Existem coisas que não sabemos porque ainda não conhecemos. Existem coisas que sempre sonhamos e não sabemos que aquilo já existe. Existem coisas que parecem ser tão insanas que fazem total sentido. Existem coisas que realmente valem ser comentadas. O que você poderia imaginar se um dia, durante suas idas e vindas da locadora, se deparasse com um jogo chamado “Ninja Baseball Batman”? Com certeza, no mínimo pegaria o encarte e daria uma olhada pra ver do que se trata o jogo, porque afinal, como diabos conseguiriam encaixar ninjas com baseball e batman. Mas a história não é bem assim, e por isso estou aqui, para falar de um dos jogos mais bacanas que tive a oportunidade de jogar mas que é desconhecido de quase toda a comunidade gamer ocidental.

Sempre que posso, nas minhas folgas das aventuras em 8 bits no Master System, eu vou atrás daqueles jogos, aqueles que ninguém ou que poucos jogaram, aqueles que pobres seres humanos comuns jamais irão ouvir falar, aqueles jogos que nós, gamers, chamamos de underrated. Não é difícil achar jogos e mais jogos com o título underrated mas que já é velho conhecido de boa parte da nossa comunidade. Mas esses dias eu resolvi faxinar os arquivos de fliperama e encontrei um jogo que a primeira vista fiquei totalmente encantado, sem ao menos ter encostado um dedo sequer nele, quero dizer, o jogo me fisgou pelo nome.

A princípio comecei a jogar como “mais um jogo” e em menos de um minuto depois vi que eu não estava na frente de um mero jogo para fliperamas, estava na frente de um daqueles jogos que mereciam o selo de “clássico” mas que, por intermédio do cruel destino, foi apresentado apenas a poucos jogadores.

Para início de conversa, Ninja Baseball Batman nada tem haver com o super-herói dos quadrinhos. O Batman em questão é o homem-taco, o jogador de baseball. O jogo é um beat’n up, estilo consagrado por jogos como Streets of Rage ou Final Fight, de temática bastante bizarra.

Lançado somente para os arcades em 1993 pela Irem Corp., é desconhecido de muita gente pois jamais foi lançado para algum console de mesa e pouquíssimos fliperamas no ocidente foram lançados, ficando assim restrito ao Japão mesmo, apesar da empresa que o desenvolveu ser norte-americana e a história se passar por cidades norte-americanas.

Os personagens principais são ninjas jogadores de baseball, como vocês já podem ter percebido. Você pode escolher entre Captain Jose, o líder nato com qualidades equilibradas; Twinbats Ryno, o pequeno e rápido ninja; Beanball Roger, o forte e grandalhão da turma e por último e não menos importante Stick Straw, com seus ataques que alcançam mais longe. O jogo tem a opção de quatro personagens e suporte para quatro jogadores simultaneamente.

A mecânica do jogo é bastante tradicional, sem nenhum elemento que a difira de outros jogos do gênero. O que chama a atenção aqui são os inimigos, que são bolas de baseball, luvas de baseball, tacos de baseball que carregam tacos de baseball que lembram lightsabers (armas usadas pelos Jedi em Star Wars) e muitas outras criaturas que para descrever em palavras eu precisaria criar uma nova língua, mas que são de uma tal criatividade de dar inveja na cabeça mais bizarra desse mundo.

O mais curioso do jogo fica por conta dos chefes e do ataque especial. Alguns chefes seguem a mesma linha de criatividade dos inimigos comuns, ou seja, bizarro. Dentre os tantos chefes o que mais me chamou a atenção foi o campo de baseball (sim, um campo de baseball luta contra você). Enquanto os especiais ficam por conta das lindas animadoras de torcida que animam ainda mais e jogam para longe todos os inimigos que estiverem na tela. E como não poderia deixar de ser, assim como muitos clássicos dos fliperamas beat’n up, o jogo conta também com uma fase onde jogamos com automóveis e saímos atropelando quem estiver na frente, não importa o quão forte ou grande seja.

Este jogo é, sem dúvidas, um dos melhores jogos do estilo. Uma verdadeira pena ser um jogo tão underrated, pois sua qualidade gráfica, sonora e jogável são dignas dos melhores jogos. Hoje em dia é possível apenas encontrar o jogo em emuladores (e mesmo assim é deveras complicado arrumar o jogo), já que uma máquina dessa belezura possivelmente nem exista mais, e se existir é uma verdadeira peça de colecionador. Pra encurtar a conversa, as chances de encontrar uma máquina são iguais a ganhar na loteria.

Mas quem puder conferir, vale a pena o esforço de futucar o cantinho mais remoto do amigo Google para curtir esse achado. Sinceramente eu ainda me pego as vezes duvidando se ainda pode existir jogos underrated espalhados por aí a espera de serem achados e me deparo com uma grande peça para nossa memória retro-aventureira.

Fim