
Existia uma regra em minha casa que nunca tinha sido quebrada: não se podia alugar fitas no meio de semana. Mas existiu um game capaz de quebrar esse tabu em plena segunda-feira. Esse game era a capa da única revista de vídeo game que eu tinha, revista essa que eu lia e relia todos os dias. Em uma das minhas idas até o supermercado para minha mãe, entrei na locadora como de costume para poder observar os games no balcão, pois qualquer contato com os jogos era maravilhoso para mim, e foi assim que o encontrei. Tinha chegado o Mega Man 3!
Ao avistar aquele game ali, pertinho de mim, quase tive um treco. Tudo bem que estava escrito Rock Man, mas hoje eu sei que era seu nome no Japão. Sai correndo em disparada subindo a minha rua, chegando quase sem fôlego em casa. Perguntei para minha mãe mesmo já sabendo a resposta: “Mãe chegou o Mega Man 3 na locadora, por favor posso alugar hoje?”. Pedi, implorei, chorei, mas nada conseguia quebrar aquela regra estabelecida a muito tempo. O que a convenceu foi quando eu disse ser aquele o game da revista, que ela tinha comprado para mim depois de eu tanto pedir. Ela me via todos os dias olhando aquela revista, lendo, admirando, copiando em meu caderno as imagens, e todo o carinho que eu tinha ao guardá-la. Na hora que eu disse isso ela olhou para mim e falou “Então vai logo, mas você não vai faltar na escola”. Meu Deus, que emoção, nem ouvi a parte da escola, já estava no portão correndo para a locadora. Acho que eu também estava com aquela cara do gato de botas do Shreck e isso deve ter ajudado um pouco.
Finalmente com o game na minha casa, ver as telas de cada inimigo em minha TV e não em um pedaço de papel era a realização de um grande desejo, nem acreditava que finalmente estava jogando Mega Man 3. Sinceramente quando me lembro da sensação que sentia ao jogar esse game pela primeira vez, meus olhos começam a lacrimejar. Era uma felicidade tão simples e pura que dificilmente conseguimos sentir hoje em dia.
A tela de início tem uma música incrível, uma melodia que ao ligar o vídeo game ele já lhe mostra como esse game era diferente dos outros que eu tinha jogado até então, daqueles bem simples que não tinham música e nem abertura. Meu Deus, que música. Felizmente a versão que joguei foi a japonesa e na tela tem o desenho do Mega Man, e o símbolo original mais bonito que o japonês, até que se esforçaram para fazer um simbolo novo na americana, mais por que raios tiraram o Mega Man da tela? Tem coisas que eu sinceramente não consigo entender.
É lógico que o que eu queria era ver todas as fases pelo menos uma vez antes de ir para escola, então, cada vez que minhas vidas acabavam, eu escolhia uma outra tela, e que telas! Como esse foi meu primeiro Mega Man, foi a primeira vez que vi essa opção de poder escolher a fase em que você quer jogar logo no início, marca registrada da franquia. Aqui aparecem nove caixas com os oito inimigos e o Mega Man no meio que seguia com os olhos a opção que eu ia selecionando, que capricho!
Vou falar de cada um desses incríveis e clássicos inimigos que fazem parte de minha infância/adolescência na ordem de qual é o mais legal, para lembrar mesmo aquela época. Sempre gostei mais do Snake Man e do Magnet Man que possuem músicas incríveis, absurdamente lindas, mas hoje apesar de não ser o mais “legal” o meu preferido é o Top Man, ele é muito bonitinho e cômico. Depois vem o Shadow Man, o Gemini Man pois é bem legal enfrentar ele, porém a sua fase é a mais chata e com a música que eu menos gosto, depois o Hard Man, Spark Man e por último o Neddle Man, que além de ser sem graça, é um saco enfrentar ele com a “arma normal”, e a música da tela dele também não é das melhores.
Com essa opção de escolher as telas logo de cara e em qualquer ordem, fica difícil saber qual é a mais trabalhosa, diferentemente dos outros jogos que tem a primeira e a segunda em ordem crescente de dificuldade e por aí vai. Era jogando cada tela que eu ia percebendo qual era a mais difícil e qual era a missão mais fácil. Então peguei a revista e vamos seguir o script… É claro que a revista te manda logo para a tela do Top Man, pois além da tela ser a mais fácil, ele também é o inimigo mais simples de se derrotar.
A fase do Top Man tem uma das melhores músicas que eu já vi em um vídeo game, com certeza estaria no meu top 5. Ela é incrível mesmo! A parte mais difícil da fase era passar pelo Gato Robô que jogava aquelas malditas pulgas! Depois que se aprende, não fica mais tão difícil, e esses inimigos se tornaram outra marca registrada dos games da série Mega Man: os inimigos de meio de tela. Logo me deparei também com partes estreitas que não tinha como passar, mas graças a ter lido tantas vezes a revista, eu já sabia do escorregão e logo fiz para baixo + pulo para usar aquela habilidade tão incrível e nunca vista antes. Eu não fazia idéia de que isso era novidade para o Mega Man, pois não tinha jogado os dois anteriores e não sabia antes se ele escorregava ou não.
Outra habilidade que logo usei foi o grande companheiro do Mega Man: o Rush. Uma vida estava em uma plataforma muito alta e logo usei o “Rush Coil” que ao pular em suas costas, uma mola sai lhe dando impulso. Também existe o menu, onde ao pausar o game um menu aparece e eu podia ver minhas vidas e navegar em meus itens, minhas armas e as habilidades do Rush. E foi na tela do Top Man que vi pela primeira vez aquela portinha branca e toda quadriculada que ao encostar ela faz aquele barulhinho “tic tic tic” quando sobe lhe revelando um pequeno corredor com outra portinha no final. Que delícia relembrar disso.
Ao passar pela portinha cheguei a uma sala, uma música de introdução começou a tocar, música bem característica de tensão e de que algo mal se aproxima, então o Top Man aparece faz sua posição, a sua energia se enche, a música passa para uma música típica de “aí vem ele” e então a melodia do inimigo começa. Que emoção! É perfeito para deixar qualquer um em clima de euforia, fazer o coração bater forte.
É claro que não o derrotei de primeira, mas bastou mais algumas tentativas e pegar o esquema dele foi simples. Ao derrotá-lo a maior magia do Mega Man começa: o blue bomber ganha a arma do inimigo. Uma tela com o herói muito bem desenhado aparece na tela e ele muda de cor. Que coisa incrível! Quanta novidade em um só game! O problema é que eu entrava no menu, escolhia a arma e não conseguia usar! Eu apertava o “botão de tiro” e nada. Até que descobri que era necessário pular e então o Mega Man começa a girar. Muito capricho! E não me lembro de ver um tipo de ataque tão diferente em nenhum outro Mega Man.
Mas as coisas agora se complicaram um pouco pois a revista te manda para a tela do Shadow Man, pois a arma do Top Man é a melhor arma contra ele. Porém ele é bem difícil, o mais difícil na minha opinião. E o que acontecia é que se você não tomar o máximo de cuidado ao atacá-lo com a arma do Top Man, ela se esvazia rapidamente e aí você deve encarar ele com apenas sua buster… É como eu disse, ele é difícil! Tudo bem, podem dizer que isso é um bug, mas eles poderiam muito bem ter feito o Mega apenas soltar um peão na tela, mas não, tiveram o trabalho de programar esse ataque, que ficou bem legal sim. O que acontece é que os Robot Masters piscam após receber dano assim como o Mega Man, e se você continuar apertando o botão, o Mega vai continuar usando o ataque e não irá causar dano algum, só irá gastar a arma. Contra os inimigos normais que não piscam ela não requer tanto cuidado no botão.
Bom, depois de calibrar bem a descarga da arma do Top Man, derrotei o Shadow Man e daí por diante não tive maiores problemas contra os outros inimigos. A não ser na tela do Magnet Man onde fui apresentado a outro elemento clássico de Mega Man: as plataformas “fu, fu, fu”. Essas plataformas somem e aparecem em tempo em tempo e em um determidao padrão que devemos decorar para não cair, e conforme se progride na tela, o negócio vai ficando mais difícil: na primeira parte tem chão, e se cairmos não tem problema, é só voltar e começar de novo; a segunda o chão é um buraco, caiu morreu, e a terceira é um buraco com um imã gigante puxando o Mega Man para complicar tudo. Essas plataformas sempre dão dor de cabeça, em todos os games do Blue Bomber, quando avisto uma dessas partes já sei o que me espera, mas são muito legais e o barulhinho “fu, fu ,fu” é inconfundível.
Mesmo sem revista para ajudar, era questão de tentar a arma recém adquirida em cada um dos inimigos, e em caso de falha, tentar a Buster mesmo (ou “arminha normal” como sempre chamei). O game é muito bem balanceado na dificuldade, e possui um sistema de password muito fácil de anotar, tão fácil que da até mesmo para decorar algumas combinações de bolinhas. Naquela época o que eu mais queria era descobrir a arma certa para o inimgo certo, porém, hoje eu já gosto de derrotar todos na Buster e pegar o esquema de cada um, o que mostra o carinho que tiveram ao desenvolver o game, pois todos os inimigos tem um esquema a ser aprendido, ou seja, tem um padrão muito gostoso de se fazer para derrotá-los.
O padrão mais difícil é o do Shadow Man, que exige muita escorregada e rapidez no controle, e depois o do Neddle Man, pois a cabeçada dele tira muita vida da gente! O mais legal de derrotar na Buster é o Gemini Man: o esquema dele é difícil de pegar, mas depois fica muito gostoso enfrentar ele. Um que eu não vejo muito esquema é o Snake Man, meio que eu derroto ele descarregando a Buster adoidado.
Além de uma nova arma, certos inimigos também davam um upgrade para o Rush, onde ele ganhava ainda a habilidade de voar ou nadar, sendo a habilidade de voar não só uma verdadeira mão na roda como uma habilidade extremamante necessária em fases futuras.
Uma coisa que eu achava muito estranho era que no meio de algumas telas eu ouvia um refrão muito bonito em assobio (e que vocês devem estar com ele na cabeça agora) e encontrava um robô vermelho que vinha pulando e atirando no Mega Man. Ele possui um escudo e só é possível atingi-lo quando ele está pulando ou atirando, ou seja, quase sempre. Mal sabia eu que estava frente a frente com um dos personagens mais marcantes da história da série Mega Man… Outra coisa bem legal era que após vencer todos os inimigos do game, na tela de seleção de inimigos, algumas janelas enferrujavam e nas que sobravam, ficava aparecendo um rosto de um robô caveira, mas não é o Skull Man não. Quanta coisa nova em um só game.
Ao selecionar uma dessas janelas, percebemos que estamos na mesma fase de antes, com as mesmas características, porém muito mais difícil. Logo encontrei a portinha do inimigo e achei que haviam encurtado a tela. O robô caveira aparece e um inimigo começa a descer até entrar dentro dele, e aí o robô fica possuído e começa a se comportar como o inimigo que desceu sobre ele. Isso mesmo, desce o espírito nele! Esses “espíritos” eram os inimigos do game Mega Man 2, mas infelizmente não o tinha jogado ainda, então para mim não foi tão legal vê-los como foi para quem já os tinha enfrentado. Quando eu joguei o Mega Man 4 pela primeira vez eu fiquei muito triste quando os inimigos do Mega Man 3 não apareceram em forma de espírito, pois juro que tinha certeza que iriam fazer isso.
Mas a tela não era curta não, aquela era só a metade dela. Cada tela modificada tinha dois inimigos do Mega Man 2 para enfrentar. Os mais difíceis sendo o Air Man e o Wood Man, pois não conseguia desviar nem a pau de alguns tiros desses inimigos. Foi aqui que comecei a fazer uso de um Item chamado “E”. Esse item enche toda sua energia e criou o jargão “usa o E!” que sempre alguém assistindo gritava para o outro que estava jogando quando via a energia do Mega Man acabando.
Uma fase difícil é a do Neddle Man, pois exige que o Mega Man voe no Rush e como isso consome energia dele, quando eu morria tinha que ter pelo menos um pouco de energia ainda no Rush, se não era necessário morrer todas as vidas e recomeçar a tela. Após vencer as quatro telas modificadas junto com os oito novos antigos inimigos dentro dos robôs “pai de santo”, a tela de seleção enferrujavam todas as janelas e aquele robô vermelho aparece no meio da tela de seleção onde ficava o Mega Man e ao selecioná-lo, ele vinha novamente te enfrentar em uma luta bem fácil e ao ser derrotado ele fugia. Então aparece o criador do Mega Man, o Dr Light desesperado pois o maquiavélico Dr Wily roubou seu item mais poderoso. Sim Dr Wily, o Dr Wily!
Esse é, sempre foi e sempre será o “último inimigo” que eu mais gosto! Não tem para ninguém, nem Bowser, nem Dr Robotnick, nem Sephiroth, nem Ashtar, nem House, ninguém. Ninguém supera o grande gênio Dr Wily! Ao selecionar o “W” uma “cena de corte” aparece, um barulho de navinha começa a tocar e uma espaçonave vem voando, ela se abre e o Dr Wily aparece mexendo as sobrancelhas… Essa é uma cena tão nostálgica para mim que só de lembrar já estou sorrindo enquanto escrevo. Eu adoro esse cara!
A nave voa para um castelo. Esse castelo é exibido então, e após uma piscada na tela, se forma sobre ele um caminho que deve ser percorrido até chegar no Dr Wily, um tipo de mapa eu já tinha visto em Castlevania. A primeira fase começa com uma música incrível, mais incrível mesmo. O inimigo te enfrenta de baixo d’água e fica muito fácil derrotá-lo com a arma do Top Man ou Shadow Man. A música de inimigo muda no castelo e se eu já achava incrível a música dos inimigos de fase, a música dos inimigos do castelo então me fazia ficar enrolando no inimigo para poder ficar ouvindo. Pois é, tempos sem internet e sem mp3. A música é maravilhosa, digna dos grandes inimigos!
A segunda tela do Castelo tem como chefe o meu inimigo de tela preferido e mais nostálgico que existe: O Yellow Devil! Esse monstro amarelo de um olho só se monta aos poucos na tela, pedaço por pedaço e uma vez inteiro ele abre seu olho e desfere dois tiros no Mega Man. Ele é muito difícil, mesmo depois de se decorar o padrão das peças você deve ser muito rápido para poder atirar em seu olho quantas vezes forem possíveis. A arma que eu usava era a do Shadow Man e atirava em diagonal. Essa com certeza é a mais versátil e melhor arma do game. O problema é que eu sempre usava “E” e dentro do castelo não tinha como se encher de “E” novamente entre uma tela e outra. Tinha que passar todas as telas do castelo com no máximo 9 “E”s, ou contar com a sorte ao atirar nas caixas com o ponto de interrogação.
A terceira tela tem como inimigo, réplicas do Mega Man… Bom, na verdade apenas uma real e outras duas imagens holográficas. É preciso descobrir qual é a réplica verdadeira e derrotá-la usando a “arma normal”. O problema é que a réplica fica se embaralhando em tempos em tempos, mas não chega a ser difícil, um tanque “E” já resolve. Depois é hora de enfrentar todos os Robot Masters novamente, cada um em uma cabine, mas agora tendo todas as armas dos inimigos fica mais fácil, na verdade, fica até gostoso. Uma delícia enfrentá-los um após o outro sem interrupções de tela. Uma outra marca registrada da série Mega Man: enfrentar todos os inimigos novamente no castelo.
As próximas telas são bem pequenas e com uma música linda, porém muito melancólica. Eu sempre achei essa música muito profunda, bonita, triste, etc. Enfim sempre mexeu comigo e acho que tem tudo a ver com o grande gênio do mal Dr Wily. Enfim alcancei a última tela que aparece no mapa do castelo. A primeira vez que enfrentei o Dr Wily foi maravilhoso, um sentimento de conquista que nunca tinha sentido antes, pois foi o primeiro último inimigo que eu enfrentava, e lembro de ter chamado todo mundo em casa para mostrar. Falava “olha mãe, o Dr Wily” e mostrava a ela a foto na revista e a imagem na TV. Tempos maravilhosos.
Ele vem em uma grande máquina e deve ser derrotado em dois pontos, primeiro o canhão que fica abaixo da máquina que quando explode faz a cabine do Dr Wily ficar desprotegida, passando este então a ser o novo alvo. Ele pode ser derrotado com a arma do Shadow Man ou quando queria derrotá-lo bem rápido usava o Rush voador e metralhava a cabine. Pronto! Derrotei o Dr Wily!
Depois de nos enganar, uma nova tela se abre no castelo e agora sim o Dr Wily vem lhe enfrentar em pessoa, e se eu achava aquela primeira máquina grande, era porque eu ainda não tinha visto esse robô gigante que aparece no meio da tela. Sua primeira forma tem uma pequena cabeça que fica atirando em padrões muito simples e é fácil derrotá-lo. Quando a energia chega na metade esse robozinho explode e o Dr Wily aparece na nova cabine que se monta no robô, revelando um grande mecha.
Ele lhe ataca com um grande tiro em forma de pastilha e também com seu enorme braço e não tem como alcançar a cabine dele. É necessário subir no braço do robô quando ele tentar te bater para poder chegar na plataforma de onde é possível ficar perto da cabine de modo acertá-la. Porém nenhum dos tiros funciona nele, apenas com a arma do Snake Man era possível fazer dano no Dr Wily e como a arma do Snake Man atira uma cobrinha no chão, isso fazia com que fosse necessário pular para ficar bem perto da cabine e atirar, ou seja, era necessário subir no braço novamente e repetir todo o processo até finalmente derrotar o grande Dr Wily. Felizmente mais tarde descobri que com a arma do Top Man também é possível acertá-lo, e com apenas uma rodada podemos dar cabo dele, pois como o Dr Wily não pisca quando recebe dano, ele acaba tomando todas as bordoadas da arma de uma vez.
O castelo começa a ruir e blocos de pedra caem sobre o Mega Man e sobre o Dr Wily. Porém o “robô vermelho” que foi necessário derrotar várias vezes durante o game vem para lhe salvar. Esse foi meu primeiro contato com o distúrbio da dupla personalidade.
Cheguei então ao fim desse maravilhoso game que, com certeza, é um dos meus favoritos. Aquele assovio do “robô vermelho” começa a tocar, mas dessa vez não fica só no refrão e se torna uma melodia maravilhosa, impossível de não assoviar junto. O Mega Man caminha sobre um jardim enquanto são exibidos todos os robôs criados pelo Dr Light em ordem numérica, robôs esses que são os inimigos do Mega Man 1 que o Dr Wily corrompe para o mal.
O interessante é que é nessa parte que é revelado quem é aquele robô vermelho do escudo, pois após mostrar que o número 1 é o Mega Man, ele aparece com o número zero, sendo o nome dele Proto Man. Sim o robô vermelho é o irmão mais velho do Mega Man e por isso se chama Proto (provavelmente protótipo). É, cada detalhe desse game é perfeito, um carinho difícil de aparecer em outros games, muito menos hoje em dia. O Mega Man para, olha para o céu e vê o rosto do “Proto Man” no horizonte e a o Dr Wily fugindo são e salvo em sua navinha. Isso mesmo, o grande maquiavélico gênio Dr Wily continua vivo. Fiquei muito feliz quando o vi fugindo em sua inconfundível espacionave.
Depois disso uma nova música muito feliz começa a tocar mostrando todos os inimigos do game fazendo suas posições, com o seu número e o nome do seu criador, o que me fazia querer ser um desses caras no futuro. E por fim, as letras como em um filme mostrando os créditos. No final o Mega Man vem voando com seu companheiro Rush e salta para o meio da tela onde o Capcom nos agradece por ter jogado! Que game! Que carinho! Os nomes originais em japônes mostra bem isso também, Rock Man e sua ajudante Roll. Rock ‘n’ Roll!

Isso explica muita coisa como, por exemplo, não ter abertura, a tela do castelo não tocar música em sua totalidade, as últimas telas do castelo serem tão curtas, a luta mal feita contra o Proto Man, e hoje dá para perceber que todas as telas dos inimigos iniciais iriam ter sua versão modificada e não apenas quatro delas, pois ao vasculhar na memória do game, foram descobertos alguns “tiles” (blocos de fases) das outras telas como, por exemplo, a do Snake Man, que aparecia em uma forma pré-modificada para receber um dos espíritos de Mega Man 2. Se eu já considero Mega Man 3 um dos melhores games que existe, imagina se tudo o que ele tinha planejado para o game tivesse sido colocado no game. Meu Deus. Eu fico imaginando como seria.
Mega Man 3 também foi importante para eu estar escrevendo hoje aqui no Retroplayers, pois a primeira vez que entrei no site foi quando estava buscando pelo Yellow Devil no Google e achei ESSE INCRÍVEL POST escrito pelo Sabat. Aquela tarde então foi dedicada a ficar lendo os posts do site e três dias depois apareceu a oportunidade de recrutamento que o Sabat fez. Muita coincidência! Eu enviei o texto do Drácula Kid e aqui estou eu.

A música que cito como sendo uma das músicas que mais mexe comigo, a música das últimas telas do castelo e que associo perfeitamente com o Dr. Wily também me fez achar um outro site muito legal para quem gosta de músicas de vídeo game. Esse site é o OCRemix e ele tem um dos remix mais lindos que eu já escutei e é exatamente dessa música. Bom, talvez por isso eu tenha gostado tanto do site, pois hoje sua qualidade já não é mais a mesma, assim como já não tem mais tantas novas música dos nossos clássicos. A música se chama WilyMetal (clique para ouvir).
Hoje ainda jogo bastante o Mega Man 3, passando de todos os inimigos com a Buster e sem usar “E” tudo para tentar resgatar um pouquinho que seja da emoção que era jogar esse game em minha época. Tentar conseguir um pouco daquela felicidade tão simples, porém tão poderosa. Enfim, esse é o game responsável por eu gostar tanto de vídeo game, estabeleceu um padrão que era difícil um outro game conseguir chegar perto, eu o alugava todo final de semana, não cansava de terminá-lo e quando não estava com ele em casa, ainda ia admirá-lo na revista e ficava imaginando o próximo final de semana, pois diz a lenda que maldição do meio de semana só foi quebrada uma vez e o único game capaz de tal feito foi Mega Man 3.
Valeu Pessoal.
Fim