Crônicas Gamísticas: Phantasy Star


O que leva uma pessoa a jogar um RPG eletrônico com qualidade visual, digamos, não tão ostentosa? “…Na época era bom? Falta de um vídeo-game melhor? Última fita da locadora? Só veio com esta fita no vídeo-game tio!? Tô fazendo nada mesmo, vou jogar esse troço com qualidade gráfica duvidosa!”.
Certamente não sei o motivo pelo qual as pessoas chegaram a esta extraordinária aventura. Mas de uma coisa eu sei: o porquê delas continuarem jogando!

Sim, eu me enquadro nestes que continuaram jogando por muito tempo, e tenho agora a oportunidade de revelar-lhes os segredos hipnóticos deste universo que transportou gerações para uma outra dimensão, o Sistema Solar de Algol! Uma aventura realmente revolucionária em todos os aspectos, e que inclusive salvava o nosso progresso! E tem gente que diz até hoje que só Jesus salva…

Parte I – Start não, Inicia!

Sistema Solar Algol, Século 342.

Todo o sistema é governado pelo Rei Lassic, um homem corrompido pelo mal e que deseja a destruição de todos os três planetas do sistema. Não que eu soubesse disso na época em que eu jogava, mas é sempre bom saber.

Nero, um destemido guerreiro, foi morto pelos robôs do tirano Lassic quando tentava desvendar seus segredos. Porém, antes de morrer, entregou sua espada à sua irmã Alis Landale, pedindo a ela que encontrasse um guerreiro chamado Odin para ajudá-la a derrotar Lassic – O Tirano Malvado, Megalomaníaco que deseja destruir tudo, só por diversão.
Alis parte então em uma missão em busca de vingança e também para salvar todo o povo do sistema Algol. Até então só conta com a ajuda de Myau, seu fiel gato (o que não é comum, pois sabemos que gatos só seguem alguém quando querem comida). E na verdade em verdade vos digo ela pegou o gato em troca de um pote de Laconian. Segundo o sujeito que trocou, este era um animal raro, mas sempre acreditei que ele queria mesmo era se ver livre do bixano.

E sim, o jogo é em português, graças a Tec Toy, abençoada por Alá, que não só fez uma ótima tradução como ainda se inseriu no jogo. Tem uma parte que você entra numa casa, e uma garota simpática lhe pergunta: “- Gosta dos jogos da Tec Toy?” Você pode responder sim ou não. Se sim, ela diz: “- É mesmo, são realmente ótimos!”. Se Não, ela diz: “- Então porque continua jogando?”. 0_o”

O desenrolar do jogo se passa em um mapa mundi (visão superior), labirintos e batalhas em primeira pessoa.

Este jogo é revolucionário em vários aspectos, primeiro por que o personagem principal é uma mulher, e guerreira. Até então eu só conhecia jogos que tinham elementos de RPG como Adventure (Atari) e Zelda II (Nes), e não tinha mulher muito, digamos, ativa no jogo. E neste a personagem enfrenta uma conspiração política e o projeto de destruição de um sistema solar inteiro, um ótimo enredo. Bem diferente do cativante Salve a Princesa, que eu também sou fã. ^_^v

E sem falar da trilha sonora! Um Espetáculo.

Parte II – A Trupe

Então, a coitada da Alis, órfã de pai e mãe e irmão, sai atrás de um sujeito que só tinha ouvido falar o nome, na companhia do gato Myau, que foi permuta de um pote de laconian.
Nota:
No decorrer do jogo ocorre muito esse tipo de coisa.

Nota 2: Laconian é uma coisa muito importante, um metal muito valioso, tipo Adamantium; você vai encontrar escudo de Laconian, espada de Laconian, machado de Laconian, armadura de Laconian, yoyô de Laconian… ta, este ultimo não tem, mas é muita coisa. Laconian vale muitas mesatas, e a maioria dos objetos manufaturados com este material você acha em labirintos, pois ninguém vende tais artefatos.

Ah! Mesetas é a moeda corrente, M$ 1,00 (uma meseta) deve estar em torno de R$ 10,00 (dez reais) pelo cambio da Bolsa de Valores.

Deixando as atividades comerciais:

Alis acha Odin dentro de uma caverna, o coitado estava transformado em pedra, e é graças a Myau, que tem um antídoto, que o infeliz é trazido de volta. Ele fica grato, e se alia a Alis, pois era amigo do seu irmão… essas coisas. Só não entendo como Alis sabia que era ele transformado em pedra, e não uma estatua qualquer… detalhes à parte. A próxima parada é na padaria da esquina… Sim, você tem que comprar um bolo, vai ao Palácio do Governador, entrega o bolo para o Robô e entra (tipo um disfarce, uma desculpa esfarrapada só pra poder entrar), esses robôs são mais burros do que os droids de Star Wars pra cairem nessa.

Você troca umas palavrinhas com o governador e ele lhe entrega uma carta, endereçada a Noah. Noah é um mago muito experiente e poderoso. E não sei por que diabos ele estava perdido dentro de um bueiro. (Ele realmente me parecia perdido). Acho que não foi a carta, mas sim por ter tirado ele de lá, que ele resolve nos ajudar.

Enfim, trupe formada! A essas alturas você se pergunta se a Alis pintou o cabelo, porque na abertura é castanho e agora é preto (Eu demorei para notar xD)!!

Parte III – Questiúncula de Laconian

Asas batendo! Marcha de decolagem! Turbinas e Jáaaaa!!!” – Gato AJato

Agora você precisa arrumar uma nave espacial, trabalho simples. Dentro de uma prisão abandonada você encontra um cientista louco, que pela quantia certa faz uma para você. Dai você tem que achar seu assistente num labirinto, tranqüilo, quase não tem isso no jogo.

Dinheiro pago, assistente achado. Vamos embora!… Alto lá, falta o Piloto! Cientista estúpido! E lá vamos nós acharmos um piloto, com itens mais mirabolantes do que Laconian.
… Sim um robô, achar e consertar.

Mas antes, você se depara com uma criatura das mais malvadas, o vilão mais surpreendentemente traiçoeiro, velhaco, malvado (eu já disse malvado?), Terrível mesmo! O Dr. Mad (*raios*)!

Ele é um ser estranho. Quando você se depara com ele (pois nesse jogo você, simplesmente, se depara com os seres e entidades), o Dr. Mad diz: -Hum, você tem um lindo gato, gostaria de me dar?”. Eu, que era inocente, tolo e ingênuo (se é que cabe tudo isso num único ser), achei que ele queria fazer amigos e lhe entreguei o gato.

*Myau Morreu*
Foi o que apareceu na tela. Juntamente com uma musiquinha macabra decrescente, irreprodutível.

Aquele ser malvado, estrangulou o meu gato, que eu troquei por um pote de Lac…não sei o que… Maldito! T_T

Tamanha surpresa (e malvadeza) tem por objetivo desestabilizar o jogador, que perde a concentração e morre ai mesmo, deprimido por falta do gato, com sentimento de culpa – *buuaaaa* Snif snif T_T. Myau… ?

Sim, eu morri. ^_^” Fiquei perdido, nunca imaginei que um jogo poderia ser tão imprevisível. Mas minha primeira reação foi dar uma gargalhada. Só depois veio o sentimento de culpa, seguido do de morte… Prossigamos!

Matamos o Maior Vilão de todos os tempos! Malvado mesmo! Seguimos por algumas casas com destroços, e lá no meio do ferro-velho encontramos o robô famigerado Hapsby, agora nosso piloto (*musica de triunfo*).

Viajamos bastante e perdemos tempo com o assunto de uma flauta e um Hovercraft até conseguirmos um por uma pechincha, algo em torno de R$ 300.000,00 (pelo cambio), mais um olho de dragão (impagável), mais um veículo do ferro-velho.

Temos mais um veículo! Avante! Agora é buscar os itens de Laconian, indispensáveis. Um deles você vai encontrar debaixo de uma formiga-leão (essa coisa marrom e redonda, se encostar, Batalha!).

Curiosidade

A formiga leão existe de fato (só não tem 5m de altura), mas na verdade é uma espécie de besouro. Ele cava em forma de cone, assim qualquer inseto que passar perto ele agarra e arrasta para o buraco, e o devora, obviamente.

Criatura malvada, não? …Sobrevivência meu caro!

Depois desta aula de biologia da série “A vida secreta dos Jardins”, voltemos ao jogo:

Parte IV – A Vingança de Alis

Depois de adotar Myau (O Rejeitado), salvar Odin (O Petrificado), ajudar a Noah (O Desorientado). Consertar uma nave e um robô (e pagar um absurdo por isso), arranjar um Hovercraft (caro), ser assaltada, encurralada, crucificada, morta e sepultada, comprar um Perfurador de Gelo por M$ 12.000,00 (outro roubo. Imagina isso em Reais!), se perder várias vezes, deixar seu gato nas mãos de uma criatura sem escrúpulos para ele estrangular-lhe-ô (E Myau ainda não a perdoou, ta?!), e ainda achar todos os artefatos de Laconian, Alis ainda têm fôlego para ir atrás de vingança! Sim! Por que aquilo de salvar o povo já não cola mais. Todo lugar que ela vai ninguém ajuda, só cobram uma fortuna por qualquer balinha.

Então rumo à torre Baya Malay. Alis encontra um cristal que não serve pra nada, nem pra vender num bazar de caridade de fim de ano. Subindo a torre ela acaba usando essa porcaria, porque não tem outra coisa pra usar, e por que é evidente demais. Então o castelo do vilão demoníaco, amigo íntimo do Dr. Mad, malfeitor, mal-caráter, megalomaníaco, narcisista, sádico, e corintiano, se torna visível no céu! Flutuando Ôhhhh!!

O problema agora é subir! Alguém tem asas?

Mas antes disso uma analise: Por que alguém se colocaria em um castelo flutuante invisível?

Boa coisa não é. Só por conta disso já deveriam abrir uma CPI. Porque alguém iria querer tanta privacidade? Na verdade – e em verdade vos digo – privacidade só serve pra fazer algo de errado. Ninguém quer privacidade para ajudar os pobres, para distribuir comida, para curar pessoas, para rezar… não, mas para elaborar planos maquiavélicos dedicados à destruição do universo sem deixar patente nem testemunha, Ah! Sim! Aí está a maldita privacidade. Duvido se Lassic não tem uma conta nas Ilhas Cayman, com tantas Mesetas desviadas, sei não.

Voltando à problemática; Como subir no Castelo? Ou “Ao” Castelo… Tanto faz…

Simples, Myau come uma noz e cria asas. E fica com cinco metros de altura. Daí todo mundo sobe em suas costas e ele voa até lá em cima.

Não, não estou avacalhando, isso é sério mesmo!

E se por acaso você não encontrou todos os itens de Laconian, volte e procure de novo, por favor. Porque vai morrer todo mundo.

Tudo em cima, armas em punho (e garras), vamos até o vigarista.

Não devemos dar muita bola para o que ele fala, lembre-se que ele é amigão do Dr. Mad.

Mata logo e acaba com isso!

“- Matamos o desgraçado e agora?

Agora, voltemos ao governador pra requerer a recompensa. Ou você acha que todo esse trabalho era só por caridade para com o Universo? Negativo, nananinanão!

Voltamos ao palácio do governador e caímos em uma armadilha… outro labirinto. E detesto admitir, não passei daqui.

Mas, rumores falam que a saída do labirinto fica ao centro, e eu fique girando em volta dele… por três dias. T_T

A essa altura Myau aprendeu que é melhor ficar só curando o povo, e Odin já deve ter descoberto, milagrosamente (por uma epifania) que uma Pistola Laser é melhor do que um Machado.

Ah! Mais e ai? Como é que acaba?

E eu é que sei? . . .

Quer dizer que eu li isso tudo pra não saber o final da estória?

É! 🙂 O mundo não é realmente cruel!? – Mas ânimo! Você pode comprar o joguete se der sorte de achá-lo barato em algum leilão virtual, ou pode também não depender desta sorte e arrumar um emulador e o jogo em português por ai. Agora deixa eu ir, que está na hora de minha jogatina diária de todos os dias. Hoje: Kid-Camaleão! Tchau!

Fim

 

 


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  • John Galecki

    Combina

    • Caro John;
      Obrigado, esta foi minha primeira cr

  • Pingback: Tweets that mention Cr()

  • hahahahaha, Gautama – em verdade vos digo – vc

    • Orakio “O Gag

      Opa, valeu pelo cr

    • Calhorda!? 0_o… j

  • Anônimo

    Falando nisso… vou recome

  • Pingback: Tweets that mention Cr()

  • Parab

    • Gautama

      Obrigado Rafael.

  • O pessoal da minha rua vivia me zuando quando ia jogar video game l

    • 97, Master video-game de pobre? e o CCE? (atari gen

      • KKKKK eu chapava muito com o cara do Sega Saturn, ele se achava muito! E n

      • Anônimo

        Pow, o CCE foi meu primeiro atari, aquele SUPERGAME pequeno e quadradinho….
        kkkkk

  • Uma historinha r

  • Anônimo

    KKKKKK ri pra caramba mano, otimo texto.O melhor foi o GATO A JATO, POW, vc BUSCOU DO BAU ese a

    • Vlw Nigazallucard (que nome mais extenso!)
      O ‘gato ajato’ veio como um processo medi

  • Carlos

    M U U U I I T O O bom esse review…. tinha esse jogo e guardo at

  • Cinthia Simao

    Jura que vc n

  • Confesso que um de meus pecados gamisticos

  • Ximbokinha

    Cara Li a matéria com lagrimas no olhar, foi meu primeiro RPG digital eo que despertou a jogar muitos outros, levei 4 meses para detonar ele.
    Sim 4 meses na epoca minha mae nao deixava ficar muito em frente ao master xD.

  • Bom foi meu primeiro rpg tbm
    nossa q jogao, passei mta horas jogando, sem comer.
    mas nunka tiver oportunidade de salvar
    euheueh
    meu cartucho tinha problema, se desliga-se o master
    o save apagava.
    puts tentei terminar o jogo sem parar
    mal cheguei na metade kkkkkkkkkkk
    mto bom o review
    vale mto a pena esse jogão.
    Historia envolvente e mto divertido( tirando ficar perdido nos labirintos)kkkkkkkk

  • Anselmo

    Muito legal o texto! Parabéns!

    Porém queria fazer 2 correções:

    1. Noah é encontrado na Caverna Naharu, em Motávia. Não em um bueiro.

    2. Para aparecer o Sky Castle no alto da Torre da Baya Malay, deve-se usar o PRISMA (encontrado em Dezóris) e não o cristal. O cristal serve para que o ataque do Lassic não te mate de primeira.

    É isso.

    Abs,

    • Gautama

      Vlw pelas correções Anselmo. São sempre bemvindas para os RetroAventureiros de plantão. 🙂 Nunca é tarde demais para um Retrô!

  • a Alis e o Myau me cativaram, graças a todo retrogamer falar que o jogo é excelente. joguei só um pouco só de teste e quando dei por mim, já estava horas na frente do PC jogando PS.

    um dia vou zerar a série inteira, do 1 ao 4 captulo da série