
Tartarugas Ninjas: Turtles in Time ou Tartarugas Ninjas 4 para encurtar e como eu chamava na época, pois não falava patativas de inglês e não queria complicar, foi o primeiro jogo do Snes que joguei em minha casa. Então eu já tinha um Snes, certo? Errado. Então meu primo levou o dele? Não, ele também ainda não tinha. Então algum amigo? Também não. Quer saber como finalmente joguei com as turtles em 16 bits?
Eu ainda tinha apenas o meu Bit System, meu primo estava com um Mega, e apesar de ter alguns amigos com Snes, eles pareciam não ligar muito para o vídeo game, como o mundo é injusto… E assim nunca tinham algum jogo diferente de Street Fighter 2 ou Super Mario World. Mas muito antes de eu ganhar meu Super Nintendo, meu Tio me deu um grande presente de aniversário.
Meu aniversário iria cair em um domingo e meu tio anunciou na sexta que iria alugar um Super Nintendo para mim. Isso era uma tremenda novidade, e acho que muita gente nem sabia que isso já existiu. Fiquei muito Feliz com a notícia e corri na locadora do Bairro para alugar os jogos que iria jogar em 16 bits e é lógico que aluguei TMNT 4!
No sábado de manhã, apesar de meu Tio ter dito que iria chegar as 09:00, acordei as 07:00 e fiquei esperando. Quando ele chegou minhas pernas tremeram, não conseguia esconder o sorriso, minha mãe me falou para parar com bobeira, mas não conseguia.
Depois de muitos agradecimentos, tirei gentilmente o meu Bit System da TV para dar lugar ao Snes, virei o sofá da Sala para ter espaço par todo mundo sentar de frente para a TV, peguei um controle para mim, um para o meu primo, meu irmão ainda estava dormindo, não sei como conseguia, e coloquei o cartucho das turtles naquele item majestoso, quase mágico.
A apresentação na hora me lembrou a apresentação das turtles que eu assistia no shopping do TMNT original do arcade e não acredita que iria jogar algo muito próximo daquilo que eu desejava a tanto tempo. Eu esperava e queria um jogo muito parecido com o original do arcade, mas logo de cara percebi várias coisas diferentes. Os gráficos são muito parecidos, mas a jogabilidade tem algumas novidades, como o agarrão que pega um coitado de um foot soldier e bate de um lado para o outro, ou o que joga o foot soldir em direção da tela, um efeito muito legal e que tem um propósito mais a frente no jogo. A tartaruga também corria ou dando o famoso “dois pra frente” ou automaticamente depois de andar um pouco, ao pressionar o botão de pulo a turtle dava um mortal que desviava de golpes, e ao apertar o botão de ataque a turtle dava uma ombrada que paralisava momentaneamente o inimigo, o que também teria um propósito mais para frente.
Eu não gostei muito, pois no original do arcade não tinha essas coisas e eu gostava mesmo é de dar as seqüências de golpes, mas eu acabava agarrando sem querer os foot soldiers. Hoje eu entendo as mudanças e por que as fizeram, mas na época não gostava, pois estavam mudando algo que para mim era perfeito. Mas o jogo era ótimo, mesmo não gostando das mudanças não tinha como não gostar do jogo, e estava muito emocionado de finalmente estar jogando com as turtles em 16 bits em minha casa.
Adorei a abertura, muito bem desenhado, muito fiel ao desenho e é claro lembrem-se que eu estava acostumado com os gráficos 8 bits, então imaginem o choque ver uma abertura dessas dentro de minha casa. É bem simples, logo de cara aparece a querida e linda April em uma reportagem e o Krang em uma forma gigante rouba a estátua da liberdade, e o terrível, maligno, que adora aparecer na TV, Destruidor, interrompe a programação normal para chamar as turtles para o pau novamente. Tem coisa que não muda, e na minha opinião, não deveria mudar nunca mesmo, como algo que mudou nesse jogo e que eu fiquei muito triste quando vi, e logo vou dizer o que foi.
O jogo começa em uma fase linda, uma ponte com bolas de ferro caindo, o que me lembrou na hora as bolas de ferro que caem da escada em TMNT 2 do Nes e o original do arcade, e o mais legal, o Krang gigante aparece logo na primeira fase atirando raios com os olhos enquanto você enfrenta os ninjas do clã do pé. O inimigo é o Dr Baxter em forma de mosca e ficou muito legal enfrentá-lo.
A segunda fase me lembrou muito a segunda fase das turtles 2 – como eu vou me referir daqui em diante para aos jogos TMNT original do arcade e o 2 do Nes -, tem os objetos de cenários clássicos para interagir, como o hidrante e as tampas de bueiro arremessadas pelos ninjas. A música é animal, melhor ainda que a da primeira que já era incrível e depois de espancar alguns foot soldiers você enfrenta as turtles robôs, muito fiel ao desenho animado e com um esqueminha bem legal, aliás todos os inimigos tem um esquema para enfrentá-los, e depois de várias vezes de jogatina você acaba pegando jeito e derrotando sem perder vida, o que não acontece em turtles 2 onde todos inimigos tem o mesmo esquema: paciência.
A terceira fase é muito parecida com a a parte de skate do Turtles 2, as turtles encaram os esgotos surfando e tem uma das músicas que está no meu top 10 de músicas de vídeo game, aliás, para mim as músicas das Turtles batem de frente com as de Castlevania. Nessa fase pulam uns monstros da água tentando lhe acertar com suas garras, e me lembrava de tê-los vistos em um episódio aonde elas vinham das pizzas que eram jogadas foras e iam parar no esgoto ou algo assim, não me lembro exatamente. O inimigo é o Rei dos ratos pilotando um navio de guerra da Dimensão X que atira mísseis e lança espinhos na água que machucam os pés das turtles e faz elas gritarem, isso sempre tem nos jogos das turtles: uma animaçaozinha para alguns danos específicos, como cair em bueiro, sofrer ataque com fogo ou gelo, etc.
Depois de vencer os esgotos você avista o majestoso Thecnodromo e ainda bem que já tinha jogado o TMNT 3 do Nes e já sabia que não era a última fase, pois não queria que o jogo acabasse tão cedo. A música não é aquela música incrível do Technodromo do TMNT 2 mas o inimigo de tela, ou inimigos de tela são muito legais, são os monstrengos do segundo filme das turtles que adorava assistir, a tartaruga espinhuda e o cachorro gigante, meu Deus, aquilo era muito legal, coisa de arcade, como o Bebop e Rocksteady vindo juntos, coisa que não tinha tido a oportunidade de enfrentar já que na versão Nes foi cortado pois o 8 bits não tinha capacidade de colocar os dois inimigos juntos.
Após derrotá-los, cheguei ao elevador, coisa que já estava acostumado, todos os turtles ou qualquer beat´up tem que ter um elevador.
E ao chegar ao fim do elevador, avistei o Destruidor, mas ele não vem lhe enfrentar como nos outros jogos: ele vem dentro de um Mecha. Nunca gostei disso, fiquei muito decepcionado, queria uma luta como em Turtles 3, reconhecia o esforço pela novidade, mas tem coisa que para mim não deve mudar. Além disso, por causa dessa luta no mecha, nunca teremos uma luta com o Destruidor portando aquela espada em 16 bits. Lembra da ombrada e do arremesso de foot soldier para a tela? Pois bem, aqui vc deve usar a ombrada para paralisar os infinitos ninjas que chegam e depois arremessá-los para a tela e assim atingir a cabine do Mecha onde está o Destruidor. Como o Destruidor aqui ainda não é o último inimigo, ele não tem uma música só dele, e sim a música de inimigo de tela comum, que para mim é uma das melhores músicas de inimigo comum de qualquer game, batendo de frente com as de Mega Man (adoro fazer essas comparações!).
Ao vencer o Destruidor ele envia você para viajar no tempo e a primeira parada é na pré-história. Não gostei nada disso, a música não empolgava tanto a tela não era interessante e vinha muito daqueles generais de pedra chatos do caramba. O inimigo é uma Tartaruga pré-histórica, o que eu tinha achado bem legal na época e gritei para meu primo e irmão – que já tinha acordado com a TV ligada com a altura no máximo – quando vi a cabeça do Destruidor lapidada em uma montanha no fundo da tela estilo esfinge.
A próxima parada na história é em um navio, que apesar da música ser mais chatinha ainda, a tela é mais interessante com tábuas que ao serem pisadas, viram e batem na cara das turtles em mais uma animação especial. E os inimigos, meu Deus, me empolguei muito quando os vi, os atrapalhados Bebop e Rocksteady juntos, vestidos de pirata. Finalmente me senti jogando o Arcade que tanto desejava: enfrentar aqueles dois juntos era uma realização. Eles se trombavam, batiam suas armas e no final acabavam lutando entre si e caiam derrotados, adoro esses detalhes, esse carinho.
Saindo do navio fui parar em um trem em movimento, um trem bem longo e com bastante generais de pedra. O inimigo é o crocodilo tipo crocodilo dundee, mas crocodilo mesmo, com escamas e tudo, velho inimigo das turtles do desenho animado, muito bem desenhado e fiel ao desenho. Lembrem-se que eu ainda não tinha Snes e aquilo me impressionava muito, os gráficos, sons, qualidade das músicas, eu me sentia nas nuvens.
E então fui para o futuro e logo na tela de título da fase me empolguei e gritei “é o Krang”, nem pisquei na fase, eu tinha que ver o Krang.
A fase é bem interessante graficamente, mas muito boba: você vê as turtles de costa em um skate futurístico e os inimigos vem do topo da tela e com um golpe você os derrota, tipo uma fase bônus, mas no final dela vem o Krang, bem diferente do que nos outros games, ele tem uma asa nas costas e é um pouco maior do que de costume, ou talvez eu estivesse estranhado a altura dele por estar acostumado com a versão 8 bit. E aqui vai o que me deixou muito chateado: ao ser derrotado ele sai do seu Mecha e eu já gritei “Eu sou invencível” assim como ele fazia nos outros games das turtles, mas ele me deixou no vácuo, falou algo que não entendi nada e foi embora. Fiquei como cara de tacho, e como eu disse, tem coisa que não pode mudar, é um legado!
Então chega a fase da base espacial, e o game me surpreende mais uma vez, com uma música incrível, um remix da música da fase da nave do Turtles 3, e assim como na versão 8 bits, essa era a última fase do jogo. É uma fase bem longa, mas com a música empolgante eu nem notei. Como percebi que a fase e a música eram muito semelhantes à turtles 3, me empolguei com a idéia que o inimigo talvez fosse uma reedição do incrível Super Destruidor, um dos inimigos que mais tinha gostado de enfrentar em 8 bits.
O inimigo era o Krang novamente, mas em outro tipo de mecha, uma navinha que atira bolhas que fazia mais uma animação ao acertar as turtles. Então fiquei esperançoso, que talvez por isso o Krang não tivesse falado sua frase marcante. Em um telão o Destruidor assistia a batalha e ficava torcendo muito por seu amigo, adoro esses detalhes, e o Destruidor definitivamente adora aparecer em uma TV! Mas infelizmente ao ser derrotado, Krang explode junto com seu mecha e além de não dizer sua frase, não consegue escapar, o que piora tudo, mas uma vez tem coisa que não se pode mudar e sempre odiei isso.
E então as turtles volta para o technodramo para enfrentar o Destruidor em uma ponte bem em frente ao rosto da estátua da liberdade, muito bom, um capricho! Vem então o Super Destruidor como eu torcia para acontecer, com um gráfico impressionante e com o remix da música do Super Destruidor 8 bits do turtles 3, para mim a melhor música de último boss de todos os tempos. Ele vem em sua forma normal e se transforma em sua versão Super, mas achei a versão normal mais legal, melhor desenhada do que sua versão super, o que me fez sentir ainda mais falta de não ter uma luta com sua forma normal no technodromo sem o mecha. A luta é interessante, com um padrão tipo paciência, onde eu ficava esperando ele dar o golpe azul para poder dar uma sequência de golpes nele, mas infelizmente a luta não chega aos pés da luta com o Super Destruidor 8 bits.
Ao derrotar o Destruidor, vem o final com as Turtles entregando a estátua, a April dando uma piscadinha para a tela, o Splinter olhando para tela como querendo dizer “Esses são os meus garotos”, depois vem os créditos com uma música bem legal e termina com uma apresentação das turtles, seus inimigos, as telas tudo com uma música animal.

Adorava os jogos que faziam isso em seu final, era um capricho que demonstrava muito carinho. E no final o game lhe agradecia por ter jogado, coisa que os jogos da época costumavam fazer, mas no caso desse, eu é que agradecia.
Era incrível aquele gráfico, aquelas músicas, as animações o tamanho das sprites, os detalhes dos cenários, não estava acostumado com isso e toda hora eu parava para admirar, ou tentar fazer o tempo ir mais devagar, pois na segunda-feira eu sabia que o Snes iria embora. Eu estava acostumado a me despedir dos jogos na segunda, mas sabia que no próximo final de semana eu poderia realugá-lo, mas agora era diferente, e o pior é que eu não consegui convencer meus pais a me deixarem faltar na escola na segunda, então foi o tempo de chegar em casa da escola derrotar mais uma vez o Destruidor e me despedir daquele maravilhoso artefato.
.
A versão Arcade eu só fui jogar anos luz a frente, também é muito legal e percebi algumas diferenças: tem opção de jogar com até quatro turtles, ela não tem inimigo final no esgoto, ou seja não tem o Rei dos Ratos, não tem o Technodromo, uma decisão que acho muito estranha, logo não tem a luta com o Destruidor no mecha, a fase no futuro não é tipo bônus com visão atrás e é muito parecida com a fase dos skates do Turtles 2. Ela tem vóz, tanto nas cenas de corte quando no jogo, já a versão Snes os textos são escritos na tela em um balão tipo quadrinho. Na versão arcade não tem o Bebop e o Rocksteady, outra decisão muito infeliz, pois no navio vêm os inimigos do technodromo da versão Snes, Tokka e Rahzar, e na versão arcade o inimigo da pré-história não é o Slash, aquela tartaruga baixinha, e sim um mostro de massa.
Mas a maior diferença era o Destruidor, pois ele não se transformava no super destruidor, e vinha lhe enfrentar em sua forma normal segurando uma espada, com o mesmo gráfico que ele tem na versão Snes pouco antes de se transformar, a forma mais legal dele em todos os jogos, ficou muito bem desenhado, ficou incrível mesmo! E uma pena que ele não se transforma em Super Destruidor depois de derrotado, eu estava esperando por isso quando joguei. E por fim não tem a apresentação das turtles e seus inimigos com aquela música genial que tem na versão Snes.
Apesar de poder enfrentar o Destruidor em sua versão normal no arcade, prefiro a versão Snes, que tem uma dificuldade melhor balanceada onde a versão Arcade é um papa ficha daqueles, fora que arrancar o Technodromo e não ter o Bebop e o Rocksteady não faz muito sentido.

E é isso mesmo que vocês perceberam, eu terminei o jogo da primeira vez que joguei! Fiquei até meio decepcionado, pois esperava um maior desafio, principalmente ao enfrentar o Destruidor. Estava tão acostumados com o 2 e o 3 do Nes que a versão 16 bits não foi páreo e isso é uma das coisas que mais mudaram nos jogos 8 bits para os 16 bits, a dificuldade diminuiu bastante, os jogos ficaram mais coerentes, é possível terminar até Castelevanias sem muito esforço, mas é claro que alguns games mantiveram sua dificuldade insana pois eram a sua característica mais marcante, e é de um desses games que vou falar em meu próximo review.
Fim