Retro Review: Skyblazer


Algumas coisas nessa vida não saem nada como planejado, não é mesmo? Foi mais ou menos isso que aconteceu com este post. Há uns 15 dias atrás eu não sabia nada a respeito deste game, caros amigos retro-aventureiros. Enquanto pesquisava algumas informações para o review de um outro título, eis que o Google me chamou a atenção, trazendo-me uma imagem nada a ver com o que eu estava procurando. Com um tempinho extra que me sobrou, fui conferir o dito cujo mais de perto. O resultado: decidi escrever o review de um título que eu nem sabia que existia. 

Eu já disse isso aqui em outro post e vou repetir: o Super Nintendo tem uma “gameteca” imensa e muitos são os títulos que merecem a nossa atenção. O escasso tempo que temos é que não deixa isso acontecer, mas encontrei uma pequena brecha no bendito para jogar esse tal Skyblazer.

Eu não saberia responder quais razões levaram este game à obscuridade. Costumo afirmar que grandes títulos só não se destacam se outros ainda melhores e mais aguardados roubarem toda a cena. Sendo assim, imagino que alguns lançamentos de 1994/95 acabaram me distanciando de mais um game interessante que, a partir de então, se tornou outro título Underrated, que passei a conhecer. Eu sei, não é impossível que você ou algum amigo seu o conheça ou tenha jogado. Mas, navegando por este mundão da internet, não consegui muitas informações a respeito do mesmo. Os poucos textos que encontrei afirmam ser uma pena não termos dado a devida atenção ao título. Eu também concordo com estas afirmações. Mas isso não quer dizer que o game seja perfeito. Daria para melhorá-lo e jogando você entenderia o porquê.

Em Skyblazer você comanda Sky, um jovem descendente dos Sky-Lords. Está em suas mãos o destino de seu povo, a começar por uma donzela em perigo. Contudo, ainda lhe falta experiência e poder necessários para se tornar um grande guerreiro. Sua missão é resgatar Arianna, uma princesa e feiticeira que foi sequestrada por Ashura, o Senhor da Guerra. Ashura estava adormecido e foi despertado por Raglan, o Senhor da Escuridão, cujo objetivo é estabelecer o seu reino.  Logo no início da aventura, você presencia o sequestro de Arianna, enquanto é brutalmente atacado por Ashura. Em seguida, um velho sábio o desperta, lhe curando os ferimentos. Desde então, você será auxiliado por este simpático velhinho. Depois de uma breve conversa e,  livre de dores,  Sky sai em busca de Arianna, tendo sido advertido pelo velhinho de que precisa adquirir mais poderes antes de se deparar com Ashura.

Skyblazer é um divertido adventure/plataforma que traz ótimos som e gráficos, além de uma simples e agradável jogabilidade, onde apenas três botões são utilizados. Seu personagem pode pular, atacar escalar paredes, andar agachado e soltar magias. Os golpes são socos seguidos de chute, podendo ser desferido um pequeno combo de três hits. As magias são consideradas como um ataque secundário, e logo de início uma delas já está à sua disposição.  Seu uso depende de uma barra de power que é abastecida com a coleta de poções, e outros sete poderes serão adquiridos durante a aventura, ítens obviamente cruciais para a sobrevivência de nosso herói. Estas novas habilidades são obtidas a cada chefe de fase vencido e você poderá alternar entre elas durante as fases (inclusive com o game pausado), através dos botões L e R.

Cada habilidade tem a sua utilidade e muitas vezes o uso de algumas delas se faz obrigatório em determinadas partes do cenário. Uma marca na barra de power indica a quantidade de energia que será gasta para a execução de cada uma delas. Deixo para você a façanha de descobrir o efeito que cada uma destas magias pode trazer, mas de antemão lhe digo que o último poder adquirido é o único capaz de quebrar a defesa de Ashura. Você poderá coletar também alguns diamantes em meio às fases, com o intuito de acumular vidas extras. Os inimigos abatidos podem deixar tanto diamantes como poções.

O game lembra uma mistura de Megaman com Demon’s Crest (ambos da Capcom), tanto pelo layout de suas fases quanto por sua jogabilidade.  Mas diferente dos games citados, Skyblazer não será tão exigente com você. Este talvez seja um dos seus pontos fracos, caso o jogador seja um aficionado por longas jornadas e altas dificuldades. Também não há limite de tempo e todas as suas fases são curtas, nos fazendo acreditar que poderiam ser melhor elaboradas.

A variedade de inimigos também não é grande e merecia uma atenção maior. Ainda assim, isso não tira os méritos do game, de forma alguma. Jogá-lo tem sido uma experiência muito prazerosa. Por poucas vezes há uma variação na jogabilidade, onde o seu personagem pode voar, tornando o game uma espécie de Shooter aério. Em alguns momentos é utilizada a tecnologia Mode 7, a mesma de F-Zero, trazendo um efeito rotacional melhorado e uma sensação de profundidade maior ao cenário. Há também a possibilidade de você voar por uma fase bônus, onde o objetivo é apenas acumular vidas, nada de especial.

Um mapa dividido por ilhas indica o seu progresso, e você poderá re-jogar as fases pelas quais passou, caso tenha interesse. Os cenários são diversificados e super coloridos, começando por florestas, passando por dungeons quentes e geladas, desertos, fases aquáticas, aéreas e ruinas. Apesar de não ser um game difícil de modo geral, existem alguns momentos em que a sua paciência será testada. O que tranquiliza é a possibilidade de acumular muitas vidas extras para compensar as frequentes perdas, causadas por quedas em abismos, por exemplo. Além disso, para você que não gosta de emuladores (mas vê neles a única forma de salvar a sua aventura na hora de dormir), o game traz um sistema de password para que o progresso não seja perdido.

Alguns puzzles e inimigos são extremamente mortais, e por isso é bom atacar ou avançar somente com convicção. E para complicar um pouquinho, existem algumas fases que lhe farão andar em círculo, caso não tome a rota certa. Paciência e perseverança meus filhinhos, estes são fatores que você não deverá deixar de lado enquanto joga Skyblazer, tanto por que à medida que se progride no jogo, suas barras de life e magia vão sendo aumentadas para facilitar nossa vida.

Os chefes de fase são todos distintos e, apesar da cara feia de cada um, não foi preciso muito esforço para vencê-los. Como ocorre em Megaman, antes de lutar contra Ashura, você terá de enfrentar todos os chefes de fase novamente, desta vez, na mesma sequência. Porém, não há o que temer pois você terá a oportunidade de recuperar suas barras de power e life nos intervalos de uma batalha para outra. A briga com Ashura também não traz grandes dificuldades, apenas fique longe do malvado e tente acertar voadoras no rosto dele, um ataque por vez pra não se complicar. Já a última batalha é contra Raglan. Aí, meu caro amigo retro-aventureiro, o negócio complica um pouquinho, pelo menos até você descobrir o macete. Confesso que foi surpresa enfrentá-lo, pois em momento algum na peleja o malvado deu as caras, nem para fazer ameaças. Sendo assim eu também não quis postar a imagem dele aquí. Para vencê-lo, apenas use o que você sabe fazer de melhor e acabe com o monstrengo de uma vez por todas.

Ok, o que eu poderia dizer mais sobre Skyblazer? Que o game é bom, não tenha dúvidas. Valeu a pena tê-lo conhecido e jogá-lo. Contudo, ao terminá-lo, tive a impressão de que faltou um pouco mais de dedicação dos produtores, dada a duração, quantidade e elaboração de suas fases. Poderiam ter colocado mais ação também. Mas não deixa de ser um game de respeito que, infelizmente não teve o merecido reconhecimento, mesmo diante dos pequenos detalhes a melhorar. Com toda a certeza, existem tantos outros títulos de qualidade, tão bom quanto este, esperando serem “encontrados”, dentre o vasto acervo que o mágico Super Nintendo/Famicom possui. Certamente vou dar uma vasculhada melhor em minha coleção de roms. Skyblazer é exclusivo e infelizmente não exitem continuações para ele.

E você, conhecia o título? Conte aí pra galera as suas experiências. Obrigado pela leitura!

Fim.


Sobre Jeff

O Jeff é veterano que começou a jogar games com um Bit System. Ele ama jogos 2D. Criterioso e saudosista, adora os jogos de Nintendinho. Atualmente sua plataforma principal é um PCgamer, Mas jogar é com ele, não importa se num console da Sega, Sony e assim vai!
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