Retro Review: Dragon Ball Advanced Adventure


Quando comecei finalmente a  jogar Game Boy Advance, me vi frente a uma velha lista de jogos que eu vinha criando mentalmente há um bom tempo já. Era aquele tipo de lista feita de pensamentos da linha “nossa esse jogo quando eu tiver um GBA eu quero jogar! Olha, esse também, e esse…” que a gente não enumera ou coloca qualquer ordem de prioridade, mas que existe e que quando chega a hora de por a mão na massa, começa martelar a nossa cabeça nos fazendo penar para escolher qual o próximo game a ser destrinchado. É aí que eu resolvi apelar para os universitários!

Já faz algumas semanas que eu resolvi fazer um teste na página do Facebook do RetroPlayers, e deu super certo: criei uma votação entre 3 jogos potencialmente adorados da minha listinha mental, e coloquei lá para o retroaventureiro sugerir qual a sua escolha para a minha jogatina. A brincadeira fez sucesso, e correu enquanto eu jogava The Legend of Zelda – the Minish Cap. Bastante gente participou, e foi assim que eu me vi frente a uma grande surpresa: Dragon Ball Advanced Adventure havia vencido dois adversários pesos pesados!

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Nunca imaginaria isso! Aquele game bonitinho do Goku ainda garoto me parecia muito atraente sem dúvida, mas daí ser escolhido pelos amigos para virar review antes de um game da franquia Metroid e de outro da lendária série Castlevânia… Estariam loucos os retroaventureiros que votaram? Não, não estavam, o game é legal pra caramba mesmo.

Dragon Ball Advanced Adventure foi desenvolvido em 2004 pela Dimps, a mesma que desenvolveu os games da franquia Sonic Advance em parceria com o Sonic Team, por sinal, os últimos games decentes do porco espinho. Aliás se você for até o Wikipédia dar uma olhadinha no currículo dessa empresa, você vai se surpreender com o catálogo de jogos desenvolvidos ou co-produzidos por ela. Foi publicado pela Atari e pela extinta Banpresto, empresa que foi absorvida pela Namco Bandai em 2008.

O game toma como palco o início das aventuras de Goku, quando este conhece Bulma pouco tempo antes de encontrarem pela primeira vez o Mestre Kame. Trata-se de uma agradável mistura de Beat em’ Up com Ação Plataforma com Luta 1 X 1, e acredite, funciona! Na maior parte do game, passamos o tempo descendo porrada em inimigos não tão variados, mas muito bem caracterizados em etapas lineares quase sempre com um chefe no final, nada que nunca tenhamos visto neste vasto mundo dos games eletrônicos, e concordo, você deve estar pensando agora que isso não é nada de mais. Só que a ambientação, o design de personagens, a mecânica do game e a jogabilidade formam um conjunto tão bom que o game nos faz sentir como se realmente estivéssemos dentro de um episódio da famosíssima história das Esferas do Dragão.

O design dos personagens é surpreendente, não me lembro de ter presenciado antes uma retratação tão fiel de um herói de anime/mangá em um jogo de videogame. Cada golpe de Goku parece ter sido retirado diretamente da série televisiva, e o mesmo se repete para cada um dos inúmeros personagens que vão aparecendo durante a aventura. A ação é ininterrupta, inimigos vão aparecendo aos montes, e fase por fase, aquela história que conhecemos desde criança (ou adolescente) vai sendo recontada na pequena telinha do GBA, ou quase isso!

Acontece que o game não se aprofunda muito neste quesito, e essa é a principal falha de Dragon Ball Advanced Adventure. Podemos dizer que o que vemos é um resumão da história, onde muitos pontos importantes que culminariam em ótimas etapas de jogo não foram aproveitados, e outros só aparecem na forma de imagens. Fora isso, a Dimps, não entendi por quê, mudou algumas coisas na história original, coisa que os fãs que jogarem vão perceber logo de cara. Entre estas mudanças, podemos notar lutas que não existiram, batalhas que tiveram seu resultado final modificado, e por aí vai. Se isso estraga a experiência? Deixa aquela dúvida sim sobre o por quê dessas mudanças, mas não chega a atrapalhar, tanto por que a parte da ação, que é onde o jogo foca, foi muito bem executada.

A mecânica do game é simples: apesar de ser um game plataforma side scrool, os inimigos possuem uma barrinha de HP como acontece nos jogos de Beat em’ Up. Obviamente os chefes possuem barras enormes e que muitas vezes, tem que serem esvaziadas várias vezes para serem vencidos, e para isso, contamos com uma jogabilidade ótima, que torna possível realizar com precisão uma cacetada de comandos bem variados nos poucos botões do console. Goku bate, pula, dá voadoras, rasteiras, pauladas, joga os inimigos, voa na nuvem voadora, solta Kame-Hame-Ha, dá golpes especiais, e por aí vai. O repertório de golpes é excelente, e quando o jogador passa a dominar todos eles, avançar na aventura se torna algo fácil assim como era para Goku no anime, que só tinha alguma dificuldade mesmo quando estava “morrendo de fome” ou quando trombava algum inimigo realmente forte, como o assassino Tao Pai Pai, ou Jackie “Mestre Kame de peruca” Chun, na final do inesquecível Torneio de Mundial de Artes Marciais.

Sim, o torneio existe no jogo, não tinha como a Dimps cortar isso da aventura, e nessa hora, a ação plataforma dá lugar a um jogo de luta 1 X 1 no estilão dos melhores games de pancadaria da Capcom, onde os personagens aplicam combos aéreos e especiais para derrotar seus adversários. Tá, não é tão complexo assim, mas lembra, e essas são as partes mais difíceis do game, pois a cada derrota, uma vida vai para o vinagre! Essas etapas se tornam bem comuns também fora dos torneios, e passamos a enfrentar alguns chefes neste sistema, mas felizmente as vidas são abundantes, e após algumas derrotas, já pegamos as manhas dos inimigos e derrotá-los se torna questão de tempo.

Não demorei muito para terminar. Levando em conta que o horário que mais jogo é à noite antes de dormir, foram apenas 2 dias para finalizar a aventura. Notei que existem mais modos de jogo, onde vários personagens vão sendo liberados até chegarem a um máximo de 30 nomes!  Torna-se possível escolhê-los no modo 1 X 1, que apesar de ser uma perfumaria, nos faz gastar bastante tempo em lutas testando os golpes e poderes destes personagens, e é possível também se jogar com Kuririn no modo história, mas este é só uma troca de personagens e nada mais… Ficaria muito melhor se jogássemos realmente a história do carequinha, mesmo que fosse menor e mais cheia de derrotas que a do Goku.

Dragon Ball Advanced Adventure é uma bela e grata surpresa! Um jogo daqueles que impressiona por vários motivos, e que acaba antes que a gente possa enjoar da repetição. É uma aventura rápida e fácil sim, mas prazerosa! Qualquer fã do herói sayajin deve jogar, e mesmo que você não ligue muito para animes mas esteja procurando um bom game de ação plataforma, este será certamente uma ótima pedida.

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Sobre Sabat

Dono, Chefe, Gerente, Cara da Xérox e Tia do Café do RetroPlayers! Meu negócio? Falar sobre games. Como? Escrevendo meus trabalhos, gravando minha voz horrível, ou filmando minhas humildes proezas! Onde? Aqui, ali, ou onde quer que me chamem!
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