Retro World: Link – Como era e como ficou

Se existe no mundo uma expressão imutável, esta é: o tempo não para. E com o passar dos anos, muita coisa muda de uma década para a outra – política, jogos, shows e moda. A moda está sempre em movimento, não importa o que acontece. Bigodes já foram e voltaram de moda desde os anos 70; se formos para os esportes, as camisas de Jorge Campos na década de 90 pareceriam ridículas hoje (embora muitos a usariam de forma irônica). Na cena de poker, capuzes estão vivendo seus dias de glória. Agora, como será que a passagem do tempo trata os nossos personagens favoritos de videogame? Com todo o frisson ao redor do lançamento de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, optamos por darmos uma olhada na história – e da moda – de Link.

Com mais de vinte títulos próprios, participações em mais de outros vinte jogos e trinta anos de “carreira”, Link é indubitavelmente, um dos rostos mais conhecidos da indústria dos videogames. Quem cresceu jogando com certeza lembra de alguma encarnação do personagem com muito carinho. Se você nasceu no começo dos anos 90, deve ter o Link de Ocarina of Time cravado em seu coração; se nasceu no final dos 80, o de A Link to The Past deve ter mais o seu carinho.

A primeira aparição de Link foi em 1986, em The Legend of Zelda, para o Nintendo Entertainment System. Nele, não só tivemos a introdução de todo o universo de Zelda – resgatar a princesa Zelda, derrotar Ganon, reconstruir a Triforce – como tivemos o estilo do protagonista definido: túnica verde, espada na mão esquerda e escudo. Essas vestes acompanharão o personagem por anos e anos – com exceções bastante pontuais.

Até 1991, a imagem de Link se manteve praticamente idêntica. Para os fins deste artigo (e da sua saúde mental), optamos por deixar de lado a série animada baseada nesta franquia que tivemos o (des)prazer de conhecermos. Pois bem, de volta ao ano de 1991. Em A Link To The Past, nosso protagonista teve um amadurecimento visual, adornos no seu escudo e um detalhamento mais cuidadoso do seu capuz e costuras na roupa.

Foi com o advento dos gráficos 3D que tivemos não só uma mudança radical em Link – uma mudança que seria paradigmática para o personagem até hoje – mas também, o melhor jogo da franquia (há quem diga que é o Majora’s Mask, mas eu e o mundo ficamos com o antecessor espiritual). Em Ocarina of Time, as vestes do protagonista, que geralmente aparecem nos jogos da franquia em mais duas, que são azul e vermelha, de acordo com os itens equipados dentro do jogo, possuem um ar de primeira vez ocasionado pela visão 3D do personagem.

Mais do que isso, o Link de Ocarina of Time tinha uma particularidade: como ele tinha que ser representado como adulto e criança, os traços da versão adulta precisavam levar um detalhamento e amadurecimento maior. Portanto, vemos as luvas marrons, uma espécie de legging branca e o brinco na orelha. Link ainda ganha um “adorno” bastante peculiar: Navi, a fada companheiro, a primeira de uma saga de ajudantes que marcariam a série por vários e vários títulos.

Com a iminência do lançamento do Nintendo GameCube, havia uma gigantesca expectativa de que um Link mais “sombrio”, mais “realista”, especialmente depois do teaser feito para demonstrar as capacidades do console. Imaginem então a surpresa quanto esse Link foi anunciado:

Eu lembro como se fosse hoje: todos os “verdadeiro fãs” falando que se negavam a jogar algo tão “ridículo”. Meu amigo, se eles não o fizeram, perderam um dos melhores jogos de toda essa extensa série. Wind Waker trouxe o gráfico cel-shading ao já clássico personagem e fez valer a novidade. A integração mundo-gráfico era brilhante – e Link, apesar de caricato, ficou perfeitamente adaptado ao novo design. O jogo, mesmo sendo de 2002, se sustenta até hoje. Reparemos, ainda, que Link ganhou uma versão sem túnica – apesar de você vestir a tradicional verde com um belo cinto em pouco tempo de jogo.

 

Uma alteração bastante interessante no estilo do capuz aconteceu no jogo Minish Cap, lançado em 2004 para Game Boy Advance. Nele, apesar do visual tradicional do Link, integraram o personagem-companhia ao chapéu, dando um dinamismo novo na vestimenta do protagonista.

O próximo grande lançamento para consoles não-portáteis trouxe o Link “sombrio” projetado lá na época de lançamento do Game Cube. Há uma escolha mais discreta na paleta de cores – tons menos alegres. É uma adaptação mais “sombria” do personagem adulto de Ocarina of Time, com os detalhes das luvas, a pseudo-legging – até o brinco.

Bom, finalmente ao Link de A Breath of the Wild. Ele traz mudanças bem interessantes, pois é a primeira vez na história da franquia que vemos um Link sem a obrigatoriedade de vestir a túnica verde. Com a adaptabilidade de armamentos e liberdade extrema que o jogo dá, eles deram também a faculdade de vestir o que bem entender. É um salto gigantesco para a identidade do personagem; ela deixa de ser relacionada à roupa e passa a ser relacionada ao estilo de jogo, gráficos e universo. Pode parecer pequeno, mas é uma “transferência” na identidade do Link.

Em mais de 30 anos, tivemos traços marcantes adaptados, modernizados e até mesmo completamente descartados. Que tenhamos mais 30 de grandes aventuras com novas Hyrules para continuarmos a explorar e a desfrutar de uma das maiores franquias de todos os tempos.

Link

Sobre Sabat

Editor Chefe do RetroPlayers, Redator e Editor nos Livros e Revistas WarpZone, Podcaster e editor de áudio, Saudosista, e Analista de Informática porque algo tem que dar dinheiro né!
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  • aki é rock

    Post bem interessante esse Sabat voce detalhou bem as vestimentas ao longo anos da série e de fato nesse jogo atual eu acho que o Link esta bem representado pois deixou de ser o mais do mesmo e passou a ser diferente.De seus antepassados pois as vezes ele tem que ser diferente e não igual sempre pode parecer no começo estranho mas depois de alguns minutos você se acostuma.Para dar as cara de algo novo e diferente ao novo game pois assim ele ficara interessante ao público a quem for joga-lo nessa plataforma nova ou a velha no caso.

    • Valeu mano XD É bem isso mesmo, esse negócio de mudar de roupa foi ficando mais evidente e necessário, e em BotW alcançou um patamar novo e que agrada muito =)

  • Gostei desse post da seção Link que mostra a evolução do Zelda.

    • O Zelda manja das roupa XD

  • Jean

    Excelente post Sabat. Só eu acho que deveria falar do Tri-Force Heroes, já que o gameplay é baseado na roupa? Por falar nisso, alguém que jogou recomenda?
    É bom quando a empresa evolui o personagem sem perder a essência clássica dele.
    Esperando ansioso o da involução do Sonic kkk.

    • É mesmo né jean XD Four Swords também =)

    • Colonel

      Eu to jogando o Tri-Force Heroes e recomendo com ressalvas. É um jogo basicamente de puzzles e pra se jogar no multiplayer. O Problema é você jogar com pessoas que desistem no meio ou que não sabem o que fazer (ou você é quem não sabe e fica atrasando a equipe).

      Dá pra jogar singleplayer mas é consideravelmente mais chato ficar trocando de personagens com a caneta pra resolver os puzzles. O ideal na minha opinião seria jogar com amigos presencialmente, mas vai achar mais 2 brothers com 3DS e o jogo onde?

  • Colonel

    Engraçado que pra mim o Link “definitivo” sempre será o do A Link to The Past. Afinal, este é o meu Zelda favorito hehehe

    • Acho que o Link do ALTTP é o link crássico XD

    • Podegoso Shumy

      para mim, do Ocarina of Time mesmo.