RetroPipoca: Resident Evil 5 Retribution (2012)


Sejam bem vindos, caros amigos retroaventureiros, a mais um RetroPipoca, a sua mais querida e esporádica resenha cinematográfica voltada 100% ao universo gamer da coisa! E o filme da vez, apesar de recheado de coisas moribundas semi apodrecidas, está fresquinho fresquinho, e assim como seus outros quatro irmãos mais velhos, foi obviamente concebido a partir de algo existente no nosso universo virtual do games, mais precisamente, da obra clássica do Horror de Sobrevivência da Capcom, Resident Evil. É óbvio que o filme não faz jus ao nome que carrega, nem precisamos fazer suspense quanto a isso e fã nenhum da franquia cinematográfica parece ligar muito para este fato…  Mas será que este quinto capítulo finalmente conseguiu pelo menos me agradar o suficiente para que eu pudesse considerá-lo aceitável dentro do terrível universo dos “filmes baseados em games”?

Neste meio de semana passado, mais precisamente na famosa Quarta Feira, dia de preços reduzidos que deixa qualquer filme em exibição nos cinemas muito mais legal e atrativo para nossos bolsos, fui boicotado por minhas cunhadas (e meu cunhado também, aquele que apagou meu save de 60 horas no Xenoblade), que nem me avisaram da caravana realizada pelos mesmos até o Knoplex Osasco, meu cinema preferido… Sala digital, som THX, coisa e tal… Mas nem tive muitos motivos para querer chicoteá-los pela traição, pois logo fiquei sabendo que eles foram até o local apenas para financiar mais um capítulo daquela que é a provável série de filmes que eu mais ignoro a existência, uma das poucas a qual eu me recuso pagar o menor centavo contido em meus bolsos para assistir, mas que eu não exito em baixar na faixa pela internet só para poder comprovar minhas crenças sobre podridão, Hollywood, e versões cinematográficas de franquias de videogames.

Pois é, caros amigos retroaventureiros, absolutamente não sou fã desta franquia de filmes, e a culpa disso passa longe de ser da atris principal, do elenco, ou da própria Capcom que fez a burrada de vender os direitos cinematográficos de sua obra digital para Hollywood e agora tem que lançar seus filmes em CG direto em mídia física… E a final de contas, por que é que se fazem tantos filmes ruins em Hollywood? Simples: por que tem público pra tudo nesse mundo, e invariavelmente, esse público é grande. Logo, por pior que seja a qualidade geral do filme, se a parte visual da coisa for boa, o lucro é quase certo, o que torna viável para os produtores e diretores criarem continuações e mais continuações até que a obra finalmente deixe de ser lucrativa, algo que provavelmente vai acontecer antes do sétimo ou oitavo episódio. Jogos Mortais? É bem por aí.

E como fazer para a parte visual ser boa? Mais simples ainda: coloque algumas atrizes boazudas fazendo movimentos impossíveis pela tela e um montão de computação gráfica ao redor delas, se o nome da película remeter a alguma franquia famosa de um segmento paralelo, melhor ainda, e não se preocupe com detalhes como trama e continuidade, isso é balela. Pronto: entra em cartaz Resident Evil 5: Retribution.

A franquia assinada pelo terrível Paul W.S. Anderson, que não tem um só filme que preste em seu currículo inteiro e é famoso por ser o melhor exemplo vivo de que é possível se ganhar muita grana fazendo merda e ainda casar com uma bela atris em meio ao processo de enriquecimento, completa nesta temporada nada mais que 10 anos assassinando nos cinemas a obra clássica do Survival Horror da Capcom nascido no Play Station. Usando e abusando de referências sem sentido e elementos esporádicos dos games, a obra cinematográfica não guarda qualquer respeito cronológico ou temático pela obra original, fator que não parece ser muito levado em conta pelas milhares de pessoas que se dirigem aos cinemas para ver Milla Jovovich (no caso, a bela esposa do diretor) encarnar a heroína fictícia Alice em sua missão de salvar a raça humana de uma infestação viral mundial que transforma as pessoas em zumbis/mutantes/monstros. Filme após filme, somos presenteados com um turbilhão de cenas de ação que cobrem uma trama tão mal feita que chega a ser infantil, em uma película tão descaracterizada do que deveria ser que espanta dos cinemas qualquer pessoa que tenha o mínimo de respeito pela obra original (tipo eu), que foi criada com o único objetivo de nos deixar completamente amedrontados, receosos de dar se quer um passo a mais dentro dos corredores escuros e apertados daquela mansão nos arredores de Raccoon City… Maldito corredor cheio de cachorros podres!

Quando o assunto é Resident Evil nos cinemas, dá pra falar da franquia como um todo, pois com exceção do primeiro filme, que ainda tenta de maneira mais ou menos convincente manter o clima sombrio e apavorante dos jogos (pelo menos os primeiros, por que os jogos mais novos estão uma porcaria também), os outros 4 capítulos repetem os mesmos erros teimosamente invisíveis aos olhos daquele público que criou a premissa de que as duas obras estão em universos diferentes, seguem linhas distintas. Bem, para mim isso é o mais óbvio, é a melhor maneira de se aceitar que os filmes não tem absolutamente nada a ver com os jogos. E foi partindo então desta premissa que eu me acomodei no sofá a noite, com as luzes todas apagadas e um belo copo de coca-cola em mãos para assistir a uma cópia obviamente não autorizada, porém, de qualidade muito boa, de Resident Evil 5: Retribution (provavelmente era uma daquelas cópias destinadas à dublagem, pois qualquer som da película possuía legenda), e posso adiantar: a sessão serviu ao menos para que eu pudesse relatar o que nos é apresentado neste novo capítulo da franquia, por que de resto… Bem, vocês lerão.

Voltando às origens, se é que podemos chamar o primeiro filme de origem, este 5º capítulo deixa de ser ao ar livre dos campos e cidades contaminadas para novamente acontecer em um ambiente fechado. Somos apresentados a uma gigantesca, impossível e improvável instalação da Umbrella Corporation submersa em algum lugar do vasto território congelado da Rússia e que só Deus explica como se mantém pressurizada para que os bilhões de litros de água do lado de fora não arrebentem com tudo, um local utilizado para a realização de testes de campo com o T-Vírus, entenda-se “simulações de contágio”, prática que nos é apresentada logo no início do filme após o resumão necessário para que todo mundo se lembre dos velhos personagens que serão reciclados aqui em Retribution.

É nesta hora que começam as inconsistências e as esquisitices do roteiro. Bem, é impressionante como Hollywood tenta incondicionalmente passar a ideia de que os heróis dos filmes devem ser super humanos dotados de agilidade e força sem igual, possuidores de uma aura à prova de balas e capazes de destroçar quaisquer leis da física conhecida, lição que Anderson aprendeu direitinho, mas que curiosamente não é o ponto mais fraco deste filme. O grande problema aqui são os motivos: o computador central da UC, a Red Queen, que também responde pelo nome de “Garotinha Vermelha Virtual sem nada melhor pra fazer“, continua realizando testes de campo para seu T-Vírus nas imensas cúpulas situadas nas instalações submersas, continua clonando mais e mais pessoas para manter-se funcionando, quer de qualquer maneira extinguir a raça humana, e quer saber de qualquer jeito para quem Alice trabalha. Motivos: nenhum!! Testes de campo pra quê? Não existem mais compradores para o vírus, e este era o motivo para a realização destes testes: a venda para diversas nações.

A ideia é absurda por si só, mas deixando-se o cérebro em casa para assistir a peleja, até da pra engolir essa parte. Só que a raça humana já foi quase toda extinta, e o computador quer acabar com o restinho que sobrou… Seria um mau funcionamento do sistema, uma vez que o objetivo do computador anteriormente era manter o vírus sob controle dentro das instalações da corporação? E pra quê a garotinha vermelha quer saber quem é o chefe da Alice? Ela está se sentindo ameaçada por alguém? Algum alienígena talvez? Não, é por que o diretor  precisava de um motivo bem idiota para que o computador não ordenasse que seus lacaios fizessem o óbvio, que seria cortar Alice em pedaços imediatamente e incinerar o picadinho… E nada melhor para uma heroína seminua presa numa cela super tecnológica à prova de fuga do que uma gaveta secreta com uma roupa de couro estilosa apertadinha dentro (por que roupa de detento é para os fracos), e uma agente secreta oriental de um metro e meio de altura capaz de feitos como “atravessar o deserto de gelo da Rússia de saia e salto alto” e “entrar nas instalações mega secretas submersas só pra abrir uma portinha lateral de escape após sozinha, matar uma central de controle inteira”. Mas roupas trocadas e trupe feita, é hora de obviamente, passar pelos locais onde os testes de campo são realizados, pois onde mais aconteceria a trocação de porradas com os mortos vivos?

Zumbis? Bem… Nem tanto. O termo está em alta, mas não se aplica muito bem aqui. Como se não bastasse o roteiro previsível ao extremo e abarrotado de clichês que ficaram velhos na década passada ou até mesmo retrasada (exemplos? O herói que está na porta de saída mas volta atrás para buscar o personagem bonzinho que só existe pra essa finalidade, o sacrifício do nosso colega personagem secundário para que os outros se salvem, a equipe de salvamento cheia de gente inútil que todo mundo sabe que vai morrer em questão de minutos, os inimigos que nunca morrem por que senão os próximos 40 minutos de filme perdem a razão de existir…), o que vemos correndo pra lá e pra cá mordendo o povo a princípio lembra muito o bom “Madrugada dos Mortos” (posso até dizer que o início de RE5:R é uma cópia descarada deste e seus zumbis velocistas), mas com o decorrer da película, os heróis se deparam com clones do mau de um monte de gente do primeiro filme, monstros gigantescos, uma leva de zumbis nazistas descaradamente copiados do filme Dead Snow, treinados para atirarem com bazucas e metralhadoras pesadas enquanto dirigem jipes militares fora os que já chegam empinando motos velhas como se fossem entregadores de pizza se exibindo… Péra lá, que houve com o bom e velho zumbi lerdão em decomposição comedor de carne humana? Aquele sem expressão facial de ódio ou dor, só fome? The Walking Dead já usou todos?

E precisamos lembrar que Alice teve seus poderes especiais mutantes teoricamente bloqueados pelo pseudo vilão Albert Wesker em capítulos anteriores, mas para enfrentar as aberrações mutantes do filme,  a heroína continua realizando proezas físicas e acrobáticas que fazem o outro Albert, o Einstein, se revirar no túmulo. Não sabe de quem estou falando? Então RE5:R é o seu filme! A mínima lei da física plausível pelo menos para os cinemas mais uma vez não existe aqui, e o grande problema disso é que não estamos falando de gente dentro da Matrix ou de algum alienígena que usa cueca vermelha por cima da calça e voa por que o Sol amarelo lhe permite isso… estamos falando de gente que simplesmente está contaminada com um vírus que quando não mata o infectado, o transforma ou em uma aberração mutante disforme, ou em um cara com força muscular e reflexos sobre humanos, e demais fatores plausíveis. Então que diabo foi aquele movimento do Wesker praticamente se teletransportando para aplicar uma seringada na Alice? A cena é digna de filme de sessão da tarde dos anos 90, um efeito especial mau feito pra dar aquela impressão feia de que o cara se moveu a 200 milhas por hora em um espaço de 10 metros fazendo curva, e quem assiste tem que aceitar que a gravidade colabora… Haja aderência! E temos Alice macetando zumbis com uma corrente, como se esse utensílio tivesse massa suficiente para fazer os corpos apodrecidos voarem como se estivessem batendo de frente com um carro… E temos ainda o submarino hyper veloz capaz de alcançar um veículo terrestre e ainda calcular a subida pra barrar o caminho do mesmo… E temos zumbis nadadores… Sim, o filme é burro, burro pra caramba, é de dar dó. Pra finalizar as esquisitices, temos um Berry Burton e um Leon S Kennedy atemporais comandando a tal equipe de salvamento que obviamente, vai ser é salva por Alice no final das contas… Ué, você esperava o quê?

Resident Evil 5 Retribution é isso: um roteiro tão ruim que quem assiste prefere ignorar para poder continuar assistindo, algo mais esburacado e remendado que rodovia no interior do país, sem nexo, sem leis, sem justificativas, perdido no tempo, e mascarado em sua totalidade pela excelente computação gráfica que dá vida aos monstros e cenários mais complexos. Não é assustador, nem tenso, também não é engraçado. Não nos faz prender a respiração em momento algum, não causa euforia, não é inteligente, não causa dúvida, não surpreende, nem convence… Onde diabos eu enquadro esse filme? Uma coisa é certa: ele mantém viva com honrarias a máxima de que filme baseado em jogos de videogame não prestam, e mesmo que seja possível afirmar que Resident Evil no cinema não deve ser relacionado de forma alguma à série de jogos da Capcom, ainda assim o filme é um completo desperdício de tempo (e dinheiro, se é que ele foi assistido nos cinemas). Ficou nítido, detestei. Talvez se eu não fosse tão fã da obra original, quem sabe eu  poderia ser um pouco mais tolerante com o besteirol… quem sabe eu teria um pouco mais de paciência para achar alguma coisa que valesse a pena na película, mas infelizmente não é o caso. Pior, caros amigos retroaventureiros, é que como não poderia deixar de ser, o negócio acaba já dando margem para a óbvia continuação, coisa que vai acontecer seguidamente enquanto perdurar o casamento do diretor com a atris principal, afinal de contas, embolsar o cachê da estrela do filme deixa tudo bem mais barato né!

Fim


Sobre Sabat

Dono, Chefe, Gerente, Cara da Xérox e Tia do Café do RetroPlayers! Meu negócio? Falar sobre games. Como? Escrevendo meus trabalhos, gravando minha voz horrível, ou filmando minhas humildes proezas! Onde? Aqui, ali, ou onde quer que me chamem!
Adicionar a favoritos link permanente.