RetroReview: After Burner (Master System)


Desde criança eu sempre tive três paixões: video games, dinossauros e aviões. E em relação ao último citado, sempre fui maravilhado por belos caças americanos como o F-14, F-15, B-2, F-22, e o clássico soviético Mig-29. Desde que tenho meu primeiro computador, em meados do final da década de 90, eu sempre fui adepto dos simuladores de caças que eram vendidos aos montes em lojas de games e até em bancas de jornal. Mas os jogos de avião para mim começaram bem antes, lá no final da década de 80 e início de 90, com um jogo estilo arcade que me fascina até hoje, After Burner.

After Burner foi lançado em 1987 em formato de arcade. Era uma máquina tão estilosa que eu ainda sonho em um dia poder jogá-la, com manche e assento que se moviam conforme suas manobras. Logo após o grande sucesso que o jogo obteve nos fliperamas mundiais, o jogo acabou sendo portado para os consoles caseiros da época, e dentre eles, estava o Master System.

O nome do jogo se baseia na palavra afterburner , que significa pós combustão, e é uma técnica utilizada por pilotos para decolar de pistas e espaços pequenos, como porta aviões (que é o caso do jogo) já em alta velocidade. A bordo de um caça F-14, o objetivo do jogo é bastante simples: destrua tudo que aparecer a sua frente. O jogo não possui uma história, você começa o game em porta-aviões chamado SEGA Enterprise, e depois de um lindo “GET READY!” narrado, sua missão começa, e através de 18 estágios, você terá que enfrentar aviões, helicópteros e caças que chegam a tentar até mesmo ataques kamikazes contra você.

A jogabilidade é bem interessante. Numa perspectiva bem diferente dos shmups clássicos, o jogador tem uma visão traseira que cria uma tridimensionalidade que para mim era algo bem inovador para o Master.

Nota do Sabat, o invasor: o nome desse estilo de jogo é On Rail Shooter, uma subdivisão dos Shmups que engloba os games de tiro aéreo que possuem visão de trás da nave ou de dentro do cockpit, onde invariavelmente nos dirigimos para o fundo da tela. Maiores informações sobre o estilo estão presentes no Retro Especial Chuva de Tiros no Mega Drive!

O problema que se cria é que o controle básico do Master não ajuda muito, e eis que esse escritor só conseguiu chegar ao final do jogo com o controle manche que a Tec Toy lançou a parte.

A dificuldade do jogo também chama a atenção. Você tem três vidas, e para perdê-las, basta levar um tiro para cada uma delas! Sim amigos retroaventureiros, apenas um tiro e você é abatido. Tenho para mim uma teoria de que a dificuldade é por conta do jogo ser original dos arcades, ou seja, ele é feito para comer fichas e mais fichas, e no port para o console mantiveram a dificuldade. Divagações a parte, é um jogo complicado e que te ajuda muito pouco a chegar no final, mas como eu mesmo já provei, terminar After Burner não é algo impossível.

Graficamente este não é um jogo top de linha, principalmente se levarmos em conta que seu lançamento no Master System se deu bem longe do fim do ciclo de vida do console, mas mesmo assim é legal. O F-14 que pilotamos é bem feito, os inimigos tem uma boa variedade, e cada um possui uma nitidez bem interessante desde quando estão longe, no horizonte até quando estão praticamente em cima de nós. O que me incomoda é o hud do jogo (as informações que são mostradas na tela) que é muito básico, com um navegador muito simplesinho no canto alto direito da tela que não te ajuda em nada. Ele também não te mostra quantas vidas ainda restam ou sua pontuação atual, e para verificar isso, é preciso passar de fase.

Por falar nas fases do jogo, elas possuem dificuldade crescente e são compostas de cenários bem variados, desde o oceano até os campos de neve. Depois de alguns estágios você é reabastecido em pleno ar, e no meio do jogo existe um reabastecimento em terra.

Um dos pontos que mais me agrada em After Burner é a trilha sonora, mesmo apesar das músicas durarem ininterruptamente até a próxima faixa estourar na caixa de som. Um ponto em que me agradou muito e me fez lembrar de quando era pequeno e jogava muito esse jogo é a fala do início do jogo, o famoso “get ready!”. A qualidade daquele som para o 8 bits da SEGA é muito bom!

After Burner é um clássico dos arcades. Sua versão de Master System é difícil, requer habilidade mas não é o tipo de jogo que vai te fazer lançar o controle contra a parede mais próxima. Com gráficos simples e músicas contagiantes que interagem muito bem com a ação do jogo, o título mostra que podem-se passar 10, 15 ou 20 anos que esse jogo não envelhecerá, ele consegue fazer você ficar vidrado na televisão. E quanto ao final desse jogo? Bom, sobre isso não irei falar nada! Que vocês retroaventureiros desbravem esse jogo por conta própria e sintam a sensação de dever cumprido no final.

Fim


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