuem chefes, na verdade apenas 3 fases possuem (sem contar com o chefe final). E a forma que os derrotamos é algo único e que jamais se repetiu na história dos games. Para ganhar dos três chefes é preciso vencê-los no famoso “pedra, papel e tesoura” no clássico melhor de três. Era pura sorte, pois só é possível prever o que o chefe irá usar é se você coletar um item, que se parece com uma esfera do dragão de Dragon Ball, que se encontra na fase da caverna. Cada um desses três chefes possui um design bastante curioso com cabeças no formato das mãos do jankenpo ou seja, um tem cabeça de pedra, outro de papel e outro de tesoura. Não sei afirmar se esta forma de matar os chefes foi uma tentativa de minimizar a violência do jogo, tornando-o acessível até as pequenas crianças, ou foi pura inspiração da SEGA… Prefiro acreditar na segunda opção.

Além desses três, ainda existe o chefe final, o grande Janken. Diferente dos três anteriores, Janken é derrotado na porrada mesmo, com bastante sacrifício, pois para chegar até a sua sala é preciso derrotar novamente os três chefes no pedra, papel e tesoura. E assim que você derrota Janken você resgata a princesa e…. não, não termina o jogo, pois ainda é preciso salvar os radaxianos e para isso, a princesa envia Alex Kidd até a última fase, a menor e mais difícil de todas.

Muitas pessoas não conseguiram terminar o jogo por conta dessa última fase. Eu mesmo fui um dos que precisou recorrer as revistas de games da época (não me recordo agora se foi na Ação Games, na Gamers ou na Super Game Power que eu vi isso). O que acontece nessa fase final é que Alex entra numa gruta, e dentro dela existe uma espécie de código que, quando ativado, irá liberar o item que termina o jogo e salva a população do planeta. O problema é que em parte alguma do jogo é possível encontrar a sequência  que é preciso fazer.

O gráfico do jogo é muito bonito, colorido e divertido. Apesar disso o cenário por vezes se repete, dando a sensação de que você retornou para alguma etapa anterior mesmo as fases se encaixando tão bem. O mapa mundi ajuda bastante nesse aspecto, pois sem ele você iria sentir que o jogo não progride. A única diferença nas fases são os castelos, que possuem gráficos igualmente interessantes, contudo o jogo é dominado por cenários estilo planície. Os inimigos também são bem repetitivos, como a águia, o escorpião, sapo e alguns outros poucos.

Apesar de não existirem muitas músicas, a música principal do jogo é daquelas que grudam na sua cabeça, vai te fazer ficar assobiando por um bom tempo até você conseguir esquecer. Adoro ela, me pego cantarolando-a até hoje, mesmo quando fico muito tempo sem jogar. Mas mesmo assim, o jogo poderia possuir mais trilhas.

Alex Kidd in Miracle World é um jogo um pouco limitado, com cenários e músicas repetitivas. O enredo é muito interessante, mas não é bem contado no jogo e só tendo um manual do lado para se aprofundar na história. Porém, o game possui um sistema muito criativo de batalha contra chefes além de uma física bem interessante. É um verdadeiro clássico que deixa saudade em todos os amantes do Master System que anseiam por um novo jogo do pequeno garoto cabeçudo. Hoje é possível curtir o Alex apenas em jogos como SEGA All-Stars Tennis e SEGA All-Stars Racing, para a geração atual de consoles, e antes de finalmente terminar esse RetroReview, deixo abaixo duas imagens do modelo tridimensional usado nos jogos que falei. Depois de ver as imagens, veja se não dá uma vontade de tocar a campainha lá da SEGA e perguntar qual é a deles por não ter lançado ainda um plataforma 3D do grande Alex Kidd… Ó o Mario Galaxy lá… FUNCIONA SEGA, TENTE!!

Fim


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