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Esse fim de semana passado, um fato me ocorreu que me assustou, que me fez pensar em algo que está acontecendo e que não será passageiro como uma moda que se foi e que pode voltar no momento em que algum famoso resolver ressuscitá-la para sua leva de fãs adolescentes adotarem, ou como um lanche do Mac Donald’s que saiu do cardápio mas que volta no tempo certinho do povo desenjoar da tranqueira. Não, não é nada disso!

Ocorreu que eu fui ao shopping com minha noiva, um dos gigantes famosos da capital de SP e detentor de uma das derradeiras PlayLand’s do Brasil, e a primeira aqui de São Paulo. Estava no andar de baixo, a caminho da praça de alimentação, olhei para cima e lembrei: era aqui que eu me divertia matando aula, hehehe! Vou subir lá para ver como está!

1183077461_3620A saudade havia batido. Depois da minha época de jogatinas freqüentes nos fliperamas dos shoppings, que perdurou por todo o meu 2º grau e até uns 2 anos depois, fiquei um tempão sem se quer colocar os pés nas salas de jogos tanto por que eu e meus amigos de jogatina tomamos nossos rumos, começamos a trabalhar, o tempo ficou escasso…  Faziam já muitos anos que eu não ia até lá, e nas poucas vezes que eu resolvi dar uma chegadinha, foi apenas para olhar mesmo, matar saudade, e raramente jogar um créditozinho em alguma máquina nostálgica surrada pelo tempo e uso. Coisa rápida pra muié não olhar feio né…  Mas dessa vez eu me assustei. Subi as escadas esperando ver os velhos clássicos que me detonaram tantas fichas (e créditos mais pra frente!!), que me proporcionaram tantas horas de diversão com meus amigos matadores de aula, aqueles simuladores de corrida nada reais, porém, divertidos que só, e que ficavam rodeados de gente olhando pra tela sem nem piscar enquanto sua cabine tombava hidraulicamente para o lado da curva… Bem amigos, eu subi as escadas e me deparei com um parquinho.

lazer_playlandPois é, a boa e velha PlayLand havia se transformado em parquinho de diversões, com direito a carrossel e trenzinho. Fiquei pasmo, fui até lá conferir, tinha um monte daqueles brinquedos de prêmios em tíquete do tipo Basquete, tiro ao alvo, acerte o jacaré que sai do buraco, que você junta uns cupons e depois troca por prêmios fuleiros no melhor estilo daqueles parques americanos de filme B.

Fliperama? Meia dúzia de máquinas de luta em um canto escuro (sério, escuro mesmo) sem NINGUÉM jogando, e mais uma meia dúzia de Pimball’s na outra parede com temas de filmes dos anos 80 mas que  pareciam ainda dar algum lucro (ou pelo menos ainda não tinham quebrado) pois tinha um pessoal brincando.

LabambaAndei por entre o mundaréu de crianças ávidas por um rolê no trenzinho ou no La Bamba miniatura (é, tinha um La Bamba miniatura lá dentro) e em seguida, dei as costas e fui embora, cheio de boas lembranças de um lugar que não existia mais.

A pergunta que eu me fiz: que diabos que aconteceu?

Minha noiva arrebentava seu Pizza Hut enquanto conversava comigo, e eu mergulhado em pensamentos antigos, nem prestava atenção. Eu estava lá atrás, na minha infância, lembrando da época em que ir a um fliperama gastar algumas moedas era como ir a um cinema com imagem digital e som THX.

Em uma época em que os videogames tardavam a chegar no Brasil e que os gringos já se viciavam em Nintendinho e suas conversões mai-o-meno de jogos de arcade, era o mesmo grupinho de sempre que juntava aquela grana da mesada com a do lanche não comprado no recreio para ir em um fim de semana qualquer até o centrão da cidade jogar Fliperama em alguma casa do ramo geralmente escura e suja, freqüentada por Office-Boys e suas pastinhas, e alguns trombadinhas loucos pra pegar alguma delas dando sopa. black-04Mas que se dane o lugar, lá existiam ARCADES, e como agente se divertia com eles! Eram raros esses momentos, mas eram extremamente marcantes. Jogávamos games como Super Contra, Black Tiger, Ghost’n Goblin’s… Eu particularmente me amarrava no Black Tiger! Era difícil, e eu ia bem longe com uma ficha só, e sempre aglomerava aquele monte de gente em cima da máquina para ficar olhando o meu avanço! Alguns até torciam quando viam que o bicho tava pegando, outros vibravam quando agente vencia aquele estágio fdp que nunca havíamos passado antes. Era mágico!

25509-106778-gfs4963222jpg-468xUm amigo adorava jogar o pré-histórico Elevador Action, e ele era bom! Outro era um FENÔMENO em jogos de nave como o P47 e Pré Históric Isle in 1930, o cara tinha reflexos de spiderman, tá loco! Os outros gastavam fichas a esmo perdendo repetidamente em diversas máquinas, e depois ficavam contando quantos créditos ainda faltavam pra terminar! Às vezes a jogatina durava pouco, e agente passava mais um tempão só olhando os outros caras jogarem.

preh0001Lembro de quando um dos caras do grupo ganhou um Master System. Foi o primeiro de todos eles a ter um videogame melhor que um Atari, e como todo bom garoto que ganha algo que é objeto de desejo de todo pré-adolescente da rodinha, fica meio esnobe e começa a contar vantagem em cima de quem não tem! Não era nada que merecesse punição ou chateação de nossa parte, nós não iríamos ficar sem chamar o cara pra jogar bola com agente por isso, mas quando agente chamava ele para ir no fliperama, ele agora gostava de dizer EU TENHO UM FLIPERAMA EM CASA! Trouxa era ele, pois nós sabíamos que o fliperama era infinitamente melhor, mais bonito, melhor acabado, era como comparar um jogo de Atari  a um de Super Nintendo de tanta diferença de qualidade.

tmnt_arcade2A primeira vez que eu coloquei os pés em uma PlayLand aconteceu em uma época em que eu já tinha um Phantom System, e os clones de NES já eram muito populares no Brasil. Já jogava excelentes games no console e colecionava toneladas de revistas especializadas no segmento. Quando entrei no recinto, barrel_alien_vs_predatoragora com uma nova turma de amigos formada pelo pessoal da escola, me deparei com pérolas como Tartarugas Ninja em uma tela de 29 polegadas e 4 jogadores simultâneos, predadores surrando Aliens em um Beat’n Up de qualidade muito superior a qualquer merda feita depois de Aliens o Resgate, e a família Simpson arrebentando os simpsons_arcadecapangas do Burns para recuperar o diamante que a Maggie usava de chupeta… É, foi amor a primeira vista!  Eu jogava pelo menos duas vezes por semana, as vezes mais. As novidades não tardavam a aparecer, e mesmo que nós adquiríssemos consoles novos como o Megadrive ou o SuperNintendo, a qualidade dos games de fliperama ainda eram superiores, e muito! Um bom exemplo é o arcade Moonwalker, que teve conversões para Megadrive e Master System totalmente diferentes da original devido às limitações técnicas dos aparelhos, e RadMobille, o espetacular arcade de corrida que era simplesmente inadaptável para qualquer console caseiro. Até mesmo os games mais antigos como o próprio Tartarugas Ninja e Aliens vs Predador eram muito superiores aos jogos dos videogames daquela época.

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Essa diferença sempre esteve a favor dos arcades. Mesmo com a entrada definitiva dos gráficos em 3D das plataformas caseiras de 32 e 64 bits, os arcades se mantinham um passo, ou até mesmo dois à frente destes aparelhos, sempre apresentando placas novas e poderosas capazes de reproduzir games muito à frente dos consoles. Assim cansamos de jogar nos arcades aquelas versões de diversos games de luta durante a febre que se iniciou com Stret Fighter 2, passamos a conhecer jogos de tiro como The House of the Dead e Virtua Cop, cheios de continuações e imitações pelo mundo a fora, e ainda víamos continuações bacanas e nostálgicas de franquias mais antigas pintando vira e meche. Os fliperamas continuavam vivos como sempre!

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Mas o que aconteceria quando os consoles domésticos finalmente alcançassem e superassem a potência visual e sonora de um Arcade? Qual seria o chamativo uma vez que aquele passo à frente de qualidade agora estaria na posição contrária, onde o console caseiro além de possuir visual mais bonito, ainda permite interagir e jogar com jogadores do mundo todo?  E se somássemos a isto o fato de que as casas de fliperamas convencionais já vinham perdendo a guerra contra as Lan Houses e cyber-cafes, pontos de encontro e de jogatina que aos poucos foram roubando o público adolescente que antes frequentava os fliperamas?

arcade1A resposta é a que me veio à cabeça enquanto comia meu lanchão do Burguer King sem prestar atenção ao que minha noiva dizia: extinção. Parece que os  fiperamas estão fadados ao desaparecimento, e as máquinas restantes se tornarão peças de museu, artigos para colecionadores, e sucata.

Procurei colher informações, e descobri que hoje em dia em SP, é muito difícil se achar uma casa de fliperama, são poucas as sobreviventes. Do total dos tempos áureos de PlayLand’s lotadas de adolescentes e cheias de novidades, apenas 15 a 20% das casas restam escondidas e acanhadas entre os milhares de pontos comerciais da capital, e destas, uma ou outra consegue oferecer máquinas em estado e qualidade aceitável para se jogar. Muito provavelmente, isso se repete no Brasil inteiro, quiçá no mundo, limitando os fliperamas a um número ultra reduzido de casas especializadas.

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As máquinas tornaram-se obsoletas, e a manutenção é cara. Assim elas estragam, e enquanto isso não acontece, o único destino delas  agora  é a locação para festas e eventos.  Máquinas novas e atuais são extremamente raras, e só aparecem am alguns poucos shoppings do Brasil e em salas de fliperamas de marcas particulares e especializadas devido ao preço elevado delas. Não é mais financeiramente viável produzir para comercialização mundial um arcade com tela de LCD High Definition e placas com poderio gráfico iguais às de um console desta geração, pois ficam extremamente caros e não competem com o conforto do lar. Elas existem, mas são exclusivas de países como o Japão, onde os games são criados.

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Mas que droga, por que diabos os consoles caseiros tiveram que evoluir tanto assim? Por que merda os consumidores tinham que se tornar tão ávidos por gráficos super definidos sendo que isso não deixa o game mais ou menos divertido? QUAL A GRAÇA DE SE JOGAR ALGO TÃO REAL E QUE A CADA DIA MAIS SE ASSEMELHA À REALIDADE EM QUE VIVEMOS, SE A ESSÊNCIA DOS VIDEO GAMES NASCEU DENTRO DAQUELAS CARCAÇAS DE FLIPERAMA SURRADAS, ONDE UM MUNDO QUE FAZIA FORÇA PARA FICAR O MAIS LONGE POSSÍVEL DA REALIDADE NOS LEVAVA A CONTROLAR UM CARINHA DE BIGODE QUE TINHA QUE SALVAR UMA PRINCESA DE UM MACACO AREMESSADOR DE BARRÍS, OU A AJUDAR 4 TARTARUGAS MUTANTES NINJAS ADOLESCENTES A SALVAR O MUNDO?

Aí uma vos impaciente me pergunta: Sabat, se tá me escutando?? Mas o que é que vc tanto pensa ai, heim??
E eu respondi tentando pensar em outra coisa: Nada não amor.

Fim