20 anos sem Alex Kidd


Caras, eu tenho muita saudade dos meus tempos de adolescente. Fora o mundaréu de coisas que um moleque de 15 ou 16 anos faz para se divertir, tinha umas coisas que eram inesquecíveis. Citando uma delas que tenha a ver com os assuntos aqui do site,  lembro como era bom fugir da escola para ir ao shopping jogar fliperama, melhor ainda era fazer isso com os amigos. E melhor ainda era quando eu e os amigos nos reuníamos na casa de alguém disponível para aquela jogatina esperta de Master System ou Phantom System… Bons tempos aqueles viu.

Era bom de mais quando o povão começava a discutir quem tinha o console mais legal. É claro que eu defendia o meu Phantom com unhas e dentes né, tanto por que nenhum jogo de Master fazia frente ao Super Mario Bros 3 e ao Megaman 3 que eu tinha… Mas os donos de Master também tinham suas pérolas na hora das comparações, jogos como Castle of Ilusion e Alex Kidd in Miracle World… ô joguinho bom aquele viu!!

Se eu na época concordava que era bom, então era por que realmente esse jogo tinha capacidade de fazer um jogador da concorrência gostar MUITO de algo do outro console. Alex Kidd in Miracle World fazia bonito no consolinho da Sega, não é a toa que o protagonista do jogo, o cabeçudo Alex Kidd, era até então o mascote da empresa, era o rosto que aparecia nas capas das revistas de game da época representando a SEGA, era o personagem que estrelava alguns dos melhores jogos do console. E o tempo passou, um certo porco espinho azul mandou um currículo pra Sega e foi contratado, e o carinha era eficiente pacas, e em pouco tempo de firma, acabou por tomar a vaga de mascote da empresa que pertencia ao Alex.

Começava ali decadência do cabeçudo. Lembro-me que o último jogo que ele estrelou foi um tal de Alex Kidd in Enchanted Castle, para Mega Drive, lançado em 1989, e depois, o anonimato.

Pois é, não parece, mas aquele garoto que a empresa nega ter sido oficialmente MAS FOI o primeiro mascote da Sega, o moleque orelhudo campeão de Jan-ken-po que cativou uma geração inteira de fãs durante seu auge no Master System, está (fora a aparição no joguinho meia boca multiplataforma de Tênis do Sonic lançado ano passado pela Sega) gozando de seguro desemprego já a 20 anos.

De lá pra cá é bem verdade que a Sega foi se estragando. Foi gradativo, um processo lento e demorado, que só ficou visível após a geração 16 bits, com a chegada do Sega Saturn. Não que isso seja culpa da ausência de jogos do Alex, de jeito nenhum, o que aconteceu foi que a Sega cansou de fazer burrada em seus consoles, o que culminou na desistência por nocaute técnico do ramo de hardware.

Hoje todos sabem que a Sega só faz software, ou em outras palavras, jogos, e para os consoles dos outros. Foi o jeito que a empresa achou para sobreviver em tempos difíceis de concorrência pesada. Vimos coisas que ser humano nenhum julgou um dia ser possível, como Mario e Sonic em um mesmo jogo (Mario & Sonic At the Olimpics),  ou a SEGA desenvolvendo franquias da NINTENDO (F-Zero GX), isso dentre outras coisas que seriam consideradas maluquices a uns dez anos atrás. Mas o que nunca mais se viu sem razão aparente, foi um, apenas um, simples e singelo, game estrelado pelo Alex Kidd.

É a maior ocorrência de descaso que já se viu no mundo dos games! Claro que existem muitos personagens mal aproveitados por ai, como Sparkster, o gambá-foguete da Konami que estrelou 2 games extraordinários no Mega Drive, um mais ou menos no SNES, e depois sumiu, ou Cool Spot, a tampinha de garrafa Seven Up que estrelou jogos de plataforma inesquecíveis nos consoles de 16bits… É uma lista interminável de personagens de grande potencial que foram mal aproveitados na história dos games, mas nenhum deles nunca teve a triste missão de representar uma empresa do tamanho da SEGA por tantos anos e depois, sem mais nem menos, ser completamente esquecido, jogado ao limbo.

Pois é, faz 20 anos que eu joguei o último jogo estrelado pelo Alex Kidd, estou ficando velho! A SEGA está ficando velha, passada, seus games já a muito tempo perderam o brilho, nem mesmo o seu mascote atual, que já perdura no cargo a tantos anos, recebe um único game da qualidade dos que recebia antigamente, o negócio está bem feio. Dá a impressão que a empresa continua definhando, gradativamente e devagar.

É nítido que a SEGA é uma empresa que necessita de mais mentes criativas em seus estúdios. A nova Sega não lembra nem de longe aquela empresa de tempos atrás que brigava pau a pau pelo mercado de games. E eu sinto falta dessa qualidade esquecida, pois eu era muito fã deste pessoal viu… Eu adorava os games da empresa.

Já ouvi muitas vezes, frases que diziam que é preciso a gente olhar para trás e ver nossos erros do passado, para que possamos aprender com eles e não repeti-los. Eu acho que é isso que falta para a Sega: olhar um pouco para o seu passado. Assim quem sabe ela não vê lá trás, bem lá trás, um molequinho orelhudo, cheio de sardas e com cara de boa gente acenando e esperando ser lembrado.

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Sobre Sabat

Dono, Chefe, Gerente, Cara da Xérox e Tia do Café do RetroPlayers! Meu negócio? Falar sobre games. Como? Escrevendo meus trabalhos, gravando minha voz horrível, ou filmando minhas humildes proezas! Onde? Aqui, ali, ou onde quer que me chamem!
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