Retro Especial Revistas do meu Brasil #1: Ação Games


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Aconteceu comigo e sem dúvida com você também, caro leitor do Retroplayers: em um momento de nossas vidas começamos a nossa jornada pelo mundo dos games e, durante esta jornada, lemos e amamos alguma revista de videogames em especial. Ir à banca todo começo de mês e comprá-la era um ritual habitual. Ler as suas dicas, novidades, mandar cartas, trocar informações, fazer um desenho e enviá-lo para a seção do leitor, procurar lançamentos e  informações sobre seu jogo predileto fez e faz parte de nós retrogamers. E é por isso que desde que entrei no Retroplayers venho pensando em escrever algo sobre esses nossos amores que fizeram “época” no Brasil – as primeiras revistas de games.

Banca RetroplayersMas falar sobre revistas de games antigas não é apenas falar sobre um monte de páginas, capas, matérias, dicas e notícias. É falar sobre a história dos games no Brasil, e digo mais, essas revistas foram a iniciação de leitura de muitas pessoas, iniciação na busca de informações, ajudando na formação de análise crítica, na expressão de opinião etc, exercendo até influência na decisão sobre a escolha profissional de alguns e principalmente EM FAZER VOCÊ GOSTAR muito mais de jogar videogame.

Eis que estou aqui com o desafio de falar sobre as principais revistas antigas de games que fizeram história no Brasil: Ação Games, GamePower, SuperGame, SuperGamePower e Videogame. Um desafio e tanto né, pessoal?! Vale lembrar que já tivemos várias reportagens sobre o assunto, inclusive da Uol Jogos, mas achei que faltou um pouquinho de “aproximação” em certos assuntos que todos nós passamos naquela época, e é isso que vou tentar contar aqui.

A primeira revista escolhida foi a nossa querida Ação Games e não poderia ser outra, afinal, ela foi a primeira publicação mensal sobre games que tivemos no Brasil. Mas antes de começar a falar dela tenho que começar falando da época, de como as coisas funcionavam e por que as revistas de videogames surgiram e explodiram com os gamers brasileiros.

Venha comigo, galera! Vai ser um grande desafio, mas tenho certeza de que iremos nos lembrar de muitos bons momentos e nos divertir bastante.

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As décadas de 80 e 90 foram sem dúvida épocas de ouro na questão de entretenimento. TV, música, rádio, eventos, filmes, quadrinhos, esportes etc, estavam transbordando em todos os lugares e o mercado editorial brasileiro se agitava e crescia com tudo isso. Engraçado que não havia computadores, internet e muito menos a facilidade de conseguir informações como hoje. Na verdade, só ouvir simplesmente a palavra “computador” já assustava as pessoas.

E foi nesse contexto, sem computadores (que logo iriam chegar) e com a utilização de meios arcaicos de edição que o mercado editorial brasileiro vivia e crescia. Crescia com a criação de revistas temáticas onde se consolidaram algumas gigantes como a Veja, a 4 Rodas, e a Super Interessante. Com esse crescimento ficou clara a existência de um público jovem e consumidor, e assim nasceu um nicho de revistas temáticas para eles. Curiosamente foi com uma delas que o assunto videogame, que vinha crescendo e explodindo em todo Brasil, entrou em pauta em uma revista.

A SEMANA EM AÇÃO era o nome dessa revista, que foi lançada em agosto de 1990 pela Editora Abril e tinha como diretor de redação o Marcelo Duarte. A SEMANA EM AÇÃO falava sobre Fórmula 1, esportes radicais, mulheres, eventos, lazer, uma pequena cobertura sobre futebol e outros assuntos diversos, só que mesmo sendo distribuída em todo o Brasil, a variedade de assuntos da revista não se mostrava suficiente para cativar o público. Heis então que no meio de algumas edições, o assunto “videogames” fora comentado, e teve mais retorno que o restante todo dos assuntos da revista.

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A Semana em Ação: uma revista que não durou muito, mas deu origem à Ação games

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Não foi por acaso que esse retorno tenha acontecido no finalzinho dos anos 80, época da explosão da TecToy no Brasil com seu Master System e logo depois, da chegada do Mega Drive aos lares brasileiros, abalando os pilares da história dos videogames no país.

Editores Ação Games

Da direita para a esquerda: Marcelo Duarte, Paulo Montoiaque viria mais tarde a ser o diretor executivo da revista,  e Regina Gianetti.

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Foi então que o diretor de redação Marcelo Duarte percebeu a falta de informações sobre o tema no mercado editorial, e convidou Regina Gianetti, que era repórter de uma revista de comunicação (lembrem-se desse nome, galera! Uma mulher ajudou muito o mundo dos games no Brasil), para lançar duas edições especiais da revista sob o título de A SEMANA EM AÇÃO: ESPECIAL GAMES. A primeira edição foi lançada em Dezembro de 1990 e a outra em Março de 1991 e o sucesso delas foi enorme. Só que isso não convenceu a Abril de que a revista poderia gerar lucros, e a A Semana em Ação acabou por ser descontinuada em Abril de 1991, um mês apenas após o lançamento da segunda edição especial Games. Mas nada estava perdido: a Editora Azul, subsidiária da editora ABRIL, havia percebido o sucesso das edições tematizadas em videogames da finada revista, e acabou por comprar os direitos da publicação. O nome foi encurtado, pois uma pesquisa revelou que os jovens que haviam comprado a edição especial a chamavam apenas de Ação Games, pois eram as palavras que vinham estampadas em letras garrafais na capa, e assim, apenas um mês depois, surgia nas bancas a REVISTA AÇÃO GAMES, a primeira publicação mensal sobre games do Brasil.

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As duas edições da revista A Semana em Ação Especial: Games.

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A primeira edição possuía um formato diferenciado das outras revistas da época. Ela era maior e mais colorida, justamente para chamar a atenção do público. O tema da primeira edição era nada menos que o super lançamento do clássico Castle Of Illusion starring Mickey Mouse do Mega Drive, e também vinha estampada na capa a notícia de que o Super Famicom estava chegando, isso tudo além de estratégias para detonar Tartarugas Ninjas 2 de NES, ESWAT de Master System e The Revenge of Shinobi de Mega Drive. Essa primeira edição foi um sucesso estrondoso e vendeu toda a tiragem na época. A editora Azul ficou surpresa com tamanha repercussão e logo pediu para que começassem a preparar as edições seguintes. Mas existiam muitos desafios nessa época para quem trabalhava na AÇÃO GAMES.

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Naquela época não havia captura de imagens pelo computador, então e você sabe como eram feitas as imagens da AÇÃO GAMES? Tudo em uma sala escura com uma “TV-Tubão” ligada a um videocassete. O videocassete gravava a jogatina do jogador ou dos jogadores – no caso os editores na época – que pausavam as melhores partes para anotar tudo e deixar o fotógrafo tirar as fotos, criando assim as imagens que iriam ser colocadas na revista.

Ivan Cordon Outro desafio foi que os editores começaram a perceber que escrever era uma coisa, já fechar os games era outra completamente diferente! Como bem sabemos, os jogos naquela época já começavam a ficar um pouco mais fáceis, mas ainda eram sim muito difíceis. Fechá-los era o fator principal das reportagens nas revistas (para os famosos “detonados”), e o problema era todo dos redatores que, em poucas palavras, não tinham habilidade para isso, e assim surgiu a necessidade de chamar para trabalhar na revista pessoas que possuíssem mais facilidade na hora de terminar os jogos. Com isso surgiram os “pilotos”, a profissão dos sonhos de 11 entre cada 10 jovens da década de 90, e um dos primeiros pilotos do Brasil foi o Ivan Cordon, que obviamente era um garoto na época e foi convidado para a função devido a sua habilidade em jogar e fechar jogos em locadoras. Ivan também mostrou os caminhos das pedras para os editores ou mais especificamente, onde encontrar os games (as melhores locadoras), quais eram os jogos que a galera queria encontrar como tema de suas matérias, dicas que somente quem realmente jogava sabia, e principalmente como fechar um jogo, afinal, era isso que todos queriam saber. E como já disse, isso era o sonho de qualquer um que lia as revistas da época: trabalhar jogando videogame. Vai dizer que você nunca sonhou com isso?

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Mas onde os editores buscavam certas informações sobre jogos, lançamentos e dicas? Essa era uma questão que ficou por muito tempo na cabeça de quem lia a AÇÃO GAMES. Tudo bem que eles tinham os pilotos que detonavam os games e passavam muitas informações. Mas e os jogos que só eram lançados no Japão e EUA? E aquelas fotos exclusivas de consoles e acessórios que só existiam no exterior? De onde vinha tudo isso se não existia a internet?

Eis a resposta: – Revistas de videogame estrangeiras como a GAMEPRO, EGM e FAMITSU.

Revistas Estrangeiras Ação Games

A AÇÃO GAMES era uma revista que não possuía nenhuma parceria com revistas estrangeiras (ao contrário da Super Game Power), então, buscar essas informações era uma parte constante na criação das matérias.

O próprio Paulo Montoia contou que visitava o bairro da Liberdade em São Paulo para buscar revistas japonesas como a FAMISTSU, e depois pedia ao seu professor de japonês da USP que o ajudasse a traduzi-la para assim, ficar por dentro de todas as informações e novidades. Vale lembrar que o Japão era o país do videogame naquela época e por isso, se você queria saber algo em primeira mão, era só ficar ligado nas notícias da terra do sol nascente.

Produtoras de games gigantescas como Nintendo, Konami e Capcom nasceram no Japão, sem contar que qualquer tecnologia ou maluquice do mundo dos games aparecia primeiro por lá. Então vamos dizer que o “pote de ouro” das informações eram as revistas japonesas.

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Meu primeiro contato com a AÇÃO GAMES foi com a Edição Especial nº1 comprada pelo meu irmão e que trazia na capa as Tartarugas Ninjas. Meu irmão tinha um NES e o interesse por esse game e pelo filme era óbvio. Lembro-me que ele jogou muito Tartarugas Ninjas 2 de NES, mas para ser sincero, era euzinho que lia mais aquela revista milhões de vezes, e me lembro até de tê-la pego para copiar os desenhos que vinham nela (desenhei o F16 dessa página aí em baixo, olha que maravilha).

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E foi assim por muito tempo: meu irmão comprava e eu as lia e relia. O tempo foi passando e o fato foi que meu irmão cada vez mais se desinteressava por games enquanto que meu interesse aumentava… Até que chegou um ponto em que o desinteresse dele chegou ao máximo e ele parou de comprar as revistas, e isso foi algo bem chato para mim na época… Sabe como é né, criança sem mesada… Mas o tempo passou, cresci um pouquinho (só um pouquinho, hahahaha!), ganhei meu próprio console, o Master System, e depois de algum tempo comecei a ir sozinho na banca para comprar a AÇÃO GAMES com a grana conseguia recolhendo todo trocadinho e moedinha que sobrava em casa.  

acao_games_25_capaUma das minhas edições prediletas é a nº 25, de Dezembro de 1992 com SONIC e TAILS na capa, falando justamente sobre SONIC 2 para Mega Drive e Master System, que por coincidência eu havia acabado de ganhar.

Preciso dizer que li aquela revista 1 milhão de vezes?! Mas sabe o que era melhor ainda, pessoal? Você comprava a revista com uma determinada capa (nesse caso Sonic 2) e acabava descobrindo uma diversidade de outros jogos. Só para ter uma ideia, nessa edição tinha SEGA e NEC juntas contra a Nintendo, Power Move de SNES, Out Of This World, Battle Clash com a super-bazuca do SNES, Zelda, Carmen Sandiego, Esqueceram de Mim 2, Adventure Island 3, Prince Of Persia, Mortal Kombat e muitas outras coisas. Tenho certeza que você se lembra da sensação de abrir e ver tudo isso em uma revista de games… era de arrepiar, começar a ler e esquecer tudo a sua volta, não era? Por muito tempo fui um leitor assíduo da AÇÃO GAMES, mas o tempo passou e de algum modo fui deixando ela de lado, não por desinteresse em games, mas pelo lançamento da gloriosa SUPERGAMEPOWER, e acredito que foi assim com muita gente que lia a revista.

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Cada um aqui deve ter uma seção que adorava na revista. Na AÇÃO GAMES sem dúvida a minha predileta era “cartas dos leitores”. A revista foi pioneira nessa questão, que muitas vezes continha a solução de dúvidas frequentes da galera que jogava. Lembro-me que foi na edição Nº 25 que vi a sequência final das caixas símbolos do Alex Kidd in Miracle World. E é claro, pessoal, que com tantas edições e anos de publicação, as seções foram mudando ou sendo substituídas. Então vou colocar aqui as principais, que envolviam as primeiras edições da revista e que perseveraram por muito tempo:

S.O.S e CARTAS:

Seção S.O.S era onde os leitores tiravam dúvidas mandando cartas para a redação da AÇÃO GAMES. Como naquela época era difícil achar informações sobre os games, a solução era enviar cartas pedindo dicas e macetes, e esta era uma das minhas seções prediletas pelo fato de trazer sempre as dúvidas que toda galera tinha sobre os jogos. Já a seção Cartas era parecida com a S.O.S, mas a diferença era que o assunto das cartas era mais voltado para depoimentos sobre a revista, broncas, correção de erros e demais coisas. Era uma seção muito legal, justamente porque aproximava o leitor do pessoal que escrevia a revista. E é por isso que nós aqui do RetroPlayers respondemos todos os comentários que você amigo leitor escreve em nossas postagens: queremos que você se sinta próximo, como se estivesse em uma roda de amigos!

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Sessão de cartas: clique para ampliar! O mesmo vale para as próximas

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SHOTS:

Esta era uma seção de informações sobre o mundo dos games. Os assuntos principais eram os lançamentos, eventos, novos acessórios, novas tecnologias, mercado, empresas e o que estava por vir nesse meio. Era uma seção muito legal, me lembro que nela sempre havia algo sobre a Nintendo ou a Sega e o que elas estavam tentando fazer para tomar a liderança no mercado de games.

SHOTS Retroplayers Shots Retroplayers Shots Retroplayers

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GAME OVER:

A seção de recordes da revista. Alguém se lembra dos clássicos recordes de pontuação em games? Quem nunca ficou babando naquelas pontuações de jogos clássicos de Master System, Mega Drive, NES, Super Nintendo e cia?

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LUTA:

Street Fighter sem dúvida é o pai dessa seção, afinal, foi depois dele que começaram a surgir milhares de games nesse estilo.

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AVENTURA/AÇÂO:

Meu gênero predileto de jogos. Aqui foram divulgados verdadeiros clássicos que vivem até hoje no mundo dos games.

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ESPORTE:

Tênis, futebol, jogos olímpicos, basquete, golf, boxe e muitas outras modalidades pintavam nessa seção. Para a galera amante de esportes, era a seção certa.

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CORRIDA:

Era a seção para os aficionados por velocidade. Alguns dos jogos de corrida que foram destaque por aqui:

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TIRO:

Ainda não era a época dos Call Of Duty’s da vida, mas os jogos de tiro eram também a alegria da galera naquela época.

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DICAS:

A seção que com certeza você adorava: era recheada de códigos, passwords e segredos de jogos. Algumas das dicas que passaram por essa seção:

Dicas Retroplayers Dicas Retroplayers Dicas Retroplayers

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AÇÃO GAMES CLUBE:

Aqui a galera se informava sobre compra de consoles, jogos ou trocas (principalmente de produtos usados).

Clube Retroplayers Clube Retroplayers Clube Retroplayers

BÔNUS 1: EDIÇÕES COM BRINDES:

Quem não gosta de ganhar algum brinde? Eu adorava! E a AÇÃO GAMES sempre trazia algum brinde em suas edições.

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BÔNUS 2: EDIÇÕES ESPECIAIS

A revista sempre fazia muito disso, edições especiais só com dicas, golpes e cia, isso sem contar aquelas edições inesquecíveis por terem alguma notícia ou matéria bombástica. Lembro-me bem de algumas clássicas: uma edição falando da clássica guerra entre Nintendo e Sega, outra com Mortal Kombat 3 e também com uma matéria sobre o Playstation.

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O “começo do fim” da AÇÃO GAMES se deu em meados de 1999, quando a editora Abril incorporou a subsidiária editora Azul que era a responsável pela revista. O que deveria na verdade tornar a revista mais forte, se tornou o pontapé inicial para o fim dela.

Outros três motivos também ajudaram na derrocada da revista. O primeiro foi justamente o desenvolvimento e fortalecimento da internet, o que proporcionou a busca de informações de forma mais rápida e a um custo muito menor, algo que deixou não só a AÇÃO GAMES para trás, mas também as outras revistas do segmento. Outro motivo foi a concorrência, que havia entrado no mercado em grande peso. Revistas como SUPERGAMEPOWER (a fusão matadora da SuperGame com a GamePower), VIDEOGAME e GAMERS de um modo ou de outro tornaram-se melhores que a AÇÃO GAMES e conquistaram o público. E por último, a troca de editores da AÇÃO GAMES, que truxe uma reformulação totalmente equivocada à revista. A ideia dos novos editores era tornar a revista maisteen, mas falharam desastrosamente, inclusive a deixando por muitas vezes com uma temática mais feminina, o que era justamente o contrário do público alvo original.

E sim, vale lembrar que o mercado de games naquela época ainda engatinhava em questão de jogos para o público feminino, e apesar de já existirem muitas mulheres gamers, o mundo dos videogames transbordava testosterona. Com isso, a revista perdeu a “pegada” e também o fôlego, fazendo o público buscar outras revistas para leitura.

Com esses detalhes da perda do público, a publicação se esqueceu de crescer junto com os jogadores. Aquela ideia de dicas, cartas e análises simples já não eram suficientes para o público que cresceu junto com ela (amadureceu), e cada vez mais conhecia o assunto, se envolvia e gostava de opinar e ter opiniões mais concretas do mundo dos games. Resumindo, não bastava informar, tinha que opinar, e competir com a tal da Internet nesse segmento já se tornava algo dificílimo. A revista, depois de um tempo, percebeu esses detalhes e tentou mudar completamente, mas já era tarde demais: o público já tinha criado a ideia de que a revista era desinteressante e com isso, em janeiro de 2002, a Ação Games parou de circular, sendo sua edição final a de nº 171. De acordo com o editorial, ela seria somente lançada em edições especiais.

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Conclusão

A Revista Ação Games foi sem sombra de dúvida um dos principais veículos de divulgação de games e consoles no Brasil. Foi a pioneira, e com suas 171 edições, tratou de fazer parte do nosso cotidiano por muitos e muitos anos sempre gerando muita conversas, ajudando nas jogatinas, criando discussões, histórias e muita diversão, sem contar que iniciou o habito de ler em milhares de crianças. Para muitos foi ou é, ainda hoje, a melhor revista de games no Brasil de todos os tempos, e se realmente não chegou a tanto, é certo que é uma das mais saudosas e memoráveis publicações do mercado editorial brasileiro.

Foi uma pena a vermos definhar até acabar, principalmente devido a tantos fatores provenientes do mundo moderno que foram aparecendo e fazendo frente à revista. Mas é certo que, apesar de tudo, ela ainda vive no coração de muitos, inclusive no meu. 

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Entrevista com Marcelo Duarte, um dos criadores da Revista Ação Games

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Galera, tive a oportunidade de conversar com o Excelentíssimo Senhor Marcelo Duarte a algumas semanas atrás. Ele me recebeu após seu programa de rádio e tivemos um bate papo super descontraído sobre a Ação Games e sua história. Fiz uma pequena entrevista, fiquem com ela e aguardem mais novidades em breve aqui no RetroPlayers sobre ele e a Regina Gianetti, outra peça chave na criação da revista.

Iniciamos o bate papo com algumas risadas e lembranças de bons tempos de vida mais difícil, e então, começamos com as perguntas:

1) Você conhece essa tendência atual de retrogames, e imaginava que ainda existem tantas pessoas que ainda gostam de jogos e consoles antigos?

R: Acabei conhecendo essa tendência quando fui fazer uma reportagem do programa que apresentava sobre games na ESPN, chamado Games Up. Tive a oportunidade de visitar uma loja especializada em games antigos na Santa Efigênia e percebi a grande procura de jogos e consoles antigos.

2) Você, como criador da Ação Games, ainda pensa em um dia voltar a escrever para esse meio?

R: Eu não sou um grande jogador de games, mas fui convidado anos atrás para apresentar o Games Up na ESPN, justamente pelo meu vínculo com a Ação Games no passado. Foi uma experiência muito legal, no qual tínhamos um programa divertido, com reportagens especiais e tudo que ocorria do mundo gamer.

3) Você imaginava que mesmo depois de tantos anos, ainda existissem pessoas que gostam, conversam sobre e admiram o seu trabalho e de outros que se envolveram na Ação Games ?

R: Fiquei muito feliz em saber que existem pessoas que gostam e ainda admiram o trabalho da Ação Games. Apesar de minha história ser curta em relação a revista é muito legal ver e saber de tudo isso.

4) Você ainda tem contato com videogames? Se sim, teria vontade de jogar algum jogo em especial da época em que você trabalhava na Ação Games?

R: Jogo videogames com meus filhos, eles tem inclusive os videogames dessa última geração e o novo FIFA. Gosto de jogar os jogos do Mario da Nintendo. E algum tempo atrás que joguei um game chamado Donkey Kong Jungle Beat, muito divertido. Passávamos horas jogando ele.

6-) Você tem contato com alguém da Ação Games ainda?

R: Olha eu tenho contato com a Regina, principalmente pelo Facebook. Ela é uma grande amiga minha e sem dúvida a grande responsável pela Ação Games.

5) Já aconteceu de você sair em público e alguém falar: – “É o Marcelo Duarte da AÇÃO GAMES!”?

R: Quando acabei indo em alguns eventos de games, em reportagens pela Game Up, algumas pessoas, que na verdade eram os pais que acompanhavam os filhos, me reconheceram e foi uma experiência muito legal.

6) De uns anos para cá, estamos vendo um enxurrada de games REMAKES de clássicos da época da Ação Games. Você acha que isso é uma nova tendência ou apenas uma exploração do mercado?

R: Como disse antes, eu não sou um jogador assíduo, mas meus filhos ainda tem os videogames antigos guardados. Mas é super interessante ver jogos como o Mario dos anos da Ação Games com os gráficos atuais. 

7) O mercado de games foi dominado pela SEGA e NINTENDO por um bom tempo. E uma questão sempre ficou em aberto para nós leitores. Você como editor preferia a Nintendo ou a Sega?

R: Essa parte eu não posso detalhar para vocês devida minha participação curta na Ação Games, mas com certeza a Regina vai responder para vocês em breve.

8) A galera do Retroplayers sempre está falando sobre games, jogos, histórias, revistas etc dessa época mágica em que você participou no mundo dos games. Você teria alguma sugestão para fazermos alguma matéria especial?

R: Espero que em breve que possamos conversa com a Regina também. Seria uma experiência muito legal. Ela com certeza vai lembrar de muitos mais detalhes e contar todas as curiosidades dessa época da Ação Games.

9) Por último, poderia deixar uma mensagem para todos nós fãs de games?
R: Aos amigos RetroPlayers um abração do Marcelo Duarte. 

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E você, leitor? Conte sua história com a Ação Games aqui nos comentários e o que você achava dela!

Espero que tenham gostado da matéria e se tiverem curtido, podem ter certeza que vou continuar a escrever sobre as outras revistas. Grande abraço do Ivo.

E não posso esquecer de dar créditos totais à Cris pela ajuda geral na revisão e elaboração da matéria, Sabat pelas dicas referente a dinâmica do texto e a Marcelo Duarte pela entrevista e conversa. Obrigado a todos vocês.

Fim


Sobre Ivo da Locadora

"Amante de Mario Kart, retrogamer assumido, contador de histórias gamers e sonha ter uma lojinha de Games e Retrogames."
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