
Estava eu aqui brincando com os emuladores de Super Nintendo, quando me deparei com esse estranho e curioso game. À primeira vista, ele parece ser um título como outro qualquer, mas esconde algumas particularidades interessantes. É claro que eu não sabia muita coisa sobre o dito cujo, mas fui atrás das informações, consegui algumas delas e resolvi compartilhar com vocês, amigos retro-aventureiros. Se o título do game é curioso, mais estranho ainda é conhecer alguém que o tenha jogado no próprio console.
Como sabem, existem muitos games que nem eu e nem você conheceria, não fosse aquela bela vasculhada na coleção de Roms não é mesmo? Eu sei, nem todas as opções ali disponíveis despertam interesse suficiente para uma jogatina. Na maioria das vezes, preferimos mesmo encarar os títulos consagrados ou mesmo aqueles com os quais já estamos familiarizados. Só que às vezes a curiosidade acaba mudando um pouco o rumo das coisas e foi assim que surgiu assunto para este review. Decidi observar mais de perto esse game de nome maluco, de capinha esquisita e que faz uso de uma combinação de estilos distintos de jogabilidade. Se a ideia deu certo ou não, você é quem vai nos dizer em seus comentários. Eu confesso que gostei bastante pessoal. Jogue e depois nos conte o que achou, ok? Por hora, acompanhe-nos nesta leitura.
O negócio é o seguinte, pessoal: um cara chamado Manfred Trenz, criador da série Turrican, trabalhava no desenvolvimento de um game, até então chamado Targa e tinha a intenção de lançá-lo em uma data pré determinada. Porém, o sucesso alcançado por Donkey Kong Country na época, fez o cara mudar de planos. A tecnologia gráfica empregada no game do macaco acabou chamando a atenção da Rainbow Arts Software, que decidiu adiar o lançamento, o que possibilitou ao game receber “pequenas” modificações. Assim, em novembro de 1995, foi lançado Rendering Ranger: R2, trazendo uma completa mudança na parte gráfica, onde tudo o que antes era desenhado a mão, acabou substituído por gráficos pré-renderizados. Nada criativo, mas foi daí que veio a inspiração para o nome do produto final.
Aparentemente os criadores de R2 estavam mais interessados na parte técnica que no resto. Sei que muitos não se importam com isso mas o enredo é bem clichê e, por se tratar de um título raro, lançado somente no japão, não consegui encontrar informações claras sobre sua estória. Ao que parece, você é um soldado solitário em um planeta devastado por forças desconhecidas. Sua missão: acabar com toda a horda inimiga e sair vivo do local. Curiosamente, R2 possui textos totalmente em inglês, sendo que a empresa desenvolvedora é alemã. Vai entender né?
Do ponto de vista técnico, o game é citado como um dos que mais tirou proveito do hardware do Super Famicom. Além dos gráficos bem detalhados, faz uso da tecnologia Mode 7, abusando também dos efeitos de transparência e rolagem em paralax.
Mas será que R2 é um bom game? Sim, o game é bom e diverte bastante. Sua pequena fama contudo, se deu mais pela história de seu desenvolvimento e pelos detalhes técnicos do que qualquer outra coisa. Inicialmente programado para ser um shmup, o título acabou se tornando uma mistura rara de “jogo de navinha” com ação em side-scrolling. Segundo Manfred, a produtora optou por mesclar os dois estilos para que o game ganhasse maior interesse do público, já que o mercado dava os seus primeiros passos para a era 32 bits. Mas mesmo com todos esses detalhes, R2 ainda é considerado um game obscuro e merecia mais atenção.
As fases onde você controla o personagem traz indícios de que foi inspirada em Turrican, mostrando que Contra III também foi lembrado, dada a semelhança na jogabilidade. O outro estilo de jogo, fica por conta da velha e conhecida rolagem lateral de tela, a bordo de um caça espacial.
De fato, o visual em R2 chama a atenção em determinados momentos. Talvez você tenha uma impressão diferente da minha, mas ao jogar R2, percebe-se alguns deslizes com o level design nas fases de ação e na elaboração dos inimigos, mas de resto ele é mesmo interessante.
No início pode até parecer um game muito difícil, mas essa impressão acaba até você se acostumar com a jogabilidade um pouco confusa, sendo este um dos pontos fracos que encontrei no game. A movimentação do personagem lembra de fato aquela presente em Contra III, sendo possível manter consigo mais de uma arma diferente, podendo alternar entre elas ao toque de um botão. Seus tiros poderão ser melhorados com a coleta de itens específicos de cada uma. Com outro botão você libera um tiro especial, que varia conforme a arma que estiver utilizando, algo que dura um curto período de tempo. Este recurso depende de uma “barra” que é recarregada lenta e automaticamente e é ideal usá-lo na hora que a coisa aperta pro seu lado. O pulo do personagem não é tão preciso, mas em compensação vai muito alto. Com os botões L e R, você aponta para as diagonais superiores e inferiores, algo já utilizado em Super Metroid.
O modo shmup é realmente bonito. Tão cheio de detalhes que é possível se perder em meio aos tiros e objetos no cenário. Aqui podemos ver o quanto o hardware do Super Famicom é poderoso, ainda que o cartucho possa ter usado chips adicionais. Em nenhum outro shmup (que não é o ponto forte do console) existem tantos detalhes gráficos visíveis ao mesmo tempo e com raros momentos de slowdown.
As armas adquiridas no modo ação são as mesmas no modo shmup, mas para ajudar na batalha, canhões adicionais podem ser adquiridos e “acoplados” à sua nave, tudo como manda a receita de um bom game de navinha. Os menos experientes podem ficar mais tranquilos, pois a barra de life também permanece. Assim, a nave não será destruída, a menos que este medidor chegue ao fim.

Confesso que de início torci o nariz para R2, caros amigos. Mas configurando um bom gamepad e aumentando o som, me empolguei e fui muito além do que imaginava. A experiência foi bem interessante e a jogatina de fato valeu a pena. Além de mostrar que o console da Nintendo poderia ter ido mais longe, R2 com certeza não deve ficar somente na curiosidade, pois trata-se de um game divertido, mesmo com seus altos e baixos. Fica aí portanto pessoal, mais uma dica de game obscuro que você deveria conhecer melhor. Sugiro que após ler esse review, você vá jogar um pouquinho e volte aqui pra gente bater um papo, ok?
Fim