Retro Review: Duck Tales (Nes)


Muitos já imaginam o motivo de eu ter escrito este review, que é daquela empresa que detêm os direitos do meu personagem favorito dos games de todos os tempos. Para aqueles que ainda não entenderam, a CAPCOM anunciou na semana passada “Duck Tales Remastered” para todas as plataformas de consoles possíveis do momento, e foi aproveitando essa deixa que eu desliguei o meu PS3, tirei a poeira do meu Famicom AV, e estou de volta ao Retroplayers após uma longa estadia de férias exatamente para lhes falar de um dos jogos mais divertidos do NES / FAMICOM.

Ah, os anos 90… É sempre essa a década que traz mais saudade e nostalgia para mim… Em 1991 fui com o meu tio na casa do Seu Chico, que era muambeiro, em Sorocaba. Fomos até lá para pegar o meu Micro Gênius junto com algumas fitas de Turbo Game CCE, dentre elas, jogos como o meu favorito de sempre, que é o “Mega Rockman3”, e um tal de “Duck Stories”. Muitas vezes eu me questionava pelo motivo desses nomes alterados nos jogos… Talvez tenha algo a ver com a pirataria ou o não licenciamento do mesmo, mas neste caso eu sempre soube que Duck Stories era o Duck Tales, já que nunca havia deixado de acompanhar um só episódio do Desenho pelo SBT. Bons tempos!

Temos então, Tio Patinhas, em 1989, estreando no NES/FAMICOM para dizer o que todos nós já estamos cansados de saber: que ele está insatisfeito com seu dinheiro e que quer curtir novas aventuras para sempre ter mais e mais grana!

E nada melhor do que levar quase toda a família para ajudar na busca dos valiosos tesouros em torno das cinco fases que são mostradas na tela de seleção, que são: Amazônia, Transilvânia, Minas Africanas, Himalaia e a Lua. E quando eu digo “quase toda a família”, posso lembrar-me de cabeça que o jogo só não colocou o Mordomo Leopoldo e o Asnésio, amigo dos sobrinhos e escoteiro mirim, pois de resto, todo mundo está lá! Falemos então das funções dos personagens disponíveis no jogo:

  • Huguinho, Zezinho e Luizinho: Os sobrinhos do Tio Patinhas são de grande ajuda nas cinco fases do jogo, oferecendo informações valiosíssimas sobre determinada fase e até viajando junto com o tio num vagão de trem em certa parte do game.
  • Patrícia: Tem a mesma função dos sobrinhos, porém ela só aparece no início da fase Transilvânia.
  • Madame Patilda: Está localizada em pontos estratégicos de algumas fases, jogando bolos e sorvetes para o Tio Patinhas recuperar todas as energias.
  • Bubba: O doidinho pré-histórico aparece somente em uma fase, e será de grande ajuda para que o Tio Patinhas ganhe um pouco mais de resistência e HP.
  • Capitão Boeing: No meio dos cenários, o pato voador atrapalhado oferecerá carona de volta para Patópolis.
  • Professor Pardal: Esse está bem escondido mesmo! Se você resolver voltar para Patópolis com o Capitão Boeing e estiver com $17,000 ou $170,000 de dinheiro, o capitão cairá com o avião… Aí Patinhas entrará em uma fase bônus secreta, onde o Professor pardal voando em um avião lhe jogará alguns diamantes.
  • Robô-Pato: Aparece somente em uma fase, mas é um coadjuvante essencial para poder passar pela mesma. Sem ele, só com um glitch sensacional que descobri um dia antes de escrever este review, caro amigo Retroaventuriano.
  • Irmãos Metralha: Os vilões prisioneiros mequetrefes aparecem nos lugares menos imaginados, tentando atrapalhar as aventuras dos bravos patos aventureiros. Mas não se deixe enganar, eles estão mais bobos ainda no jogo do que no desenho, e sempre prontos para serem enganados por quem eles sempre tentam enganar.

Tanto na versão Americana quanto na versão Japonesa, o jogo oferece três níveis de dificuldade: EASY, NORMAL e DIFFICULT. No modo EASY você pode levar dois danos para cada ponto de HP do life de Tio Patinhas, e os baús são mais generosos com itens, aparecendo sempre muitos bolos e moedas M. O nível NORMAL como o próprio nome já diz, equilibra bastante a jogabilidade geral, e no Difficult a coisa complica, pois além de muitos inimigos, os baús passam a ser verdadeiros muquiranas na hora de soltarem algum item que recupere o HP, e você pode morrer fácil. Já os chefes não sofrem alteração alguma, independente da dificuldade selecionada. Mas não é o nível de dificuldade que interfere no final do game, e sim a quantidade de dinheiro acumulada. Se você terminar o game com $0 de dinheiro, aparece um final triste, se terminar com uma grana razoável, o final comum… e se terminar com mais de 10 milhões, aparece então o melhor final (ta parecendo super metroid).

Aqueles que quiserem obter o melhor final, deverão buscar os dois tesouros secretos, que somados aos 5 principais, lhe darão sete milhões de dólares! Eles estão bem escondidos dentro de duas fases do game, então cabe ao jogador despertar o seu lado “caçador de aventuras” para explorar as etapas do jogo até encontrá-los. Aí é só acumular mais três milhões durante a caçada por tesouros menores durante todo o jogo, e o melhor final estará garantido.

Outra coisa que pode assustar um pouco o jogador, é que Duck Tales não possui continue algum, porém, há muitas vidas espalhadas ao longo de todos os cenários, dentro de baús escondidos em locais secretos. Não é possível ganhar vidas por meio de qualquer pontuação alcançada, então se o jogador quiser mesmo aumentar o seu contador de vidas extras, vai ter que explorar! Lembrando também que cada fase tem um TEMPO LIMITE para ser vencida, mas jamais se preocupe com isso, pois se você morreu por tempo, é porque ficou parado mesmo! O negócio é bem generoso, e mesmo explorando a fase toda, o tempo não vai acabar, então fique tranquilo quanto a isso.

Para quem ainda não jogou, vou dar uma pequena explicação dos comandos, ensinando como guiar nosso querido pato milionário. Comandos óbvios: esquerda e direita para andar, baixo para o personagem abaixar, cima e baixo para subir e descer durante a escalada de uma corda, e o botão A para pular. Tirando esses comandos de praxe, temos os dois movimentos principais do game, sendo que o primeiro é o de ataque: durante o pulo aperte para baixo + o botão B para realizar a famosa bengalada, o golpe fulminante que é usado durante a maior parte do game. Mas não é só isso, temos ainda o segundo comando, que é mais estratégico: quando estiver perto de alguma pedra ou tambor, pressione o direcional para o lado desse objeto até tio patinhas travar o passo, e então aperte o botão B. Fazendo isso, ele dará uma bengalada destruindo ou empurrando o objeto. Esse último golpe não é usado para inimigos, mas sim para atirar objetos contra inimigos e principalmente abrir passagens secretas com muitos tesouros!

E já que falei da dificuldade, e dos comandos, que tal uma explicação sobre os itens? É pra já! Diamante Branco Pequeno = 2 mil pratas, Diamante Branco Grande = 10 mil pratas, Diamante Vermelho Grande = 50 mil pratas, Moeda M = Invencibilidade Temporária, Sorvete = Recupera 1 ponto de HP, Bolo = Recupera todo o HP, Boneco do Tio Patinhas = Vida Extra. Além desses itens comuns, temos outros que são especiais como, por exemplo, o que aumenta o HP total em um ponto. Existem dois deles em duas das cinco fases, e se você for um bom explorador, poderá terminar o jogo com cinco pontos de HP ao invés de apenas os três iniciais. Mas além desses itens que fornecem pontos, invencibilidade, recuperação de life e vida extra, existem 3 objetos especiais essenciais para poder seguir no jogo: uma chave para poder abrir as Minas Africanas, uma chave para poder pegar um objeto, e esse objeto em questão, que eu obviamente não vou dizer nem o que é, nem pra que serve, muito menos onde está!

A jogabilidade é boa, os comandos respondem de imediato e nada fica travado. O único problema é que é chato apertar pra baixo + B ao pular para dar a bengalada. No Duck Tales 2, lançado também para NES em 1993, basta pular e apertar o botão B, ficou bem melhor.

Graficamente Duck Tales não fica muito longe e nem muito perto dos jogos que possuem a melhor qualidade gráfica do NES / FAMICOM. Digamos que fica na média, já que em cada fase é possível relembrar perfeitamente de uma aventura ou um episódio do desenho animado, o que torna o game muito mais emocionante e divertido! E já que a diversão está em jogar, vamos para um breve resumo das fases:

THE AMAZON (A AMAZÔNIA): Mato por todos os lados, cavernas subterrâneas e templo inca, em conjunto de um maravilhoso cenário onde inimigos como Gorilas, Abelhas, Plantas Carnívoras, Aranhas, Cobras, Armadilhas, e até acordo de dinheiro com estátuas falantes farão de tudo para impedir que Tio Patinhas chegue ao final do estágio para conseguir o tão sonhado tesouro.

TRANSYLVANIA (TRANSILVÂNIA): Um castelo abandonado e assombrado, onde caveiras, múmias prisioneiras e até fantasmas estão presentes. Há os espelhos que o levam para lugares diferentes, tornando o estágio meio que um labirinto. No final reencontraremos uma velha “amiga” de nosso querido protagonista. Vencendo-a, ele conseguirá o segundo tesouro.

AFRICAN MINES (MINAS AFRICANAS): Um bom local para garimpar ouro! Muitos tesouros e vidas se encontram nesse estágio, que dependendo do caminho, pode ser longo e difícil ou curto e fácil, exatamente isso! Morcegos, bichos rastejantes, mais plantas carnívoras, armadilhas diversas e patos-sapos são os perigos e inimigos das Minas Africanas. No final da fase, um chefe que chamou o dinheiro do Tio Patinhas de lixo no desenho. Enfrente-o para conseguir o terceiro tesouro.

THE HIMALAYAS (O HIMALAIA): Um lugar onde a temperatura fria e congelada predomina. Inimigos bizarros como Coelhos do gelo, Bodes que pulam a todo instante, Esquimós com um visual doidão e armadilhas são os perigos da fase. Jamais caia com a bengala em cima da neve para não ficar preso nela. No final do estágio, o abominável homem das neves o aguarda. Assim como os chefes anteriores, acerte-o cinco vezes, para que o mesmo caia deixando o quarto tesouro.

THE MOON (A LUA): Quinta e última fase, onde uma espaçonave cheia de alienígenas e seres estranhos lhe aguarda. Dentro dessa espaçonave, o jogador procurará primeiramente uma chave para ativar outra sala e pegar um item que dará acesso para prosseguir na fase, e finalmente enfrentar o chefe que lhe dará o último dos cinco tesouros!

Ao terminar todas as fases, Tio Patinhas revisitará uma delas a fim de enfrentar o verdadeiro e final inimigo do jogo, para assim, pegar o último baú do tesouro. É bastante coisa para se fazer, e o jogo pode devido a isso, se tornar bem longo nas primeiras jogadas, onde a exploração irá exigir bastante tempo e dedicação. Mas com o tempo e a prática a coisa muda drasticamente, e a aventura se torna até mesmo curta demais, não exigindo pouco mais de uma hora para ser vencida.

Agora sim, falarei da trilha sonora. Logo que ligamos o jogo no FAMICOM ou no NES, já somos presenteados com uma maravilhosa versão MIDI da Abertura do Desenho animado. Aperte Start para a repetitiva, porém clássica música de seleção de fase. Começando pela Amazônia, temos um som tropicalmente animado e divertido, adequado para o cenário e clima. Seguindo para a Transilvânia, a música, assim como o cenário, é tensa e o som instiga um pouco de ação seguida de medo e calafrios. As Minas Africanas tem um som meio tenso, que se desenvolve aos poucos, com direito até a um mini solo fantástico, ideal para patos dentro de minas subterrâneas (Ah vá!). A fase do Himalaia possui uma das músicas mais animadas e felizes que eu ja vi em um jogo. Não lembra nem um pouco o Desenho Duck Tales quando eles vão para locais de temperatura baixa… Mas quem disse que isso é ruim? Finalizando as músicas de fase, o tema da fase da Lua é uma das músicas mais tocadas e mais remixadas dos games de todos os tempos (basta fazer uma pesquisa no youtube para confirmar o que estou dizendo). É simplesmente uma música perfeita, maravilhosa, não tem muito mais o que comentar dela. E termino falando da minha música favorita, que é o tenso tema de chefe! Apesar de o som ter originalmente 18 segundos apenas, tem um looping incrível, dando aquela emoção de querer derrotar o inimigo a todo o custo!

Duck Tales, O Jogo Perfeito para Rokuman Senpai: “Eu gosto demais de ficar viciado nos jogos, a ponto de querer terminá-los no menor tempo possível. Creio que até posso chamar isso de Speed Run, já que comecei a gostar logo que ia pegando vício nos jogos da série Rockman Clássica e Rockman X. Claro, eu também sou um jogador que explora, mas longe de ser tão demente, digo, tão bom quanto o Sabat, que encontra agulha num palheiro no escuro e sem espetar o dedo nela. Enfim, ao ver o recorde mundial de speed run no difficult, que é 7 minutos e poucos segundos, dei umas boas treinadas no Famicom. Consegui terminar o game em 8 minutos e 34 segundos no nível EASY XD. Claro que para isso, é necessário se explorar alguns glitches do game, que são aqueles defeitos de programação corriqueiros que permitem o jogador “pular” etapas do jogo né, mas não deixa de ser muito legal!”.

Duck Tales, O Jogo Perfeito para Sabat: “Se tem uma coisa que eu adoro fazer nos jogos é explorar, visitar cada cantinho do cenário em busca de itens escondidos, passagens secretas, e possíveis segredos minuciosamente muqueados pelos programadores daquela época de ouro dos games 2D. Isso sempre foi meu forte, alguns dizem que eu tenho até um tipo de 6º sentido para achar essas tralhas escondidas, e muito disso se deve ao 1º jogo que terminei na vida: Castle of Illusion, para Master System, um game com um nível de exploração tão alto que acabou por fazer crescer em mim o gosto pela coisa!! O tempo deixou de ser importante, a pressa e o anseio por terminar logo uma aventura nunca mais me assolou: meu negócio passou a ser terminar os jogos fuçando ao máximo, pois é assim que eu aproveito totalmente um bom game! Demorou um pouco até que eu descobrisse algum game que possuísse um nível de exploração tão alto quanto aquele, ou até maior, e isso aconteceu quando eu aluguei o tal game do Tio Patinhas, ao qual o Senps vos descreve aqui hoje neste RetroReview. Duck Tales é um game quase perfeito para exploradores, pois desperta em quem joga a necessidade de buscar algo mais nas fases, uma surpresa a mais, e em quem se aventura nele hoje, ele desperta o sentimento adormecido de que nunca foi necessário um DLC ou uma conquista para que um achado em um game fosse épico e divertido: bastava algo estar ali para ser encontrado. É um jogo maravilhoso, e espero que o Remastered possa também manter essa escrita.”

É muito legal saber que tanto para o Sabat, que é um explorador nato, quanto para mim, que sou aquele que vai passando a fase com tudo, DuckTales é um jogo que agrada demais, independente do estilo do jogador! É diferente de um Rockman, que é um jogo para passar de fase, e não de exploração, ou de um Zelda, que a maior parte do tempo se passa explorando, senão não dá pra seguir em frente. Duck Tales é como se fosse uma mescla de estilos, que apesar de curto e simples, pode agradar igualmente a nós, dois tipos distintos de jogadores. É o tipo de jogo que faz falta, e que esperamos que faça bonito nesta nova versão que está para ser lançada pela WayForward.

Curiosidades:

  • Existe uma versão protótipo da música da fase Transilvânia que não chegou a ser utilizada no jogo final. Uma pena, ela seria perfeita sendo tocada na última fase. Ouçam: http://www.youtube.com/watch?v=zbadZRzwvOQ
  • A versão brasileira da música de abertura do desenho foi cantada por nada mais nada menos que Luiz Ricardo, que foi um dos atores que interpretaram o Palhaço Bozo no SBT no final da década de 80 e início da década de 90. Hoje ele faz o sorteio da Tele Sena no SBT.
  • A segunda temporada do desenho provavelmente não passou na globo devido a influência do SBT na dublagem de alguns episódios, fazendo algumas situações e nomes serem parecidos com programas e atores da emissora do Silvio Santos.
  • Os 100 episódios do Desenho com a dublagem original da década de 90 estão disponíveis no NETFLIX e também para download pela internet, basta procurar e se emocionar.

Fim


Sobre Rokuman Senpai

Fã assíduo de Rockman / Megaman e também confiante do sucesso futuro de Mighty9. Defensor do Famicom / Nes com todas as armas inimagináveis. Mendorato + Skoll + Jogos Clássicos + Rokuman Senpai = Diversão Garantida! ^^
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