Retro Pipoca: G.I.Joe Resolute – Série


Velhos tempos. Eu costumava brincar muito de Playmobil, aqueles bonequinhos cabeçudos de mão de C que você encaixava um monte de coisas, que eram vendidos em kit’s dos mais variados tipos e temas, desde faroeste a aventura espacial. Era bom demais, passávamos horas montando cenários com pilhas e pilhas de quinquilharias para poder começar a brincar com os bonequinhos, imaginação comia solta.

Mas por que diabos eu estou falando de Playmobil ao invés de Comandos em ação????

Simples: quando saíram os bonecos articulados de Comandos em Ação, aquele desenho animado que mostrava a treta entre o grupo de soldados especiais mega-fodas contra a organização de super mercenários, que passava nas manhãs da rede Globo e que ninguém sabia, mas eram conhecidos no resto do mundo por G.I.JOE, eu já era um tanto grandinho, e já estava saindo das brincadeiras com bonequinhos para começar a minha vida de gamer.

Brincar com os bonequinhos já estava fora de cogitação para mim, mas isso não me impediu de ter alguns itens como coleção no meu quarto, pois não existia garoto naquele tempo que não fosse fã do desenho dos Comandos.

O desenho é nostálgico, dá aquela sensação de regresso à infância quando se lembra dele, pois era popular ao extremo. É como se lembrar de Thundercats, ou Silverhawks, com suas aberturas e trilhas sonoras sensacionais.

Em uma análise mais fria, Comandos em Ação era o típico desenho de guerra americano: capítulos com histórias distintas e não sequenciais, história geral sem começo, meio e fim, com tiros pra todo lado que nunca acertam ninguém, veículos que explodem sempre depois dos pilotos saírem deles e um monte de mensagens de “seja um bom garoto” para as crianças.. Mas quando se é garoto, a gente não liga para essas coisas, a gente assiste e vira fã!

E eu não sei se foi pensando nesses fãs, que são milhares ou até milhões espalhados pelo mundo, ou se foi apenas acompanhando a moda de adaptações que começou em Hollywood e não tem data para terminar, que atualmente está estreando nos cinemas um filme dos Comandos em Ação. Sabe Deus se o filme é bom, não vi ainda e não conheço ninguém que tenha assistido, mas é certeza que em breve, estarei indo aos cinemas para dar aquela conferida na versão live action dos bonequinhos que eu colecionava.

Não posso dizer que estou muito otimista com essa adaptação, dado o fato de que ultimamente em Hollywood, neste tipo de filme, se dá atenção demais para a parte visual do negócio, com efeitos especiais e computação a dar com pau enquanto o roteiro e a história ficam totalmente em segundo plano, como foi com Transformers: uma epopeia visual cheia de combates avassaladores, e por trás uma história super meia-boca. E a julgar pelos trailers e teasers que eu assisti, é bem provável que eu esteja certo…sei lá, tinha uns caras desviando de mísseis na base do triplo carpado, um punhado de cenas super forçadas, mas é melhor assistir primeiro e falar depois né!

Ta certo, não é impressão sua: eu realmente sou um cara exigente. Eu sempre espero um algo mais das coisas que assisto, e não me surpreendo muito facilmente. Às vezes, um outro trabalho paralelo à obra principal acaba me surpreendendo mais do que a própria obra cinematográfica, como foi o caso de Star Wars: Clone Wars, do genial Genndy Tartakovsky (Samurai Jack), uma série animada vencedora de três premiações Emmy que foi transmitida no Brasil pelo Cartoon Network, e que conta os eventos ocorridos entre os fraquíssimos Guerra nas Estrelas Episódio II: O ataque dos Clones e Episódio III: A Vingança dos Sith. Bom, o negócio é que eu sinto que isso vai acontecer de novo.

Uma nova obra paralela ao filme dos Comandos acaba de chegar ao seu final. Um desenho americano com cara de anime composto de 11 capítulos, feito e dirigido por pessoas que entendem muito de como fazer uma boa série de ação, pessoas que tem seus nomes por de traz de séries animadas espetaculares como Avatar: the Last airbender, e Liga da Justiça sem limites.

Esta obra responde pelo nome de G.I.Joe Resolute, e eu já assisti e digo: é excelente.

Começamos pelo ponto de que ninguém de cérebro dentro da normalidade consegue se lembrar de nada sobre G.I.Joe além do rosto e nome de alguns personagens e de que rolava aquela treta entre Cobras e Comandos. Sendo assim qualquer história, explicativa ou não envolvendo as duas facções e personagens, pode ser escrita hoje em dia sem maiores problemas. Portanto não precisa se preocupar se você resolver assistir a Resolute: o que você lembra estará lá, mas agora com uma história muito boa, que se aprofunda no passado de alguns dos principais personagens e proporciona momentos épicos para um desenho americano, mesclada a uma animação de qualidade tamanha que até parece um anime daqueles estúdios bombásticos japoneses. Eu mesmo pensei que estava assistindo uma produção de animação japonesa, só mesmo pesquisando é que vi que não era.

Mas por que diabos eu estou comparando G.I.Joe Resolute a animes japoneses? Simples: por que os animes são produzidos no Japão para todas as faixas etárias, existindo desde animes para crianças, como Digimon e Pokemon dentre os mais famosos, como animes especialmente feitos para adultos, como Afro Samurai e Ghost in the Shell. Este grupo é composto de séries complexas e de histórias maturas, com traços estupidamente bem feitos e animados, séries que tem início, meio e fim, e uma tolerância totalmente diferente de censura quanto a violência e outras conotações.

E para minha surpresa, foi justamente isso que encontrei ao assistir Resolute. O desenho me surpreendeu muito positivamente, não é a toa que, apesar de quase não ter sangue aparecendo, recebeu classificação MATURE 18+ nos EUA e foi transmitido no bloco de desenhos adultos do Cartoon network, o Adult Swim, aquele mesmo bloco de desenhos que chegou a ser transmitido no Brasil, mas que não deu certo por só exibir porcarias salvo uma ou outra série, e que era repetido madrugada à fora.

Se o filme é uma incógnita ao menos para mim, G.I.Joe Resolute não é. Com alguns combates memoráveis, ação de tirar o fôlego, animação soberba e enredo muito bem feito, eu acho difícil que o filme seja melhor. Ainda assim o desenho não é perfeito: ainda tem aquela saraivada de tiros que nunca acertam ninguém, passagens um pouco mal explicadas, e algumas coisas acontecem rápido demais. Esse último fator deixa a impressão de que só 11 capítulos talvez tenha sido pouco para contar a história, bem que poderiam ser uns 15!

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Claro, o filme G.I Joe Rise of Cobra certamente vai lucrar horrores sendo excelente, obra de arte, ou sendo apenas mais uma adaptação fuleira,  mas eu não apostaria minhas fichas nele em uma comparação, pois é bem possível que a história se repita, e tenhamos mais uma obra paralela melhor que a principal. De qualquer maneira, logo irei até os cinemas para tirar a prova, e espero que Rise of Cobra seja um excelente filme!

Fim


Sobre Sabat

Dono, Chefe, Gerente, Cara da Xérox e Tia do Café do RetroPlayers! Meu negócio? Falar sobre games. Como? Escrevendo meus trabalhos, gravando minha voz horrível, ou filmando minhas humildes proezas! Onde? Aqui, ali, ou onde quer que me chamem!
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