Retro Review: Strider


Eu nunca fui visitante assídio dos “fliperamas”, sempre preferi o conforto de minha casa. Mas como se sabe, nem tudo o que víamos nos arcades podia ser jogado em nossos humildes consoles, não é mesmo? Por isso, vez ou outra agente tinha de abrir exceções, apostando algumas fichinhas em algumas daquelas maravilhosas máquinas da diversão eletrônica. Strider foi um dos grandes ícones da indústria e um dos títulos que poucas vezes me atrevi a jogar nos arcades e, mais tarde, em minha casa.

O início dos anos 90 foi mágico. Enquanto as coisas ferviam nos fliperamas da vida, Sega e Nintendo travavam a conhecida e nostálgica disputa pela preferência dos maníacos por games. E uma das coisas que chamava bastante atenção naquela época ocorria quando um console recebia conversões de sucessos dos arcades, que sempre foram referência quanto a gráficos, som e jogabilidade. A Sega foi uma das produtoras que mais investiu em conversões, e boa parte de suas produções foram portadas para o Mega Drive e até para o Master System. Hits como Altered Beast e Golden Axe, por exemplo, serão sempre lembrados pela geração 16 bits, e fazem parte do grande arsenal de clássicos destes consoles.

Em se tratando de Strider, praticamente todos os PCs e consoles da época foram beneficiados. A Tiertex produziu versões para os computadores Amiga, Amstrad CPC, Atari ST, Commodore 64, DOS, e ZX Spectrum. A Capcom foi responsável pelas versões de arcadeNES, e X68000. Nos consoles da Sega, foi a própria empresa quem os desenvolveu.

O último port de Strider veio para o PC Engine, lançado apenas em 1994, pelas mãos da NEC Avenue. O game esteve em desenvolvimento desde 1990 e a produtora ficou em dúvida se devia ou não lançá-lo, já que as vendas do console eram baixíssimas, por conta de seu alto preço. Apesar do atraso esta versão chegou trazendo melhorias significativas, e o destaque ficou por conta do áudio, onde mais uma vez a mídia em CD fez a diferença. As músicas foram todas retrabalhadas e são indiscutivelmente as melhores dentre todas as versões. Além disso, foram adicionadas apresentação e cutscenes narradas durante o game inteiro. Um level extra foi acrescentado aos originais e você pode escolher se quer ou não jogá-lo, indo até as opções do game. Apesar dos esforços com este port, graficamente ele é inferior ao de Mega Drive, por exemplo. Faltou competência da produtora já que, normalmente o console da NEC é quem levava a melhor na maioria dos comparativos.

Como era de se esperar, a versão movida a fichas continuou sendo melhor que as demais. Mas isso não fez muita diferença para alguns de nós. Quem é que não queria ter um grande clássico como este rodando dentro de casa? E nesse quesito os proprietários do X68000 foram (e ainda são) os maiores beneficiados. Devido a seu hardware poderoso, este belo computador da Sharp recebeu as melhores versões de diversos títulos e, com Strider não foi diferente. Já a versão para NES é a única na qual tentaram seguir o roteiro original do mangá. Por esta razão o resultado ficou bem diferente dos demais e, apesar de não ser tão popular, é considerado um bom game para o console.

O Strider

A galera mais nova provavelmente só veio a conhecer Hiryu através dos Crossovers de luta, como Marvel vs. Capcom, por exemplo, onde o ninja é um dos lutadores selecionáveis. Mas o herói apareceu pela primeira vez em 1988, como protagonista de um mangá, lançado exclusivamente no Japão. Alguns meses após a publicação, Strider Hiryu deu as caras nos arcades e logo em seguida protagonizou um game para “Nintendinho”. Os demais consoles receberiam Strider nos anos seguintes.

Hiryu é um jovem de aproximadamente 20 anos de idade e faz parte da elite dos Striders, uma organização especial e secreta formada por agentes de combate altamente qualificados, responsável por manter a paz na terra.

A estória presente nos games passou por algumas adaptações e é citada com pequenas diferenças a cada port lançado. As informações mais relevantes são aquelas encontradas nas versões para Arcade e Mega Drive, que são o foco deste review.

Em Strider os acontecimentos se dão no ano 2048. Fugindo um pouco do roteiro original do mangá, Hiryu foi contratado por uma organização rebelde, com a missão de destruir um poderoso ditador alienígena chamado Meio Grandmaster. Intencionado a dominar o mundo, o vilão obteve o controle das forças militares de nosso planeta, escravizando todos os sobreviventes de seus ataques.

No “Fliper”

Este ótimo título de ação side-scrolling, chamou bastante a atenção quando foi lançado, chegando a ser cogitado a game do ano pela mídia especializada. Além do notável avanço gráfico, seu diferencial fica por conta da jogabilidade frenética e das habilidades de seu personagem. Hiryu pode executar longos pulos acrobáticos, correr (em certos pontos), escalar ou se pendurar em tudo quanto é lugar, além de executar uma bela e longa rasteira que, além de servir como fuga, também tem efeito letal contra alguns inimigos. Sua arma principal é chamada Cypheruma espécie de espada de plasma, tão rápida quanto um piscar de olhos. É tão mortífera que mal se pode ver o que sobra dos inimigos atingidos por ela. A facilidade em aniquilar uma grande leva de bandidos ao mesmo tempo é uma das coisas mais empolgantes neste clássico, sendo possível executar muitos golpes em sequência de acordo com a velocidade que se pressiona o botão de ataque, e também é possível atacar enquanto o herói está em movimento, seja em terra ou não. Hiryu ainda conta com alguns powerUps que podem aumentar a barra de life ou o alcance do plasma, outros lhe dão invencibilidade temporária ou colocam alguns androids na sua companhia, que lhe ajudarão a acabar com os inimigos.

 Na selva Amazônica.

 

A parte sonora não é absolutamente primorosa, mas o game utiliza várias frases com vozes digitalizadas, mostrando a ousadia dos produtores desta versão original. Os chefes de fase, apesar de relativamente fáceis em sua maioria, ocupam bastante espaço na tela, e isso também contribuía para a euforia da “molecada”. Por se passar no futuro, o layout das fases não são os mais comuns que você já viu, e em certos pontos o terreno é bem acidentado, onde normalmente acontecem aquelas famosas corridinhas rumo abaixo. E por falar nisso, me lembrei de um detalhe que alguns devem detestar em Strider: o pulo acrobático de Hiryu, que é lindo de se ver, mas não tem volta. Uma vez executado, não há controle sobre ele, ou seja, se você pular e não conseguir se agarrar em algum lugar, reze para que exista chão abaixo de você. Dói ver o Game Over assim, mas isso só será problema para os iniciantes. A extensão do pulo de Hiryu é tão grande que logo se aprende a tirar vantagem disso.

O game é composto por 5 fases apenas, o que é um pecado em Strider. Uma das etapas se passa na Floresta Amazônica, onde os inimigos são somente mulheres e dinossauros (viajaram legal esses programadores). Outras fases se passam no Cazaquistão e Sibéria. Há limite de tempo e os inimigos não lhe dão trégua, lhe obrigando a avançar constantemente. Mas Hiryu é poderoso e seus adversários não são tão inteligentes como poderiam. Isso não quer dizer que o game seja sempre uma mamata. Infelizmente a jogabilidade é imprecisa, o que acaba dificultando bastante as coisas. Os cenários são curtos e cheios de armadilhas e é preciso calcular bem os seus movimentos. A última batalha se dá na Third Moon, estação espacial e refúgio de Grandmaster. Até chegar lá, muitos bandidos humanos e robôs serão despedaçados por você.

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Enquanto isso, lá em casa…

Com exceção do port para o X68000, foi o 16 bits da Sega quem recebeu a melhor e mais conhecida versão caseira de Strider. O game foi produzido pela própria Sega, que fez um excelente trabalho, como de praxe naquela época. Nada de extra fora acrescentado, exceto um final melhor elaborado. Em compensação, não houve tantas perdas gráficas se comparada aos arcades e a jogabilidade é até melhor. Pode-se dizer que foram os 8MB de cartucho mais bem aproveitados até então, e ver Strider rodando no Mega Drive era muito gratificante!

 

Na época de seu sucesso eu não possuía o cartucho, mas sempre aparecia algum amigo de jogatina com aquela encantadora sacolinha de locadora. E foi numa destas belas oportunidades que o ninja da Capcom veio me fazer uma visita, lá no longínquo 1992, se não me falha a memória. Eu me lembro que as revistas de games falavam muito bem do título e eu estava ali, com o dito cujo espetado em meu console.

Com certeza é no Mega Drive/Genesis que Hiryu possui a maior porcentagem de sua popularidade, e é onde certamente a maioria de nós viveu grandes experiências com Strider. Esta foi também a versão escolhida pela Nintendo, que trouxe o título para o Virtual Console do Wii.

 

 

Fiquei ali por um bom tempo, admirando os detalhes, ao passo que tentava chegar ao seu final. Apesar de reproduzir algumas falhas presentes no arcade, o game é mais estável de se jogar. E ainda que curto (como no arcade) e não apresentar grandes dificuldades, há quem jogue várias horas sem enjoar do negócio. É claro que tem quem não goste tanto do título, mas é um clássico dos arcades dentro de casa, ora bolas!

Felizmente ou não, as coisas precisam evoluir, não é mesmo? Aos poucos, Strider foi dando lugar a outros títulos mais amadurecidos que, além de utilizarem bem mais que 8 megas de memória, também são melhores em gráfico, som e jogabilidade. Sua marca, contudo, ficou registrada naquela época em que a Sega se destacava como uma das melhores empresas de games aos olhos da maioria.

Curiosidades:

-> Muito provavelmente, Strider foi o primeiro game de Mega Drive a utilizar 8 MB de memória;

-> Na versão de PC Engine, o sangue ao se cortar um inimigo foi censurado;

-> Nas versões japonesa de game, Hiryu grita quando ataca. O mesmo não ocorre na versão americana;

-> Strider II (em algarismo romano), é um game de 1990, produzido pela Tiertex e foi lançado apenas para PCs e consoles. A versão americana recebeu o nome de Journey from Darkness: Strider Returns. As versões de Mega, Master e Game Gear sofreram modificações àquelas presentes nos PCs e o protagonista se chama Hinjo ao invés de Hiryu;

-> Strider 2 (em arábico binário) é um game no estilo 2.5D, lançado em 1999 para arcade e em 2000 para o Playstation. Esta é considerada a sequência oficial do primeiro título. Sua estória acontece aproximadamente 2000 (dois mil) anos após os eventos do primeiro game, trazendo reencarnações do protagonista e antagonista;

-> Existe um game muito legal para arcade chamado Osman (Cannon Dancer no Japão) que lembra muito a Strider (e é até melhor). Provavelmente porque o seu diretor, Kouichi Yotsui, foi o mesmo de Strider nos arcades;

Bem, amigos Retro-aventureiros, este é o famoso Strider que muitos de nós aprendemos a gostar. Muito se fala na possibilidade da Capcom trazer um reboot da série, mas (até o momento desta edição) a empresa não fez qualquer pronunciamento oficial a respeito, o que seria ótimo para os fans de Strider Hiryu.

Agradecemos a você pela leitura. Agora conte pra gente o que você sabe sobre Hiryu e quais foram as suas experiências com Strider!

Fim


Sobre Jeff

O Jeff é veterano que começou a jogar games com um Bit System. Ele ama jogos 2D. Criterioso e saudosista, adora os jogos de Nintendinho. Atualmente sua plataforma principal é um PCgamer, Mas jogar é com ele, não importa se num console da Sega, Sony e assim vai!
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