Retro Review: FAST Racing NEO (WiiU) – Quase um F-Zero… ou não?


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A franquia F-Zero parece estar perdida pelos bastidores da gigante nipônica Nintendo. Já faz um bom tempo que não vemos a Blue Falcon exibindo toda a sua velocidade supersônica… Praticamente passou batida pelo Nintendo Wii e seu piloto parece estar mais preocupado em mostrar que sabe trocar sopapos com companheiros de empresa do que qualquer outra coisa que envolva velocidade. As DLCs de Mario Kart 8 até trouxeram algo que atiçou e encheu de esperanças todo fã órfão de F-Zero, a saudosa e clássica pista Mute City em uma versão épica tanto em visual quanto em trilha sonora, o que poderia ser um indício de que a Nintendo estaria trabalhando em um novo jogo da franquia… Pura ilusão, tudo não passou mesmo de uma homenagem passageira que não desmentiu as palavras de seu criador Shigeru Miyamoto, que a anos atrás, revelou estar completamente sem ideias para criar um novo jogo que pudesse manter a qualidade que a série de jogos mais veloz do universo gamístico cultiva.

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Pois é, o panorama não é nada favorável, e não há indícios de que possa melhorar, então não foi surpresa alguma que fãs do mundo todo ficaram alvoroçados com o anúncio de FAST Racing NEO, novo jogo para Wii U de corrida futurística da desenvolvedora alemã Shin’en que, visualmente falando, era a cara cuspida e escarrada do game da Nintendo.

Sim, novo jogo, pois ele é continuação de um game muito bom para Nintendo Wii chamado FAST Racing League que, infelizmente, acabou sendo completamente ignorado pela imprensa pois fora lançado em uma época em que o console já respirava por aparelhos. Resumindo, ninguém conhece este primeiro jogo. Mas tudo bem, Neo parece maravilhoso, com gráficos estonteantes, trilha sonora na medida, e aquela velocidade absurda capaz de gerar aqueles pegas insanos que todo fã de F-Zero que se preze adora. Só falta saber se a jogabilidade faz com que o conjunto todo funcione, e para isso, só colocando mesmo as mãos no game para saber.

Bem, FAST Racing NEO foi lançado no último dia 10 somente em formato digital e custando míseros U$14,99 Obamas, um preço bastante atrativo para um game de corrida com um monte de veículos, modo online com até 8 jogadores simultâneos, multiplayer local para até 4 pessoas, 16 pistas divididas em 4 campeonatos que podem ser jogados em 3 dificuldades diferentes, e ainda um Hero Mode habilitado após o jogador conseguir pelo menos um 3° lugar em todas essas copas e dificuldades. Teoricamente é jogo que não acaba mais, só que não é bem assim que a coisa funciona na prática.

Vamos fazer uma comparação bem vinda e inevitável ao clássico esquecido F-Zero GX, para Nintendo Game Cube: todos que jogaram sabem que o game é dificílimo, mas essa dificuldade age em conjunto com o design soberbo das pistas e com uma jogabilidade sólida, fazendo com que o aprendizado seja lento e justo, de modo ir preparando o jogador para os níveis mais assombrosos, onde a velocidade aumenta drasticamente e os outros 29 pilotos mais fazem te arrebentar do que correr. Aos poucos vamos sendo obrigados a aprender a jogar com agressividade, tirando adversários da pista e aprendendo novas formas de otimizar os traçados para conseguirmos chegar entre os primeiros, e depois deste aprendizado, o jogo nos convida a desafiar um History Mode dificílimo onde toda a habilidade adquirida é colocada em teste. O resultado é um game viciante e com uma curva de aprendizado deliciosa, daqueles que não queremos parar de jogar nunca. Amigo retroaventureiro, não espere nada disso em FAST Racing NEO. Como diria um certo falecido narrador da Band do Campeonato Carioca de futebol, ESSE JOGO É CRUEL, MUITO CRUEL!!

Sim, o design das pistas é ótimo, graficamente a coisa é linda de morrer (todas essas imagens são in-game, mas não representam a qualidade real do jogo por que esse “tirador de screenshots” do WiiU é uma bela duma b#$@!), e roda a 60 fps de maneira sólida, sem o menor slowdown perceptível a não ser jogando online com pelo menos uns 5 participantes trombando uns nos outros. Claro que em multiplayer local a qualidade geral do visual cai bastante para que o framerate se mantenha estável, mas em tempos atuais, garanto que você não vai encontrar outros 3 donos de WiiU dispostos a se encontrarem para dividir a tela em 4 diminutas partes sendo que o modo online está ali para fazer o serviço em fullscreem sem perda gráfica… Novos tempos, quando eu era garoto eu me contentava com um Nintendinho numa TV de tubo oval de 14 polegadas…

Em fim, é claro também que a parte sonora da coisa é de arrepiar, com direito a narração feita pela mesma voz que narrou F-Zero GX dentre tantos outros jogos, o lendário Jack Merluzzi, só que nada disso pode preparar o jogador para a surra que ele irá levar de FAST Racing NEO logo em sua primeira copa na dificuldade mais chinfrim. Basta escolher seu veículo e começar a jogar a Subsonic League, e 10 minutos depois, você estará atônito com a sua total falta de controle. A velocidade absurdamente alta faz com que a cada curva seu veículo pareça uma bolinha numa máquina de fliperama quicando em tudo enquanto os outros 9 competidores te atropelam. Faixas de turbo espalhadas pelas pistas fazem nossa nave quase entrar em velocidade de dobra de tanto que o cenário distorce, e ainda temos aquele bom e velho “nitro” em versão aero espacial que garante mais velocidade e por que não, mais falta de coordenação ainda.

É como se não existisse curva de aprendizado: A Subsonic League (Novice) equivale ao que existe de mais balanceado e justo em FAST Racing NEO, mas logo de cara, ela exige que o jogador se dedique a um nível expert para se adaptar aos nuances de cada pista e a jogabilidade complexa: é muito botão pra apertar pra fazer pouca coisa, e não existe qualquer possibilidade de configuração para que possamos pelo menos tentar deixar a tendinite mais confortável (é, aqueles botões R e L do gamepad do WiiU destroem qualquer tendão). Temos um direcional analógico que controla a nave como em qualquer outro jogo de corrida, temos botões ZR e ZL que deslocam a nave  para a direita e esquerda e que devem ser usados principalmente em conjunto com o direcional analógico para que o jogador possa fazer curvas mais acentuadas, temos o Nitro acionado no botão R e a mudança de “Phase” nos botões L ou X. Ainda temos que acelerar a nave no A e frear no B.

Botão Y graças a Deus não serve pra nada, pois o jogo já tem comandos suficientes para desesperar qualquer um, principalmente na hora de trocar a “Phase” da nave: ela possui duas polaridades, azul e laranja, e o jogador deve alternar essa polaridade de acordo com a cor das “faixas de turbo” para ganhar velocidade. Se passar em cima de uma faixa com a cor errada, a nave freia. O conjunto disso tudo cria um desafio insano, onde é necessário se preocupar com tantas coisas ao mesmo tempo que a cabeça do jogador acaba travando e os comandos começam a sair tudo errado, e essa trava vai sendo retirada aos poucos, bem aos poucos. Tanto que para se avançar em FAST Racing NEO, nem é necessário ganhar as copas: terceirinho já tá bom, já libera o próximo evento e abre o novo veículo, ouro é só para questões estéticas e ranking online.

E quando o jogador se adaptar aos comandos, traçados, e finalmente vencer as quatro copas iniciais, socar o ar naquele gesto de conquista e se achar pronto para começar a correr na Supersonic League, o que acontecerá verdadeiramente será um novo massacre, muito mais difícil do que já estava, mais veloz e proporcionalmente mais desgovernado, fatores que não afetam os pilotos do computador, que realizam traçados perfeitos apenas eventualmente se arrebentando em obstáculos da pista, que realmente são chatos de se desviar e vão de hélices gigantes a explosões de fogo vindas de exaustores no chão. Sim, as outras dificuldades são absurdamente difíceis e desencorajadoras. Nunca verei esse tal Hero Mode… Sei que nele as corridas são mais velozes ainda e com as pistas espelhadas, mas tentar terminar qualquer copa da Hypersonic League em “terceirinho” para habilitar este modo é algo que exige uma dedicação tão absurdamente alta que o jogo não tem qualidade suficiente para exigir do jogador. O normal é desistir, perder a empolgação, e começar a sonhar novamente com um novo F-Zero.

score-fast-racing-neo-retroplayersDiria que FAST Racing NEO vale a compra por que é barato. Visualmente é deslumbrante, todas as 16 pistas, os veículos, os efeitos, a iluminação, tudo é sensacional, e mostram que o Wii U, se bem usado, pode sim operar uns milagres técnicos. Mas pela jogabilidade cruel e dificuldade exagerada, eu não apostaria que este jogo possa vir a ter uma vida útil muito longa em seu console. No geral, é provável que ele divirta o jogador por um tempo, e que esse tempo seja prolongado se o modo Online agradar, mas não creio que vá se estender muito a não ser que o jogador seja um verdadeiro aficionado por jogos deste seguimento. No meu Wii U, essa vida útil já quase se esgotou, mas a Shin’en anunciou muito recentemente em seu Twitter que em Janeiro de 2016, o game receberá um monte de melhorias, e dentre elas estão a inclusão de um mini mapa, correção de bugs e, pasmem, aperfeiçoamentos na estabilidade, então logo logo pode ser que o jogo melhore muito, e quem sabe não se torne mais digamos, amistoso e gostoso de jogar, e se isso acontecer, eu voltarei com uma atualização nesta análise.

Por enquanto, sinto que vou entrar novamente na torcida por um novo F-Zero mesmo… Nisso eu ainda tenho esperança!


Sobre Sabat

Dono, Chefe, Gerente, Cara da Xérox e Tia do Café do RetroPlayers! Meu negócio? Falar sobre games. Como? Escrevendo meus trabalhos, gravando minha voz horrível, ou filmando minhas humildes proezas! Onde? Aqui, ali, ou onde quer que me chamem!
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