Preview: Testamos as demos de Sonic Boom (3DS e Wii U)


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Sempre fui muito tolerante com os jogos da série Sonic the Hedgehog. Tá certo que não testei todos os jogos da franquia, mas posso afirmar que consigo simpatizar e até mesmo curtir pra valer alguns dos jogos considerados ruins que foram lançados pela SEGA, e posteriormente, pela SEGA Sammy Holdings.

Querem exemplos? Fui capaz de tolerar as fases noturnas de Sonic Unleashed sem reclamar muito, curtindo pra valer as diurnas. De alguma forma consegui também me acostumar com a física estranha do infame primeiro episódio de Sonic the Hedgehog 4, além de superar outras coisas estranhas do jogo como o level design pobre que se apoia no também infame Homing Attack. Isso sem falar em suportar também a trilha sonora perturbadora do jogo… De verdade, consegui me divertir com Sonic 4-1 e seu sucessor, até tive discussões a respeito do jogo com muita gente e defendi os pontos positivos dele.

Claro que me incomodei com outros títulos, como Sonic 3D Blast e o sério problema de ficar caçando Flickies com o chão parecendo estar cheio de sabonete pro Sonic deslizar pra lá e pra cá de maneira bem estranha. Também não me empolguei nada com Sonic Spinball, que foi uma ideia ótima mas acabou sendo mal implementado, ao meu ver.

O fato é que por todos esses anos eu achei que fosse um fã daqueles mais segos cegos, ou então tolerantes demais a ponto de ignorar alguns detalhes a favor da diversão. Talvez eu realmente seja um pouco assim, mas tudo nessa vida tem um limite, não é verdade? E o meu eu conheci ao tentar provar as demos de Sonic Boom, tanto para 3DS quanto para Wii U, lançadas para as plataformas no eShop americano e europeu na última quinta-feira.

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Foi demais para meu coração seguista viúvo. Para quem também sofre desse mal eu recomendo tomar um calmante antes de ler este texto. E desde já eu peço humildes desculpas aos jogadores retrô, pois estes dois jogos em questão de retrô não possuem absolutamente nada. E quando eu digo nada, é nada mesmo! Nem mesmo os personagens conseguem ser aqueles mesmos que sempre estivemos acostumados a controlar nas gerações 8 e 16 bits e em alguns bons jogos das gerações seguintes.

O duro é que desde que os personagens com novas skins foram divulgados eu estou já com impressão negativa dos jogos. Mas como não quis julgar os lançamentos antes de experimentá-los, baixei as demos e as testei. Mal sabia eu que a alteração dos personagens, especialmente a bizarrice do Knuckles bombadão, era o menor dos problemas.

Tentarei ser o mais breve possível no preview de cada uma das versões.

Sonic Boom: Shattered Crystal

Minha primeira experiência foi com a demo lançada para o portátil da Nintendo. A impressão inicial não foi das piores, jogabilidade em 2D e bonitos gráficos foram as primeiras coisas que reparei. Depois percebi que os botões não faziam o que eu esperava: ações demais divididas entre todos os botões do 3DS ao invés daquela jogabilidade simples e divertida de outrora. Tudo bem, superei essa parte e segui em frente.

O maior problema desta versão do jogo é quanto ao level design simples demais, totalmente sem graça. Até tem seus momentos de exploração, onde o jogador pode trocar o personagem controlado e atingir um lugar mais alto ou escondido de outra maneira, mas nada que empolgue. Ainda mais que erros não são nada punitivos.

Para ajudar, o cenário não é totalmente livre. Em determinados pontos os personagens são arremessados para outra camada de cenário e nunca mais podem voltar. Deixou algo pra trás? Sinto muito. Claro, este não é um problema tão grave, já que outros jogos mais recentes tanto de Sonic quanto de outras franquias também o fazem, cada um à sua maneira.

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Levei mais de 15 minutos para jogar até o fim da única fase disponível na demo. O duro é que com o level design sem graça, estes foram minutos intermináveis, aquelas que você joga se arrastando até o fim. Em um ponto não tão bem escondido encontrei um mini-game do Tails com submarino de brinquedo dentro de um tanque d’água. Nada muito bem bolado, parece até que teve uma certa preguiça por parte de quem teve a ideia ou de quem a desenvolveu.

Eu não tenho muito mais para falar da versão de 3DS. Achei totalmente desinteressante e de maneira alguma se encaixa na minha lista de jogos.

Sonic Boom: Rise of Lyric

A primeira coisa a ser notada na versão de Wii U de Sonic Boom é que a franquia Sonic aqui foi quase completamente descaracterizada em relação aos outros jogos da série, tanto os clássicos quanto até os lançamentos mais recentes. A começar pela nova roupagem dos personagens, que está também presente em Shattered Crystal. Mas não foi só isso: Rise of Lyric é um jogo focado em ação, onde os personagens usam socos e chutes para derrotar os oponentes, ou então o tal do equipamento que solta raio e que é utilizado por todos os personagens para solucionar quebra-cabeças ou então para pegar objetos e arremessar contra inimigos. Lembraram de algum outro jogo da franquia? Nem eu!

Na verdade, a parte da pancadaria de alguma forma pode lembrar as fases noturnas de Sonic Unleashed, do tal Sonic the Werehog, um jogo odiado por muitos justamente por este tipo de gameplay. Não que eu concorde com este julgamento por parte dos jogadores, mas se tanta gente critica negativamente o jogo, por que fazer algo parecido em um novo lançamento? Não dá pra entender.

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Alguns de vocês podem estar pensando que essa bronca toda é só porque o jogo envolve personagens da série Sonic e uma jogabilidade totalmente diferente. Eu respondo para vocês que mesmo que este jogo não tivesse nenhuma relação com Sonic, ele seria considerado ruim do mesmo jeito. O jogo é muito genérico, muito mesmo. Na essência, ele tenta ser um jogo de exploração e quebra-cabeças para prosseguir na história, mas não consegue oferecer nada de interessante aos jogadores. Dá muito a entender que é um jogo pra quem está com preguiça de pensar. Absolutamente nada que eu tenha visto na demo foi divertido. Nada.

O momento mais Sonic do jogo foi em uma das fases disponibilizadas onde os personagens correm todos juntos e precisam superar os obstáculos que aparecem. Só que a câmera é controlada automaticamente e só é necessário ficar desviando das coisas. Lembrou o quê? Sonic Dash, um Endless Runner que foi lançado para plataformas mobile. E mesmo que seja competente para quem é fã do gênero, não deixa de ser um mero passatempo sem profundidade. Desculpem, mas é a verdade. Mas guardem as pedras: eu gosto de Sonic Dash antes que vocês digam qualquer coisa.

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Bem, além de correrem todos juntos, eles ficam tagarelando o tempo todo. O Sonic fica dizendo que é incrível, cool, aquela ladainha toda de quem tem o ego inflado enquanto os outros personagens também vão dizendo outras idiotices que eu sinceramente evitei prestar atenção para não ficar mais irritado ainda. Personagens correndo juntos e tagarelando lembrou algum jogo? Sim, meus caros, Sonic Heroes. Outro jogo que não foi tão bem recebido pelos jogadores e pela crítica. Fico sem entender o porque disso também.

Nem tecnicamente o jogo acerta. A jogabilidade é ruim, vira e mexe você acaba tendo problemas para fazer com que o personagem chegue no ponto que você quer que ele chegue. Muito disso se deve aos problemas com a câmera que funciona do jeito que ela quer, vive se ajustando automaticamente a atrapalhando a experiência. Isso sem falar que quando você tenta controlar manualmente, ela se move de forma bem lenta.

Preciso dizer também que jogo é cheio de bugs/glitches. Eu felizmente não presenciei nada absurdo, mas se vocês procurarem sobre glitches de Sonic Boom pela Internet, ficarão surpresos. E eu que achava que o pior dos problemas deste jogo, antes de jogá-lo, era o Arnold Knucklesnegger… quanta inocência.

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Creio eu que vocês conhecem o termo Rage Quit, correto? E Rage Delete? Pois é, foi o que aconteceu comigo. Mal terminei de jogar a demo desta versão e apaguei ela correndo do HD do console. Não quero olhar para esta aberração nunca mais.

Concluindo

Meus caros, eu entendo que ambos os jogos tratam-se de Spin Offs e entendo muitos outros pontos que poderiam fazer com que eu não me incomodasse tanto assim com estes lançamentos, mas é muito difícil para mim uma situação dessas. Ver a franquia que mais gosto afundar desse jeito, num reboot totalmente forçado e empurrado goela abaixo dos jogadores para tentar atrair um novo público é muito triste.

Ele não merece passar por uma coisa dessas. Não mesmo! Eu espero do fundo do meu coração que este seja o fundo do poço da franquia, ou não vai demorar muito para que o atual mascote da SEGA vá para o caixão fazer companhia aos antigos mascotes da empresa.

Na minha humilde opinião, a Sammy (eu me nego a chamar esta empresa de SEGA) deveria ter tentado investir em uma nova franquia, novos personagens. Ou quem sabe mesmo ressuscitar alguns heróis mais versáteis, como por exemplo o saudoso Alex Kidd. Por que não? Se é para fazer um jogo que mistura ação e aventura, com pancadaria e tudo mais, por que não utilizar personagens que se encaixam melhor numa situação dessas?

Tudo bem que começar com uma série nova e personagens desconhecidos ou não tão famosos no mundo todo é complicado, precisa de todo um marketing em cima e aquela história toda que sabemos. Mas ao mesmo tempo eu entendo que é arriscado demais queimar desse jeito a principal franquia de uma empresa, ainda mais aquela que definitivamente alavancou as vendas de hardware e software quando ela buscava combater uma gigante que estava mais que consolidada no mercado, a Nintendo.

E hoje ela lança para plataformas desta antiga rival dois jogos de qualidade totalmente duvidosa e que nem de longe lembram aqueles jogos de quando a franquia vivia suas épocas gloriosas. Onde é que a Sammy quer chegar com isso?

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Depois quando falo que a compra da SEGA pela Nintendo seria uma boa ideia, os fãs mais puristas da empresa acabam me criticando dizendo que isso não pode acontecer nunca. Pois eu prefiro ver isto acontecer e ver todos os personagens antigos sendo bem cuidados do que continuar presenciando as atrocidades todas que a Sammy está fazendo com eles, estragando a principal franquia e deixando no cemitério as demais. Isso sim é um verdadeiro absurdo.

Por falar em fãs, teve quem tenha gostado do jogo e eu respeito isso. Tem gosto para tudo nesse mundo e eu acho isso ótimo, não deixa o mundo monótono. Agora, não venha tentar me convencer de que o jogo é bom, porque isso ele não é. Só não enxerga isso quem não quer. Isso me lembra aqueles torcedores fanáticos que presenciam o goleiro do time deles tomando um frango mas não admite que ninguém diga que aquilo foi um frango, por ser fanático demais. Olha que eu já vi isso.

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O que mais me revolta nessa situação toda é que desde o anúncio do jogo, tanto a mídia quanto os jogadores fizeram duras críticas ao que estava sendo proposto, e mesmo assim a SE… digo, a Sammy seguiu em frente e lançou os jogos. Sei que produzir e desenvolver jogos é custoso, mas tiveram tantos bons projetos cancelados durante toda a história da SEGA, por que não cancelar algo que não está agradando a ninguém? Que nada, ao invés disso a empresa lança notícias em seu blog falando sobre número de vendas da série ter ultrapassado 140 milhões de unidades. E tudo isso pra tentar mascarar a situação toda de críticas e etc. Esta notícia aconteceu no final de Maio de 2014 e pode ser vista AQUI neste link.

Não adianta nada a franquia estar tão bem posicionada no tal ranking de vendas à frente de tantas outras séries que também possuem tanta importância na história dos videogames, até por que esse número se consolidou no passado com vários títulos que venderam muito. Os números atuais são pífios, ainda mais se levarmos em consideração a enxurrada de jogos do ouriço que apareceram nestas duas últimas gerações. Se continuarem fazendo jogos com qualidade tão duvidosa quanto Sonic Boom, não vai demorar muito para que várias outras franquias a ultrapassem, fazendo com que Sonic the Hedgehog não só caia bastante neste tal ranking (que na verdade nem serve pra nada), mas também, acabe se tornando uma série que, pasmem, ficará somente nas nossas lembranças. Será mais um herói da nossa vida que se vai, já não bastam tantos que partiram ao longo do tempo. E a este funeral, meus caros amigos, eu realmente não quero ir.

Ninguém me convence de que tenha algo positivo ou de qualidade nestes dois jogos. Simplesmente não dá. Desculpem, mas Sonic Boom eu não recomendo para absolutamente ninguém. Passem longe, não vale nem a curiosidade. Como dói dizer isso de um game dessa franquia do qual sou tão fã. Vocês não fazem ideia. Uma pena.

Rise from your grave, SEGA!

boomda

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Sobre Cadu

Velho caduco, fã de Sonic e seus jogos (menos o Boom, credo), viúvo da SEGA assumido e mestre absoluto das piadas ruins. Tem esperança de que algum dia surgirá um Final Fantasy Tactics novo tão bom quanto o primeiro.
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