RetroEspecial Estratégia: Final Fantasy Tactics Advance


É isso aí pessoal, retornando após um booom tempo sem postar para o especial de estratégia, pois neste tempo um monte de coisas aconteceu, indo de uma troca de internet, de ganhar um XBOX 360 e da morte do meu cachorro (adeus Rush espero que possa descansar depois de 12 anos ao meu lado), e agora arrumei um tempo (e uma boa net) para postar a segunda parte desse especial! E antes de começar, vou dar uma dica (beeem fácil) sobre a próxima parte: é um jogo onde o objetivo é mandar soldados pra morte criar um exército bem grande para atacar os adversários. Pronto. Falei. Descubram se puderem (ou se não passaram os últimos  anos presos numa caverna sem acesso à internet).

Um Final Fantasy sem exploração. Sem encontros aleatórios. Um jogo que vai mais pro lado do raciocínio que  de andar aleatoriamente e conversar até com pedras para saber que se precisa de uma chave em outro lugar aleatório do velho espírito “Final Fantasista”. Anos atrás, isso era garantia de desastre. Afinal, existem séries tão clássicas e tradicionais que metade dos fãs reclamam de qualquer mudança, enquanto outros imploram por inovações. Se a adição de uma arma ou mecânica de jogo já deixa os conservadores nervosos, mudar totalmente o estilo de jogo os mataria do coração (como por exemplo, o jogo considerado supremo,  Zelda Ocarina of Time, poderia ter sido um FPS, mas os fãs matariam o tal do Shigeru Miyamoto). Porém, não se pode esquecer-se de quem fez essa adaptação: a Square Enix (na época SquareSoft). E assim se concretizou Final Fantasy Tactics, para PS One. O jogo era de uma qualidade incrível, mesmo que a  complexidade de um jogo tático não agradasse a todos, e os gráficos isométricos em 2D foram considerados um retrocesso em relação aos lindos gráficos em 3d (principalmente por FF IX, que é para mim um dos jogos mais lindos existentes, perdendo no meu gosto pessoal apenas para Wind Waker, que também é um jogo lindo). Mas mesmo assim, Square  persistiu, criando uma sequência para GBA (e outra pra DS, que é uma porcaria). É sobre ela que vamos falar.

O roteiro do jogo é o mais fantasioso possível, e combina bastante com a série Final Fantasy, parecendo ao mesmo tempo diferente e tradicional. O personagem principal, Marche (que é renomeável), é um garoto comum, que se muda para a cidade de St. Ivalice (para quem não sabe, St. significa Saint, ou São, então seria cidade de São Ivalice), e participa em uma guerra de bolas de neve, que serve como tutorial do sistema complexo de batalha do jogo. Nesta guerra de bolas de neve, todos do time adversário atacam Mewt (não é um pokémon), um garoto que é considerado “criancinha” pelos outros garotos. A guerra continua, até que um dos garotos atira uma pedra na cabeça de Mewt (a vontade de gritar “HeadShot” é grande), e a partida para. Após umas conversinhas (que existem em abundância no jogo, que afinal é um Final Fantasy), Mewt leva um livro pra sua casa, um livro cheio de coisas de macumba estranhas, ilustrações muito loucas, além de o livro ser animado em .avi, pois o que você lê é um vídeo! Enfim, depois de todo mundo ir dormir, o mundo inteiro se transforma no jogo de Final Fantasy (ê coisa boa), e Marche é teleportado para uma cidade: é onde a primeira batalha do jogo começa pra valer. Após muitas missões e conversas, você descobre que alguns dos seus amigos foram transportados para isso  também, mas nenhum deles quer sair deste mundo muito legal. Marche, como todo herói zé-ruela, quer acabar com esse mundo tão legal pra voltar pro mundo dele, a realidade onde ele não tem pai e cuida do irmão menor. E dizem as lendas que cristais de energia suportam esse mundo, então Marche decide destruí-los.

Esse roteiro é apenas pano de fundo para as batalhas do jogo. O sistema é bem complexo, mas em comparação, ele te aproxima mais dos personagens do seu clã.  No jogo, existem 5 raças: humanos, moogles, Nu Mous (um tipo de sábios orelhudos), vieiras (garotas rápidas com orelhas de coelho e nada a ver com a playboy) e os bangaa (que são lagartos humanóides voltados ao combate corpo-a-corpo). Essas raças tem jobs (que são as classes) diferentes e exclusivas, podendo trocá-las a qualquer hora. Ou seja, se você quiser, pode trocar um Paladino por um Mago Negro quando quiser, equilibrando assim seu personagem. Mesmo sendo útil, esse sistema acaba por deixar o jogo meio vago, sendo seus aliados apenas ferramentas.

E por falar nos aliados, no jogo você faz parte de um clã, que contém o seu personagem principal, Montblanc (o seu amigo moogle), e alguns outros que serão basicamente tudo o que vai precisar na sua jornada. Você pode evoluir o rank do seu clã basicamente cumprindo as missões. Estas se dividem em missões de batalha, missões de “dispatch” e de batalhas com outros clãs. As de batalha são as principais do jogo, onde você tem que ir numa área, batalhar com o inimigo, ganhar e ir embora. As missões de batalha com outros clãs são a mesma coisa, mas seu inimigo fica passeando pelo mapa principal. As de “dispatch” (não se preocupe, não tem relação com “dispatch” de macumba) são as que você envia um membro do seu clã por um tempo determinado, e ele volta podendo ter sucesso ou não na missão. E sim, a piada com “dispatch” foi bem ruim, desculpe.

Mesmo parecendo confuso falando dessa forma, fica melhor quando você joga mesmo. Falando a verdade, esse é um jogo bem difícil de explicar, ainda mais pelo seu sistema de batalha. A única coisa que se assemelha aos jogos clássicos da série talvez seja o sistema de AP (em que armas e armaduras ensinam habilidades enquanto você as usa, e depois que os pontos de AP daquele equipamento são preenchidos, você aprende a habilidade para sempre. As habilidades se dividem em A-abilities (habilidades de ação que você executa, podendo gastar MP ou não), R-abilities, que são habilidades que se executam sozinha quando alguma coisa acontece (como você sofrer um ataque ou ficar com pouca vida),S-abilities, que são ativas o tempo todo e geralmente dão um bônus ao seu personagem, como resistência ou ataque maior, e por fim, as C-abilities, que são combos que você pode usar com seus amigos próximos, gerando ataques de grande dano.

O sistema de combate do jogo é o que dá a alma do negócio, e sem ele FFTA seria somente mais um experimento errado. Um sistema simples (como por exemplo, pessoas que atacam por trás terem mais chance de acertar o golpe), porém bem feito e intuitivo. O jogo começa bem básico, com habilidades fraquinhas. Mas logo depois, você estará convocando tornados, copiando habilidades de monstros, atirando nos inimigos de longe com de armas de fogo (só para uma classe, isso é Final Fantasy, não Advance Wars) e mais. O jogo tem um sistema bem apelativo, pois como as classes são livres, você fica livre para fazer o que quiser, inclusive apelar brutalmente. Por exemplo, a classe Ninja tem uma habilidade apelativa chamada “Double Sword”, que permite você usar duas armas ao mesmo tempo, atacando com as duas sem sofrer penalidades. Se você dominar essa habilidade depois de 999 pontos de AP (para ter uma idéia, cada batalha dá, em média, 50 pontos de AP), você pode usa o Double Sword com outras classes. E o paladino tem uma certa arma chamada Excalibur 2, uma versão melhorada da Excalibur. Aí depois disso é só acertar seus inimigos com poderosos ataques de até 999 de dano (o inimigo com mais vida tem cerca de 500 de HP). E para se somar a toda essa apelação, habilidades em geral não gastam MP. Isso mesmo, você pode dar um soco a 5 metros, conjurar uma espada gigante com um tiro de arco e colocar inimigos para dormir sem gastar pontos de MP.

Mas quem pensa que o jogo vai ser fácil com toda essa apelação tem de se lembrar que o inimigo também apela, pois ele também pode te dar um soco a 5 metros sem gastar MP. Só que se você estiver familiarizado com o jogo, poderá facilmente destruir seus oponentes (recomendo a tática de roubar o arco do arqueiro inimigo, deixando ele apenas com socos). Para falar das desvantagens do jogo eu citaria isso: a baixa dificuldade resultante da AI juvenil dos inimigos (até mesmo a batalha final do jogo pode ser “batida” em duas ou três tentativas) e a falta de um modo de batalha multiplayer. O game até possui sistema de comunicação com o GBA de outros jogadores,  mas mesmo que um amigo seu com outro GBA conecte-se com o seu (ou emulando dois VBA Links ao mesmo tempo), você pode apenas trocar itens com ele. Isso acaba com o multiplayer do jogo, e contribuiu para FFTA acabar no esquecimento.

Porém, mesmo com esses defeitos, o jogo ainda tem coisas de sobra para merecer a compra (ou o download da rom). Sua trilha sonora, por exemplo, está no nível dos jogos da série principal. Mas como são repetidos demais durante o game, de vez em quando é melhor deixar o jogo no mudo e escutar uma música no MP3. Mesmo assim, o som é da mais alta qualidade, desde os barulhos das armas até as magias (nota para as magias de gelo, principalmente Blizzaga, que tem um efeito de som bem bacana). O visual do jogo é mais desenhado e infantil, mas as animações de magia e de ataque são belíssimas e não forçam o hardware, gerando assim batalhas limpas e sem queda dos FPS. O jogo também tem um ajuste de cores no menu principal, que ajuda bastante quem joga no emulador ou no Dingoo, sendo possível a configuração bem efetiva dos tons da tela.

Enfim, mesmo com a baixa dificuldade, o tema infantil, e a falta de um modo multiplayer decente, ainda assim, seja pelo seu sistema de batalha, seja pelos gráficos, ou somente pelo fato de a Square Enix ter conseguido transformar sua série de sucesso em um jogo tático de alta qualidade, Final Fantasy Tactics Advance vale a pena de ser jogado, mesmo que você não faça as 600 horas de meu velho cartucho surrado desta obra-prima do GBA.

Fim

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  • Jef

    Belo review! Até deu vontade de pegar pra jogar de novo.
    Eu comprei esse jogo de segunda mão, joguei um pouco e enchi o saco rápidinho, pra falar a verdade. Concordo com tudo o que você falou aí e até hoje não sei o porquê de eu não ter simpatizado com o jogo tanto quanto deveria, de acordo com os meus gostos. Mais tarde comprei aquele Onimusha Tactics (de GBA também) que tem um sistema bastante parecido (apesar de não ter nem 1/3 da complexidade) e joguei mais que o FFTA… acho que, talvez, a liberdade do Final Fantasy é que não me caiu bem.
    Mas adorei o especial, e acho até que vou tirar a poeira do cartuchinho e tentar mais uma vez. Afinal de contas, eu adoro jogos de estratégia (Fire Emblem e Warcraft são duas das minhas séries favoritas) e FFTA não deveria ter sido rejeitado tão cedo… vamos rever isso aí.

    • Anônimo

      FFTA acabou no esquecimento por ser um jogo curto e sem modo multiplayer. A versão de DS tentou consertar isso, mas não conseguiu.

      (Fire Emblem e Warcraft? Acho que você vai gostar da última parte do especial…)

      • Solo Player

        E claro… Esqueci de comentar… Multiplayer DE VERDADE é tudo…

        xGRSx = Autor GRS ?!? (Mesma pessoa né?)

        • Anônimo

          Sim, devidos a problemas de cadastro (outro cidadão já usava GRS) acabei com esse nick.

          • TH

            Oi GRS, o nome que aparece aqui não precisa ser necessariamente o do Login, tb não consegui criar um com o login TH, mas entrei em editar cadastro ou algo assim e alterei o nome de exibição. Tenta aí…

  • Solo Player

    Tá de parabens pelo review sincero e pela exposição dos defeitos do jogo, mesmo com isso é um bom jogo e vale a pena você jogar…

    Claro, o Final Fantasy Tactics Original é muito melhor. Tem detalhes no Tactics Advance que incomoda, por exemplo, os contra ataques só funcionam contra ataques normais tipo espadada… Um arqueiro atira no outro não acontece nada, enquanto que no Tactics Original o arqueiro contra atacava outro arqueiro…

    Outro detalhes também, golpes que anulam armas, tipo o inimigo tem BLOQUEAR ARCO e do seu time só sobrou o Arqueiro de Pé, você perdeu, o Arqueiro não causa dano…

    Tem muito enfeite no jogo, as classes serem divididas em raças complicou, aqueles lances de restrição de ataques ficou estranho também…

    A inovação é boa, o jogo é um pouco diferente, faltou o básico… Todos os personagens com todas as classes, lutas sem restrição, evade não garantido entre outros…

    Mas joguem, é diferente, é legal, é bom… Quem não jogou o Tactics Original não vai sentir tanto o impacto…

    • Anônimo

      Naturalmente o de GBA tinha que ter alguns atributos a menos, mas o que mais incomoda mesmo é o filho da mãe do Juiz. Eu quase morria de raiva quando não sabia usar os cartões, e ele me proibia de atacar monstros. E quando todos os inimigos eram monstros!!!

    • Anônimo

      Naturalmente o de GBA tinha que ter alguns atributos a menos, mas o que mais incomoda mesmo é o filho da mãe do Juiz. Eu quase morria de raiva quando não sabia usar os cartões, e ele me proibia de atacar monstros. E quando todos os inimigos eram monstros!!!

  • Po, nunca joguei o tactics original, vo ter testar esse aí, pois o uníco jogo com “tactics” no titulo que joguei foi onimusha tactics xD
    Ótimo review!

    • Anônimo

      Onimusha Tactics é bom mas é curto e simples. Para GBA os melhores são FFTAdvance e… um outro aí.

  • kleber

    Só joguei um pouco essa versão do GBA mas a do psx eu detonei de cabo a rabo e fiz os secretos nele e peguei as melhores armas do jogo viu sinto falta de jogos assim para ps2 .

    • Anônimo

      Pra PS2 eu não conheço nenhum. Na verdade, esse estilo, com o tempo, acabou ficando mais para os portáteis.

  • TH

    Gostei do Review, mas não gostei do jogo, como vc mesmo disse e eu vou aumentar, não chega aos pés da versão psx…E se esse tem 85% no retroScore, então a primeira versão deveria ter 999%, rs é q eu sou muito fão da versão psx mesmo, não esquenta…
    Meus sinceros sentimentos ao Rush.

    • Anônimo

      Valeu cara. Dei 85% porque na verdade ele conseguiu transportar grande parte das funções do de PSX para uma plataforma de baixa capacidade, e é muito melhor que a versão de DS, que acaba por ser bem pior.

  • Tai um joguinho que não consigo gostar, não curti esse lance de raças que no fundo só serve para confundir. Também não gostei daquele lance de juiz, pra que isso? E principalmente não gostei da história do jogo que é infantil demais.
    Sou bem mais a versão PSX, que joguei a ponto de extrapolar o limite das 99 horas e terminei usando todos meus personagens como Knight, usando double sword, e teleportation (apelação pouca é bobagem).

    • Anônimo

      Bom, FFTA foi eficiente em transportar um jogaço do PSX para o pobre GBA, então já podemos fazer um pouco de vista grossa em relação à isso^^.
      Agora Knight com double sword e teleportation seria basicamente o mesquo que Paladin com Doble Sword (sendo as duas espadas Excalibur 2), e usando Fairy Shoes???

  • Eu nunca cheguei perto do FFT de PSX, mas esse FFTA de GBA, pra mim marcou. Até hoje me pergunto como isso pode ser considerado um mero spin off por vários fãs, sendo que eu amo FFTA!

    Até andei jogando esses dias mesmo pra não perder a prática, é um jogaço (:

    • Anônimo

      Bom… é um spin Off por que não é da franquia clássica.
      Sendo bem sincero (e se abaixando para evitar as pedradas), acho que depois do IX, nenhum FF da franquia clássica prestou.