
No final dos anos 80, surgiu nas TVs americanas uma versão diferente de um antigo esporte sobre patins, conhecido originalmente como Roller Derb. Os americanos fizeram do esporte o mesmo que ocorre com aquelas lutas mentirosas da WWF, por exemplo. Da mesma forma que na luta livre, o evento ganhou seu próprio programa televisivo, o qual ficou conhecido como RollerGames. No show, duas equipes de patinadores disputavam uma corrida num pequeno circuito oval ou em forma de “8” e, com o objetivo de se manter na liderança, eram permitidos aos participantes empurrões, cotoveladas e outras pancadas. Tudo isso nos moldes teatrais americanos que já estamos acostumados a ver. Devido ao grande sucesso alcançado, teve até jogo de vídeo game inspirado no show. Será que ficou bom?
Mas “péra lá”! Que diabos de esporte é esse? Bem, ele existe a muito tempo, desde quando nem existia TV. Imagine um monte de malucos patinando em uma pista relativamente curta, tentando manter suas equipes na liderança, onde alguns dos integrantes tentam impedir o avanço do adversário, enquanto o líder da equipe deve disparar na frente. Só que as colisões eram permitidas. Mesmo o esporte original já mostrava essa caraterística, dando a impressão de que não haviam regras, mas elas existiam sim. Em algumas partes do mundo o esporte ainda é praticado, em sua maioria por mulheres. Veja estas imagens:
Inspiração não falta para as produtoras criarem games. Sabemos que nem todas as ideias são realmente bem aproveitadas, seja por falta de capricho ou simplesmente por limitações quaisquer, mas em todo o caso, até onde sei o NES foi o único console doméstico daquele tempo a receber um game baseado no esporte, mais precisamente no show da TV. Se o game não é excelente, está acima da média e o seu maior defeito em minha opinião, é ser curto.
LÁ NOS ANOS 90…
Na época em que tive meu primeiro console, o Bit System (clone brasileiro do NES), era uma euforia tremenda para tentar aproveitar o máximo de diversão que o aparelho pudesse nos proporcionar. Mesmo não tendo o hábito frequente de alugar jogos, não dava pra ficar esperando os melhores lançamentos aparecerem nas locadoras, até porque, sempre tinham aqueles “campers” de plantão, aguardando os grandes clássicos retornarem às prateleiras. Como não havia sequer uma boa loja do ramo próxima de meu bairro, muitas vezes eu e meus irmãos tínhamos de nos contentar com as “sobras“. Mas felizmente existiam aqueles bons amigos de jogatina que apareciam em casa de vez em quando, trazendo consigo alguma edição nova de revista especializada em vídeo game ou melhor ainda, com algum cartucho na mão, para salvar as nossas tardes de domingo. Através desses amigos acabei jogando muita coisa boa, desconhecida, jogos ruins, estranhos e outros adjetivos… E foi numa dessas tardes de vacas magras que fiquei conhecendo RollerGames para NES.
Ao mesmo tempo em que eu ficava feliz por poder jogar mais um título diferente, me incomodava o fato de saber que não demoraria muito para o cara ir embora, levando consigo o bendito cartucho, antes que pudéssemos terminá-lo. Desta forma, o resultado foi ter alcançado apenas a 3ª fase do mesmo. E como o sangue retrogamer corre pelas minhas veias, decidi (na medida do possível) terminar todos os games que vem fazendo parte de minha vida, dando obviamente preferência aos que de alguma forma me agradam, que trazem boas lembranças, incluindo principalmente os que não pude terminar lá na década de 90. É claro que isso não quer dizer que esses games sejam todos excelentes, certo? Por isso, fui para a jogatina outra vez. Como diria o menino prodígio: Santos emuladores!!
DISSO EU ME LEMBRO!!
Uma das coisas que o tempo não me fez esquecer foi justamente a música da 3ª fase de RollerGames. Seria porque foi só até ali que consegui chegar, quando o joguei em 1991? Sim. Isso ajudou não só a alimentar as lembranças de alguns amargos Game Overs, mas também do próprio game em si. O fato é que eu gostei tanto da música que vez ou outra ela aparece em meu velho mp4. E eu queria ouvi-la novamente, só que desta vez, diretamente do jogo e não por algum player qualquer. Assim, decidi me ingressar novamente nessa briga sobre patins e claro, aproveitando a oportunidade para falar deste simples, mas bom game, aqui no Retroplayers.
Informação é sempre bem-vinda, certo? Mas naquele tempo eu não tinha nem ideia do que se tratava o jogo, a não ser tentar permanecer vivo (palavras do TH!). Além da pouca informação que tínhamos, o que mais queríamos era justamente jogar e jogar. Só agora, com a facilidade da internet é que pude entender melhor o porque daqueles malucos se enfrentando pelas ruas e munidos de patins. Sem dúvida demorou para que eu pudesse novamente me deparar com RollerGames. Queria eu que fosse no próprio console, mas infelizmente não foi bem assim…
DIFERENÇAS ENTRE VERSÕES
Foram lançadas duas versões do jogo. Nos arcades ele se mostra mais parecido ao que foi o evento televisivo, acrescido de algumas sessões extras de pancadaria, o que deixou o game um tanto engraçado. Você pode conferir essa versão no emulador MAME. Já a versão para NES se tornou um game de ação com uma leve pitada de beat’n up. Certeza eu não tenho, mas muito provavelmente, a razão pela qual a Ultra Games/Konami quis fazer algo diferente do original, tem a ver com as limitações do nosso querido Nintendinho. E ainda que o resultado final não seja uma obra prima, RollerGames em 8 bits se saiu bem e consegue divertir.
Mas afinal, o que os “patinadores” de RollerGames foram fazer nas ruas da cidade, ao invés de competir nas pistas? Bem, já que criar algo próximo dos arcades não seria possível, os produtores trataram de bolar uma história que justificasse tal fato. É claro que daria para criar um game mais bem elaborado, mas sabe-se lá quais condições a produtora tinha na ocasião, não é mesmo? Esta é a história por trás de RollerGames:
De olho nos altos prêmios disputados pelas equipes de patinadores, um bando de criminosos de uma organização conhecida como VIPER se infiltrou entre as equipes. Além de corromper três delas, fizeram o favor de sequestrar um dos líderes e comissário do evento, um tal Emerson “Skeeter” Bankhead. Os inimigos se espalharam por toda a cidade e em algum lugar esconderam o sequestrado. Três das equipes que não se venderam ao crime acharam por bem deixar o FBI fora da treta, e partiram para as ruas com o intuito de acabar com a graça da bandidagem e seus simpatizantes. Na pele de um dos tês representantes de cada equipe, seu dever como jogador é simplesmente pôr um fim em todo o caos usando apenas socos e chutes e, claro, trazer o querido comissário de volta.
O game traz uma mistura de briga de rua com plataforma, e seu objetivo é sair por aí descendo o cacete em gente que não presta. O diferencial são mesmo os patins. Como era de se esperar de um game como este, não faltam obstáculos em seu caminho como rampas, bueiros abertos, buracos, vãos entre plataformas e até ataques por helicóptero (eita!). Não fosse pelas rodinhas nos pés, teríamos um game semelhante aos da franquia Double Dragon ou talvez Tartarugas Ninja, ou mesmo algum outro que talvez você conheça. O game permite que você escolha um dentre os três membros de equipes distintas, destinados a fazer o trabalho sujo. Tem o cara bombadão da T-Bird, ou a mina super ágil da Hot Flash. O personagem da Rockers eu não sei exatamente se é homem ou mulher… Apesar de poucas diferenças entre eles, cada um possui características próprias, seja na habilidade com os patins, forma de pular ou estilo de luta (se é que eles tem estilo) e sempre no início de cada fase você poderá alternar entre os “lutadores”.
O layout das fases não é dos melhores, algo que muitas vezes acontece em games de 8 bits. Os controles respondem bem, mas pecam nas diagonais. A gente releva, afinal, o importante é se divertir e não esquecer que temos uma missão a cumprir, não é mesmo? Os cenários são becos, ruas, esgotos e estradas. Na maioria das vezes, após uma série de pulos e desvios, você chegará numa área fixa onde terá de enfrentar alguns inimigos em sequencia. Nessa parte da ação o foco é apenas brigar muito. Seu personagem ganha novas habilidades, dando-lhe a possibilida de desferir alguns golpes mais interessantes como socos seguidos, voadora, joelhadas e arremesso. Ao pressionar A e B ao mesmo tempo, libera-se um golpe mais forte que é praticamente indefensável, mas limitado ao numero de três. Como você deve estar acostumado, vez ou outra aparece algum inimigo mais forte para tentar impedi-lo. Não há segredo algum. Simplesmente continue fazendo o seu trabalho, ficando longe de seus ataques e aproveitando as oportunidades para desferir muitas pancadas nos meliantes.

Bem galera, não há muito o que dizer de games como este. RollerGames não é difícil, são apenas seis fases e você ainda pode contar com continues ilimitados. É um game agradável de se jogar e que deixa um gostinho de quero mais. É fato, não traz os melhores gráficos como outros games de NES que você possa ter jogado. Mas as músicas são agradáveis e sua jogabilidade fácil propicia alguns momentos de diversão. Você e eu sabemos que há muita coisa boa para desfrutarmos nesta plataforma, mas se você também é do tipo que não se importa em jogar games mais simples, vá em frente e experimente este filho da Konami. Aproveite também para assistir algum vídeo tosco dos anos 80/90 relacionado ao show de TV. É interessante!!!
Boa diversão galera Retroplayers!
Fim