Crônicas Gamísticas: Até mais Wii U, e Obrigado pelos peixes!


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Cá estava eu, quieto em meu apartamento, sem sinal de TV e de Internet após uma tempestade fortíssima que deixou a capital de São Paulo bem menos verde do que já era. Não que esta selva de pedra em que vivo seja detentora de uma arborização exemplar, longe disso, mas nossas poucas árvores existem, e quando uma ou mesmo parte delas resolve cair, é quase certo que ela vai levar junto aquele emaranhado de fios que passam por entre seus galhos, deixando muita gente sem energia elétrica, sinal na TV, ou o bendito tráfego de informação digital. Coitada da árvore…

warpzoneA energia elétrica mesmo demorou até a manhã do dia seguinte para se restabelecer por aqui… Pelo menos o banho quente estava garantido! Ainda aguardando pelo retorno dos outros dois itens, liguei meu PC, mas o ócio ocasionado pela falta da interação logo me fez perder o interesse pela tela. Levantei os braços, dei uma bela e longa espreguiçada, será que devo jogar alguma coisa pra passar o tempo? Ler alguma revista ou livro? Que tal dar aquela organizada na bagunça? Nah… Uma olhada em volta me fez perceber que o escritório estava bagunçado o suficiente para que essa última ideia sumisse da minha cabeça. Mas algo em meio àquela bagunça toda na bancada me chamou a atenção, quase não dava para vê-lo. A preguiça era monstruosa, estiquei o braço de maneira vergonhosa enquanto dava aquele bocejo pós espreguiçada, quase caindo da cadeira, e empurrei um montinho de revistas pra cá, um notebook pra lá… Eu já sabia que era ele, mas um calculo rápido do tempo em que ele esteve ali, imóvel, esquecido, me deixou surpreso. Meu querido Nintendo Wii U, comprado num sábado, a um ótimo preço, após uma maratona inesquecível pelos shoppings da capital atrás de uma promoção.

retroplayers-wii-u-wiiuVeio com New Super Mario Bros U + Super Luigi U, que joguei bem pouco por sinal… Acho que minha vibe era outra. Que os jogos de plataforma ficassem para as antigas gerações, pois naquele momento, eu queria algo mais atual e esse algo chegou pouco tempo depois de uma conversa com um amigo sumido da mídia que atendia pelo nome de Orakio Gagá Rob. Não sei pra que um apelido tão grande… Mas em fim, ele me vendeu ZombiU, e quando o jogo chegou, eu me apaixonei pelo tal console.

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ZombiU foi um dos jogos mais aterrorizantes desta geração

A jogatina em duas telas nunca me pareceu tão plausível e real, sem perfumaria. A ambientação e a imersão eram totais, e imergir em um ambiente escuro, sujo, e lotado de mortos vivos canibais era realmente aterrador, algo que absolutamente nada nesta geração toda conseguiu, se quer, igualar. Mas o tempo passou, a Nintendo acaba de revelar em um vídeo cheio de gente feliz que seu novo console se chamará Nintendo Switch, e fora isso, a única coisa que se sabe com certeza é de que não faz tanto tempo assim que o Wii U viu a luz do dia pela primeira vez, há pouco menos de 4 anos.

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O Switch

Algo deu errado, isso é óbvio. O aparelho foi um fiasco em vendas, e hoje detém a pior base instalada dentre todos os consoles caseiros da empresa. E isso não vai mudar, ele já foi abandonado pela sua criadora há algum tempo, e seu último sopro de vida está ainda para chegar na forma de um game que  já deveria ter sido lançado, mas que estão segurando para um lançamento simultâneo com o tal novo novo console, algo que se assemelha ao que aconteceu na época em que o Game Cube encerrava seu ciclo de vida. Quem não se lembra de Twilight Princess chegando ao “Fogãozinho” da Nintendo e ao Wii ao mesmo tempo? Um final digno, e um começo maravilhoso, tudo acontecendo ao mesmo tempo. Motivo de orgulho para os donos de Game Cube, era a “missão cumprida” após 6 anos de estrada muito bem aproveitados.

Mas lá estava meu Wii U, abandonado em meio à bagunça, o tablet totalmente descarregado, mas limpinho graças aos serviços da moça que dá um tapa aqui no apartamento de vez em quando. Me esforcei para lembrar qual havia sido o último game jogado ali… Fatal Frame, não o jogo, a demo.  Eu até havia gostado de banir assombrações com o tablet, o uso como câmera ficou excelente, mas não o suficiente para me fazer gastar a fortuna que seria necessária para adquirir a versão completa na época! Dólar a quase cinco reais? Melhor não.

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Fatal Frame: Maiden of Dark Water – se o dólar estivesse mais barato, eu comprava…

Me bateu então uma dúvida: ligar ou não? Fiquei ali espreguiçando mais um pouco enquanto decidia, e foi quando um pensamento apareceu aleatoriamente em minha mente. ZombiU e Fatal Frame, praticamente primeiro e último games que joguei no console, haviam sido os dois únicos títulos que me fizeram realmente acreditar que a telinha do gamepad poderia ser usada para funções que fizessem valer o que paguei pelo console. Qualquer outro jogo dos não muitos que joguei na plataforma, ou não faziam uso de qualquer função que não pudesse estar em um menu na tela da TV, ou tentavam fazer um uso mais original só que com resultados trágicos, e me pareceu então que o reflexo disso havia se mostrado naquele novo console que estava por vir, um substituto, ou talvez, uma correção. Eu, ali, olhava para um defunto, um zumbi, um console que logo seria descontinuado por tentar mais uma vez, apostar somente na jogatina diferenciada. Claramente não havia dado certo, faltava um algo mais, talvez potência para igualar os concorrentes, quem sabe com certeza?

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Lana era disparada a minha personagem favorita em Hyrule Warriors

Fato é que infelizmente, a Nintendo e suas parceiras não podem suprir sozinhas a necessidade de títulos de um console. É pouco, é insuficiente, jogos de terceiros sempre são necessários apesar da insistência dos fãs mais ardorosos em dizer o contrário. Bem, o Wii U está respirando por aparelhos, quem estava certo no fim das contas? Mas algo era imutável: eu comprei aquele console, e por algum tempo, um curto tempo, eu o curti demais. Passaram pela minha cabeça os grandes títulos que pude desfrutar ali, poucos na verdade, um número pífio se for comparar com o console antecessor, ou mesmo com qualquer outro console da empresa, mas eles existiram. Na verdade ainda existem, um jogo não se desfaz com o tempo. Pode se tornar feio e indesejado, mas nunca irá desaparecer como se fosse um pensamento genérico qualquer. Hyrule Warriors, Mario Kart 8, o incrível Bayonetta 2, e o ótimo remaster de Twilight Princess. Wonderful 101 me foi uma grata surpresa, um ótimo jogo que usava pessimamente a telinha, mas que se mostrava sólido quando a gente resolvia jogar só nos analógicos. Xenoblade X foi a minha maior decepção no console, um game que de jeito algum, valeu a fortuna que paguei por ele. Pikmim 3, que apesar de bonito, mantinha a fórmula já um tanto repetitiva dos jogos anteriores, e por isso, não me cativou por muito tempo, já o fantástico remake de Wind Waker, que coisa maravilhosa… Pegou tudo que já era perfeito e deixou mais perfeito ainda, uma obra de arte revista e melhorada que deveria ser contemplada por todos que se consideram gamers.

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Não dá pra explicar Bayonetta 2. É surreal, é épico, é sensual, é Bayonetta!

O console definitivamente era cheio de altos e baixos. Grandes franquias da empresa ficaram de fora da farra, outras não deveriam ter entrado nela. Pensei que o Miyamoto deveria ter dado um breque no saquê… O que fizeste com Star Fox, oh nobre Guru dos Games? Pelo menos aquela vergonha alheia encarnada em robôs desengonçados não saiu do papel. Menos mau.

É, definitivamente eu não iria ligar o aparelho… Não iria me dar ao trabalho. Meus jogos já se foram, vendi quase todos, sobraram alguns na memória do console apenas, mas nada que eu já não tenha no Steam. Santo Steam… Que negócio genial aquilo! Bem, o assunto é Wii U, melhor deixar esse “console virtual” de lado por enquanto. Eu não ia mesmo jogar, não me cocei nem para ligar o carregador na tomada, e eu estava vendo a tomada e o conector ali, em baixo da mesa, dava pra cutucar eles com os pés. É, eu estava realmente com uma preguiça daquelas! Estiquei a cabeça para trás, e tentei lembrar o que mais o console havia tido de bom. Exclusivos, claro, o resto não importa. Nada de levar em conta jogos da metade da geração passada, ou indie games que são muito mais baratos no PC. Isso talvez importe pra alguém, não é o meu caso, pois o que eu queria mesmo nunca apareceu: Tomb Rider, Street Fighter V, Dark Souls III, Fallout 4… Nem em sonho.

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Super Smash Bros Wii U: legal, importante, mas não é pra mim

De exclusivos, me veio à cabeça imediatamente Super Smash Bros U, um jogo que reconheço a importância, mas que, desde seu surgimento no N64, nunca me apeteceu. O novo Mundo 3D do Mario, que apesar de ótimo, mais me pareceu um retrocesso daquilo que vi em Mario Galaxy 1 e 2 do que uma evolução… Mario Gatinho? É, hoje não. Acho que estou realmente ficando velho… Bem,  teve o jogo do Toad como protagonista caçador de tesouros, um game que me chamou a atenção, mas que me causou dúvidas quanto a valer ou não o investimento. Esse maldito dólar que nunca baixa… Fast Racing Neo, o último game que comprei, e joguei por 3 dias para não mais encostar no jogo. Sim, era bom, surpreendentemente bom, mas curto demais, e deserto no modo online.  Juro que minha mente não conseguiu se lembrar de algo mais, nem ruim, nem bom. Onde está a biblioteca desse videogame? Realmente foi só isso?

Então franzi a sobrancelha esquerda, e levantei a direita… Geralmente eu faço isso quando penso “mas por outro lado…“.  É, por outro lado até que não foram poucos. Nestes quase quatro anos de vida, me lembrei de uns 15 exclusivos, sendo que uns 10 foram produzidos pela própria Nintendo e suas agregadas, e tenho certeza que esse numero aumentaria um pouco mais se eu me esforçasse para lembrar… É, teve aquele jogo do Yoshi de lã, e Splatoon, Mario Maker, e como fui me esquecer do maravilhoso e perfeito Donkey Kong Country Tropical Freezy? Ops! Pareceu então que eu havia acordado um pouco, e a mente voltou a trabalhar menos preguiçosamente. Independente de ótimos, bons ou ruins, a Nintendo deve ter lançado, de seus próprios estúdios, uns 20 jogos exclusivos para o console. Levante a mão a empresa que em 4 anos de vida, lançou 20 jogos no PS4 e no Xone por favor? Talvez a Ubisoft, com 5 ou 6 versões diferentes de Assassins Creed e Just Dance.

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Donkey Kong em sua melhor forma: Tropical Freezy é sensacional

Desfranzi as sobrancelhas, pensei até que deveriam ter sido suficientes… São 5 jogos para cada um dos anos que o console durou. É realmente uma pena que ele não tenha tido o menor apoio das outras fabricantes, provavelmente foi o que decretou o seu fim. Sem os grandes jogos do mainstream, fica difícil competir. E lá vem o Nintendo Switch, com a promessa de tudo isso que faltou no Wii U e muito mais… Será que agora vai? Será este um console sem falhas? Um aparelho definitivo e livre da síndrome da morte precoce, velha conhecida dos fãs da empresas? Eu ainda não estou apostando minhas fichas nisso. Adoraria, mas gostar da Nintendo me fez uma pessoa desconfiada. Desconfiada, mas feliz.

Verdade que ainda faltaram muitas outras caras neste videogame. Acabou o tempo, nada de Capitão Falcon fazendo curvas a 1300 mph em sua Blue Falcon, ou Samus Aran caçando algum Metroid contrabandeado pela galáxia… Se olharmos o elenco de Super Smash Bros U, vamos ver uma penca personagens que só deram o ar da graça por ali mesmo, sem protagonizar ou aparecer em mais nada no console. No pouco tempo disponível, quem apareceu, pelo menos na maioria dos casos, fez bonito. Bigode, Donkey, Link… Que fã da empresa não se contenta com o que esses personagens protagonizam? Chega de espreguiçar, chega de contorcionismo, hora de acordar de vez: não é que, apesar de ser um fiasco comercial, aquele console realmente tinha me divertido? Foram centenas de horas gastas em Mario Kart 8, dezenas de noites a fio tentando fazer o melhor final de ZombiU, muitos palavrões e maldições conjuradas para fechar Bayonetta no Hard, nem preciso dizer nada de Tropical Freezy e seus terríveis templos secretos destruidores de vidas (e amizades, e lares, e famílias).

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Não dá pra contar quantas horas gastei em Mario Kart 8

É, foi muito bom jogar esse tal de Wii U.

Eu olhava fixamente para a telinha do gamepad, viajando… Sabe? Quando, sem motivo aparente, ficamos imóveis olhando para um ponto qualquer com cara de paisagem? Só percebi isso ao sair do transe. Soltei um sorriso estranho, meio satisfeito, meio inconformado. Bem que a realidade poderia ter sido outra…

Não foi, resta esperar pelo derradeiro game do sistema, a novíssima aventura do Herói do Tempo. Talvez ainda demore um pouco para que ela chegue, talvez demore mais ainda para que eu possa juntar barras de ouro suficientes para comprar o jogo, talvez eu nem compre o jogo e guarde o dinheiro para adquirir um Nintendo Switch, talvez ele nem seja o último jogo do console… Definitivamente eu não sabia naquele momento, e ainda não sei o que vou fazer da vida. Mas me sinto grato. Me sinto bem. Me sinto afortunado por ter jogado os grandes títulos deste peculiar aparelho. Resolvi então esticar um pouco mais a perna, e com o pé direito, peguei o cabo de energia do carregador do gamepad. Com o pé mesmo o encaixei na tomada, foi muito mais fácil do que eu imaginei… Ou tive sorte.

Por enquanto, ele fica carregando. Não custa nada mesmo, e vai e dar a impressão de que ele não está abandonado. Não ainda. Quem sabe depois do último ato ele retorne para dentro de sua embalagem para então, passar a fazer parte dos meus itens de coleção? É o mais plausível, tanto por que eu só guardo consoles que, de alguma maneira, me marcaram, e o Wii U, no final das contas, fez o suficiente para isso.

Finalmente levantei da cadeira, percebi que precisava de uma última espreguiçada. Foi a melhor de todas! Então, fui tomar um banho quente. Vai que outra árvore cai e a energia acaba…

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Que venha o Último Ato

Fim


Sobre Sabat

Dono, Chefe, Gerente, Cara da Xérox e Tia do Café do RetroPlayers! Meu negócio? Falar sobre games. Como? Escrevendo meus trabalhos, gravando minha voz horrível, ou filmando minhas humildes proezas! Onde? Aqui, ali, ou onde quer que me chamem!
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