
Não é de hoje que nós retroaventureiros esperamos por uma aventura decente do ouriço da Sega, não é mesmo? Faz tempo que o mascote vem sendo extremamente mal aproveitado, coisa que aliás, é um costume corriqueiro da softhouse. Dezenas de jogos ruins e medianos antecederam então a esperada notícia de que um quarto game da franquia clássica estava em produção, fato este que causou frisson no pessoal retrogamer, mas passada aquela excitação inicial, o que me foi apresentado depois em vídeos, fotos e feiras, não foi suficiente para me convencer… pelo menos ainda. Por quê?
Sou um jogador das antigas, e bota antiguidade nisso. Eu já era jogador muito tempo antes do nascimento do Sonic, aquela época em que ele bateu de frente com o bigode e disse aqui tem café no bule, aquele longo período em que jogar os games do ouriço era ter a certeza de que o aluguel do cartucho era uma grana muito bem gasta. Mas a geração teve seu final, novos consoles apareceram, novos jogos do bigode aparecerem e convenceram, e o que a Sega fez a partir de então é algo que ela parece ter aprendido com o seu principal mascote mesmo: correr atrás.
Nunca mais, ou pelo menos até hoje, nenhum outro game da franquia Sonic conseguiu o mesmo êxito que os games para o MegaDrive. Sonic & Knuckles foi o último jogo da franquia que realmente me divertiu, possuía aquela aventura espetacular e aquele negócio de retro compatibilidade genial que permitia mesclar os cartuchos criando novas possibilidades dentro dos 4 jogos da franquia clássica, algo inesquecível para mim e para muita gente, mas o negócio no geral foi tão original que parece que a fonte secou ali mesmo. O que se viu depois foram jogos medianos e ruins, enjoativos ou pouco divertidos, muitos deles apenas termináveis. Enquanto o Bigode era agraciado com 1 blockbuster atrás do outro, Sonic amargurava cada vez mais a decadência de sua franquia.
Acho que devido a esse tipo de coisa, essa diferença acentuada de qualidade na elaboração dos games que foi se tornando cada vez mais visível com o passar dos anos, o meu sentimento atual pela Sega é o mesmo de muita gente, simplesmente deixei de confiar na produtora. Foram tantos anos de jogos medianos que hoje em dia, qualquer coisa que apareça levando o nome da produtora nas costas já me soa como desconfiável logo de cara.
E assim a situação permanece até os dias atuais, onde aparentemente cansada de tanto quebrar a cara tentando colocar o Sonic decentemente no universo 3D, a Sega resolveu jogar tudo para o alto e anunciou a produção de uma continuação direta dos games da franquia clássica, Sonic the Hedgehog 4, em 2D.
O promissor game está em fase avançada de produção, foi confirmado para as redes onlines de todos os consoles do momento, e deve sair ainda este ano da panela. O alarde da imprensa com o anúncio da Sega foi bombástico, manchete mundial e foi por algum tempo o principal assunto nas principais comunidades gamers da internet, e a ex-fabricante de consoles está realmente empenhada para que desta vez, a história seja outra e o game fassa juz ao pesado nome que irá carregar. Assim a empresa corre atrás da opinião pública, realiza ajustes no game a todo momento, tudo em prol de dar a luz a melhor aventura possível de ser feita na atual cituação da softhouse. Mas passado o boom inicial e a empolgação, o que restou?
Posso não ser parte da maioria que tem fé no game e o acha fenomenal até o momento, mas talvez a minha opinião seja a mesma de muita gente, uma opinião que conta também, e que já não está mais influenciada pela sensação nostálgica que o anúncio de Sonic 4 causou em todo mundo: eu vi tudo que foi apresentado do game até agora, e absolutamente nada me convenceu, do design do Ouriço ao design das fases apresentadas, da movimentação no mínimo estranha do personagem ás novas animações de pulo, bolinha, etc.
Sim, caros amigos retroaventureiros, eu vi, revi, e ainda não consegui enxergar o game que promete ser a continuação daqueles jogos magistrais que eu detonava no meu Mega Drive. Eu olho e só vejo, apenas, mais um game duvidoso de uma empresa que perdeu sua criatividade e originalidade a muitos anos, algo que mais se parece com uma adaptação das primeiras aventuras em 3D do mascote do que uma continuação da inesquecível série clássica.
Não é que o game não esteja bonito ou agradável, ou com uma aparência que não combine com os jogos da franquia Sonic… Pelo contrário, o que foi apresentado é extremamente bonito, limpo, colorido, mas ainda assim, eu não sinto no conjunto da obra desta produção o mesmo feeling dos games antigos e clássicos do mascote, é como se fosse um corpo sem alma, é como se a Sega mais uma vez, estivesse se esforçando em vão para captar o que os jogadores querem de um novo game do Sonic.
Foi algo inevitável para mim comparar o surgimento deste novo game do ouriço com o similar do Bigode da Nintendo, The New Super Mario Bros, game que me faz gastar horas diárias em frente da TV e que inegavelmente, é um título que poderia se chamar muito bem Super Mario Bros 4, que ainda assim seria uma digna continuação com o mesmo feeling, alma e aparência de um game da franquia em 2D mas feito para os dias atuais, e que ainda traz mesclado a tudo isso, aquela série de elementos originais que todo mundo já espera de um game do Bigode.
Esse novo jogo do bigode, quando o vi pela primeira vez, fiquei tão empolgado quanto Sonic 4, mas diferentemente do que aconteceu com o game da Sega, The New SMB continuou surpreendente em cada uma de suas aparições. Chegou até um momento em que eu parei para pensar se a minha aversão e dúvida quanto ao Sonic 4 não era puramente admiração pelo trabalho da Nintendo, que poderia estar me deixando meio cético em relação a mediocridade de qualquer jogo vindouro da Sega como já acontece a muitos anos, e até realmente comecei a pensar que pudesse mesmo ser isso o que ocorria comigo… A dúvida terminou quando a Ubi Soft resolveu fazer o revival em 2D de seu mascote desmembrado.

O personagem da Ubi Soft é mais famoso na Europa do que no restante do mundo, e levou algum tempo até que suas aventuras conseguissem popularizar o seu nome dentre os principais personagens de games que existem, e não foi por falta de qualidade dos títulos: conheci Rayman no game para Nintendo 64, Rayman 2: the Great Scape, e posso afirmar que depois de Mario 64, não existe em qualquer console daquela geração um game de plataforma 3D melhor do que este. E o personagem que acabara de adentrar magistralmente no universo 3D, vinha de um primeiro game em 2D extremamente bonito, simpático, divertido, original e carismático lançado para PSx.
E se a franquia não é tão antiga quanto Sonic ou Mario, o seu tempo de vida é suficiente para que o personagem hoje tenha uma quantidade considerável de jogos originais, ports, remakes e spin-offs lançados para tudo que é console. Nada mais justo do que um novo game do carinha pintando nesta atual geração de consoles, não é mesmo? Mas a surpresa apareceu quando foi anunciado que Rayman Origins abraçaria suas origens em 2D, já acontecidas a 2 gerações de consoles. E quando eu assisti ao vídeo a seguir, percebi que a culpa da minha birra para com a Sega não era da Nintendo não, era puramente efeito da falta de criatividade da Sega mesmo.
É fato, a Ubi Soft acabava de mostrar que também sabe captar o que os jogadores querem, e e foi no revival 2D do seu mais importante personagem. Rayman Origins, como o nome sugere, vai contar a origem do personagem símbolo da empresa, e como se deu a amizade dele com Blobox em um game 2D que à primeira vista, parece ser absolutamente fascinante.
O engraçado é que Rayman Origins não se parece em nada com os games em 2D desta franquia lançados até agora. A proposta gráfica é outra, a aparência do personagem lembra mais o estilão irreverente dos games em 3D do que o estilo bonachão arredondado dos games clássicos, mas ainda assim é Rayman, é ágil e ao mesmo tempo é suave, é bonito, detalhado e parece ser absolutamente divertido e grandioso como seus jogos sempre foram.
E se este game não tão parecido com os anteriores ainda assim é tão espetacular de se ver, por que então Sonic 4, que tenta ser bem mais fiel do que este, não consegue me agradar?
Talvez por que a resposta para um bom revival não esteja no quanto o jogo tem que se parecer fisicamente com os anteriores, mas sim no que de bom, marcante e peculiar destes jogos antigos serão lembrados neste novo capítulo. Será que, esquecendo aquela movimentação estranha, aquele design de personagem que lembra a pior fase da carreira do espinhudo, aquele ataque aéreo meio teleguiado que não se sabe de onde o Sonic pega impulso para tal (em Sonic 3 e Sonic & Knuckles era possível realizar uns ataques parecidos quando dentro das esferas de água e fogo, mas e agora?), essas seqüências de pulos seguidos em molas que mais parecem jogabilidade por trilhos onde a gente só assiste, esquecendo todas essas coisas que não me agradam só de olhar, será que os programadores vão lembrar de coisinhas peculiares como fazer o ouriço olhar pra gente com cara de impaciente quando ficarmos parados por alguns segundos? Será que vai ter aquela musiquinha rápida de 1up do Sonic 1? Será que os controles serão tão suaves e simples como eram em Sonic 2?
As etapas mostradas nos vídeos parecem tão grandes e complicadas que nem de longe lembram o design de fases genial dos mundos da franquia clássica. Vejo um festival de molas e caminhos que parecem se multiplicar enquanto observamos Sonic passar acelerado por um monte de bifurcações, subidas e decidas que mais parecem um labirinto e que não combinam com o que deveria ser uma fase inicial de um game desta franquia: caminhos rápidos, passagens secretas, pulos gigantes que revelam plataformas inalcançáveis…
Será que a Sega não estaria errando novamente ao tentar deixar este Sonic mais complicado, mais grandioso, mais difícil? Será que o caminho para o sucesso deste título não estaria sim na simplicidade, assim como a Capcom mostrou com os seus Megamans 9 e 10? Eu me pergunto sempre que vejo algo sobre este game se o melhor caminho para ele não seria o de trazer a série ao que era antes do 3D mas não só na aparência, como a Sega está fazendo parecer com este título, mas sim em sua alma, que possuía aquela simplicidade cativante e viciante que eu presenciei ao jogar novamente Sonic the Hedgehog nas minhas férias passadas.
Até o momento para mim, o que vejo em Sonic 4 nada mais é do que uma adaptação para o 2D dos games de aventura 3D do ouriço, e não uma continuação daquelas maravilhas que joguei na adolescência em meio à guerra entre Nintendo e Sega. Tempo para que providências sejam tomadas quanto a tudo isso, existe de sobra. O problema é que não existe mais tempo para que a Sega reencontre a criatividade e a originalidade que foram perdidas com o passar das gerações, pois penso que só assim ela conseguiria se reerguer e voltar ao lugar de onde nunca deveria ter saído: a de verdadeira rival da Big N.
Só me resta ficar torcendo para que este game seja um grande sucesso, e que minhas impressões não se tornem realidade após o lançamento do título, pois o ouriço azul mais rápido do universo merece uma nova chance de figurar, mais uma vez, entre os grandes.
Fim
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