A E3 que nos interessa: Resumão versão Retroplayers do 2º e 3º dias de E3 + Expectativas


Como já é do conhecimento de todo mundo que acompanha o mercado gamístico e os eventos que o cercam, a E3 sempre acontece em 4 dias, sendo o primeiro fechado à imprensa, e os outros três abertos ao público sortudo do oeste americano. Geralmente as grandes notícias, surpresas e anúncios aparecem logo no primeiro dia sobrando alguma coisinha para o segundo, pois é nestes que as esperadas “conferências” das grandes produtoras acontecem. Para o 3º e 4º dias de feira, sobra o deleite.

Bom, isso pelo menos para o povo afortunado da Califórnia, que não precisa se locomover muito pelo globo para adentrar nos domínios do Los Angeles Convention Center, onde o maior evento Gamer do mundo sempre acontece. E o que eles vão fazer lá nos dias finais do evento? Simples, eles vão lá fazer aquilo que EU queria estar fazendo: por as mãos naquele monte de jogos novos recém anunciados que estão à disposição dos visitantes!

No geral, é isso. As novidades já se esgotaram e ficam lá em exposição, pouca coisa a mais é revelada ou mostrada. Ainda assim, a imprensa continua com a orelha em pé para alguma informação que possa pintar sobre esse ou aquele console ou jogo, e com a gente aqui que gosta das velharias, é a mesma coisa: tem sempre aquele punhado de jogos que aparecem que vale a pena dar aquela olhadinha discreta, e é sobre esse punhado que nós vamos dar aquela derradeira pincelada informativa aqui no Retroplayers.

Vamos a eles:

Rayman Legends: se algo era aguardado na conferência da Ubi Soft pelo povão que adora um bom jogo de plataforma, este era Rayman Legends, a continuação do excelente Rayman Origins. Lindo, divertido, e com um multiplayer que promete ser ainda melhor que o do anterior, o game deveria ter sido lançado no início do ano com exclusividade para WiiU, mas a Ubi Soft puxou sardinha para o lado das outras fabricantes e resolveu lançar o game pra todo mundo. Para isso, foi preciso segurar o lançamento do game para que as outras versões ficassem prontas, o que deixou os donos de WiiU e a própria Nintendo duplamente fulos da vida.

Chega às lojas em 30 de Agosto deste ano, e promete ser um jogasso!

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Rune Factory 4: A franquia spin off de Harvest Moon já tem 5 episódios respeitáveis, e está chegando agora o 6º deles no Nintendo 3DS. Rune Factory 4 continuará com a fórmula dos anteriores: Action RPG misturado com simulador de fazenda, passagens em anime e muita coisa paras e fazer durante a jogatina. Joguei Rune Factory Frontier no Nintendo Wii, e achei muito legal!

Chega ao 3DS mês que vem via mídia física ou download pelo Nintendo E Shop.

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Ys: Memories of Celceta: Se tem algo que eu digo sempre que eu escuto o nome Ys é “pqp, como esse trem é velho!”. O primeiro jogo dessa franquia saiu em 1987 e até hoje recebe novos capítulos e atualizações dos já existentes, coisa que deve passar fácil de 15 títulos distintos, inúmeros se contarmos as versões lançadas para cada console diferente. Memories of Celceta é o próximo game da franquia que chegará ao PS Vita:

Ao contrário do que muitos possam pensar, este game não é 100% original: é mais um relançamento de Ys IV (já teve dois), e chega em Setembro com exclusividade para o portátil da Sony.

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Yoshi’s New Island: Lá vem o Baby Mario abrir o berreiro na orelha dos jogadores novamente! Yoshi’s New Island chega ao 3DS para continuar as aventuras do dinossauro babá Yoshi na missão de socorrer o Mario mais choramingão de todos os tempos.

O game parece ser uma mescla do que vimos no primeiro Yoshi’s Island para SNES, com a fofura exagerada que muitos aprenderam a odiar de Yoshi’s Story do N64. Se vai vingar? ninguém sabe, mas os jogadores mais novinhos e o publico feminino certamente irão adorar.

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Dragon’s Crown: O super esperado beat em up medieval para PS 3 e Vita apareceu no evento com um novo trailer e teve sua data de lançamento finalmente revelada: 6 de Agosto próximo.

Vontade de jogar esse game não falta, o que falta é um PS3 ou um Vita para isso!

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Disney Castle of Illusion starring Mickey Mouse: Uma passagem bem mais que modesta no evento, assim podemos resumir a aparição do aguardado remake de Castle of Illusion que deve chegar às lojas no final do ano.

O vídeo confirma que o game não será plataforma lateral em sua totalidade: várias etapas com jogabilidade totalmente 3D podem ser vistas como aquela parte em que o camundongo avança para o fundo da tela em um caminho de cartas que vai se formando. Boa notícia? Não se sabe, mas os mais saudosistas da antiga franquia não vão gostar muito disso.

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Dungeons & Dragons: Chronicles of Mystara: Fora a aparição sensacional de Mega Man no próximo Super Smash Bros, a presença da Capcom na E3 deste ano pode ser resumida em um único título: Dungeons & Dragons: Chronicles of Mystara, uma remasterização em HD de dois beat em ups sensacionais dos arcades dos anos 90, D&D Tower of Doom e D&D Shadow over Mystara.

O game chega ainda este mês para PC, PS3, X360 e WiiU, e mesmo que estes dois títulos que compõe o pacote já tenham sido relançados para várias plataformas em datas até recentes, a remasterização HD é novidade e deve agradar tanto aos saudosistas quanto aos novos jogadores que nunca tiveram o prazer de gastar algumas fichas nos arcades destes jogos.

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David Wise: Sim, caros amigos retroaventureiros, você não leu errado: David Wise, o lendário compositor da Rare que tem no seu currículo nada mais nada menos que as trilhas sonoras de toda a franquia Battletoads e Donkey Kong Country (isso entre MUITAS outras, confira lista completa AQUI) e que se encontrava meio que aposentado da função após se desligar da empresa e trabalhar alguns anos como free lancer, resolveu voltar à ativa para compor a trilha sonora inteirinha de Donkey Kong Country Tropical Freeze! Melhor que isso, só se os Kremlings voltarem a assolar a macacada!

Não sabemos se foi um convite da Retro Studios, que está mais uma vez à frente do desenvolvimento, se foi a Nintendo que foi atrás do cara, ou se foi o próprio David que se ofereceu ao trabalho, talvez isso seja revelado em alguma possível entrevista que o compositor possa conceder nas próximas semanas, mas isso não importa: o que vale  é que estou doido para ver como vai ficar mais este novo trabalho deste grande artista. Alguém me dá um WiiU?

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E a final de contas, o que esperar do mercado de games?

A E3 serve para duas coisas: para os fabricantes mostrarem o que vem por ai, e para os consumidores ficarem babando. É bem verdade que quando a E3 acontece em ano de renovação na indústria, a coisa fica bem mais legal e atrativa, pois o anúncio de novos consoles e jogos mais modernos sempre dá aquele mexida no mercado e enche a cabeça dos jogadores de expectativas.

E não é por que somos velhacos adoradores de velharias que nós vamos ficar sem aproveitar dessa modernidade toda dos consoles novos não é mesmo? Somos calejados, mas somos moderninhos!! Então vamos a uma rápida análise do que eu vi durante este período que compreende o início da E3, o Nintendo Direct, e o final do maior evento gamístico do mundo.

Começando por aquela que é a única empresa da atualidade que parece compreender o retrojogador em sua essência, a Nintendo, posso dizer que o que se viu no geral não fugiu muito do básico: a Big N se manteve na defensiva, e na falta de apoio maciço das fabricantes de jogos, não saiu de zona zona de conforto, mostrando ao seu público aquilo que já era esperado e que, obviamente, era o que todos queriam.

Mas talvez ela tenha ficado na defensiva demais…

O seu WiiU é um console que não anda tendo bons números em vendas, e o motivo é o que todos já sabem, a falta de bons jogos exclusivos. O console já existe a quase 1 ano e não temos ainda um número mínimo de jogos que façam valer a pena a compra do aparelho, e digo até mesmo que a grosso modo, se ele tivesse sido revelado e lançado só agora, sendo mostrado com todos estes jogos que a empresa revelou durante o tempo que durou a E3, este se revelaria uma plataforma muito mais atraente e impactante. Mas isso não aconteceu, a E3 não guardou surpresa alguma, nenhuma revelação bombástica, nenhuma aparição surpresa, nenhum mini evento revolucionário ou que pudesse roubar o mínimo da atenção do público… Simplesmente a Nintendo passou batida do evento, e o Nintendo Direct do dia 11 que tanto prometia, acabou por não convencer totalmente o jogador de que o WiiU é um console que merece ser comprado. Ainda faltou aquele Super Mario bombástico que continue o legado pós Galaxy 1 e 2, faltou Metroid e Star Fox pelas mãos eficientes da Retro Studios, faltou F-Zero que já passou batido da geração passada, faltou um novo Zelda em HD mostrando uma beleza visual nunca antes alcançada pela série, faltaram mais franquias “grandes” da empresa aparecendo mesmo que por um vídeo em fase beta de desenvolvimento, rodando na engine mesmo, mas que nos deixasse com água na boca e com a certeza de que é só esperar um pouco que logo logo tudo aquilo sairia.

O WiiU para fazer sucesso, não precisa de jogos multiplataformas neste momento, pois existe uma base instalada de mais de 100 milhões de consoles PS3 + X360 espalhados pelo mundo que recebem estes mesmos jogos e que tornam a concorrência simplesmente impossível…  Entendam, ninguém vai comprar Mass Effect 3 no WiiU sendo que o jogo já existe nos outros aparelhos que você provavelmente já tem em casa, muito pior achar que alguém vai comprar o WiiU por causa deste jogo ou de um Batman da vida… O aparelho da Nintendo vai ser comprado por seus jogos exclusivos, coisa que ao contrário da situação atual do console, ele precisa urgentemente ter em quantidade. Para piorar, parece que os lançamentos bons e de peso ainda vão demorar a sair, e alguns nem anunciados foram.

A Nintendo vai andar por um caminho perigoso, e ela pode acabar tropeçando em um fator que a acompanha a muito tempo: o excesso de confiança. É bom ela torcer para que os aparelhos da concorrência no final das contas, não se mostrem tão atraentes assim…

A Microsoft parece nesse aspecto  ter dado uma forcinha à concorrência: o seu novo console, o Xbox One, apelidado de X1, aparentemente é um tiro na própria cara. Nenhuma retrocompatibilidade, pouco ou nenhum suporte ao mercado de jogos Indies, trava de região, necessidade de conexão com a internet, Kinect sempre te filmando, a impossibilidade de se usar jogos usados sem pagar uma taxa extra, e o monte de perfumarias televisivas sendo colocados em primeiro lugar, deixaram os fãs da empresa do Bill Gates assombrados, e se não bastasse isso, declarações do tipo “o X1 não irá disputar os melhores gráficos da geração” ou “quem quiser jogar desconectado, que jogue no X360” soltadas pela assessoria de imprensa da Microsoft somadas ao anúncio do preço inicial de 500 doletas deram um verdadeiro banho de água fria em quem pretendia comprar o console.

Veja bem, o X1 traz a mesma coisa que se via no X360 de forma aperfeiçoada, igual mas melhorado, sem originalidade, só aperfeiçoamento, o que de certa forma, passaria batido sem o menor problema pelos fãs da fabricante ainda mais por já ter uma boa quantidade de jogos  anunciados e prometidos, porém, veio cheio de travas e frescuras digitais que impedem os jogadores de curtirem seus jogos de forma livre, além de ser o mais caro dos novos aparelhos.

Já a Sony não dormiu no ponto. Sua conferência foi de longe a melhor não só desta E3, mas a melhor que ela já realizou em muitos anos. O novo console agrada com uma avalanche de games exclusivos, apoio maciço aos jogos Indies, retrocompatibilidade em nuvem, nenhuma trava ou frescura das adotadas pela Microsoft, e o preço no mínimo atraente de 400 Obamas para o lançamento, bem, atraente pelo menos perto do preço da rival..

O apoio total das thirds se fez presente durante uma conferência que teve de tudo: apresentação do novo aparelho, muito game play falso porém convincente e cheio de piadas prontas, muitos trailers de  jogos, jogo travando no meio do game play, muitos games indies, pouca enrolação, pouco falatório, cutucada na rival e por ai vai.

No geral, o PS4 causou uma ótima impressão e parece ser a escolha óbvia do público ávido pela nova geração no quesito potência gráfica. Basta ver as duas conferências e reparar na reação do público presente na hora do anúncio dos preços dos consoles: de um lado aplausos tímidos e desconfiados, do outro, histeria e gritos eufóricos. Também pudera, a Microsoft já declarou que seu aparelho não disputará os melhores gráficos, o que para o bom entendedor quer dizer “sou mais fraco que o PS4 e que um PC top de linha”, será todo travado e ainda custará 100 Obamas a mais que o console rival direto, e 200 a mais que o que corre por fora… Não parece uma escolha muito atraente. Enquanto isso, a Nintendo tenta provar que mais uma vez, o seu console merece ser comprado independente de se o jogador tiver ou não um dos outros consoles concorrentes, pois a premissa é a mesma: uma forma diferente de interação com os jogos… só faltam os jogos. Se eles saírem, e rápido, acho que o console terá grandes chances de fazer sucesso.

Só para não passar em branco, houveram duas apresentações muito legais nesta E3, uma durante a conferência da Eletronic Arts, onde Bruce Buffer, o eterno apresentador do Ultimate Fighting, entrou no palco com aquela voz marcante que até sua vó conhece para anunciar o próximo jogo tosqueira baseado no evento de pancadaria. A outra apresentação aconteceu durante a conferência da Ubi Soft, onde Jerry Cantrell, o lendário guitarrista e segundo vocal do Alice in Chains \,,/ Òó \,,/ foi simplesmente a primeira pessoa a pisar no palco para mostrar como se faz um solo de guitarra distorcido de primeira qualidade só para promover o próximo game musical da empresa, Rocksmith.

Parece que o pessoal aprendeu com os erros da E3 passada, onde fora a apresentação controversa e confusa do WiiU, fomos bombardeados com falatórios intermináveis que mais pareciam palestras, shows de gente que nada tinham a ver com games, e pessoas aos montes fingindo estarem se divertindo enquanto jogavam games toscos feitos apenas para promover a venda de acessórios falhos. E no final das contas, foi realmente uma grande pena a Nintendo não ter realizado uma conferência… O Nintendo Direct funciona, mas está longe de ter o mesmo impacto e carisma. A empresa só perdeu com isso.

E enquanto os preços não dão aquela abaixada de praxe,  já estou guardando dinheirinho para dois consoles… Vai que eu me vejo novamente naquela situação inevitável de ter que comprar mais de um nesta geração?

Fim


Sobre Sabat

Dono, Chefe, Gerente, Cara da Xérox e Tia do Café do RetroPlayers! Meu negócio? Falar sobre games. Como? Escrevendo meus trabalhos, gravando minha voz horrível, ou filmando minhas humildes proezas! Onde? Aqui, ali, ou onde quer que me chamem!
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