
Esta matéria foi retirada do excelente fórum Start Select, e foi escrita pelo amigo AvcF, tendo sido apenas adaptada por mim e trazida até vocês!
Estava por esses dias a pensar sobre quais games falar até que me ocorreu uma idéia: ao passar um trailer surrado de um dos filmes do Senhor dos Anéis na tv a cabo, me ocorreu de falar sobre games medievais. Foi aí que quase que imediatamente me lembrei dos games medievais da Capcom lançados para os arcades. No post de hoje falarei um pouco sobre eles e porque eles poderiam voltar.
Do começo dos anos oitenta até o final dos noventa, o mundo dos videogames viu o florescer e o fim de um dos gêneros mais frenéticos e divertidos: os beat’n ups, ou se preferirem em português mesmo, os games de ação e pancadaria. A Capcom certamente foi uma das empresas com maior destaque nesse gênero, com clássicos como Final Fight, Cadillacs and Dinosaurs, Captain Commando entre outros que vocês conhecem muito bem e já jogaram aos montes. Dentro desse universo particular da Capcom eu destaco aqui os games medievais que ela fez durante esse período, os quais eram bastante divertidos. Curiosamente, foram por esses games medievais e de época que o beat’n up chegou mais perto do estilo RPG, apresentando elementos típicos deste segmento como aumento do poder dos personagens por meio de experiência adquirida e itens diversos para várias finalidades, mas com muita matança, nenhuma frescura e heróis muito diferentes dos emos afrescalhados com crises existenciais que povoam os RPG’s japoneses de uns tempos para cá. Falarei um pouco de cada um e porque eles poderiam voltar.

Ao contrário dos outros, esse game eu conheci primeiro no Snes e depois em algum arcade surrado. O jogo tinha um fiapo de enredo que nem perdi tempo em saber qual era, então o esquema mesmo era pegar entre um guerreiro, um clérigo, anão, mago ou elfo arqueiro (não eram personagens de fato, sequer tinham nomes próprios) e sair descarregando o cacete no “monstruário” disponível lá. Até três jogadores simultâneos (no Snes eram dois) podiam
passar juntos por florestas, pântanos, montanhas, castelos, cemitérios e cavernas detonando toda sorte de criaturas típicas como dragões, ogros, caveiras, lagartos, e claro, dragões. No lugar dos famigerados frangos encontrados em latões havia baús com tesouros e magias que podiam ser levadas e acionadas quando fosse necessário. O único porém desse aspecto é que para recarregar a energia pegava-se um…morango (agora imagine um guerreiro bárbaro comendo um moranguinho enquanto massacra uma tropa de orcs).
Conforme os estágios eram vencidos, os guerreiros ganhavam níveis que melhoravam os equipamentos ou aumentavam a barra de energia. Na prática a única mudança perceptível era o alcance das porradas e um discreto aumento de dano, o que não adiantava tanto já que os chefes de fase iam ficando cada vez mais resistentes (e uns eram bem apelões também). De qualquer forma, isso era um diferencial em relação aos outros beat em ups, além de dar um pouco de profundidade à experiência de jogo. The King of Dragons era um jogo bem movimentado e com muita ação e intensidade. Valia as fichas gastas ou um aluguel do cartucho do SNES.
Opinião do criador da matéria: Por se tratar de um game que já na época evocava certa simplicidade, poderia ser um título para Wiiware, PSN ou XBla, desses que custam de 10 a 15 dólares. Com bons gráficos tridimensionais e mantendo-se a perspectiva bidimensional, o clima medieval seria mantido intacto. Um multiplayer para quatro jogadores on/offline ficaria show de bola, assim como poderia facilmente ser feita uma evolução no sistema de ganho de níveis dos equipamentos, além de adição de status diferenciados de força, agilidade, resistência e etc; para cada avatar, de forma a diferenciá-los mais dentro das situações de jogo. Um ranking online e algum modo alternativo como um time attack poderiam contribuir para aumentar a longevidade do jogo.
Opinião Retroplayers: a mesma, com o único diferencial de que a mudança gráfica deveria se dar apenas em resolução e melhoria dos sprites, ou seja, manter o game em 2D mas transformá-lo em HD, assim como o exemplo recente do remake de Toki.

Lançado no mesmo ano, Knights of the Round é uma espécie de evolução de The King of Dragons. No lugar dos avatares genéricos, você tem o rei Arthur e dois dos amiguinhos da Távora Redonda, Lancelot e Percival. Novamente até três jogadores simultâneos vão à luta, o sistema de ganho de níveis foi
mantido (embora aplique mudanças meramente cosméticas nas sprites dos personagens), combos foram adicionados e as animações estão melhores. Houve adição também de alguns trechos em que o jogador pode cavalgar cavalos de batalha, o que muda um pouco a mecânica de jogo nesses momentos, adicionando um tempero interessante na ação. A maior diferença em relação ao título anterior, entretanto, foi a retirada dos monstros e criaturas mitológicas, em favor de uma fantasia mais humana.
Já a curiosidade desse jogo ficou por conta da possibilidade de bater nos tesouros, dividindo-os e assim aumentando o número de pontos conquistados. Sério, até hoje não vejo sentido nisso, seria como se eu pegasse uma moeda de um real, a quebrasse em duas moedas e assim eu passasse a ter dois reais. Tirante essa esquisitice (também os cavaleiros recarregarem suas energias com um prato de salada), Knights of the Round foi mais um divertido beat’n up medieval da Capcom, um game divertido e bem executado. Assim como The King of Dragons, o jogo foi bem portado para Snes.
Opinião do criador da matéria: A execução seria parecida com a que expliquei do The King of Dragons, mas dessa vez poderia haver um foco maior no enredo, já que temos pelo menos três personagens famosos (mais personagens poderiam ser adicionados, por que não?). Essa direção abriria a possibilidade de adicionar caminhos alternativos a depender das escolhas do jogador, ou até mesmo missões especiais alternativas (como resgate de personagens ou ajudar algum nobre que está sendo invadido por algum exército inimigo). Novamente, um sistema incrementado de evolução de equipamentos e status dos personagens daria maior profundidade à ação; ou ainda abrir a possibilidade de usar diferentes tipos de armas por personagem (outros tipos de espadas para Arthur e Lancelot e outros tipos de armas pesadas para Percival). Pense nisso, Capcom.
Opinião Retroplayers: Adição de personagens OK, caminhos alternativos seria excelente pois já vi isso funcionando no home brew Golden Axe Genesis e ficou show de bola, agora sistema de evolução de armas, troca de equipamentos e missões paralelas seria uma coisa fora de questão, pois acabaria com a essência do game que necessitaria ser refeito em 3D e ficaria com cara de mais um genérico de God of War. Novamente, gráficos em 2D HD ficaria show!

Dos jogos que falei aqui nesse post, Warriors of Fate foi o que menos joguei. Só conheci esse título via emulador, mas até onde joguei achei divertido e
competente. Ao contrário dos outros jogos, esse foi inteiramente baseado em um manga, o que o faz ter personagens e enredo mais bem construído que os outros. Também é o game com mais diferenças entre a versão japonesa e a ocidental, com troca dos nomes dos personagens, cenas cortadas e finais a menos (a versão japonesa tem mais de um final). Falando mais do jogo em si, Warriors of Fate não tem qualquer elemento inspirado nos RPGs, se tratando de uma espécie de Final Fight no
Japão feudal. Assim como The King of Dragons, são até três jogadores simultâneos (com cinco personagens para escolher) partindo para a ação em estágios de dificuldade crescente. Aí é aquele esquemão de andar e bater até o final, cuja única variação de gameplay são as porções jogadas com cavalos, da mesma maneira que Knights of the Round.
Opinião do criador da matéria: Licenças de quadrinhos e animes nem sempre são fáceis de adquirir, mas nesse caso nem importaria tanto. Embora a história japonesa seja rica, é muito mal explorada nos games, que na maioria das vezes são aqueles simuladores históricos chatíssimos da Koei. Estou certo que um game de aventura e ação baseado na época feudal japonesa atrairia bastante atenção no ocidente. Da mesma maneira que filmes como O Último Samurai fizeram sucesso, um game nesses moldes traria potencial semelhante. Um game com bastante foco em lutas de espadas (com muita porrada e sangue também), personagens machões (samurais e guerreiros retratados como meninos andrógenos de cabelos espetados não dá, convenhamos) e algumas pinceladas históricas teria tudo para ser um clássico. Talvez Devil Kings 3, lançamento da Capcom para Wii e PS3 para o ano que vem, consiga isso. Veremos.
Opinião Retroplayers: Também considero que esse estilo e tema faz muita falta. O último game que joguei com essa descrição foi Gengi para PS2, e passou longe do que pode ser considerado um Beat’n Up, sendo apenas mais um jogo de ação com ênfase nos duelos de espada (que é um ponto extremamente positivo deste game). Em Warriors of Fate, eu não mexeria em absolutamente nada, talvêz apenas a adição de gráficos HD em tela Wide, e mais nada. Seria um excelente lançamento para WiiWare/Psn/Xbla com suporte a multiplayer online!

Tower of Doom e Shadow Over Mystara talvez sejam o mais próximo que os games de ação chegaram dos RPGs. Os jogos foram baseados na franquia de RPGs de tabuleiro Dungeon & Dragons não apenas no nome, mas na presença
de diversos inimigos tradicionais como kobolds, hellhounds, harpias, grifos, dragões, manticores, orcs e demais alegorias carnavalescas. Mas não era apenas isso, todo o tema do jogo remetia bastante ao universo típico de D&D, com calabouços, cavernas, baús de tesouro com armadilhas entre outras situações típicas dos RPGs de mesa. O jogo tinha diversos caminhos alternativos que dependiam das escolhas dos jogadores, além de entre uma fase e outra ter lojinhas para comprar
acessórios e itens, algo que não tinha em outros beat em ups (exceto pelo lixoso Double Dragon III que cobrava fichas reais para comprar vidas extras).
Podia-se escolher entre cinco avatares típicos dos RPGs entre um humano cavaleiro e um clérigo, um anão e uma elfa, com características bastante distintas entre eles. Não apenas os status de cada um eram diferentes, como as magias que podiam ser usadas e os itens carregados por cada um. Por
falar nisso, havia um mini inventário para cada personagem, outra característica ausente de outros beat em ups. Porém aqui não há um enredo claro no jogo e sim missões com historietas de fundo, as quais se desdobravam por uma ou mais fases. Havia ainda uma missão alternativa que culminava em uma dificílima batalha contra um dragão vermelho gigante, até mais poderoso que o último chefe do jogo.
Shadow Over Mystara soa mais como uma expansão do que uma continuação.
Dois personagens foram adicionados (um feiticeiro e uma ladra) junto aos quatro da versão anterior, que apenas tiveram algumas mudanças cosméticas nos desenhos das sprites. A única mudança real foi a adição de um sistema de ganho de níveis um pouco mais completo que o que há em The King of Dragons ou Knights of the Round. De resto é o mesmo sistema de escolher alguns caminhos e passar pelas missões ajudando pobres inocentes da terra média e enfrentando criaturas fantásticas. Falando sobre as
duas versões de Dungeons & Dragons, o mais interessante é que se tratou de “quase RPGs” jogados nos arcades, cuja esmagadora maioria dos jogos são experiências curtas onde os jogos são produzidos de forma que o jogador possa extrair o máximo de diversão com uma ficha. Outro detalhe é que até onde sei, Tower of Doom e Shadow Over Mystara são os únicos video games prestáveis sob a marca Dungeons & Dragons.
Como vocês puderam ver na imagem, a Capcom lançou uma coletânea com os dois D&D em um disco para Sega Saturn.
Opinião do criador da matéria: Sabemos que RPG não é problema para a Capcom, então não seria complicado fazer um game baseado em Dungeons & Dragons trabalhado com o nível de produção médio de um game atual. Mas ao invés de fazer um RPG puro, poderia-se manter o esquema de missões e fases dos arcades, com toda a ação também. Os avatares poderiam ser expandidos por um editor, mais ou menos da forma como ocorre com Dragon Quest IX do DS, permitindo ao jogador customizar as características de seus personagens. Um modo cooperativo online à lá Resident Evil 5 cairia como uma luva para um jogo como esse (sem esquecer do coop offline também), e como é possível ver por qualquer video da versão arcade, dois ou mais jogadores simultâneos torna o jogo mais dinâmico e fácil. Um ambiente tridimensional poderia contribuir à mecânica de jogo, já que os jogadores teriam que se preocupar com hordas inimigas vindos por todos os cantos, e toda a sorte de armadilhas que se aproveitariam de diferentes profundidades e relevos dos cenários.
De resto bastaria evoluir a estrutura dos games de arcade, aumentando as diferenças entre forças e fraquezas entre as classes e raças, bem como os combos, ataques e defesas especiais e magias. Imaginem uma batalha contra o dragão vermelho com as possibilidades dos games atuais. Haveria um potencial enorme aí.
Opinião Retroplayers: O primeiro eu não joguei, mas em Shadow over Mystara eu não mudaria nada, absolutamente nada! Trata-se de um game irretocável, clássico e dificílimo, e em meu modo de ver, só deveria ser relançado mesmo para WiiWare/Psn/Xbla apenas com a adição de um multiplayer online e algumas conquistas, que aliás, poderiam ser incrementadas em todos eles para que o gameplay e a longevidade do game fosse aumentada. Sou sempre a favor de gráficos 2D em alta resolução, pois ficam muito, mas muito mais bonitos e chamativos que os artificiais 3D, e dão aquele toque nostálgico tb ao game!
Do Autor: A única forma de os beat em ups voltarem é sair dessa coisa de remakes com gráficos HD e incluírem novas propostas em seus gameplays. Dessa maneira, alguns temas podiam voltar sob as características que listei por todo esse post. E vocês o que acham disso tudo?
Sabat: Achei as propostas muito interessantes, mas fora de questão transformar qualquer um deles em 3D mesmo que mantendo a movimentação lateral. Infelizmente os Beat’n Up’s sairam do mercado por que foram praticamente substituídos por games de pancadaria com essas mesmas características: 3D, várias armas, diferentes armaduras, hordas de inimigos atacando por todos os lados e etc, que são bons sim e bem duradouros, mas acabam com o multiplayer que era a principal característica dos beat’n Up’s. Acho que apenas um relançamento destes games para as redes online com adição de um multiplayer decente e ranking já seria mais que suficiente para pelo menos tentar ressucitar o estilo, e eu preferiria assim: mais conservador mesmo, por que se fosse para ressussitar o estilo em 3D, a chance de termos uma nova leva de genéricos de Devil May Cry e God of War seria altíssima ^^.
Agora é com vocês retroaventureiros!
Fim