RetroPipoca: Scott Pilgrim vs The World


E cá estava eu certo dia fuçando pela web quando me deparei com um trailer. Era Junho, ou Julho, não importa, aquele dia me foi especial, pois nunca um trailer de filme havia me deixado tão fascinado e boquiaberto como daquela vez. O motivo para isso? O que eu via naquele empolgante trailer era apenas a mais bem sucedida mesclagem entre a nossa realidade e o universo gamístico que eu já havia visto! Era como se a vida fosse… puro videogame.

E eu sei lá o que era aquilo… Nunca havia ouvido falar no tal do Scott Pilgrim, o estudante canadense e baixista nas horas vagas; nunca havia lido a HQ que leva o seu nome, nem sabia que ela existia… O universo que cercava este personagem era completamente desconhecido para mim. Talvez por isso eu tenha me empolgado tanto quando assisti aquele trailer, e talvez também por isso eu tenha ficado tão decepcionado quando soube que a obra iria demorar mais de meio ano ainda para chegar aos cinemas.

E ainda bem que eu sou um cara antenado, pois a publicidade tupiniquim de Scott Pilgrim vs The World foi tão cretina que muita gente nem sabe que o filme já está é pra sair da programação dos cinemas nacionais, que estarão hospedando mais um capítulo da saga do garoto bruxo mais popular, superfaturado e superestimado do mundo. E essa tremenda falta de atenção ao movie do pseudo-herói canadense se deve justamente a essa superestimação que o povo dá a esse mundaréu de porcarias que Hollywood anda vomitando ultimamente nas salas de cinemas do mundo, e que são aceitas e tragadas com uma facilidade absurda pelo público sedento de falsos astros enquanto muitos bons filmes nem se quer são citados nos intervalos das novelas. Assim, enquanto o pessoal abarrotava filas para assistir mais um mega-original Jogos Mortais, eu e uma dúzia de pessoas adentrávamos em uma sala quase vazia para assistir um filme que se não fosse o pôster do lado de fora da sala, o pessoal da outra fila nem saberia que existe.

Decepções com o mundo à parte, agora é hora de comentar o que vi na telona… não, péra lá… ainda estou decepcionado sim… Alguém me explica por que diabos alguém quer assistir Jogos Mortais e Garfield em 3D? Qual é o efeito especial que necessita essa tecnologia em produções tão fuleiras? Até Fúria de Titãs, que possui o efeito 3D mais tosco desde que a modinha pegou, tinha a desculpa das batalhas monumentais contra os mequetrefes mitológicos para justificar o uso da tecnologia, mas por que diabos eu iria querer ver um cara fazer careta em 3D enquanto teoricamente ele está serrando algum membro (que obviamente nós não vemos) para se safar de alguma situação mirabolantemente baseada nas armadilhas que o Coringa inventava para o Batman aboiolado de Adam West? Digo isso por que tamanha foi minha indignação ao presenciar o verdadeiro show visual que é Scott Pilgrim vs The World, que graças ao gosto popular, não pude ver em três dimensões… é f%&#@!!

Bem, pelo menos aquilo que me empolgou tanto nos trailers vingou na telona: após um início meio xôxo, começa a viagem em um universo que beira o limite entre a fantasia e a realidade…virtual.

Conta a história que Scott é um rapaz de 23 anos que se apaixona perdidamente por uma garota que ele nem conhece, mas que por algum motivo inexplicável ou vontade divina, aparece em seus sonhos como se fosse aquela sua vizinha gostosa. Esta é Ramona, a garota de cabelos coloridos que, ao aparecer em carne e osso frente ao carinha sonhador, causa a bagunça toda que nos é mostrada a seguir. Isso por si só, não faria um filme melhor do que um episódio de malhação, mas acontece que a mágica começa quando Scott descobre da pior maneira que, no melhor estilo Quentin Tarantino, ele deverá enfrentar e vencer todos os integrantes da Liga dos Ex-namorados Malignos da moça se quiser realmente ficar com ela. Viajou? Pois é, surreal mesmo!

E saiba que esses embates lembram uma mistura de Marvel vs Capcom com Live-actions japoneses, com muita forçação de barra MESMO, mas tudo apresentado de uma forma tão empolgante que qualquer um se sente no controle da alavanca do arcade! Não é como assistir a um daqueles terríveis filme das Panterinhas, cheios de movimentos forçados e impossíveis que tentam parecer reais ou no mínimo passar alguma credibilidade, mas só conseguem fazer as lindas moças pagarem mico frente ao público mais exigente… Não, Em Scott Pilgrim vs The World o negócio é muito diferente, e você sentirá o impacto logo na primeira bofetada que Scott acerta no Ex-Namorado maligno nº7.

Mas é só isso? Pancadaria? Não, de jeito nenhum: Scott Pilgrim vs The World é o filme mais retrogamer que eu assisti desde a 23ª reprise de O Gênio do Videogame (coisa de uns 15 anos atrás só). Pessoas com um bom nível de cultura inútil notarão diversas citações a jogos clássicos, como sons característicos, representações de cenários, músicas, e isso sem contar que o filme mesmo rola como se fosse um jogo de videogame, onde Scott inclusive ganha experiência, itens, e até sobe de Level, é uma doideira só! Em uma parte especialmente marcante pra mim, Scott, após esvaziar a PEE BAR (medidor de xixi) no banheiro (sim, existe uma barrinha na tela), se vê andando solitário e vagarosamente pelos corredores da escola, brilhantes e com luzes piscantes, ao som da trilha sonora das Zelda’s Shrines de Ocarina of Time (aqueles locais secretos onde fadas semi-nuas davam ou melhoravam “algo” do Link) interpretada por um coro de vozes femininas, quando Ramona passa por ele com seus patins in-line e, ao dobrar o corredor atrás dela, lá está a garota esperando no que parece ser o lado de fora da porta da frente da casa de Scott, que acorda com o barulho da campainha e pula da cama correndo para atender a porta já sabendo quem está do outro lado.

Este é o tipo de situação inusitada e diferente que nos é apresentada durante as quase duas horas de filme, impecavelmente dirigidas pelo ex-novato Edgar Wright (do excelente Shaum of the Dead, de 2004, e Hot Fuzz, de 2007, ambos nota 8 no popular e exigente IMDB) e brilhantemene executadas em meio ao mar de efeitos especiais que compõe a aventura, e claro, tudo regado ao mais puro, bom e velho Rock’n Roll sem frescura, geralmente interpretado pela banda ao qual Scott é baixista.

Some o amigo gay de Scott, a irmã, e a ex-nova namorada dele (não, não me refiro a Ramona) ao pessoal que compõe a tal banda, e estará praticamente formada a trupe de pessoas que rodeiam e interagem com os dois personagens principais, cada um com sua devida importância na criação do universo surreal do filme, e marcantes de forma tamanha que conseguem minimizar a ausência de um roteiro mais trabalhado, pois como toda adaptação de alguma obra já existente (até nas melhores), este é também cheio de buracos e motivos banais (ou incoerentes) para tudo acontecer no filme.

Mas o negócio é que quanto mais o filme avança, mais incoerente ele fica, mas mais empolgante ele fica também. Os acontecimentos vão se tornando mais grandiosos, e a medida que o game over se aproxima, temos aquela sensação de que nossas fichas estão acabando, de que o RPG está chegando ao fim mas você não quer deixar aquele mundo. O negócio é tão como jogar videogame que ao final de tudo, somos apresentados a uma tela de CONTINUE que conta regressivamente de 9 a 0 enquanto agonizamos assistindo impossibilitados de apertar qualquer botão…

O filme termina, e naquela dúzia de guerreiros, alguns assoviam, outras fazem o sinal do Heavy Metal, outros saem apenas fazendo SIM com a cabeça… Ninguém sai decepcionado, nem as garotas que foram só para acompanhar os namorados jogadores, pois ali estava um público seleto, que foi ao cinema apesar da falta de marketing, pessoas que como eu, já o esperavam a mais de meio ano e já sabiam o que esperar da película.

Assim foi minha sessão de cinema com Scott Pilgrim vs the World, um bom filme, muito bom mesmo. Será que aquele pessoal que foi na sala 3D ao lado gostou de Jogos Mortais 7??

Fim


Sobre Sabat

Editor Chefe do RetroPlayers, Redator e Editor nos Livros e Revistas WarpZone, Podcaster e editor de áudio, Saudosista, e Analista de Informática porque algo tem que dar dinheiro né!

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  • eah, o marketing do filme foi pessimo mesmo :/
    eu so vi por ai informa

  • Hely

    Assisti e gostei pacas desse filme…s

  • Poxa, to me co

    • Ou vomitou de nojo das cenas escrotas, ou de t

  • Anônimo

    Film

    • Po, pra mim o muleque se saiu bem XD nada contra ele n

  • Marcos

    Estou com muita vontade de assistir, pena que onde moro n

    • Ou baixar… pense bem… qualidade 720p… XD Eu gostei tanto do movie que ja baxei o MKV 1080p! Na TV via HDMI fica LINDO!!!

  • Pingback: Tweets that mention RetroPipoca: Scott Pilgrim vs The World - Retroplayers -- Topsy.com()

  • Jeff

    Vou correr atr

  • O filme parece ser muito bom mesmo, o “interesse massivo” nele mostra isso. 😛

    A grande import

  • Anônimo

    Acabei de assitir , baixei aqui, FOOOOOOOOOOODA o filme, PQP! um dos melhores filmes que assiti EVER, kkkkkkbom mesmo, engra

  • Fala Sabat!!! Assisti na Sexta passada. Adorei, puta filme animal. Eu n

    • Opa Leo XD beleza?
      Surpreendente esse filme cara, empolgante demais!
      O jogo eu to torcendo pra sair para PC via Stean ou outro meio qualquer, sen

  • Porque diabos a Paramount lan

    • Esse filme deveria ter tido marketing massivo e exibi

  • JPPaes

    Ol

    • Opa JPPaes ^^

      Rapaz, conseguir filmes nesta resolu

      • JPPaes

        Sabat, eu sei o que

    • Anônimo

      Cara, a apartir de 480p j

      • JPPaes

        Cara, vlw pelas dicas e sim, minha TV

  • OLOKO Sabat, Jogos Mortais n

  • Bem, ap

  • Simplesmente nost

  • Julianna

    MEU DEUS QUERO VERRRRR!!!!!
    JÁ LI TODOS OS LIVROS MAIS DE 1.000 VEZES!!!

    • O filme é de 2010 juliana, ja está passando na TV a cabo a torto e a direito ^^ Não vai ser difícil achá-lo para assistir! Boa sorte!

      • Julianna

        Obrigada pelo conselho !!Vou ver se encontro…
        (só uma coisa :meu nome é com 2 “n” )