Retro Review: RetroN 5


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Há um pouco mais de 1 ano, um grande amigo meu adquiriu um RetroN 5, ontem num lapso de criatividade pensei em escrever uma análise sobre o console no site. Liguei para esse meu amigo e perguntei se ele toparia trazer o videogame aqui em casa pra gente revisá-lo, e ele topou.

Confesso que quando anunciaram o console, achei uma ideia genial, pelo menos para mim traria uma solução de espaço, pois não precisaria ter 4 consoles no rack ligados à minha TV. As informações foram vazando e descobrimos que na verdade tudo não passava de um emulador de mesa e foi assim que meu hype desabou, por puro saudosismo em achá-lo genérico demais. Depois de lançado, meu camarada Larusso, leitor do RetroPlayers, adquiriu um e assim que joguei em sua casa perdi totalmente o preconceito. O RetroN 5 fazia muita coisa e ia além do emulador de mesa que imaginei.

Chegando por aqui, comecei a tirar fotos, conversar sobre o console e relembrando da minha primeira experiência.

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A plataforma solucionava com perfeição os problemas de jogar jogos antigos em TVs modernas (LCD/LED/Plasma), sua saída HDMI é a responsável pelo feito, enviando sinal em 720p e ainda assim garantindo um baixo tempo de resposta, que se não é perfeito, chega próximo aos dos consoles originais suportados. Além disso também podemos contar com vários filtros para aproximar a experiência ainda mais dos tempos das CRTs. Nas duas imagens abaixo podemos ver à esquerda a qualidade da imagem do RetroN 5 em uma TV digital através de uma conexão HDMI e ao lado o seu antecessor Retron 3, que utilizava conectores componentes, característicos de TVs analógicas.

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Os 5 slots de cartuchos conseguem reproduzir jogos de 10 consoles: NES, Famicom, SNES, Super Famicom, Mega Drive, Sega Genesis, Master System, Gameboy, Gameboy Color e Gameboy Advance. Dentre essas inúmeras oportunidades você ainda tem 2 maneiras de rodar seus jogos preferidos, através de cartuchos, ou ROMs via SD Card. No caso dessa segunda opção você necessitaria de uma fita qualquer inserida no slot da mesma plataforma da ROM, apenas para dar um boot. A Hyperkin não da suporte oficial para a jogatina via ROMs, porém, malandramente deixa todo terreno preparado para a emulação.

thumb_DSC03224_1024Se o input lag não era um problema de conexão de vídeo, passou a ser um empecilho no seu gamepad. Sim, a Hyperkin tentou dar um passo maior que a perna ao fazer um controle wireless, seu adaptador bluetooth não é de boa qualidade, tentei sem sucesso encontrar suas especificações técnicas, mas o fato é que o controle tem um tempo de resposta alto a ponto de incomodar. Para mim faria muito mais sentido colocar um fio, o que garantiria uma jogabilidade rápida e tenho certeza que não incomodaria o público alvo, já que a grande maioria jogou e ainda joga com fios atravessados pela sala. Devo ressaltar também que o gamepad é significativamente barulhento, TODOS os botões fazem som de mouse antigo (click, click, click…), inclusive os direcionais! Talvez utilizá-lo enquanto uma pessoa dorme não seja uma boa ideia. Todo esse drama do controle oficial pode ser facilmente resolvido utilizando as diversas entradas de gamepads de outros consoles.

Desde seu lançamento pra cá, a Hyperkin tem oferecido suporte ao sistema operacional do console, e com relativa frequência eles lançam atualizações novas de firmware, aumentando seu desempenho e capacidade.

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Coletado grandes informações e finalizando a teoria, fomos partir para a parte mais legal, a prática. Íamos jogar Super Mario Bros 3 no slot do NES, mas não funcionava de jeito algum, tiramos e colocamos várias vezes o cartucho, o OS do RetroN 5 iniciava, porém não executava o jogo, dizia que o cartucho era desconhecido. Necessitávamos de muito esforço tanto para tirar quanto para colocar as fitas, as tampas dos slots pressionavam a fita feito um alicate! Após várias tentativas, me sai um dente de metal de dentro do slot e aí vimos a gravidade do problema.

Tomei liberdade e responsabilidade de abrir o console para averiguar.

Para minha surpresa, existiam vários “dentes” desfalcando os slots, eles são responsáveis por fazer a conexão entre o console e os pinos do cartucho, sem isso nada funciona e para piorar, apenas a função Famicom e Gameboy/Color/Advance estavam em condições de operar, de resto estava tudo do jeito que vocês podem ver nas imagens abaixo:

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Tentamos de diversas formas consertar os slots, porém em vão. O console não ligou e não me deu oportunidade de fazer um review digno. Grande parte do que consegui escrever aqui se deve às minhas experiências anteriores a data, nada que impeça de chegarmos a uma conclusão.

Se antes era vendido oficialmente no Brasil pela Hiper Mega por R$ 699,90, hoje devido à alta do dólar, o preço foi reajustado pra R$ 899,90, valor um tanto alto para arcarmos com os riscos provenientes dos componentes de baixo custo do aparelho. E o que me conquistou pela genialidade de unificar consoles antigos podendo jogá-los com acessórios e cartuchos originais, hoje me frustra pela qualidade do produto.

O RetroN 5 não vale a pena! Mesmo sendo genial a ideia de jogarmos nossos jogos preferidos na melhor qualidade possível em TVs modernas sem muita configuração e esforço, eu não o recomendaria. E nem é tanto pelo dinheiro que o comprador iria desembolsar para tê-lo em sua casa, mas sim pela frustração que a Hyperkin pode proporcionar ao tratar nossa valiosa nostalgia como algo tão genérico quanto as peças do seu console. Não temos conhecimento técnico suficiente para dizer algo sobre placas e componentes eletrônicos que compõe o hardware inteiro, mas se a primeira impressão é a que vale, então podemos concluir que se quiseram economizar até em slots plásticos com contatos de metal, não foi no restante que fizeram a coisa bem feita e com componentes de primeira.

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Quando fomos contactados pela Hyperkin por volta de 2 anos atrás para testar o console, não quiseram nos mandar um: nós teríamos que ir até o Rio de Janeiro para fazer o teste e obviamente não poderíamos abrir o aparelho para ver a qualidade do material. Aguardaremos então novo contato  com uma possível retratação do ocorrido, e até que isso aconteça, não temos motivos para indicar o RetroN 5 aos nossos leitores. Melhor e mais seguro mesmo é ligar seu PC a uma TV via placa de vídeo e cabo HDMI, tanto por que hardware emulado por hardware emulado, preferimos o que “não quebra”.


Sobre guaxininja

Talvez seja o mais jovem do blog (mesmo nascendo em 89). Fã de plataforma, aventura e RPG, quando pequeno ganhou um NES com Super Mario Bros. 3 e depois disso nunca mais deixou de assoprar os cartuchos.
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