Retro Review: The King of Dragons – SNES


retro-review-the-king-of-dragons-retroplayers-sabat

Tá bem perceptível né? Ultimamente venho tendo muita, mas muita vontade de jogar Beat ‘n Ups, e está sendo um atrás do outro. A vibe já rendeu os reviews de The Avengers e The Punisher, ambos para o Megão, e pra variar um pouco e sair da categoria “Heróis Marvel” (não que eu queira, quase comecei Spider Man Maximum Carnage), resolvi partir pra porradaria medieval, que sem duvida, é cheia de ótimos representantes no console rival da época, o SNES.

E confesso que The King of Dragons não era o game que eu estava procurando… Eu estava atrás mesmo era do magnífico Knights of the Round e acabei confundindo tudo na hora de escolher a rom no Super Ufo… Mas foi só ver o negócio rodando que instantaneamente me veio a recordação de quando joguei este outro bom título da Capcom, bem diferente por sinal do jogo dos Cavaleiros da Távola Redonda, e resolvi então ir até o final dele. O bom foi que não me decepcionei.

Capa da versão americana

Sabemos que na época, a regra geral era clara: “a versão que eu vou jogar em casa sempre será muito mais feia que a do fliperama”, e os desenvolvedores seguiam isso à risca, alguns até se superavam e faziam ports tão ruins que era melhor que eles nem existissem. Só que The King of the Dragons já surpreende logo de cara pela proximidade que o game caseiro tem para com a sua versão original: em matéria de Beat ‘n Up, este foi um dos ports de arcade mais fiéis que eu vi pintar naquela geração. Graficamente é claro que a versão do arcade continua bem  mais bonita, mais detalhada e com mais cores, mas ainda assim, com o jogo rolando, ambos são quase idênticos. Houveram suaves alterações nos cenários e nas sprites de monstros e personagens, sendo a diferença mais notável o tamanho ligeiramente reduzido destas sprites no port. Algumas animações foram cortadas ou simplificadas, como por exemplo, os sacos de dinheiro que ficaram mais feios, o efeito de Level Up que sumiu, e a chuva de tesouros durante o ataque do inimigo final, e jogadores da versão arcade também sentirão falta dos duendes que, quando acertados, deixam cair orbs. No demais, falta uma coisinha aqui, outra ali que muita gente nem nota, e nenhuma dessas diferenças visuais citadas é suficiente para fazer com que estes games pareçam muito diferentes.

A esquerda, a versão SNES, e a direita, a mesma etapa no arcade

Mas por que essa qualidade toda nesse port? Milagre da Capcom? Não caro amigo retroaventureiro, é que a tarefa estava meio mastigada mesmo, não foi nada muito trabalhoso portar The King of the Dragons para o SNES. O jogo original foi lançado para arcades em 1991, época em que o 16 bits da Nintendo ainda engatinhava e recebia ports bem toscos como a conversão infame de Final Fight, que veio sem multiplayer, sem Guy, e todo picotado, e talvez por medo de lançar outra tralha devido a falta de experiência em programar para o console, a Capcom tenha optado por não portar The King of Dragons naquele momento.  O jogo só chegou ao SNES em 1994, com a empresa bem mais familiarizada com o console, e portando um game com visual e mecânica de quase 4 anos atrás, mamão com açúcar!

Esse Dragão reaparece umas 4 vezes durante o jogoAssim, acabamos tendo um belo port no SNES, com direito a multiplayer para duas pessoas (eram 3 no arcade), boa jogabilidade e dificuldade moderada. Os 5 personagens obviamente foram mantidos, e eles não são meras cópias uns dos outros: temos um elfo arqueiro e um mago, escolhas óbvias para aqueles que não apreciam o corpo a corpo, um Fighter, que podemos entender como sendo o Espadachim da turma, um Clérigo munido de uma maça, e por final, um Anão com seu manjado machado, todos tendo velocidade, ataques e magias diferentes. A jogabilidade é simples e não conta com golpes sequenciais, agarrões e demais peripécias: apenas nos movemos pela tela e atacamos com um único tipo de golpe, que pode ser executado no chão ou pulando, mas este ataque vai evoluindo durante a aventura juntamente de nosso personagem, e este é um dos grandes atrativos do game. Sim, The king of the Dragons tem um sisteminha de experiência que possibilita evoluir o personagem, o que vai mudando não só a aparência da arma e da armadura, mas também o HP, o poder de defesa, e a força, forma e alcance dos ataques. Assim, jogar com o Mago, por exemplo, pode de início parecer um negócio ruim, pois ele é lento, tem o pior HP da turma, e seus ataques mágicos tem um alcance bem mequetrefe, mas com poucas evoluções ele deixa de ser um inútil e perto do fim, já é quase um Gandalf.

Selecione seu guerreiro (faltou uma amazona) Meu predileto: o Mago Implacável

O jogo se passa no Reino de Malus, que fora invadido por um exército de monstros dos mais variados tipos a mando de Gildiss, o Dragão Vermelho, que é o sujeito que os heróis devem detonar. Para chegar até ele, o jogador deverá percorrer 16 curtas etapas, quase todas elas com um chefe no final que pode ser algum tipo de dragão ou criatura mítica, como um Minotauro ou Ciclope. E quando eu digo curtas, eu quero dizer curtas MESMO, tipo 1/10 do tamanho de uma fase qualquer de um Beat em Up normal! Algumas delas são tão curtas que mal chegamos a “trocar” de tela e o chefe já aparece, e se não fossem as dezenas de meliantes que vão aparecendo um atrás do outro para impedir nosso avanço, elas durariam uns 5 ou 6 segundos para serem atravessadas. Como não é o que acontece e acabamos perdendo bastante tempo para dizimar certos inimigos, o jogo acaba tendo uma duração razoável, sem contar que a dificuldade crescente complica bastante a jornada.

O dragão finalThe King of Dragons é daquele tipo de jogo em que você vai avançando, avançando, avançando, e nunca chega no fim! Tem horas que você pensa “não tem mais pra onde ir nesse mapa” só que tem! É tanto que quando finalmente vencemos o inimigo final, a gente fica meio receoso de que vai aparecer mais alguma etapa ainda pela frente antes dos créditos subirem pela tela, que é quando realmente acreditamos que o jogo acabou. Só que aí é hora de jogar com outro personagem, pois a jogabilidade com cada um deles se torna tão diferente à medida que os heróis evoluem que logo parece que estamos jogando outro game. Eu mesmo comecei jogando com o Arqueiro, travei em um chefe e resolvi trocar para o Mago. Terminei o jogo e voltei a jogar com o Arqueiro, terminando também com ele. Só não continuei com os outros personagens por pura falta de tempo.

retro-review-the-king-of-dragons-retroplayers-sabat.scoreFoi muito bom ter esbarrado novamente com este game, tantos anos já haviam se passado que eu já nem me lembrava mais que ele existia. Melhor ainda foi me certificar de que ele continua tão simples e divertido quanto na época dos 16 bits. Mas mais melhor de bom da conta ainda foi encontrar a Yashichi no meio do jogo, aí a nostalgia brotou pelos olhos! Não, a Yashichi não é uma personagem japinha desconhecida que estava perdida em algum porão da Capcom não: trata-se apenas de um símbolo que, um dia, num passado a muito esquecido, simplesmente representou a empresa, e estava presente em quase todos os seus jogos.

Geralmente ela proporcionava invencibilidade temporária ou fazia tudo na tela explodir, aqui em The King of Dragons ela garante uma vidinha muito bem vinda para o personagem… Uma não, três! Achei três delas no decorrer da aventura, e é possível que existam mais. Encontrar uma Yashichi antigamente era como encontrar a assinatura da Capcom no jogo, a gente sabia então de onde a coisa vinha e tinha certeza de que qualidade ali não iria faltar de jeito algum. Hoje ainda é possível ver o símbolo em alguns games da empresa, é só procurar bem, mas é uma pena que pouca gente saiba do que se trata aquele cata-vento estilizado, e também, que nem todos os games dela sejam bons como na época de The King of the Dragons. É, realmente é uma pena!

Ant1 de 8Prox

medium_1_screenshot

 

Tela de título do game

Ant1 de 8Prox

Sobre Sabat

Dono, Chefe, Gerente, Cara da Xérox e Tia do Café do RetroPlayers! Meu negócio? Falar sobre games. Como? Escrevendo meus trabalhos, gravando minha voz horrível, ou filmando minhas humildes proezas! Onde? Aqui, ali, ou onde quer que me chamem!
Adicionar a favoritos link permanente.