Crônicas Gamísticas do Sabat: por que retrô é estilo, e não idade


Conversava eu com meu amigo mais retromaluco de todos, o Rokuman Senpai, sobre a possibilidade de ele jogar algo novo em um console novo. O papo fluiu por horas (ta bom, ta bom, foram só alguns minutinhos mas pareceram horas), e como exímio adorador de velharias de 8 e 16 bits, ele sempre insistia na idéia de que aos seus olhos, o 3D era algo nada atrativo e de péssimo envelhecimento (concordo com essa última parte) enquanto o 2D continuava sempre lhe proporcionando muitas boas horas de jogatina. Foi quando eu perguntei se  ele seria capaz de jogar um Castlevania de Nintendo DS (foi só um exemplo, beleza pessoal?)… A sua resposta foi “mas é claro que sim pô!”, algo que obviamente eu já esperava que ele dissesse.

“Mas Senpai, o game seria bem novo… Não tem problema?” Foi o que perguntei ao simpático mamute para comprovar minha teoria, e ele disse “sem problemas, é 2D, é retrô!”. Pois é, caros amigos retroaventureiros, a minha teoria é simples, quase todo mundo conhece, poucos não a entendem, e ela diz simplesmente que retrô não é idade, é estilo.

E não que a visão mundial de que tudo que existe de 2D em matéria de games seja obrigatoriamente retrô esteja errada… Bem, está, o jogo ser 2D em nada implica que ele seja retrô… mas o ponto é que existe uma grande diferença em achar que determinado jogo ou console é retrô somente devido à cor branca da sua longa e robusta barba. Fato é que gostamos sim daqueles jogos antiquados e de poucas cores simultâneas na tela. São jogos antigos que carinhosamente acostumamos a chamar erroneamente de jogos retrôs (tanto por que o termo correto, Vintage, não soaria bem né… Vintage Games… sei lá!), e a idade destes acabou por criar um estilo que engloba uma ampla categoria de games novos e jogadores que se enquadram perfeitamente dentro dela, como eu, o próprio Senpai, e você caro amigo retroaventureiro.

E para aderir ao estilo não é preciso cultivar um Black Power de 60 cm de diâmetro na cabeça ou usar aquele combo “Jhon Travolta” do Mullet + jaqueta jeans sem manga + camiseta branca por baixo não… É só ter aquele olho saudosista que identifica a alma retrô impregnada em determinado material assim que o vê.

Vejamos o exemplo dos games novos considerados retrôs: essa questão me causou sérios problemas quanto ao que deveria ou não entrar aqui no nosso recinto analítico: por que diabos um game de início de geração PS2 não poderia ser postado aqui, mas um game do final de geração poderia? Depende dos games, caros amigos retroaventureiros. Este game de início de geração pode ser o magnífico Ico, de física e mecânica poligonal tão perfeitas que mesmo muitos anos depois, este ainda era considerado como uma das criações mais soberbas do console, e o outro pode ser Odin Sphere, de grafismo artístico belíssimo como nenhum outro game da geração. Ico não entra no Retroplayers por que em nada ele pode ser considerado retrô, nada nele foi baseado em algo antigo ou saudoso, não existe alma retrô nele, o que não acontece com Odin Sphere, que deixa a hegemonia poligonal de lado para criar os mais belos sprites daquela geração em um game que, além de manter o aspecto 2D que consagrou as antigas gerações, remete demais ao espírito retrô da coisa ao apresentar diversas características marcantes dessa época, como os menus rotatórios de Secret of Mana, as lutas frenéticas de Alien Soldier, ou os comandos simples de pulo e ataque que funcionam tão bem que até parece novidade.

Falando dessa forma, fica fácil distinguir também quem é que possui esse tal olho saudosista: você só joga coisas antigas ou reconhece algo retrô em um game assim que bate o olho nele, gosta disso, joga, e nem por isso usa brilhantina? Parabéns, você é adepto do estilo retrô.

Sim, ser retrô é um estilo, e jogar games retrôs faz parte. Gostar deste estilo é algo que faz com que as pessoas cultivem a idéia de que o glorioso passado pixelado ainda pode coexistir com a nossa era poligonal mega avançada e lotada de bits, e escrever sobre isso é ajudar a eternizar essa idéia para que todos possam entender a importância que existe por trás daqueles textos saudosos de ilustres desconhecidos que pipocam nos retroblogs espalhados pela net.

E se esse bando de velhos caquéticos, ao qual eu estou incluso, hoje é prestigiado até mesmo por pessoas mais novas, jovens adolescentes que detonam em seus consoles next gen, e que por nosso intermédio, estão descobrindo as maravilhas de um passado que nunca deve ser esquecido e que se mantém vivo na alma de centenas de games novos, não é só por que os jogos de antes eram mais legais não, é por que retrô é estilo, e não idade.

Fim


Sobre Sabat

Dono, Chefe, Gerente, Cara da Xérox e Tia do Café do RetroPlayers! Meu negócio? Falar sobre games. Como? Escrevendo meus trabalhos, gravando minha voz horrível, ou filmando minhas humildes proezas! Onde? Aqui, ali, ou onde quer que me chamem!
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