
Fujam para as colinas, e leve só o necessário pois você vai precisar correr como uma ema de eventuais tremores de terra, inundações, meteoros desgovernados, e por que não, de um monte de zumbis devoradores de carne humana… Sim, fujam para as colinas se elas ainda existirem, pois pra variar, o Apocalipse chegou, e não estou falando daquele cara marrento que adora bater nos X-Men não… Estou falando do Fim dos Tempos mesmo, o THE END, o verdadeiro “Deus nos acuda”, que já nos assola pela terceira ou quarta vez desde que minha mãe me pôs neste sempre condenado mundo…
Eu não me recordo de quantas vezes o mundo já deveria ter acabado. Quase sempre os motivos provém de alguma seita maluca apocalíptica ou de alguma previsão encontrada em livros teoricamente sagrados e antigas escrituras feitas por pessoas que acreditavam serem videntes e enviados divinos, coisa bem cabível a doidos medievais na falta de um manicômio. Mas é claro também que dentre este pessoal visionário, existiam os espertos que só queriam mesmo era que seus nomes fossem lembrados nas gerações vindouras, e a fórmula para isso é bem simples: seja um estudioso de alguma coisa qualquer só pra poder dizer que no que você diz, existe algum embasamento científico por mais esfarrapado que seja. Agora escreva um livro de 200 páginas fonte 10 Times New Roman (por que essa fonte é de gente chique e inteligente) cheio de acontecimentos plausíveis para o decorrer da história, e não se esqueça de colocar muitas pragas bacteriológicas e virais, meteoros desgovernados, alienígenas, e o que mais sua imaginação mandar. Agora a parte chata: é só morrer e aguardar lá do outro mundo pela primeira coincidência a acontecer e pronto, você virou profeta!! Que pena que sua conta bancária não lhe serve mais pra nada né?
E agora, caro amigo retroaventureiro, neste exato momento em que você gasta sua retina frente a tela de cristal líquido que hora abunda em sua fronte, mais um destes momentos deverá, ou pelo menos deveria ter chegado. É dia 21/12/2012, o dia em que, de acordo com o calendário Maia, a vaca vai pro brejo, de novo, sem volta. E se o seu monitor ainda for CRT não reclame, pois se o mundo acabar, a causa não vai estar nem aí para sua falta de atualização tecnológica, problema seu! O que você deve mesmo fazer é dar uma olhadinha pela janela pra constatar se o mundo ainda está ai fora, lindo e maravilhoso.
Bem, se você continua lendo, suponho então que a espiadinha janela a fora teve o efeito de confirmação esperado e o mundo mais uma vez continua inteiro, positivo e operante, pois do contrário, duvido que você não teria saído correndo com as mãos na cabeça gritando por socorro divino na esperança de que um anjo marombado de peito a mostra aparecesse pra te pegar em seus braços e lhe tirar dali. Pois é, caro amigo retroaventureiro, duvido que você iria pensar em sua masculinidade diante do fim do mundo! Até o capeta se aparecesse na sua frente dizendo “eu te salvo mermão!” seria uma escolha indubitável. Não que se os 2 aparecessem eu escolheria o anjo boiola… NEM A PAU JUVENAL, BORA CAPETA!! Em fim, o mundo mais uma vez não acabou, não precisaremos fazer escolha alguma, só teremos mesmo é que fazer mais uma vez o mesmo que fizemos no dia anterior: sorrir, brigar, estressar, gritar, chorar, trabalhar, abraçar, amar… Jogar? Por que não? O mundo não acabou mesmo, então que tal comemorar mais uma vitória da raça humana não fazendo merda nenhuma disso tudo aí e apenas jogando um bom videogame? Na pior das hipóteses, é um belo pretexto pra faltar no serviço nesta penúltima sexta feira do ano hein?
Se bem que se o fim do mundo realmente acontecesse e a raça humana fosse pro vinagre, o universo provavelmente não sentiria falta nenhuma desse pessoalzinho que povoa o planeta mais corrupto, hipócrita e cheio de podridão da Via Láctea… Bela vitória hein humanidade! É quase um “Vamos celebrar a estupidez humana”! Quase, por que ainda assim, e mesmo sabendo que é o lixo que move o mundo, algumas coisas de bom ainda saem da cabeça estúpida desse pessoal. Temos livros, músicas, filmes, costumes, um mundaréu de coisas que formam a dita cultura dos povos. Todos tem sua enorme parcela de lixo em cada uma dessas modalidades, mas não é essa parte que nos interessa, e nem interessaria a alguma forma de vida inteligente que porventura, encontrasse nosso planetinha azul agora desabitado e muito melhor conservado do que em seus tempos áureos de super população. É a pequena parcela de cultura aproveitável que sobra quando se separa o lixo que seria show de bola ser encontrada.
Pense só: o que aconteceria se um ET super inteligente encontrasse na Terra agora deserta e desolada, um MP3 cheio de funk carioca? Certamente ele pensaria “putz, achei a causa mortis!”. Entenderam a parada do lixo? Pois é, nós produzimos muito disso, em todas as modalidades de cada cultura do mundo, um legado vergonhoso. Jogos de videogame vão pela mesma vertente: tem lixo pra caramba poluindo o mercado, mas tem muita coisa boa também, boa o suficiente para mostrar a que estávamos no planeta até a chegada do funk carioca. Eu adoraria ver lá do outro mundo um ET encontrando um Nintendinho com Super Mario Bros 3 encaixado… Será que ele conseguiria jogar? Será que ele entenderia a mecânica simples do jogo? Será que ele conseguiria entender que nós humanos conseguíamos imaginar esses mundos fantasiosos e que não retratavam a realidade de forma alguma pois era justamente dessa realidade que nós queríamos fugir ao jogar? Acho que a melhor maneira de um visitante extra terrestre entender a extinta humanidade, seria jogar um monte de jogos, os melhores jogos de todos os tempos, os mais importantes e influentes, mas sabendo que tudo que ele está vendo ali, não retrata o mundo em que vivíamos: ele teria que sentir a coisa toda.
Seria legal ele conhecer o jogo em que um baixinho gordinho de bigode tenta desesperadamente salvar sua amada, e mesmo sabendo que em nosso mundo não existiam tartarugas assassinas saltitantes, quem sabe ele sentiria que os heróis daquele povo extinto as vezes não precisavam ter o esteriótipo saradão armado até os dentes: bastava apenas ter força de vontade e um motivo. E ele poderia também conhecer o jogo daquele mercenário cósmico caçador de piratas espaciais, e assim ele descobriria ao final da aventura, que nossas extintas fêmeas podiam muito mais do que o esteriótipo “semi-nuas rebolando música brega adotando nomes de legumes e frutas só para fazer alusão a um corpo desproporcionalmente sarado” propunha… A propósito, é tanta Mulher Alguma Coisa que já daria pra fazer um jogo novo: Mega Man XXX, only for 18+! E voltando ao nosso amigo ET curioso, ele poderia também se aventurar no comando daquele mascarado roxo que destruía seus inimigos com espadadas certeiras enquanto colecionava magias e armas de arremesso pontudas, e assim ele poderia perceber que aquilo nada mais era do que a retratação da habilidade e força mental que o homem podia alcançar através da determinação e da exaustão. São inúmeras possibilidades, e a interpretação é que seria válida.
Caros amigos retroaventureiros, os videogames que tanto amamos são tão importantes para a história da humanidade quanto são os livros de história, a música, e o cinema. Se estes nos contam e mostram como foram as grandes guerras travadas em nosso mundo, os jogos nos colocam dentro delas para que possamos vivê-las, e o mesmo acontece com fatos históricos, políticos e cotidianos. Os videogames contam nossos medos, mostram o que nos alegra, retratam aquilo que desejamos. Se antes do Apocalipse eu pudesse lançar uma daquelas Cápsulas do Tempo no espaço, primeiro eu pegaria todo aquele monte de informação burocrática inútil que certamente os cientistas e políticos teriam selecionado pra colocar dentro dela, e faria uma senhora fogueira de São João justamente por que meu intuito não seria entediar possíveis apreciadores de galáxias vizinhas, e depois eu colocaria dentro dela um Nintendinho completo com caixa e tudo e uma porrada de jogos, e que eles se virassem pra fazer funcionar! Garanto que seria bem mais legal para eles do que ficar tentando decifrar aquelas palavras estranhas e primitivas de povos que nem se quer falavam o mesmo idioma dos países vizinho, e o pensamento deles ao entenderem que aquele equipamento todo se tratava apenas de um viciante desafio proposto que teve o poder de atravessar gerações e esteve fortemente presente em praticamente toda a finada Terra, seria mais ou menos um “É… Até que esses tais humanos faziam umas coisas legais”.
Mas agora eu também resolvi dar uma queixadinha porque eu sou um rapaz latino-americano que também sabe se lamentar: infelizmente ou felizmente, o mundo continua, e dentre os dois problemas que se misturam: “a verdade do universo” e “a prestação que vai vencer”, sou obrigado a me atentar ao segundo, pois eu só me preocuparia com a verdade do universo se o mundo realmente estivesse indo pras cucuias… Nossas prioridades na vida geralmente estão relacionadas ao que está mais iminente, não é mesmo? O aluguel, a fatura do cartão, a viagem de fim de ano… Isso sim é preocupante! Fim do mundo?? A tá… Mais fácil eu virar profeta com o descobrimento destas minhas escrituras após alguns milênios do que eu me preocupar com isso!
Sabem aquele papo de “não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”? É bem por ai: somos movidos a prazos, e só nos preocupamos com o final deles. O mundo não tem prazo de validade, ou pelo menos, ninguém acertou ainda a tal data. Assim fica fácil deixar tudo para depois, pra fazer em “algum momento durante a vida”, até que somos sumariamente privados deste momento e ai, meu filho, esquece, o fim do mundo realmente chegou… mas só para você. Quantas coisas temos por fazer, temos por realizar, e sempre deixamos pra depois por que nossa vida é longa em relação a quase tudo que anda e rasteja neste nosso planetinha azul, e isso nos dá a falsa sensação de que um dia poderemos realizar todas essas coisinhas sem prazo de validade. Não meu amigo, a verdade é cruel, e ela dita que se você não correr atrás, não vai chegar a lugar algum. O mundo não acabou mas ele continua girando, e se você não acompanhar, ele te deixa para trás sem dó nem piedade.
Faça seus planos e os concretize, tenha seus sonhos e os realize, pois a vida não é tão longa quanto aparenta, caro amigo retroaventureiro. O seu fim do mundo pode chegar antes, e esse é real, cruel, e não existe volta dele. Cada profeta maluco e cada civilização antiga que previa o fim do mundo só conseguiram encontrar seus próprios fins assim como todos nós, em um dia aleatório, também encontraremos. E assim a vida no planeta segue, e vamos aguardar a próxima profecia apocalíptica, que deve ter ligação com esse maldito funk carioca que toca em tudo que é carro velho e vai estourando os tímpanos alheios por onde passa.
Vou ficando por aqui, mas não sem antes dizer que devo tratar de jogar logo Zelda II Adventure of Link… essa Sexta Feira só termina Meia Noite, e vai que nesse meio tempo o mundo resolve acabar mesmo e eu deixei de jogar isso por que não era prioridade…
E fim de papo.
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O RetroPlayers entra agora em recesso até o ano que vem… isso se ele vier a existir ^^ Esperamos vocês lá, caros amigos retroaventureiros! Bom Natal a todos vocês, e um Feliz (e provável) Ano Novo!!