Indie Review: Oniken (PC Windows/Linux)


Eu tive a oportunidade de me divertir com boa parte dos grandes jogos do Nintendo Entertainment System, conhecido mundialmente como “NES” e apelidado por nós brasileiros como Nintendinho. Tínhamos jogos geniais que burlavam as limitações técnicas do console tanto na parte gráfica quanto na parte sonora, além da dificuldade considerada alta para os tempos de hoje e as caprichadíssimas cenas animadas que contribuíam para manter o jogador imerso naquele grande desafio que poderia se estender por dias, semanas ou meses. É o tipo de experiência que seria impossível de ser revivida com jogos lançados atualmente, correto?

Errado. Graças ao esforço dos ousados e talentosos brasileiros da JoyMasher, temos aqui o Oniken, um jogo 2D de plataforma independente lançado em Julho deste ano para PC que traz exatamente todas as características dos grandes jogos de ação em 8-bits dos anos 80 com grande excelência e capricho.

O jogo se destaca por trazer várias fórmulas antigas que poderiam ser consideradas “genéricas” e apresentá-las ao jogador como algo novo e interessante. A história de Oniken consiste num futuro pós-apocalíptico típico de filmes como Mad Max. Um grupo de rebeldes se esforça para deter uma poderosa organização militar que recebe o nome do game, mas seus esforços mostram-se inúteis devido ao grande poder bélico e toda a superioridade tecnológica da mesma. E é nesse instante que surge Zaku, o personagem controlado pelo jogador, um poderoso mercenário BADASS considerado como uma “lenda viva”, “o imparável”, uma mistura de Kenshiro (de Hokuto no Ken) com John Rambo (precisa dizer quem é?) que carrega uma espada e decepa seus inimigos como se fossem tomates.

Todo o enredo de Oniken é apresentado com excelentes cutscenes das quais facilmente notamos que não poderiam serem executadas em um Nintendinho sem a ajuda de um Chip extra embutido no cartucho. Algumas chegam a lembrar animações de jogos em CD do obscuro e adorável TurboGrafx-16 (vulgo PC Engine) de tão fluídas e bem animadas que são, mesmo sem a presença de vozes.

A jogabilidade é marcada predominantemente pela ação em plataforma vista em jogos como Ninja Gaiden e Vice – Project Doom, onde o jogador deve combinar saltos ágeis com ataques certeiros, além de “decorar” o posicionamento e o padrão de movimentação dos inimigos para passar as fases. Algumas etapas devem ser desbravadas com auxílio de um Jet-ski, o que transforma o jogo momentaneamente em uma espécie de “shooter” em 8-bits com a movimentação fixa da tela. Já os chefes são numerosos (cerca de dois mini-bosses por estágio além do boss final) e muito bem desenhados e detalhados, principalmente os maiores, ocupando grande parte da tela como pode ser comprovado nos melhores títulos produzidos para o NES.

A Trilha Sonora é um verdadeiro espetáculo à parte. O jogo chegou até a ganhar o prêmio do Game Music Brasil na categoria de “Melhor Game Indie” onde foram avaliados todos os seus aspectos, destacando-se a parte gráfica, técnica e sonora do game. Oniken possui composições incríveis e memoráveis, como “Brain Palace” e “The Core” que acompanham suas desafiadoras etapas finais. Aliás, melhor eu explanar logo sobre a dificuldade de Oniken antes que eu me esqueça.

O jogo é difícil como qualquer grande jogo de 8-bits deveria ser, embora os desafios se intensifiquem progressivamente ao longo de cada fase, e de forma muito inteligente. O Level Design de Oniken estimula a inteligência do jogador, fazendo-o encontrar a melhor solução com um pouco de insistência, nada absurdo como o primeiro Ninja Gaiden ou o cruel Battletoads, mas que sempre causará estranhamento aos jogadores mais impacientes, desacostumados com jogos mais antigos de plataforma.

Vale lembrar que as missões são liberadas à medida que as fases vão sendo vencidas, e ficam então disponíveis para serem jogadas a qualquer momento, o que permite desbravar todas elas sem a necessidade de se jogar o game inteiro novamente. É um recurso muito bem-vindo para pessoas com pouco tempo disponível ou para refazer determinadas fases e obter pontuações maiores, enviando-as para um ranking on-line.

O trunfo de Oniken definitivamente não é a inovação, mas sim a proposta de trazer todas as características que amávamos nos jogos da grande era 8-bits, melhorando-as de forma que seria impossível fazer na época, seja por limitações de hardware, por desconhecimento, ou por limitações de concepção daqueles tempos.

Oniken é uma grande homenagem a todos os jogos de ação que a grande maioria de nós retroplayers apreciamos tanto, principalmente por ser um obra que executa maravilhosamente bem tudo aquilo que se propõe a fazer. O game não é apenas ousado por ser indie, mas também por dar uma importância maior a diversão e a  jogabilidade em tempos em que o mercado de games parece só se importar com gráficos e enredos mirabolantes. Conquistar um numeroso grupo de jogadores com um game que não possui gráficos super realistas é algo digno de aplausos!

Extra: Missão 7# “The Rescue” (DLC)

Recentemente (sexta-feira passada, para ser mais exato) foi liberada uma incrível DLC para Oniken, onde o jogador pode controlar Jenny, uma personagem feminina de madeixas curtas muito importante, que aparece várias vezes durante a campanha principal, mas que não era uma personagem disponível ao jogador… isso até o lançamento desta sétima missão, que se passa entre os acontecimentos da primeira e da segunda fase.

Jenny não é “frouxa” como grande parte das personagens femininas dos games e realmente participa das brigas. A mocinha usa uma metralhadora, o que acrescenta um grande leque de possibilidades, como assassinar os adversários a consideráveis distâncias, mirando em linha reta ou pela diagonal, além de aproximar a jogabilidade de Oniken a de um grande clássico da Konami, o popular Contra!

A missão 7 é a mais extensa de todas e talvez seja uma das mais divertidas. As DLCs deste jogo, diferentemente do que certas empresas grandes estão fazendo (como cobrar por material que JÁ ESTÁ NO DISCO), são disponibilizadas GRATUITAMENTE para todos os compradores do Oniken, ou seja, nada de safadeza por aqui!

Se interessou em comprar este espetacular jogo de ação em 8-bits feito por brasileiros? Basta fazer a compra pelo Desura, uma plataforma de games semelhante ao Steam, mas com um foco maior em jogos independentes. Para comprar, clique AQUI! O jogo custa 10 pratas e alguns centavos, contando com  a DLC que, como eu já disse no parágrafo acima, é 100% GRATUITA, e continuará sendo mesmo que saiam mais delas.

Você também pode fazer o jogo chegar ao Steam com a adição daqueles achievements divertidíssimos! Para isso, basta votar no Oniken pelo Greenlight e se possível adicioná-lo a sua lista de games favoritos!

Bem, esta foi a minha crítica do game Oniken, um jogo indie 100% BRASILEIRO! Provavelmente esta será a última análise que irei escrever este ano aqui no Retroplayers, e por isso desejo a todos os meus queridos amigos retro-aventureiros muita prosperidade, paz, sucesso e felicidade! Boas festas e muitas promoções de 99% de desconto em games!

ATUALIZAÇÃO DE ÚLTIMA HORA: O Oniken acabou de ser eleito pelo site Uol Jogos como Melhor jogo Brasileiro de 2012!

THE END

THANK YOU FOR PLAYING!


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