Retro Review: Metroid Zero Mission – GBA


Não fazia muito tempo que eu havia colocado minhas mãos calejadas em um game da franquia Metroid. Foi há alguns poucos anos, quando estava passando por um momento de provação pessoal no qual decidi terminar alguns games de NES que por um motivo ou outro, eram taxados de quase impossíveis. Joguei o primeiro The Legend of Zelda, Yo!Noid, e por final, Metroid, a primeira aventura de Samus Aran. Um jogo cru, com poucas músicas em sua composição e gráficos do início da vida do sistema, porém, um game tão impressionante quanto maravilhoso! Como era possível os japas da Nintendo pensarem em tanta coisa revolucionária em uma época de tecnologia tão limitada? A resposta é: genialidade. Me impressionei com um game de mais de 25 anos de idade, mais do que havia me impressionado ao jogar Metroid 3 (ou Super Metroid) na década de 90, e olha que este já havia representado uma experiência extremamente marcante em minha vida gamer!

E em se tratando de mercenárias loiras intergaláticas, estas eram até então as minhas duas únicas experiências bidimensionais no mundo dos games, e após partir então para o universo 3D da coisa, lado este que foi reproduzido de maneira espetacular pela Retro Studios no Game Cube, eu aceitei que nada mais em matéria de Metroid poderia me impressionar novamente. A escrita se manteve por um bom tempo, mas no final das contas, eu estava enganado: ela durou só até o momento em que eu pus as mãos em Metroid Zero Mission.

Não é segredo que este se trata de um remake do primeiro game da franquia, aquele mesmo que havia me proporcionado várias noites de insônia tentando vencer aquela Mother Brain semi-imortal naquela salinha irritante… ô joguinho difícil, tá louco! Sem mapa, salas de save escassas, morreu volta lá da casa do chapéu… Só que como todo bom remake, muita coisa foi atualizada neste novo jogo assim como várias outras foram adicionadas, e é justamente isso que me fisgou nessa reinvenção da primeira aventura da Samus.

Vamos entender assim: se foi um perreio lascado quase apelativo terminar Metroid, foi mamão com açúcar terminar Super Metroid, então posso dizer que em Metroid Zero Mission achei um meio termo! Como foi bem vindo o mapa nessa aventura… E como é bom não precisar mais ir até o fim do mundo para alternar entre os canhões de plasma e de gelo… E como é bom também poder atirar e travar a mira nas diagonais… Isso tudo dentre outras muitas mudanças que eu não chamo de melhorias, mas sim de atualizações em algo que já era maravilhoso. Sim, Metroid já era um MILAGRE lá na década de 80 quando foi lançado. Os poucos recursos que o jogo apresentava eram maravilhas tecnológicas para a época, é só considerar que na maioria avassaladora dos games plataforma de NES, imperava o jogo de fase simples onde o personagem não fazia mais que andar pra frente, atirar algo em alguém e pular, sendo que Metroid já apresentava armas distintas, upgrades, movimentos diversos, um nível de exploração altíssimo, mundos interligados… É por isso que eu defendo a idéia de que cada game deve ser avaliado de acordo com sua época, sem comparação de qualidade, pois o que hoje parece arcaico e feio pode ter sido algo adorado a níveis astronômicos no passado, ou mesmo revolucionário.

Zero Mission tem direito a animação de abertura, trilha sonora refeita, gráficos belíssimos, e isso tudo a gente percebe assim que começa a jogar. Obviamente a mecânica de jogo é a mesma de todo Metroid existente, 3D ou não: explore um ambiente alienígena cheio de monstros e upgrades escondidos em busca de passagens que possibilitem à heroína chegar até onde se encontra o objetivo de sua missão, que neste caso, é destruir a forma de vida biomecânica Mother Brain, ou pelo menos é isso até segunda ordem… E se fosse só isso, o game não seria mais que um repeteco maquiado do jogo de 1986, então a Nintendo tratou de adicionar uma tonelada de áreas novas a esta aventura e redesenhar boa parte das originais, o que garante uma experiência de jogo totalmente nova aos veteranos. O planeta Zebes nunca esteve tão bonito em sua imensidão grotesca de feia! Explicando melhor, o lugar se resume a um emaranhado gigante de cavernas claustrofóbicas horripilantes, só que a repaginação é tão bonita que explorar tais cavernas se torna um grande prazer. Todas as áreas clássicas do game original estão lá, só que nunca estiveram em tão boa forma, assim como as demais áreas novas que escondem surpresas muito bem vindas aos amantes da franquia.

A trilha sonora flui perfeita para cada uma das áreas do planeta, com arranjos atualizados das poucas músicas do jogo original somadas a um novo leque de composições excelentes que ficam ecoando em nossos ouvidos por muitas horas após termos parado de jogar. É um conjunto perfeito que engrandece e não nos deixa largar o game mesmo este possuindo um back tracking enorme: é coisa demais escondida para se achar, e a grande maioria delas não poderá ser pega da primeira vez que se passa pelo local, então é necessário voltar inúmeras vezes a cada uma das etapas atrás destes itens que sim, fazem muita diferença na hora do aperto.

Esses itens existem em Zero Mission numa quantidade muito maior do que no jogo de 86, e isso se deve graças à adição de novos poderes à Samus, como a Power Bomb e o Super Míssil, que só foram aparecer originalmente no game de SNES. Pegar todas as expansões é uma tarefa árdua e difícil, muito mais difícil do que terminar o game, pois alguns deles estão confinados em locais só acessíveis por meio de muito malabarismo e uso constante das habilidades da heroína.

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Felizmente, Metroid Zero Mission possui uma jogabilidade exemplar, e tudo responde do jeito que deveria responder, e até mesmo os movimentos herdados dos games mais novos, como aquela corrida super sônica que permite a Samus atravessar paredes e atingir locais estupidamente altos, funcionam direitinho e sem confusão nos poucos botões do consolezinho. Bem, é verdade que o jogador se confunde um pouco no começo, pois esta corrida agora tem outras funções acionadas com algumas sequências de comandos que o jogador acaba descobrindo e aprendendo a usar por pura necessidade, mas depois de algum treino, tudo se resolve! É o tipo de situação em que o jogador descobre que uma parede pode ser quebrada pelo movimento de corrida, mas esta parede está em um local onde definitivamente não tem como chegar lá correndo… Mas existe um meio, e é aí que está o grande tchan de Zero Mission: o design das áreas é simplesmente genial.

Tudo está interligado de um jeito que nenhum outro game da franquia havia explorado até então, nem os jogos 3D. É possível passar por locais inimagináveis, apertados, impossíveis à primeira vista até que o jogador descobre o que é necessário para que o feito se torne possível. Nenhum lugar com espaço suficiente para Samus correr até atingir a velocidade sônica está lá em vão: algum segredo tem escondido por ali, e descobri-lo logo acaba se tornando o grande barato do jogo. Sem ajuda, é praticamente impossível alguém achar tudo logo da primeira vez, e isso garante o fator replay, que ainda conta com finais diferentes de acordo com a performance do jogador. É aquele negócio legal pacas de Samus cada vez com menos armadura, coisa batida e que a gente adora!

Exploração à parte, posso dizer que no geral o game é mais fácil que o original. A começar pelo número de salas de save, rigorosamente maior e mais perto dos chefes, mas é nítido também que a jogabilidade mais apurada e rica de movimentos contribui muito para o óbito dos monstrinhos de Zebes, o que torna a exploração algo bem sossegado. Mas veja bem, só é sossegado contra os monstrinhos, pois na hora da briga o negócio engrossa: se o jogador veterano de Metroid acha que vai trombar aqueles Ridley e Kraid minúsculos do primeiro jogo, é bom se preparar então para um belo susto e para batalhas bem pesadas contra estes dois “gigantes”. Nessa hora é que faz diferença o número de Tanques de Energia…

Mother Brain é algo que dá trabalho… Esse cérebro E.T. consegue ser um chefe irritante de difícil por causa da piscina de ácido e daquele monte de canhões que ficam atirando incessantemente na gente nos fazendo cair dentro dela, mas ainda assim, é bem mais fácil que no original: jogabilidade mais travada, menos recursos, sala de save a dois mapas de distância, vários metroids no caminho… Era realmente complicado viu! Mas com exceção da Mother Brain, todos os chefes de Zero Mission são mais difíceis que os do original graças às maravilhas da tecnologia, e isso inclui espinhos gigantes do Kraid, ataques totalmente novos do Ridley, e a inclusão de vários outros monstrengos gigantes não existentes no game de NES. É praticamente outro Zebes, mais vivo, mais povoado, e muito mais longo, pois dois novos mapas enormes existem ainda para serem explorados após a batalha contra a Mother Brain, algo inédito e que surpreende até mesmo o mais veterano dos jogadores.

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Já que o jogo é forrado de Saves pra todo lado, Zero Mission poderia ser um pouco mais difícil. Entendo que isso encorajaria o jogador a procurar o maior número possível de, no mínimo, tanques de energia, o que aumentaria e faria valer o fator exploração. Depois que se termina o game, é possível recomeçar no modo Hard e entendo que esta seria a dificuldade certa para iniciar o jogo, mas estamos em outros tempos e o jogo tem que vender, certo? A longevidade da aventura, o novo design das áreas, e as novas etapas deram um brilho especial a Zero Mission, tanto que eu joguei como se este fosse um game inédito, mesmo tendo jogado o original a não muito tempo. A surpresa foi enorme, não esperava de maneira alguma que eu iria me encantar desse jeito com um remake, coisa que não me acontecia desde quando a Capcom lançou aquele Resident Evil reformulado para Game Cube, coisa de louco!

Metroid Zero Mission é genial, sem dúvida um dos melhores games da franquia. É uma reformulação daquelas que raríssimas vezes acontece, muito diferente do que se vê hoje em dia, aquela coisa banal de pegar um game mais antigo e repaginá-lo bem superficialmente só para que pareça mais bonito. Obrigatório para qualquer retro gamer, para qualquer amante da franquia, e mesmo que seja no emulador, eu faço o apelo: caro amigo retroaventureiro, apague a luz, coloque em tela cheia, aumente o volume, e entre mais uma vez no Planeta Zebes. Você só tem a ganhar.

Galeria de Imagens:

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Sobre Sabat

Editor Chefe do RetroPlayers, Redator e Editor nos Livros e Revistas WarpZone, Podcaster e editor de áudio, Saudosista, e Analista de Informática porque algo tem que dar dinheiro né!

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  • Visionnaire

    Bela matéria! Na época em que joguei esse jogo eu não sabia que era remake do primeiro, apesar de identificar logo de cara as semelhanças entre os jogos.
    Curti muito enquanto jogava e, realmente, os upgrades são uma caça ao tesouro que faz você perder muito tempo voltando e tentando alcançar lugares que antes eram impossíveis. Não me lembro de ter encontrado todos os upgrades, mas na época eu joguei sem ajuda, até por que o jogo flui tranquilamente, sem ter travado ou ficado preso por muito tempo sem encontrar solução.
    Um ótimo jogo para quem curte Metroid e um ótimo jogo para quem procura algo diferente do que vemos hoje em dia. Esse é o caminho que a franquia deve seguir, se mantendo sombria, com uma boa dose de desafio e principalmente que mantenha o estilo Metroidvania pelo menos nos portáteis. Que venha o Prime para Wii U.

    • Eu não peguei tudo, faltaram uns 4 tanques de energia e um punhado de misseis que eu não faço ideia de onde estão kkk Mas mesmo assim valeu XD É um jogo inesquecível!!!

  • Ivo

    Único Metroid que joguei foi o de Snes que tenho. Eu sei que muitos vão atacar pedras, mas eu não gostei muito, mas é por uma questão de gosto. Explico melhor, o jogo é muito bem feito, inovador, personsagem e monstros cativantes, clima sombrio, mas e mas esse estilo exploração extrema não faz muito meu gosto.

    Ótimo post Sabat. Sigo as palavras do Visionnaire, para quem curte algo diferente essa é a praia. Mas espero que venha algo para o WiiU p/ extremesser os pilares do mundo gamer novamente.

    • Eu tb espero que algo para WiiU seja lançado, ou pelo menos seja MOSTRADO em breve maninho KKK Metroid Prime 3 com gráficos fodelosos HD… VIXE

  • aki é rock

    Esse jogo é show de bola cara vale muito a pena joga-lo curti pra caramba jogando ele me lembro de ter chegado numa parte e travado acabei desistindo depois de alguns voltei a jogar e acabei zerando.Tenho que pegar o fusion esse é bem maneiro pelo que me lembro.

    • Opa Rock!! beleza? XD
      Tenho que pegar o Fusion também cara, deve ser massa! E o Zero mission tem uns 2 ou 3 locais que o cara pode travar mesmo viu… eu travei numa parte por que não achava uma parede falsa, e eu dei a volta no mapa todo do jogo umas 3 vezes pra poder achar a passagem falsa kkkk jogo fdp!

  • Cadu

    Tá aí uma franquia que eu preciso conhecer, acho que já te falei isso. Pra quem gosta de backtracking, especialmente de virar de ponta-cabeça o Castlevania: SotN (ou pelo menos o castelo dele, sorry pela piada ruim! kkk).
    Peguei o Super Metroid no Wii U e tô criando coragem pra começar. Só que do jeito que vc falou “fácil” parece que o jogo é sem graça, vai contra o que mais escuto falar sobre o Super. Entendi errado seu ponto de vista?
    Esse do GBA parece legal, se eu curtir o Super, vou tentar ele. Pq o de NES eu não vou ter paciência nos dias atuais, confesso.
    Belo texto, Sabat! Achei a leitura dele bem leve e agradável, para jogos que não conheço prefiro assim mesmo, sem muita coisa técnica! hehehe!
    PS: Me contive no tamanho do comentário… kkk

    • Opa Cadu, o Super Metroid é fácil sim, mamão com açúcar. A dificuldade do jogo está na exploração, na busca por equipamento, os chefes mesmo não complicam nada. Tipo assim:
      – terminar Metroid 3 com 60% dos itens = dificuldade 6,
      – terminar Metroid 3 com 90% dos itens = dificuldade 8,
      – terminar com 100% = dificuldade 9.

      Claro que estou me referindo a um jogo sem faqus né! Mas pelo bem da história, eu aconselharia você a terminar primeiro este do GBA tanto por que ele é o primeiro ^^ .

      • Cadu

        Vou considerar.
        Se sair como troca de coins no Club Nintendo eu vou ver se compro e jogo no Wii U ou 3DS… no 3DS seria loko! hehe
        Valeu pela dica! 😀

  • Cleiton Munhoz

    Matéria maravilhosa, eu simplesmente adoro esse jogo! O Metroid do NES eu acho injogável, fico rodando que nem barata tonta nele pois não tenho paciência pra jogar com um papel do lado desenhando mapas. Em Zero Mission um botão e pronto, seu mapa está ali, prontinho pra usar!

    Esse jogo é muito bom, acho que é o melhor jogo 2D da série (melhor até que o jogo do SNES). E pro review ficar perfeito faltou só falar do final do jogo, que é praticamente um Metal Gear Solid em 2D e nos brindou com a primeira aparição da Zero Suit. Parabéns pela matéria, Sabat!

    • Opa Cleiton, obrigado!! Rapaz, eu não falei nada a respeito justamente para que o pessoal que ler o review não tenha a surpresa estragada pelo tiu sabat aqui né kkkkkk Mas olha cara, aquela parte sem armadura é pauleira, affe maria!! Qualquer coisa que encosta na gente é óbito, morri MUITO ali!!

  • Diego Cavera

    Esse jogo é incrivel, o brabo que eu to em uma parte e travei ali, não me acostumo com o mapa, a franquia 2d como um todo é perfeita, a jogabilidade, é muito envolvente, nunca joguei os “3d” e prefiro assim, não quero estragar a áurea que tem os antigos metroid haha, o interessante pra mim que quando jogo o Zero Mission acho ele o melhor e imbátivel, passo pro Fusion, começo a achá-lo melhor, volto no Super Metroid, bate a nostálgia, dificil escolher, mas é um game que não enjooa, não é repetitivo, é único, tipo que a gente pega sem compromisso, pra jogar tempo fora e quando vê tá envolvido, viciante e mágnifico, valeu pela matéria mestre!

    • Opa Cavera, eu vou jogar o Fusion ainda, mas olha só, esse Zero Mission eu estou na mesma que você: eu não sei mais qual eu acho melhor, ele ou o de snes kkkkkkkkkkk Tecnicamente não se comparm, pois o Zero é muito mais atual e complexo, mas a nostalgia e a importância do game de SNES na época é algo foda XD TÁ DIFÍCIL!!

  • Esse jogo é uma belezura mesmo, joguei uns anos atrás pelo emulador e fiquei embasbacado de tão bom. Lendo a materia me deu até vontade de jogar denovo.

    • Cara, pelo emulador, na telona, com os pixels todos à mostra, nossa senhora, fica animal demais!!

  • Marcel

    Zero Misson dispensa elogios: o game é excelente.

    O terminei em 2011 e no ano seguinte parti para Metroid Fusion. Entre todos os games que saíram para GBA, Zero Mission é o meu favorito junto com Zelda The Minish Cap. É o meu 2D preferido da franquia (acho melhor até que o jogo do SNES). Mas isso é opinião pessoal e não desmerece Super Metroid (um dos melhores games do 16-bits da Nintendo).

    Um forte abraço, @sabat:disqus

    • Marcel, cá entre nós, eu também achei melhor que o de SNES kkk mas não conta pra ninguém kkk não quero ser apedrejado XD

  • Metroid Felipe

    Faz uma cara que joguei, fechei 2x se jogar hj não sei se ainda me lembro dos macetes.Se for como o DK2 do Snes putz foi instintivo após anos estava indo em lugares q nem me lembrava

    • Opa Felipe, acho que é sim cara, se vc jogar de novo, vai passar por lugares que vão te passar aquele “EPAAA AI TEM COISA” na sua mente ^^ Bom demais o jogo ^^

  • Tinha lido esse review, mas não comentei…
    Bom saber que é remake do primeiro, confesso eu havia me esquecido completamente…Agora, posso então continuar jogando no emulador de GBA pra Wii sossegado!