Imagine que você mora em um futuro distante e em um universo lotado de alienígenas mal encarados loucos pra fazer gracinhas do tipo controlar a galáxia. Imagine que esses alienígenas são feios pra caramba, enormes, possuem um bafo pior que o do Predador e gostam de escravizar criaturas bem meigas (metroids) para fazerem o serviço deles. Imagine agora que eles estão pensando em usar essas criaturinhas fofas pra detonar humanos… E agora? Quem você chamaria pra nos defender?  O Chapolin, o Obi-wan Kenobi, ou uma loirassa mercenária de armadura high teck com armas até a tampa?

Que mané Obi-Wan kenobi o quê! Em matéria de exterminar alienígenas hostis, o universo já tem uma especialista, e é a loira da armadura high teck: Samus Aran!

Dês de os primórdios do Nintendinho 8 bits, a mercenária intergaláctica da Nintendo vem chutando bundas extra-terrestres (ou incinerando, explodindo, coisa e tal) pelo universo a fora, em uma série que já possui nove jogos de pura ação e exploração.

Cuidado alienígenas safados e hostis de todas as raças do universo: Samus Aran está no RETROPLAYERS

Samus Aran, a caçadora de recompensas

Samus é a protagonista dos jogos de uma das maiores franquias da Nintendo, a série Metroid, que provavelmente só perde em tamanho para  as franquias Zelda e Super Block Buster Mario. A heroína, ainda criança, foi a única sobrevivente do planeta K2-L quando este foi atacado por Piratas Espaciais, e após o ocorrido, foi encontrada e adotada pelos Chozos, uma raça de habitantes do perigoso planeta Zebes, que modificaram seu DNA para que ela se tornasse forte o suficiente para suportar as adversidades do hostil planeta, e a treinaram como guerreira para que ela pudesse ser capaz de usar no futuro, um poderoso artefato dos Chozos chamado de Power Suit, sua armadura. Crescida, linda e maravilhosa, ela se alistou na Federação Policial Galáctica, de onde recebe missões pra lá de cabeludas devido às suas habilidades, força e resistência diferenciados. Claro que ela ganha muito bem por missão, pois ela é a maior caçadora de recompensas da galáxia!

Ela apareceu pela primeira vez no game METROID, para NES, lançado em 1986, um game 2D plataforma de exploração lateral e vertical, que tinha por objetivo fazer os jogadores da época terem convulsões e ataques de fúria na busca pelo melhor final possível, onde dizia a lenda, o herói que agente controlava se revelava uma mulher. O produtor do game, Gunpei Yokoi (que produziu a série até seu terceiro capítulo, Super Metroid III para Snes, criador do Game Boy, e que faleceu em 1997 ), era fã nato de Ridley Scott (criador da série Aliens no cinema) e  para criar a atmosfera dos jogos Metroid, se inspirou no primeiro filme desta série, Alien: o 8º passageiro. Coincidentemente em meio a produção do game, James Cameron lançava o segundo filme da série, Aliens o resgate, um estrondoso sucesso de bilheteria que fez surgir na cabeça de Hiroji Kiyotake, o character design do jogo, uma idéia melhor que a invenção da coca-cola: assim como nos filmes que inspiraram o jogo, utilizar uma heroína no comando das ações! A equipe gostou da idéia, e Hiroji recebeu carta branca para a criação da primeira heroína da empresa. Mas Hiroji não achava a Sigourney Weaver bonita não (nem eu), e decidiu usar como base, uma garota que ele achava bonitinha na época: Kim Basinger, de 9 e meia semanas de amor!

Então se hoje vocês são fãs (como eu) da série Metroid, agradeçam ao mestre Ridley Scott e seu filmasso de suspense Alien, e se vocês são fãs apaixonados da maior heroína da Nintendo, Samus Aran, agradeça à cabeça pervertida de Hiroji Kiyotake, pois se ele não tivesse o pôster da Kim Basinger seminua no quarto (ela era uma tetéia mesmo na época viu), Samus seria um cyborg sem graça, ou na pior das hipóteses, seria homem mesmo.

METROID, a primeira treta agente nunca esquece!

Metroid era um game difícil pra caramba que tentava inovar na jogabilidade e na exploração, adicionando para isso, a possibilidade de vasculhar os cenários não só para os lados, mas também para cima e para baixo. Samus podia recolher power ups para melhorar suas habilidades e aumentar seu poder de fogo, e curiosamente, ela podia virar uma bolinha pra poder passar por lugares apertados, a Morph Ball. Até hoje eu me pergunto como é que ela cabe ali dentro daquela bolinha… O game não foi bem aceito no Japão, mas cativou milhares de jogadores no resto do mundo, principalmente quando alguém soltou a notícia de que se o cara conseguisse terminar o game cumprindo certos requisitos, o protagonista tirava a armadura!

A partir deste momento, todo mundo queria jogar Metroid para conferir a gata fora da armadura, e claro, se surpreender com o fato de ela ser mulher!

E todo mundo suou a camisa para derrotar Mother Brain, Ridley (Ridley Scott… Ridley Pirata espacial… não falei que o cara era fã?) e companhia naquele game dificílimo e viciante, foi quando a Nintendo percebeu que Samus tinha potencial para ir além.

Muitas continuações, muitos Metroids e muitos piratas espaciais!

Naquele tempo era difícil se propagar uma imagem de um jogo que você tenha terminado, imagina então uma imagem que só aparecia quando se terminava o game seguindo um monte de pré-requisitos bem difíceis depois de matar um líder cabeludo pacas, apesar de ser um cérebro… Por isso ver a Samus sem armadura virou meio que uma lenda entre os jogadores da época! Vira e mexe aparecia nego dizendo que havia conseguido a façanha, mas na hora de descrever a cena, só saia merda! Tinha quem falasse que ela mandava um beijo e depois corria para a nave, tinha quem falasse que ela saia voando depois de retirar a armadura, era uma festa só! Mas foi devido a isso que a popularidade da heroína cresceu muito entre a comunidade gamer, e logo os fãs já aguardavam ansiosamente por uma continuação, que não veio. Sr Gunpei andava muito ocupado com o desenvolvimento de seu filho mais novo, o Game Boy, o pequeno notável da Nintendo, que acabou com o tempo livre do produtor até a data do seu lançamento, na segunda metade de 1989. E empolgado com o sucesso do aparelhinho, Gunpei resolveu desenterrar o apelo dos fãs, mas não assim, totalmente do jeito que eles esperavam: obviamente, ele preferiu lançar uma sequência direta da aventura de Samus no Game Boy, que foi lançada em 1991.

Metroid II: Return of Samus era o nome da aventura… Também pudera, essa continuação demorou 5 anos para aparecer, tinha que ser um RETORNO mesmo! Samus deixava de lado sua Power Suit (a armadura original) para utilizar agora a novíssima Varia Suit (utilizada daqui pra frente como padrão nos jogos da série), mas o game não caiu muito bem no gosto dos fãs, que esperavam por uma versão para console mais bonita e melhor acabada que a primeira, e não para o portátil monocromático. Mesmo a crítica recebendo bem este game que, considerando a potência do Game Boy, era excelente, Samus praticamente passou em branco, mas seu verdadeiro retorno aconteceu no SNES em um dos melhores jogos da história dos games. LEIAM E SE ARREPENDAM PECADORES!!!

SUPER METROID III: O verdadeiro retorno de Samus Aran

O NES não viu uma nova aparição de Samus Aran, mas a história, queiram ou não, continuou no Game Boy com Metroid II, fato que não agradou aos fãs da série. Mas a espera dessa vez para um novo capítulo da aventura da heroína não tardou muito a aparecer não: Super Metroid III chegava ao SNES pouco mais de 2 anos depois, em 1994, e levou uma legião de jogadores do mundo todo a ao planeta Zebes para a mais fantástica aventura da época. O jogo tem início imediatamente após os acontecimentos de Metroid II, onde Samus encontra um ovo de Metroid que choca e revela um Metroidsinho em seu estado mais primitivo… Samus é mamãe!! A mercenária o leva para pesquisa em uma colônia espacial e assim tem início os acontecimentos de Metroid III: Ridley (ele de novo) invade a colônia, arrebenta tudo e foge com o bichinho, e cabe a Samus agora seguir o monstrengo até o planeta Zebes e resgatar seu filh…ops, seu Metroid dos Piratas Espaciais.

O jogo era fantástico, usava e abusava da potência do SNES e de sua paleta de cores, Samus estava melhor do que nunca agora que podia atirar em várias direções, e muitas coisas novas foram acrescentadas ao game, como habilidades novas a serem recolhidas para melhorar a Varia Suit, e menus para escolha de armas, combinação de tiros, selecionar mísseis, itens e afins.  O sistema de Save de Metroid II foi reaproveitado e melhorado neste 3º game, e agora os jogadores podiam contar com uma coisa que era imprescindível e que faltava nos games anteriores: UM MAPA! O danado ia se abrindo aos poucos e revelando as salas e corredores do enorme planeta Zebes… Bem, vocês jogaram Castlevania Symphoni of the Night né? O mapa dele é uma cópia descarada de Metroid III.

E claro que no final, lá estava Samus de novo tirando a armadura e mostrando seu belo corpinho para os jogadores viciados que conseguissem fechar o jogo com 100% de aproveitamento na exploração em um tempo aceitável!

Super Metroid III foi eleito o Melhor jogo de 1994, Melhor jogo de ação de 1994 e Melhor jogo de todos os Tempos (este em pesquisa feita em 2003) pela EGM americana;  a IGN colocou Metroid III como o 3º melhor jogo do mundo (Também em 2003), No Game Rankings ele é o melhor jogo de Snes com nota 95.79 (média de todos os reviews que ele teve na época), score que o coloca em 10º lugar de todos os tempos no geral. Ou seja, é  um jogo imperdível que elevou o nome de Samus Aran ao status de Maior Heroína dos jogos eletrônicos de todos os tempos (reconheço, mas eu ainda prefiro a Blaze kkk).

A evolução da heroína

Samus começou com poucos pixels, menos ainda no Game Boy, depois foi evoluindo à medida que os consoles ficavam mais bombados, e depois curiosamente, voltou às origens 2D na sua última aventura em termos cronológicos no Game Boy Advance. Confira as versões principais da Power/Varia Suit nessa ilustração:

Da esquerda para a direita: Power Suit de Metroid e Metroid Zero Mission, Varia Suit de Metroid II, Varia Suit de Super Metroid III, Varia Suit da série Metroid Prime (que engloba os games Prime I, II e III, Hunters e Pimball) e a Suit de Fusão Genética de Metroid Fusion.

A série Prime teve 3 jogos principais e mais 2 semi-spin of’s, constitui a maior parte da franquia no total, sendo o primeiro game desta, Metroid Prime, o melhor de toda a saga Metroid de acordo com a crítica especializada, coisa que eu concordo plenamente. Todos os elementos dos games clássicos foram perfeitamente transportados para o universo 3D da série Prime, inclusive a possibilidade de ver Samus (quase) sem armadura no final do game. Mas ao contrário desta série, que evoluiu a heroína como nunca havia acontecido dês de sua criação no NES, o game Metroid Fusion, cronologicamente o último, foi lançado para Game Boy Advance já a um bom tempo, e é um verdadeiro retorno da franquia às suas origens. Foi tão bem aceito pelo público e crítica que a heroína recebeu no mesmo aparelhinho e pouco tempo depois, um remake do primeiro game da franquia, o espetacular Metroid Zero Mission.

E já são 10 jogos com o nome Metroid estampados na caixinha onde Samus é sempre quem dá as ordens!

  • Metroid – NES – 1986
  • Metroid 2: Return Of Samus – GameBoy – 1991
  • Super Metroid – SNES – 1994
  • Metroid Prime – GameCube – 2002
  • Metroid Fusion – GBA – 2002
  • Metroid Prime 2: Echoes – 2004
  • Metroid Zero Mission – GBA – 2004
  • Metroid Prime Pinball – 2005
  • Metroid Prime: Hunters – 2006
  • Metroid Prime 3: Corruption – 2007

Fora esses, Samus já participa a tempos da série de pancadaria da Nintendo Super Smash Bros, que tem 3 jogos até o momento, todos com a participação da heroína!

Samus foi tirando, tirando, E TIROU!

Ver samus sem a armadura sempre foi o objetivo principal de todo jogador que se atreveu a jogar os games da saga Metroid.  Dês de sua criação, a heroína simplesmente nos desafia a arrancar a armadura dela, e quando a brincadeira já estava ficando chata, ela resolveu tirar de vez!

Mas antes de ver a versão da heroína sem armadura definitivamente, vamos ver algumas das aparições de Samus nos melhores finais de alguns dos jogos da série:

E foi em um game da série Super Smash Bros que a Nintendo resolveu que a gente não precisaria mais se matar pra fazer um final dificílimo e em pouquísismo tempo para ver a moçoila sem armadura! Em Super Smash Bros Brawn, para Wii, Samus já vem de Zero Suit, que significa ausência de armadura: a heroína usa apenas um macacão azul coladinho no corpo. O que fizeram com o maiô dos primeiros games?

É a Nintendo quebrando barreiras, e tirando armaduras de mercenárias galácticas!

Eternamente, Samus Aran

Conheci a série com o clássico Super Metroid III, e tentei por muito tempo fazer o melhor final dento do limite de tempo exigido pelo jogo para poder ver finalmente, a armadura da heroína desaparecer para que Samus pudesse mostrar seu maiôsinho preto e sua cabeleira loira!

Ela faz parte da minha vida de jogador dês de que eu me conheço por gente, e felizmente, é uma heroína que não para! Atualmente está em produção o 11º game protagonizado por ela, onde vemos Samus espancar inimigos no planeta Zebes com direito a Mother Brain e tudo mais, só que com uma jogabilidade aparentemente bem diferente de tudo que vimos até agora na série. Não dá pra saber se vai dar certo ou não, mas para mim, basta saber que Samus estará no comando das ações mais uma vez!

Cuidado Piratas Espaciais salafrários: Samus está voltando!

Fim

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