Olá caros amigos Retroaventureiros! Como estão? Sejam bem vindos ao meu primeiro texto como estagiário da equipe do Retroplayers. Alguns de vocês devem me conhecer dos comentários do próprio site e/ou do meu blog pessoal onde eu já compartilhava com a Internet algumas histórias e pensamentos em textos um tanto quanto grandes. Também participei do último RetroCast gravado (sobre a E3 2012), embora eu tenha falado pouco. Pra quem não conhece, digamos que sou como vocês, um apaixonado por games que gosta não só de jogar, mas de falar sobre o assunto. Além disso, sou muito fã de Sonic. Desde já adianto que é um prazer “inenarráiver” estar escrevendo no site que mais me inspirou a compartilhar minhas idéias gamísticas na grande rede e agradeço muito ao Sabat pelo convite. Vou começar falando de um game que me divertiu muito na minha infância e que é querido por muita gente. Desejo a todos uma ótima leitura.

Era começo dos anos 90, muito provavelmente 1991 ou 1992. Eu era apenas um garoto apaixonado por videogames com meu Master System e alguns jogos, quando recebi a visita de um amigo de outra cidade (que hoje não tenho mais contato) e que também tinha o console. Ele apareceu em casa com uma caixa grande cheia de cartuchos (era, digamos, bem de vida). Entre vários títulos que eu nunca tinha nem ouvido falar e outros mais conhecidos de jogar ou que vi em alguma revista, um deles me chamou a atenção: Alex Kidd in Shinobi World. Na hora já questionei este amigo a respeito do jogo e ele me respondeu exatamente com as palavras esse jogo é um sarro. Na hora não entendi direito o que ele quis dizer com isso, também não conseguia entender como era possível misturar Alex Kidd com Shinobi. Eu adorava Miracle World e Shinobi, ambos também do Master. Aliás, quem não adorava, né? Sei que imaginei muita coisa naqueles minutos antes de colocar o cartucho no console e sair jogando.

Depois de jogar eu entendi o que o amigo quis dizer com aquela frase. Eu não sabia o que era “paródia” na época, então imaginem que eu entendi como uma grande piada. Mas de muito bom gosto, pois de cara eu achei o jogo muito bacana. Não a toa eu aluguei muito esse jogo na minha infância, mesmo que eu já o tivesse terminado muitas vezes.

Alex Kidd in Shinobi World é justamente isso, uma paródia de Shinobi utilizando o mascote da SEGA na época como protagonista. As fases, os cenários, os inimigos, as armas e tudo mais foram retirados do jogo original. Inclusive muito da própria mecânica do jogo, que é bem diferente de outros jogos que o Alex Kidd protagoniza, sendo um jogo de Plataforma com muita Ação.

Mas como é que conseguiram juntar os dois universos em um único jogo? Bem, a coisa aconteceu da seguinte maneira: Alex estava junto com sua namorada em um jardim do planeta Shinobi, quando de repente o céu escurece e um maléfico ser aparece e a sequestra. Enquanto nosso herói está aos prantos, surge o espírito de um guerreiro antigo. Este explica que o vilão chama-se Dark Ninja e que havia sido banido por ele há 10000 anos. Porém que ele havia retornado. Além disso, ele também explica que o ser maléfico pretende manter sua namorada como refém em busca do poder supremo. Logo após toda esta explicação, o espírito diz que vai ajudar o rapaz a salvar sua namorada e se funde ao corpo dele, emprestando-lhe seus poderes para que Alex não precise apelar para o Jankenpo! Tudo isso é mostrado na abertura do jogo. Não que toda esta estória importasse para mim na época, eu só queria era saber de jogar!

O jogo possui quatro fases, chamadas de Rounds, que são subdivididas em três estágios cada, sendo o último a luta contra o chefe (ou líder, como queiram). Primeiramente, Alex enfrenta os inimigos na cidade, passando por um prédio em construção, para depois ficar frente a frente com Kabuto, paródia de Ken-Oh no original. No segundo Round, o protagonista passa por um porto, até encontrar Heli, que na verdade é um monte de mini helicópteros que lembram tanto o segundo quanto o terceiro chefes de Shinobi, respectivamente Black Turtle (um helicóptero) e Mandara (uma porção de estátuas, a referência seria a quantidade de inimigos). Já no terceiro Round, primeiro Alex passa por uma cachoeira e depois por um bambuzal, até encontrar Robster, paródia de Lobster no original, e que aqui é de fato uma lagosta! A última fase passa-se na mansão de Hanzo, o Dark Ninja. Naturalmente, o último chefe. Ele possui ataques muito similares ao do Masked Ninja, vilão do Shinobi. Nesta fase o herói deve enfrentar novamente Kabuto e Robster, além de passar por plataformas que somem e aparecem (qualquer semelhança com as idéias de Mega Man pode OU NÃO ser mera coincidência).

A dificuldade do jogo é progressiva, mas nem nos últimos estágios o jogo chega a ser muito complicado. É muito mais uma questão de memorizar a fase e os padrões dos inimigos e podemos vencer o jogo tranquilamente. Além disso, o jogo é linear e bem curto. Se souber de cabeça o jogo inteiro, dá pra terminá-lo em menos de 15 minutos. Mesmo assim, não deixa de ser uma experiência muito bacana, ainda mais pra quem já jogou Shinobi. Como já foi dito, tudo é parodiado dele, inclusive as músicas. Não tem como não se divertir.

Além disso, a jogabilidade é bem solta, tudo flui muito mais rapidamente que no clássico do Master. Inicialmente, Alex possui uma espada para atacar seus inimigos, destruir blocos de tijolo e abrir baús. Nestes baús ele pode encontrar diversos power ups, como vidas extras, energia extra e aumento de força. Ele também pode encontrar dardos, fazendo com que seu ataque seja arremessá-los e não mais o uso da espada. Outro item que pode ser encontrado nos baús é uma esfera que dá poderes especiais, fazendo com que ele se transforme em um ciclone e possa voar livremente pela tela destruindo todos os inimigos. Ou furacão, como eu chamei na época.

Um fato curioso que talvez algumas pessoas não saibam é que o jogo não era para ser estrelado pelo Alex Kidd. Na verdade ele se chamaria Shinobi Kid e seria apenas uma paródia caricata do jogo original da SEGA. E não pára por aí: o primeiro chefe, Kabuto, na verdade se chamaria “Mari-Oh” e seria uma sátira descarada do encanador bigodudo mascote da Nintendo. Inclusive algumas características do inimigo foram mantidas, como as bolas de fogo que ele atira (referência à Fire Flower) e o fato dele encolher quando está quase sendo vencido. Acredito que o fato dele pular ao ser derrotado também seja uma referência à quando Mario perde uma vida. Pra alegria dos fãs, o garoto genérico foi substituído pelo Alex Kidd.

O jogo foi bem recebido pela crítica da época, que fez diversos elogios ao trabalho da SEGA. Mas o mais importante de tudo é que ele foi muito bem recebido pelos fãs do mascote da empresa. Especialmente aqui no Brasil, onde ele mora no coração de muitos retroaventureiros. Foi o último jogo protagonizado pelo personagem, que acabou sendo substituído como mascote logo em seguida por aquele ouriço super sônico que também adoramos! Com certeza foi uma despedida muito digna.

O game envelheceu bem e continua divertido. Pode não ser um Alex Kidd in Miracle World ou um Shinobi, mas é como se fosse uma boa mistura dos dois e até hoje continuo tendo a mesma diversão de quando joguei a primeira vez. Quem ainda não experimentou este título deveria fazer isso assim que possível.

FIM