Retroplayers apresenta, a E3 que nos interessa! (2011)


Mais uma E3 chega e se vai, e seus rastros novamente marcarão o ano que segue adiante enquanto aquilo que nela foi apresentado vai aos poucos aparecendo nas prateleiras das infinitas lojas espalhadas pelo mundo, real ou virtual. E eu sou um daqueles caras que gostam de acompanhar a evolução da indústria, as novidades do mundo gamístico, e por isso sempre procuro assistir as conferências  das principais empresas participantes do evento. O bom é que quase sempre alguma boa surpresa pinta para entreter a nós, velhos barbados adoradores do passado gamístico, e são elas que vale a pena relatar aqui, e por que não, debater um pouco também né.

Quanto mais velho fico, menos me surpreendo com as coisas. Foi por isso que achei a E3 do ano passado, a primeira que eu cobri aqui no Retroplayers,  um quase completo tédio que teria sido total se não fosse pela presença da Nintendo, que apresentou jogos como Donkey Kong Country Returns e novidades muito bem vindas como o tal do 3DS, novo portátil que apareceu cheio de grandes personagens e clássicos renovados. Mas o ano passou, o Wii perdeu força e não tem mais aquela quantidade significativa de bons lançamentos que justificavam a compra do console, o X360 e seu Kinect venderam igual água inicialmente, mas não apresentaram nada realmente interessante até agora e começam a aparecer as terríveis dúvidas na cabeça dos que compraram o acessório, e a Sony até o momento tenta arrumar desculpas para o fiasco que é o seu Wii Mote Copy, o PS Move, que simplesmente não serve pra nada. Pois é, posso dizer que o ano que correu não foi nada promissor no que diz respeito à inovação e boas idéias.

Especulações apareceram de todas as formas, das mais nefastas às mais promissoras, e enquanto eu ouvia de um lado um punhado de pessoas dizendo que a tamanha falta de brilho que assolava o mundo gamístico poderia sem sombra de dúvida levar a indústria à repetição do colapso mundial da década de 80 mais conhecido como O Crash, do outro lado eu ouvia uma segunda parte do público se dizendo esperançosa com os prováveis novos consoles que finalmente deixariam de serem boatos para serem apresentados nesta nova edição da feira de entretenimento mais famosa do mundo.

A segunda opção foi a que aconteceu até o momento, mas o conteúdo apresentado pelas empresas e as possibilidades imaginadas são satisfatórias para que a primeira não aconteça também em breve? Não sei, esta pergunta cabe aos grandes especialistas em jogatina eletrônica, que por sinal, mais erram do que acertam… Mas para nós, velhos jogadores, o que é que realmente importa?

Acho que o que realmente importa para nós é vermos nossos heróis do passado ainda vivos. É o que queremos e esperamos de uma E3, pois no fundo, é o que nos resta.

Neste quesito a feira do ano passado foi estupenda, e não graças à Microsoft e a Sony, que apresentaram conferências que seria melhor nem termos assistido, mas sim graças ao aparelhinho 3D da Nintendo, que reviveu e revigorou, pelo menos naqueles momentos mágicos, uma quantidade estupenda de personagens a muito queridos por todos nós, mas que se revelou uma plataforma que até o momento não mostrou a que veio. Pois é, o ano passa e tudo muda, o que era lindo e promissor nem sempre se revela desta maneira alguns meses depois, e o 3DS é até agora, um quase-fracasso de vendas, fato que associo à line-up bem meia boca de estréia do aparelho.

E posso dizer que Microsoft e Nintendo ousaram repetir a fórmula, uma apresentando novamente uma tonelada de jogos de tiro tão similares que seriam facilmente confundidos por alguém que os olhasse rapidamente,  juntamente de um punhado de títulos felizes (tão mau e artificialmente coreografados quanto no ano anterior) para o seu acessório captor de movimentos, e a outra, mais uma vez apresentando um novo aparelho cheio de idéias revolucionárias que prometem mexer com a mente criativa dos desenvolvedores, que por sua vez, discursaram felizes e sorridentes sobre as possibilidades que eles imaginam, coisa que também foi prometida outras vezes e que nunca chegou a ser cumprida senão pela própria empresa criadora do aparelho. Mas se isso causa dúvidas naqueles mais analíticos e/ou realistas, a presença de nossos heróis mais uma vez estava ali garantida, pois a Nintendo nunca vem sozinha a uma feira de entretenimento.

E vimos isso logo que a conferência teve início, onde uma orquestra começou a interpretar algumas das músicas mais conhecidas de toda a história dos jogos eletrônicos, as músicas da franquia The Legend of Zelda, que teve seus principais jogos retratados no telão ao fundo em uma linda homenagem aos 25 anos de salvamentos realizados pelo Corajoso Link em prol da sobrevivência da Princesa Zelda, da prosperidade de Hirule, e de belos e numerosos chutes no traseiro nefasto de Ganondorf. Mais uma vez, o próximo jogo da franquia fora mostrado, o super aguardado The Legend of Zelda Skyward Sword, desta vez não jogável e à prova de micos provenientes de interferências no local, um game que me intrigou e que explicarei o motivo mais á frente, pois agora direi o óbvio.

Se tem Nintendo, tem Mario, e a regra é imutável: lá estava o bigode estrelando um novo game para o portátil 3DS, um plataforma 3D que mais parecia uma mescla de New Super Mario Bros com Mario Galaxy, mas que trazia de volta algo a muito esquecido lá no início da década de 90, um simples e raro item capaz de trazer de volta as mais doces lembranças daquela época mágica, a roupa de Tanooki Mario! E o bigode detonava um bloco e surgia a Folha, que o transformava naquele guaxinim raro do fantástico Super Mario Bros 3, e então ele saía distribuindo rabadas nos pobres Goombas que apareciam pela frente correndo pra lá e pra cá daquela mesma velha maneira que aprendemos a gostar em Super Mario 64. Detalhe é que no Mario 3, essa roupinha nao era fornecida pela folha né… A folha só fornecia o rabinho e as orelhas de guaxinin, enquanto a roupa completa vinha do item roupinha de guaxinin mesmo! Complicado né? Bem, continuando,  o bigode reapareceu também em Super Mario Cart 3Ds, assim como Kid Icarus deu novamente o ar de sua graça no aguardado Uprising. E se o novo jogo do bigode parece ter mais uma vez deixado Luigi a ver navios, foi em outro jogo que o irmão medroso do bigode reapareceu: Luigi’s Mansion 2, para Wii, e aparentemente muito, mas muito melhor que o primeiro. E foi só, pelo menos até aquele momento, pois o restante da conferência seria dedicada à apresentação do Project Cafe, que se revelou um bicho que colocou tantas dúvidas na cabeça do povão que fez com que as ações da Nintendo automaticamente caíssem 6% na bolsa de Tókio, mas que ao mesmo tempo causou arrepios nos mais esperançosos ao demonstrar poder de fogo suficiente para rodar jogos em resoluções superiores. Este foi o Wii U, um controle com uma tela de LCD enorme (para um portátil) de 6.2″ compatível com o Wii (e certamente com um próximo console de poder superior) e que sem sombra de dúvida receberá vários games com os personagens da empresa. Só que nenhum deles foi mostrado, tudo retrô se resumiu novamente ao 3DS, e para Wii U foram apresentados diversos jogos HD bem diferentes do padrão adotado pela empresa nesta geração de consoles, provavelmente uma estratégia de marketing para atrair os jogadores ditos como Hardcores.

Se parássemos agora, poderia dizer até mesmo que esta feira foi nada mais que um repeteco da e3 2010, mas felizmente, para a mim, para a indústria, e para a Sony, a gigante do áudio visual finalmente resolveu inovar verdadeiramente em algo, e assim surgiu o seu próximo console portátil e sucessor do PSP, o Play Station Vita, que diferente do seu antecessor, faz muito mais do que apenas rodar jogos em alta definição, possuindo tela toutch assim como o Wii U, e uma revolucionária camada sensível ao toque na parte traseira do aparelho, que servirá para diversas funções dentro da área da telinha de LCD.

Uma coisa eu sei sobre esta nova geração de consoles: suas redes online possuem verdadeiras pérolas para quem gosta da boa e velha jogatina 2D plataforma, e se o lar dos melhores jogo deste estilo eram os aparelhos enormes que colocávamos nas nossas salas, com estes novos portáteis poderemos em fim levar definitivamente os grandes nomes deste mercado underground no bolso (ou na mochila, vide o tamanho do Wii U). Particularmente o novo título da VanillaWare para PS Vita me impressionou muito: Dragon’s Crow, que apresentou novamente aquele esplêndido visual gráfico 2D característico de seus games anteriores, Odin Sphere e Muramasa the Demon Blade, títulos que eu considero serem um novo caminho evolutivo dos gráficos em duas dimensões.

O PSV me agradou muito, é um console poderoso e com um potencial enorme para jogatina de qualquer espécie, e isso me fez pensar que o caminho da indústria gamística atual parece estar pendendo para a portabilidade, pois é ali que estão aparecendo as verdadeiras evoluções, é ali onde as idéias estão aparecendo, e estou mais do que convencido que é isso o que o povo procura em um vídeo game, pois foi por isso que o Wii vendeu tanto. Mas e as plataformas principais das empresas? Alguma coisa boa? Sim claro, muitos excelentes títulos para quem gosta de tiros e mais tiros, coisa que não cabe a mim analisar ou mesmo citar aqui no Retroplayers com exceção de um único título para PS3, X360 e PC.

Esta é uma franquia que eu sempre detestei com todas as forças desde o seu aparecimento no saudoso PSx, com aquela heroína que de heróica não tinha nada, mas possuía peitos poligonais enormes o suficiente para que todo mundo a considerasse como tal. Não se irritem, caros amigos retroaventureiros fãs desta moçoila, pois esta é apenas uma opinião minha, assim como meu amigo Edwazah tem a opinião de que Zelda é uma porcaria e não o crucifico por isso mesmo eu sendo o maior fã que conheço desta franquia. Mas caros amigos, nunca considerei um personagem tão superestimado quanto considero Lara Croft, a heroína humana que de humana não tinha nada e que aos meus olhos, parecia ter sido concebida pelo Jhon Woo tamanha forçação de barra que eram seus jogos. Sempre achei que a idéia da série era espetacular e tinha um grande potencial (não usado), e ao contrário de muitos que dizem que os dois primeiros games eram bons e só estragou depois, eu digo nem estes prestaram: eram apenas uma novidade que passou e perdeu a graça, como acontece com inúmeros jogos e heróis genéricos. Mas agora vejo uma Lara Croft que me agrada demais, uma mulher como todas, mais humana do que nunca, que se machuca e sente medo, que grita de dor e luta por sua vida, que se suja quando cai e precisa estancar o sangue da ferida aberta. Um novo começo para uma franquia que por mim, não faria falta alguma se não existisse da maneira que existiu, mas que agora, me parece extremamente atraente.

Por tabela, acabei assistindo também a conferência da Ubisoft, pois um jogo em especial me chamou muito a atenção na E3 do ano passado: Rayman Origins. Mas fui surpreendido com uma bela homenagem aos seus games do passado inclusive citando aqueles nossos queridos consoles antigos onde estes estrelaram, e tudo isso em comemoração aos 25anos da empresa. E lá estava ele novamente, sendo jogado por duas pessoas simultaneamente, um gameplay fluido e divertido em um ambiente lindo e colorido, uma obra de arte que me deixa com os dedos coçando para mais uma vez, controlar o herói desmembrado. Uma etapa onde os blocos de Tetris caiam do céu com aquela música russa característica do jogo arrancou aplausos do público, assim como fez uma outra etapa que simulava um shooter horizontal, simplesmente maravilhoso! Rayman Origins é simplesmente o jogo que mais aguardo de todos os que foram apresentados nesta E3.

E reparando no vídeo, pude perceber como eu estava por fora… Uma grata surpresa na tela de apresentação do jogo, o símbolo do Wii! Que ótimo, poderei jogar sem problemas no meu consolinho branco… Ou será que Rayman Origins corre risco de sair só para Wii U? Mistério…
A Ubisoft me surpreendeu mais uma vez quando mostrou um novo jogo baseado no movie que o gigante Peter Jackson e o colossu Steven Spielberg estão trabalhando em parceria, The Adventures of Tintin The Secret of the Unicorn The game se mostrou incrível, mesclando jogabilidade 3D tradicional à aquela jogabilidade plataforma criada com Príncipe da Pérsia, cheia de pulos e agarrões.

Foi uma boa conferência, e foi a última das três que eu assisti. No geral, foi uma boa E3, que não superou as expectativas, mas que foi suficientemente boa para agradar a quase todo mundo. Bons lançamentos, novos e inovadores aparelhos chegando ao mercado, e aquela sempre bem vinda participação dos personagens clássicos, o charme que adoramos presenciar a cada edição.

Agora é esperar pelas promessas, e torcer para que se tornem realidade antes que elas resolvam serem nomes certos na E3 do ano que vem, como aconteceu com o jogo… com o… com uns 80% dos jogos desta.

Especulação do Sabat:

O Wii U terá mídia própria, uma mídia proprietária (entenda-se “uma incógnita”) de 25gb podendo chegar a 50gb com dupla camada (isto ainda não confirmado). Alguns televisores na feira, no entanto, estavam com os jogos de Wii U rodando em alta definição, coisa que vinha bem explícita no anúncio próximo as LCD’s: HD EXPERIENCE, como vocês podem reparar na imagem a baixo.

Seria esta misteriosa mídia a do aparelhinho ali dentro do buraco? Repararam que não é um Wii, pois é mais redondinho e tem um design um pouco diferente, o bom observador nota logo as diferenças. Estaria então o Wii realmente próximo de ser substituído? É possível que essas respostas apareçam logo, talvez assim que eu terminar de editar esse post, talvez não tão cedo, mas eu aguardo muito tempo pra jogar um The Legend of Zelda com toda a sua indiscutível qualidade e em High Definition. Esperemos!

Fim


Sobre Sabat

Dono, Chefe, Gerente, Cara da Xérox e Tia do Café do RetroPlayers! Meu negócio? Falar sobre games. Como? Escrevendo meus trabalhos, gravando minha voz horrível, ou filmando minhas humildes proezas! Onde? Aqui, ali, ou onde quer que me chamem!
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